domingo, 3 de abril de 2011

Demétrius


Demétrius, nome artístico de Demétrio Zahra Neto (São Paulo, 28 de março de 1942) é um cantor e compositor brasileiro. Nascido em Jacarepaguá, cidade do Rio de Janeiro, quando mudou-se para São Paulo ele tinha apenas 6 meses de vida.

Estudou no Colégio Ateneu Paulista de Campinas como aluno interno; no Colégio 7 de Setembro, no Colégio Paulistano, no Colégio Paes Leme e no Colégio Alfredo Pucca. Estes todos em São Paulo, Capital. Sua primeira professora chamava-se Fidalga, e foi ela quem lhe deu os primeiros ensinamentos e de quem ele lembra com muito carinho e saudade. Cursou até o 2º ano colegial, quando iniciou sua carreira artística, interrompendo aí os estudos. Seus ídolos na adolescência e juventude foram Elvis Presley, Cauby Peixoto, Ângela Maria e Tito Madi.

Em 1960, quando cantava em uma festa de aniversário, músicas de Elvis para seus amigos, foi convidado por Miguel Vaccaro Neto, disc jockey da Rádio Pan-americana de São Paulo (hoje Jovem Pan) e diretor da gravadora Young, para gravar um disco 45 rpm com a música Hold Me So Tight, canção em que revela a forte influência de Elvis Presley, no auge do sucesso.

O detalhe é que esse primeiro disco foi gravado pela Young, uma gravadora especializada em rock, por onde passou os cantores Marcos Roberto, Dori Edson e Prini Lorez. A música, de autoria de Hamilton Di Giorgio, intitulada Hold Me So Tight, logo apareceu como bem executada nas emissoras de rádio de São Paulo.

Em 1961, indicado por Genival Melo a Nazareno de Brito, diretor artístico da Gravadora Continental e grande compositor, assinou contrato e gravou a versão que fez para o português da música Corinna Corinna, que logo transformou-se num dos maiores sucessos daquele ano entre os jovens de todo o Brasil. As apresentações em televisão, entrevistas em rádio e revistas e inúmeros shows que fazia, rapidamente transformaram Demetrius num dos maiores ídolos da juventude do país.


A partir daí, Demétrius passou a colecionar alguns hits, como "Rock Do Saci" (de Tony Chaves e Baby Santiago), "O Amor Que Perdi" (versão de Fred Jorge para a música Runaway), "Chega", versão que fez para "Making Love", "A bruxa" (composição própria em parceria com Baby Santiago).


Demétrius foi o primeiro a gravar a versão de "Somehow It Got To Be Tomorrow Today", a música "Ternura", foi o sucesso também na voz de Wanderléa. Ainda outros sucessos como "Não presto mas te amo", de Roberto Carlos, que alcançou as paradas de sucesso do Brasil inteiro, (Roberto Carlos gravou "Preciso lhe encontrar", de Demétrius). Contudo, foi com a música O Ritmo da Chuva, que Demétrius consagrou-se em todo o país como letrista e intérprete. Esta gravação, feita em 1964, nunca deixou de ser vendida e executada nas emissoras de todo o país, até os dias atuais...

"O Ritmo da Chuva" by Demétrius

Olho para a chuva que não quer cessar
Nela vejo o meu amor
Esta chuva ingrata que não vai parar
Pra aliviar a minha dor

Eu sei que o meu amor pra muito longe foi
Com a chuva que caiu
Oh, gente, por favor, pra ela vá contar
Que o meu coração se partiu

Chuva traga o meu benzinho
Pois preciso de carinho
Diga a ela pra não me deixar triste assim...

O ritmo dos pingos ao cair no chão
Só me deixa relembrar
Tomara que eu não fique a esperar em vão
Por ela, que me faz chorar.

Chuva traga o meu benzinho
Pois preciso de carinho
Diga a ela pra não me deixar triste assim...

O ritmo dos pingos ao cair no chão
Só me deixa relembrar
Tomara que eu não fique a esperar em vão
Por ela, que me faz chorar.

"O ritmo da chuva" é uma versão de Demétrius para "Rhythm of the Rain", gravada originalmente em 1962 pelo grupo The Cascades e composta por John Claude Gummoe, membro da banda. No Brasil foi lançada em 1964 e foi sucesso absoluto, tanto que está presente em várias coletâneas, nunca deixou de ser vendida, e é executada nas emissoras de rádio de todo o país até os dias atuais. Vários artistas em todo o mundo já a gravaram, como: Johnny Rivers, Jan and Dean, Gary Lewis & the Playboys, Neil Sedaka, Bobby Darin, Sarah Brightman and Dan Fogelberg...

A versão de Demétrius já foi registrada por vários artistas, como: Leno, Raça Negra, José Augusto, Los Hermanos, Victor e Léo, Os Incrivéis, Fernando Mendes, Angélica, Perla, Sylvinho; e mais recentemente por Fernanda Takai, do Pato Fu.

♫♫♫Não gosto muito de chuva... ela me traz melancolia. Sinto vontade de chorar ou mesmo vontade de receber um abraço demorado, um cafuné, um gesto de carinho qualquer. Alguem que me diga: "estou aqui pode contar comigo". Sei lá. Observe a letra do Demétrius. É bem assim que me sinto... ouvi todas as interpretações e sentimentos e reações foram as mesmas. Linda música! Saudades... Um arco-íris, por favor! ♫♫♫

Victor e Leo: ♫ Ritmo da Chuva ♫ (Rhythm of the rain)


Fernanda Takai e Rodrigo Amarante - O Ritmo da Chuva


OS INCRÍVEIS - RITMO DA CHUVA


Casado e pai de três filhos, Demetrius começou,com o passar do tempo, a dar mais atenção à sua carreira de compositor. Suas canções passaram a ser cantadas também nas vozes de seus colegas brasileiros e de outros países.

Na fase dos festivais, esteve presente em vários deles com suas músicas. Em 1967, compôs a marcha-rancho "Minha Gente" para o III Festival da Música Popular Brasileira (TV Record); em 1968, "Joana Maria", "O Sertão" (TV Excelsior); em 1970, "Oferta" (TV Globo), etc.


Em 1981, afastou-se da carreira artística para dedicar-se a outros afazeres, fase que perdurou até o ano 2000, quando gravou um CD, na Gravadora Zan-Brasidisc, reunindo uma coletânea de alguns dos seus maiores sucessos, além de algumas canções inéditas.

Demétrius vendeu milhares de cópias e se apresentou nos principais palcos brasileiros. Ganhou prêmios como o troféu Chico Viola e vários Globos de Ouro e foi presença constante nos principais programas de televisão e revistas da época.

Demétrius retomou sua carreira após vinte anos longe dos palcos e é dono de uma imobiliária, de uma loja de barcos; e de um quiosque na praia.


Alguns cantores que gravaram músicas de Demetrius

Antônio Marcos, Altemar Dutra, Ary Sanches, Ary Toledo, Fernando Mendes, Francisco Petrônio, Gilberto Reis, Herondy Bueno, Jerry Adriani, Lindomar Castilho, Luís Américo, Nalva Aguiar, Nonô e Naná, Paulo Sérgio, Pedro Paulo, Ricardo Braga, Roberto Barreiros, Roberto Carlos, Ronnie Von, Valdirene, Vanusa, Wanderley Cardoso, Wilson Miranda. E mais: Peninha Zenilton, Som Bateau, Mozart, Mister Banana,Ian Simmons(Americano) e vários outros artistas e orquestras.





**MP3 de Demétrius aqui

FONTE

Wikipédia

Site Oficial

Martinha

Eu Te Amo Mesmo Assim
Martinha


Vieram me contar que você diz que não me quer
Mas que você me tem a hora que você quiser
Que sou apaixonada e você tem pena de mim
Não ligo e só respondo que eu te amo mesmo assim

Fiquei até sabendo de uma outra namorada
E que por causa dela você já não pensa em nada
Eu só não compreendo o que essa gente quer de mim
Não ligo e só respondo que eu te amo mesmo assim

Todo mundo diz que você faz o que bem quer
Mas a mim só interessa mesmo o que você disser
E mesmo que você disser que não gosta de mim
Meu bem ainda respondo que eu te amo mesmo assim

Meu bem ainda respondo que eu te amo mesmo assim


Martha Vieira Figueiredo Cunha, a Martinha (Belo Horizonte, 30 de julho de 1949) é uma cantora e compositora brasileira. Foi apelidada de "Queijinho de Minas" pelo rei Roberto Carlos. Destacou-se na Jovem Guarda participando de programas musicais e de entrevistas nas mais importantes emissoras de televisão.

Seu grande sucesso foi Eu daria a minha vida, gravada em 1968, depois também gravada por Roberto Carlos, exemplo seguido por outros cantores.



Ao longo de sua carreira, iniciada em 1966 e feita no Brasil e no exterior, gravou 23 LP, que somaram três milhões de cópias vendidas. Alcançou grande êxito na América Latina com canções como "Hoy daria yo la vida", "Llueve" e "Aquí".

Ganhou todos os prêmios possíveis no país, e muitos outros no exterior. Como compositora, conseguiu grande êxito, tanto com cantores da Jovem Guarda como com os sertanejos.

Atualmente reside na cidade de São Paulo.

Filha única, desde pequena cantarolava músicas que compunha. Aprendeu a tocar piano aos cinco anos de idade. Era filha de Dª Ruth, a famosa Candinha, que assinava a coluna "Mexericos da Candinha", na fase áurea da Revista do Rádio, editada pelo jornalista Anselmo Domingos desde 1948 até o final da década de 1960.

Martinha iniciou a carreira em 1966, participando do movimento da Jovem Guarda, sendo anunciada carinhosamente por Roberto Carlos, nas apresentações do programa, como "Queijinho de Minas". Seu primeiro sucesso foi a composição, de sua própria autoria, "Eu te amo mesmo assim", gravada no mesmo ano, num compacto simples, que trazia, ainda, a música "Quem disse adeus agora fui eu".

Em 1967 teve a composição "Só sonho quando penso que você sente o que eu sinto", gravada por Erasmo Carlos na RGE.



No mesmo ano, lançou seu segundo compacto com as músicas "Barra limpa" e "Não brinque assim", pela Rozenblit.

Em 1968, obteve seu maior sucesso com a canção "Eu daria a minha vida", de sua autoria, gravada por ela, inicialmente, e, depois, por outros artistas. Teve também composições gravadas por Roberto Carlos.

Como cantora conheceu grande êxito com a interpretação de "Última canção", de Roberto Carlos. Com o declínio da Jovem Guarda, assim como Roberto Carlos, passou a utilizar em seu repertório músicas românticas.

Ao longo da década de 1970 participou de festivais internacionais em vários países da América Latina. Dessa nova fase de sua carreira destacam-se as canções "Vai ser assim", de sua autoria e lançada em 1970, e "Pouco a pouco", em parceria com César Augusto, sucesso de 1983.



Em 1985 teve a composição "Vem provar de mim", em parceria com Cesar Augusto, gravada por Chitãozinho e Xororó.



No ano seguinte, a mesma dupla gravou "Queixas", outra de suas parcerias com César Augusto. Como compositora teve músicas gravadas por intérpretes como Angela Maria, Moacyr Franco, Wanderley Cardoso, Perla, Leno, Paulo Sérgio e Ronnie Von.

Ao longo da década de 1990, passou a compor para duplas sertanejas como Leandro e Leonardo e Chitãozinho e Xororó. Em 1992, Chitãozinho e Xororó gravaram "Nossa história".



No início dos anos 2000, passou a viver numa granja, na região da grande São Paulo, tendo dois filhos já maiores de idade.

Em 2005, participou de diversos eventos e shows comemorativos dos 40 anos da Jovem Guarda, o projeto "Festa de arromba- 40 anos da Jovem Guarda", apresentado durante todo o mês de agosto, noTeatro II do CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil), no Rio de Janeiro, passando também por Brasília e São Paulo, no qual fez dupla com Wanderley Cardoso, em temporada de 3 dias, alternada com outros expoentes da Jovem Guarda, que também se apresentaram em duplas, como Jerry Adriani e Waldirene, Golden Boys e Vanusa, Wanderléa e Erasmo Carlos. Com agenda lotada, a cantora participou de gravações, shows e programas comemorativos por todo o Brasil.

  • Em 2009




Em 2010, apresentou-se ao lado de Roberto Carlos no show do cantor "Emoções Sertanejas", projeto que será convertido em DVD, cantando a música Alô, de autoria dele. O espetáculo foi exibido como Especial da TV Globo.

Martinha - Alô (Emoções Sertanejas)




FONTE

Wikipédia

sábado, 2 de abril de 2011

Cleide Alves


Cleide Alves nasceu no Rio de Janeiro, no dia 5 de dezembro de 1946. Começou a cantar no programa Clube do Guri da TV Tupi de São Paulo. Surgiu no início da década de 60, quando lançou seu primeiro disco, pela gravadora Copacabana, interpretando “Help, help, Maybe”, de Fernando Costa, Alfredo Max e Chamarelli e “Seguindo e cantando”, de Roberto Correia, pelo selo Copacabana.


Em 1962 gravou “Chega”, de Floyd Robinson e Demétrius e “Meu anjo da guarda”, de Rossini Pinto e Fernando Costa.


Renato e Seus Blue Caps - Meu Anjo Da Guarda _ com Cleide Alves

Cleide foi a primeira cantora a gravar o twist da dupla Roberto & Erasmo Carlos: "Procurando um broto", um 78 rpm, lançado pela selo da Copacabana, em 1962.


No mesmo ano, participa do lp "Twist", com Renato e Seus Blue Caps, juntamente com o cantor Reynaldo Rayol.


Cleide Alves - Hey, Brotinho

Um ano depois, lançou o lp "Twist e Hully Gully e Cleide Alves" - trazendo o hit "Mamãe Acha Que é Normal", "Beijo Quente" e outras composições exclusivas de Roberto & Erasmo Carlos.


Cleide Alves recebeu o título de "A Estrelinha do Rock". Durante muitos anos desenvolveu o seu trabalho na caravana do Radialista Roberto Muniz em Clubes, Associações e até em Circos. Os shows eram bastante concorridos.


Atuou ao longo dos anos 60 gravando vários compactos e obtendo algum sucesso no período da Jovem Guarda. Em 1960, Cleide Alves gravou com o cantor Gilberto Alves as músicas natalinas “Noite de paz”, de F. X. Gruber e J. Mohr e “Natal de Jesus”, de Blecaute.

Em 1968, Cleide mudou-se para a RCA e gravou para a casa um LP e vários compactos simples com as músicas: "Você não serve para ser meu namorado" e "Não me diga adeus agora", "Eu Nunca Amei Um Homem Igual A Você".


Cleide retornou às gravações interpretando “Estúpido cupido”, para compor a caixa de CDs 30 Anos da Jovem Guarda (PolyGram, 1995).

Áudio da música "Beijo Quente"

CURIOSIDADES

  • No início dos anos 60, o radialista José Messias em seu Programa na Rádio Guanabara, Rio de Janeiro, recebeu um disco de Bossa Nova, por intermédio do divulgador Bola, gravado por um novo talento que estava buscando espaço para divulgar o seu trabalho. Como ele sabia tocar bem violão, era bom compositor, era jovem e bonito, José Messias sugeriu que ele fosse fazer Rock and Roll. Dias depois o rapaz chegou com um disco com 10 músicas de R&R. Seu nome ... Roberto Carlos, que chamou o amigo Erasmo Carlos e teve o importante apoio de Carlos Imperial. Como havia prometido espaço ao rapaz, José Messias criou o quadro "Encontro com os Brotinhos" que ia ao ar 3 vezes por semana. Pediu também que ele levasse sua turma para se apresentar no programa. Aos poucos, foram chegando Erasmo Carlos, Wanderléa, Cleide Alves, The Fevers, José Ricardo, Eduardo Araujo, Silvinha, Golden Boys, Denise Barreto, Ed Wilson, Roberto Rey, Rosemary, Hélio Justo, Paulo Sergio, Renato e seus Blue Caps, Celmita, Wanderley Cardoso, entre muitos outros...
  • Com o sucesso do programa, José Messias resolveu criar o concurso "Favoritos da Nova Geração" que unia a então Velha Guarda com Ataulfo Alves, Linda e Dircinha Batista, Emilinha Borba, Marlene, Dalva de Oliveira, entre outros grandes nomes consagrados como padrinhos destes novos talentos da música, selecionados através de concurso em rádio e revistas (principais veículos de comunicação da época. Por exemplo, a madrinha de José Ricardo foi Dalva de Oliveira. Neste período em que era realizado o "Favoritos da Nova Geração", Erasmo Carlos compôs a música "Festa de Arromba" que retratava a chegada destes artistas na Festa do Concurso. Cada artista chegava com seu padrinho de forma diferente em carros abertos, carrões e até charrete. Era uma grande festa televisionada pela TV Rio (neste evento, pela primeira vez foi usada câmera externa). Era verdadeiramente uma Festa de Arromba...
(Jovem Guarda - Site José Ricardo)


Jovens Tardes de Domingo - 1985 (Especial Roberto Carlos)

FONTE

Por Onde Canta

Os Incríveis




Domingos Orlando "Mingo", Waldemar Mozema "Risonho", Antônio Rosas Seixas "Manito", Luiz Franco Thomaz "Netinho" e Demerval Teixeira Rodrigues "Neno", que foi substituído em 1965 por Lívio Benvenuti Júnior "Nenê", formavam Os Incríveis, uma banda brasileira de rock e pop dos 60 e 70. Além do sucesso com seus próprios discos, o grupo Os Incríveis, acompanhou vários artistas, como Demetrius (A bruxa) e Orlando Alvarado.

Em 1962, surge em São Paulo os The Clevers, inspirados pelos conjuntos instrumentais norte-americanos, muito populares na época, como The Ventures e The Shadows. Em seus shows, os The Clevers tocavam pricipalmente twist, estilo em moda no início da década de 1960. Porém, aos poucos foram introduzindo músicas cantadas, interpretadas pelo guitarrista-base, Mingo, que tinha boa voz e chegou até a gravar isoladamente.


No entanto, devido a problemas legais com o empresário, a banda foi obrigada a mudar o nome, e optou por Os Incríveis, aproveitando o recall obtido com o sucesso do LP "Os incríveis The Clevers". É desse período o sucesso "O milionário", uma das mais executadas na época. O grande sucesso mesmo viria após a mudança do nome, quando chegou a ter um programa na TV Excelsior e a estrelar um filme, intitulado "Os Incríveis Neste Mundo Louco", com o Primo Carbonari.

Os Incríveis - O Milionário


As primeiras gravações datam de 1963 com um compacto e um LP, fazendo sucesso dentro do estilo twist, então na moda, com destaque para a música El Relicário.



Em 1963 a banda já tinha seu próprio programa de televisão, o "Cleavers Show" com balé dirigido por Leny Dale e que foi interrompido quando viajaram pela Itália para se apresentar em 35 cidades com a cantora Rita Pavone.



Com outros discos gravados e diante dos comentários de um possível namoro do baterista Netinho com a cantora Rita Pavone, uma espécie de Madonna na época, que se apresentava no Brasil, a banda ganhou notoriedade. O resultado foi uma excursão com a cantora italiana por várias cidades da Europa. A banda era a responsável pela abertura dos espetáculos de Rita Pavone. Na volta, os músicos trouxeram na bagagem o primeiro equipamento completo de show, que deu uma guinada em suas apresentações, e gerou qualidade técnica de suas gravações.

Em 1964, contratados pela TV Argentina, gravaram um LP em espanhol e passaram a se chamar "Los Increibles".

Já em 1965, após passarem 10 meses em Buenos Aires retornam ao Brasil pra participar, com Roberto Carlos, Erasmo e Wanderléa do "Programa Jovem Guarda". O grupo participou em 1965 da estréia do programa Jovem Guarda, ao lado de Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléa, Tony Campello e outros, na TV Record. Em seguida foram convidados a apresentar o programa "Os Incríveis".

Na mesma época, viajam de navio pela Europa filmando o longa "Os incríveis nesse mundo louco" e em Londres participam de gravações.

Os Incriveis neste mundo louco





Já de volta ao Brasil lançam o grande sucesso "Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones". Entre o fim da década de 60 e o início da seguinte, os artistas lançaram músicas muito populares como a versão "Era um Garoto que como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones" (Gianni Morandi, versão de Brancato Jr.), "Vendedor de bananas" (Jorge Benjor), "Molambo" (Jayme Florence Augusto Mesquita), "O vagabundo" (versão de George Freedman para Giramondo) e "Eu Te Amo, Meu Brasil" (Dom).

Eu Te Amo Meu Brasil - Os Incríveis
Compositor: Dom


Destaque para a música "Vai meu Bem" (versão para Hideway - da banda Dave Dee), lançada em 1967, que remetia a ideia de um amor desacreditado, através de um flashback desastroso assumindo primeiro uma 3ª pessoa para depois falar de si mesma "Vai meu bem que eu amo só você. Assim acreditei, sem perceber que em meu lugar havia outro alguém".

Em 1967-1968, Os Incríveis apresentaram-se, ao vivo, no Japão e Europa, e gravarem um LP especial para o mercado latino-americano, "Los lncreíbles" (CBS Argentina).



Em 1971, os músicos também fizeram um segundo filme, "Conflito em San Diego", faroeste filmado em Ribeirão Preto (SP), produção italiana que acabou não vingando porque a banda se separou.

Ao longo dos anos de 1970, ex-integrantes dos Incríveis formariam outras importantes bandas do rock brasileiro, Netinho montou a banda Casa das Máquinas e Manito juntamente com Pedro Baldanza e Pedro Pereira da Silva formaram o famoso grupo progressivo Som Nosso de Cada Dia.

OS INCRIVEIS 1989 Jovem Guarda

(Show gravado em Bauru/SP - em 1989)

"Kokorono-Niji" é um dos grandes sucessos de 1968 do grupo Os Incríveis. Trata-se de uma versão dos próprios componentes da banda para a música originalmente composta por J. Hashimoto e T. Inoue. É uma das poucas canções de origem japonesa que obteve êxito no Brasil, ao lado de "Olhando para o céu"
(Sukiyaki), gravada pelo Trio Esperança, "Sayonara", também registrada pelo conjunto e pela cantora e apresentadora Rosa Miyake, além de "Saudade de você", versão de "Kimi Koishi", sucesso de Frank Nagai, na voz da cantora Martha Mendonça (esposa do cantor Altemar Dutra).




OS INCRIVEIS "UMA ROSA PRA DITA" (1973)



Os Incríveis cantam "Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones" no programa Bem Brasil, exibido em 1992 pela TV Cultura.


(O grupo Os Incríveis, um dos mais populares da Jovem Guarda, interpreta a versão da própria banda para "Sayonara", música originalmente lançada no III Festival Internacional da Canção Popular (FIC).

Integrantes
  • Domingos Orlando, "Mingo" - (voz e guitarra)
  • Waldemar Mozema, "Risonho" - (guitarra)
  • Antônio Rosas Seixas, "Manito" - (teclados, vocal e sax)
  • Luiz Franco Thomaz, "Netinho" - (bateria)
  • Demerval Teixeira Rodrigues, "Neno" - (baixo)
  • Lívio Benvenuti Júnior, "Nenê" - (baixo)
Ainda na década de 1960, Neno deixou o conjunto, entrando para os Jordans, substituído por Nenê (Lívio Benvenutti Jr., São Paulo SP 1947-), cuja semelhança de apelido causa certa confusão entre os fãs.



Entrevista com Os Incríveis aqui por Marcelo Froés e Elias Nogueira (11/05/2005)



  • NETINHO - Luiz Franco Tomaz, nasceu em Santos, dia 05 de abril de 1946, considerado um dos maiores bateristas do Brasil. Ficou famoso quando os Incríveis realizaram uma excursão mundial, e ele namorou a famosa cantora italiana Rita Pavone. Também cantava, mas teve que abandonar os vocais porque operou da garganta e perdeu a voz. Seu filho recentemente participou dos incríveis como guitarra solo. Durante algum tempo, foi baterista do grupo CASA DAS MÁQUINAS. Continua em ação nos INCRÍVEIS até hoje.
  • NENO - Demerval R. Teixeira, nasceu em Presidente Epitácio em 15 de junho de 1940. Tocava Pistão, Guitarra e Contrabaixo. Participou dos Incríveis apenas nos primeiros tempos. Depois saiu e foi tocar no outro conjunto famoso da época, OS JORDANS, onde seu irmão já fazia parte. Nos Incríveis, foi substituído pelo Nenê.
  • RISONHO - Waldemar Mozena, nasceu em Lins, no dia 11 de agosto de 1943. Antes de pertencer aos Incríveis, era bancário. Com sua guitarra solo fazia milagres e até hoje é lembrado como um dos melhores guitarristas de todos os tempos. Como referência, não precisa dizer muita coisa do seu talento, apenas que é o melhor performer da música O MILIONÁRIO, até hoje. Não atua mais profissionalmente na música.
  • MINGO - Domingos Orlando, nasceu em São Paulo, no dia 01 de janeiro de 1943. Tornou-se o vocalista principal dos Incríveis, cantando em vários idiomas. Deu voz ao principal sucesso do grupo, a música ERA UM GAROTO...
  • MANITO - Antonio Rosas Sanches, nasceu em Vigo, na Galícia (Espanha) em 03 de abril de 1943. É o músico mais versátil do grupo, tocando um sem número de instrumentos. É o responsável pelos instrumentos de sopro e pelos teclados. Durante algum tempo, tocou no grupo O SOM NOSSO DE CADA DIA. Continua em ação nos INCRÍVEIS
  • NENÊ - Lídio Benvenutti, considerado um dos melhores baixistas da música brasileira, sempre foi considerado o "galã" do grupo. Desempenhou grande papel como vocalista, revezando-se com Mingo, no vocal principal. Antes de entrar para Os Incríveis, participou da banda The Rebels. Atualmente é produtor musical.



Outros membros participaram em como convidados em épocas diferentes, porém, os INCRÍVEIS acima sempre formaram o núcleo central do conjunto."

FONTE

Wikipédia

Jorge Costa

Partitura da música "Triste Madrugada", de Jorge Costa
O compositor Jorge Costa nasceu em 1922, em Alagoas, passou parte da juventude em Recife, morou no morro da Mangueira no Rio de Janeiro e, chegando em São Paulo no começo da década de 50, consolidou seu samba tipicamente urbano e passou a abordar temas políticos e sociais.

Jorge gravou dois raros LPs: este Samba Sem Mentira (1968) e Jorge Costa e Seus Sambas (1973). Jorge conheceu Nelson Cavaquinho e frequentou a Escola de Samba da Estação Primeira de Mangueira, tendo feito parte da Ala dos Compositores.

Autor de muito vários sambas de sucesso: Triste madrugada, Baile do Risca Faca, Maria Simplicidade, Lar sem pão, Brigamos e muitos outros, Jorge Costa teve suas músicas gravadas por diversos cantores famosos tais como: Ângela Maria, Jair Rodrigues, Germano Mathias, Benito de Paula, Noite Ilustrada, Beth Carvalho, Demônios da Garoa entre outros.

Ladrão que entra na casa de pobre...
by Elias de Lima
Composição de Jorge Costa


O cantor e compositor João Borba - considerado um dos mais completos e atuantes representantes da Velha Guarda paulistana - lançou o CD João Borba Canta Jorge Costa - Ao Vivo - acompanhado por Celso de Almeida (bateria), Francisco Valle (percussão), Milton Mori (cavaquinho), Luciano Barros (contrabaixo), Junior Pita (violão) e Jaziel Gomes (sopros).


Gravado ao vivo em show no teatro do Sesc Pompéia (SP), em julho de 2007, o álbum que apresenta 15 sambas do compositor alagoano Jorge Costa (1922 - 1995), ganha alto valor documental na voz de João Borba.

Borba veio ainda pequeno para Capital, onde lapidou sua técnica de dança e canto do samba-lenço (e outros gêneros típicos do samba paulista) ao integrar o lendário grupo de teatro de Solano Trindade. Em São Paulo, atuando em gafieiras e quadras, também desenvolveu um estilo inconfundível de compor e cantar sambas urbanos, sejam eles dolentes, sincopados ou de enredo. É conhecido como “Borba da Pérola Negra”.

Músicas:
1. Samba da Rosa (Jorge Costa / Celso Martins)
2. Brigamos (Jorge Costa / Nairson Menezes)
3. Triste Madrugada (Jorge Costa)
4. Castiguei (Jorge Costa / Venâncio)
5. Bandeira da Paz (Jorge Costa)
6. Não Me Interessa (Jorge Costa / Clóvis de Lima / Luiz Alcides Zanatelli)
7. Inferno Colorido (Jorge Costa)
8. Depois do Carnaval(Jorge Costa / Paulo Roberto)
9. Ladrão que Entra na Casa de Pobre Só Leva Susto (Jorge Costa)
10. Baile do Risca Faca (Jorge Costa / Durum Dum Dum)
11. O Tocador Quer Beber (Jorge Costa)
12. Só Vai na Onda (Jorge Costa / Wilson Ribeiro)
13. Sábado Não Dá (Jorge Costa)
14. Chave do Coração (Jorge Costa / José Domingos)
15. Choro Junto com Você (Jorge Costa / Manoel Ferreira)
Jair Rodrigues interpreta Triste Madrugada, de Jorge Costa.



Venâncio e Jorge Costa - Ação de Despejo
by Germano Mathias


Venâncio e Jorge Costa - Chão
by Germano Mathias


Venâncio e Jorge Costa - Lar sem Pão
by Germano Mathias


O cantor Ucho Gaeta, famoso harmonista italiano do Canal 3, TV Tupi, que participava assiduamente do Programa de Airton e Lolita Rodrigues chamado “Almoço com as Estrelas”, também interpretou Jorge Costa.

Venâncio e Jorge Costa - Castiguei
by Ucho Gaeta



CURIOSIDADES

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1968 – Abertura do carnaval do cinqüentenário de Catanduva/SP em baile realizado no Clube dos 300. Na foto o compositor Jorge Costa, a Rainha do Carnaval Amália Marangoni e o cantor Wilson Simonal

Kazinho


O paraense Oscar Azevedo dos Santos, o Kazinho é um dos grandes compositores do samba paulistano. Durante muitos anos, ele fez canções para nomes como: Ciro Monteiro, Demônios da Garoa, Germano Mathias, Noite Ilustrada, Ari Lobo. Kazinho lançou o LP O Samba Como Ele É - Popular Brazil com seus maiores sucessos. Além das divertidas Estou a Zero e Deu a Louca na Nega, Kazinho relembra sua terra natal em Saudade do Pará e reclama dos amores mal resolvidos em obras-primas como: Meu Tipo, Meu Viver e especialmente Eu e a Saudade Pela Rua. Na edição original, não consta a data de lançamento do disco. Kazinho compôs Isto é São Paulo, uma de suas músicas de maior sucesso.

Isto é São Paulo
Composição: Kazinho
by Demônios da Garoa

Mil, quinhentos e cinqüenta e quatro,
Quando de um colégio, deu-se a fundação,
Nasceu a capital de um estado,
Desta nação.
Que seria líder das demais,
Hoje a cidade que mais cresce neste mundo,
É cidade dos arranha-céus,
Maior centro cultural,
E industrial,
No trabalho, vem e vai,
Isto é São Paulo,
Meu Brasil,
Isto é São Paulo,
Meu Brasil.

O trabalho sempre foi seu lema,
Seu ordeiro povo ser trabalhador,
Mostrou em tantas obras sua força, o seu valor,
Obras que só fazem orgulhar,
Túnel Nove de Julho,
Elevado Costa e Silva,
Ibirapuéra, Parque Anhembí,
Corrida São Silvestre,
Estádio Morumbí,
E as estradas, pra rodar,
Isto é São Paulo, meu Brasil.

O seu samba hoje consciente,
Tem entrada franca, no Municipal,
E da aquele recital,
Para quem quiser apreciar,
Suas noites hoje, se aquecem com pandeiro,
Timba, cavaquinho e violão,
Depois o Carnaval, no Anhangabaú,
É samba em festa a desfilar.
Isto é São Paulo, meu Brasil...

"Todo ano eles tocam essa música no 25 de janeiro, quando é aniversário da cidade. Eu estava cantando na noite, numa boate que o Jorge Costa tinha. De repente, eu cantei este samba. Os caras do Demônios da Garoa estavam observando a minha apresentação. Eles gostaram da canção e chegaram em mim: “Kazinho, vai lá que nós vamos gravar o seu samba”. Eles gravaram e é a música que mais me deu direito autoral. Infelizmente, a imprensa só destaca as músicas do Demônios que foram feitas pelo Adoniran. E os outros compositores, como ficam?", disse Kazinho em entrevista ao jornalista *Matheus Trunk.

Sempre fui boêmio. Mas sempre me cuidei. Por isso, vou chegar aos 120 anos”, brinca Oscar Azevedo dos Santos, o Kazinho. Sobre suas composições preferidas ele diz: "Olha...Deu a Loca na Nega é a preferida. Outra que eu gosto muito é Meu Estranho Eu. Essas duas músicas foram para a minha falecida esposa. Ela era manicure, cabeleireira, enfermeira, qualquer coisa que precisasse na vizinhança ela resolvia. Mas teve três derrames e acabou indo embora".

Oscar era chamado de Kazo, que com o tempo acabou sendo apenas Kazinho, mesmo. Kazinho, que nasceu em 1928 em Belém/PA, ficou conhecido pelas letras de sambba-enredo que foram temas de várias escolas de samba. Um dos grandes nomes das noites cariocas e paulistanas, Kazinho cantou em bares, boates, cabarés, como o Cabaré Brasil; e também casas noturnas da capital paulista, onde chegou em 1963. Além do samba, Kazinho ganhou a vida como técnico contábil.

Como compositor, Kazinho foi gravado por artistas de renome nacional como Germano Mathias, Ciro Monteiro, Noite Ilustrada, Demônios da Garoa, entre outros. Nos anos 60, gravou seu único disco como cantor (O Samba Como Ele É).

Kazinho foi compositor da Mocidade Alegre. Faziam parte da escola ele e o compositor Jangada. Também passou pela Imperador do Ipiranga. Desfilou pelas duas e veio cantando o samba na avenida. Ele puxava o samba antes da escola entrar.

Kazinho começou a gostar de música por causa de seus pais. Os dois eram cantores e violonistas. Quando ele tinha quatro, cinco anos eles formaram um bloco carnavalesco. Torcedor do Paysandu, fez parte do juvenil do time quando tinha dezesseis, dezessete anos. Kazinho tinha a fama de ter a testa dura. Quando ele pulava, os outros jogadores tinham medo de pular com ele com medo que ele desse testada neles. "Por isso, o pessoal me respeitava bastante. Eu sempre gostei de jogar nas extremas, seja no ataque ou na defesa. Nunca gostei de jogar no meio", contou Kazinho ao jornalista Matheus Trunk*.

Fã dos cantores Ciro Monteiro e Dilermando Pinheiro, Kazinho conta que Dilermando cantava acompanhado por um chapéu de palha dele, como o Luiz Barbosa de quem ele era uma espécie de discípulo. "Meio calvo, bem carioca. Quando a gente saia era um sarro. Ele falava: “Ei, Kazinho, não precisa vir me bater, não”. Ele com aquele chapéu de palha era um negócio. Ele ia gravar um samba meu, mas ele morreu. O Dilermando chegou a aprender a letra toda, mas depois o samba acabou não sendo gravado", relembra Kazinho.

De Ciro Monteiro as lembranças datam o Rio de 1950. Kazinho conheceu o Ciro em 52. "Ele me chamava de sobrinho, porque eu usava o cabelo igual ao dele. Chegava na roda de samba, ele falava: “Olha, chegou agora o meu sobrinho”. Ele era bom de porrada, mas quando ele ficou com idade me falou: “Meu sobrinho, estou ficando triste porque eu não agüento mais uma briga”. Eu sabia todo repertório dele."

No Rio de Janeiro, Kazinho gravou apenas um compacto com a canção Mulher de Compromisso. "O José Messias não queria trabalhar o meu disco porque dizia que eu estava fazendo apologia ao cara que ficava com a mulher dos outros. O Zé Messias gostava muito das minhas coisas.."

Em São Paulo, Kazinho lembra que recebeu bastante apoio dos compositores Venâncio e o Curumba. "Eles me orientavam muito. Foram os meus pais quando eu cheguei aqui. Gostavam de ver que eu estava na linha, usando roupas finas. Antigamente, todo mundo pra sair tinha que usar terno, gravata, essas coisas. O Venâncio era mais mão aberta".

Sobre Caco Velho, Kazinho conta: "Ah, eu conheci ele no final de vida. Ele tinha um escritório na rua Barão de Itapetininga. Eu conversei várias vezes com ele. Eu queria passar uma música minha pra ele gravar. Ele me falava: “É complicado, meu filho, mas eu já tenho um repertório anotado”. Ele era um cara bom e não era metido a besta. Tem cara que tem um nomezinho e já sobe em pedestal".

E ainda do amigo Germano Mathias: "Foi no ambiente noturno. Depois, ele ouviu as minhas músicas, gostou e acabou gravando cinco. Ficou muito meu amigo e me ajudava muito. O Germano nunca foi um cara metido a besta, também. O pessoal fala que ele era de porrada, mas ele nunca foi. Sempre foi um grande gozador."

Em 1971, pela CBS, Germano Mathias lançou o LP “Samba é Comigo Mesmo” com várias composições de sua autoria (entre as quais “O toró já chegou”, em parceria com Caco Velho, que faleceu em setembro daquele ano) e outras importantes composições dos amigos do tempo das batucadas, Carlão, Toniquinho e Jerônimo).

Nesse LP, Germano, interpretou “Pressão baixa”, revelando o paraense Kazinho, brilhante compositor de sambas sincopados. Foram aliás os sambas de Kazinho que serviram de base para o LP “Germano Mathias” pela Beverly, de 1974. Além de “Eu e a saudade pela rua”, “Meu viver” , “Como é que pode” e o inesquecível “Deu a louca na nega”, todos do compositor paraense, são também destaques desse disco, sambas de Caco Velho, Jorge Costa, Padeirinho, Henricão e Laurindo Saudade.

Eu e a Saudade Pela Rua, teve como musa inspiradora: Maura, sua primeira esposa. Deu a Louca na Nega, teve a Lúcia, sua segunda esposa, como inspiração. "Como eu te disse, eu era muito boêmio. A nega coitadinha, sofreu muito com a minha boêmia. Eu não maltratava ela, mas de vez em quando eu sumia (risos). Eu ficava dois ou três dias longe de casa (risos). Um dia ela ficou tão louca que chegou a ir na polícia para procurar por mim. Ela foi no IML porque diziam que tinha um Oscar lá. Parece que o camarada era realmente parecido comigo e ela pensou que era eu. O Jorge Costa gozava muito ela: “Estão pedindo pro Kazinho cantar o Deu a Louca na Nega”. No fim, ela mesmo incentivou eu a cantar a música. O Jorge Costa era um gozador..."

De Jorge Costa, Kazinho lembra que: "Ele era dono de vários sucessos como compositor. O Jair Rodrigues gravou as coisas dele. O Jorge Costa me tornou bastante conhecido na noite. Ele cantava O Samba Como Ele É nos shows dele. Ele e o Guaracy do Pandeiro me tornaram mais conhecidos. Quando eu cheguei do Rio, eu ainda não era conhecido. Ele tornou a minha música muito conhecida na noite de São Paulo. Quando eu cheguei, já estava feito por eles. Infelizmente, os dois já foram embora".

Quando o Jorge costa adoeceu kazinho foi visitá-lo no hospital e ele não conseguia o reconhecer. Estava todo enrolado na cama. Então o Kazinho falou pra enfermeira: “Agora ele vai me reconhecer”. E começou a cantar O Samba Como Ele É e no mesmo instante ele me falou: “O Kazinho....”. Como uma música marca as pessoas...

Do Noite Ilustrada Kazinho foi companheiro de vida boêmia. Primeiro ele fazia a contabilidade dele. Ali se conheceram e o amigo foi outro que lhe deu um empurrão na noite paulista. O Noite Ilustrada assinava as suas composições como Marques Filho, seu nome verdadeiro, e como cantor usava o pseudônimo de Noite Ilustrada. Ele falava que ficava chato: "...samba do Noite Ilustrada cantado pelo Noite Ilustrada".

Kazinho compôs Consciente, música que foi interpretada pelo Noite Ilustrada. Bonita canção, ela diz assim: “Meus cabelos brancos chegaram/ Minha mocidade já passou/ Minhas ilusões passaram/ Hoje vivo aquilo que eu sou/ Mas não sou um velho decadente/ Mas sim um homem adulto consciente”.

Kazinho relembra que bebeu muito com Mauricy Moura. "Ele era muito boêmio e bom cantor também. Acompanhei ele tocando pandeiro várias vezes. Uma vez, estávamos em um bar tocando samba e ele cantando as músicas bonitas que ele cantava. Chegou um policial e falou: “Vamos lá pra delegacia”. Quando foi a minha vez, eu dei o meu nome e tudo. Me perguntaram o que eu fazia. Respondi: “Eu estava tocando com o Mauricy Moura”. O policial me falou: “Mauricy Moura? O que esse cara faz aqui. Se está com Mauricy não tem problema". Ele era conhecido até pela polícia."

Sobre Moraes Sarmento, Kazinho conta que esse era seu fã: "Moraes Sarmento tinha um programa e eu fui lá cantar. Ele me falou: “Kazinho, não é esse ritmo de samba que você tem que cantar. Você tem que cantar com regional". Quando eu dei o disco pra ele, eu estava cantando acompanhado com piano, baixo e bateria. Depois, eu passei a cantar com conjunto e batendo no pandeiro. Eu não era Bossa Nova, eu sempre fui do samba autêntico, antigo, dos boêmios."


  • Acadêmicos da Paulicéia
  • Anastacia
  • Ary Lobo
  • Armando da Mangueira
  • Baianinha
  • Ciro Monteiro
  • Cleusa Costa
  • Demônios da Garoa
  • Germano Mathias
  • Lurdinha
  • Maria Andréa
  • Noite Ilustrada
  • Renato Tito
  • Roberto Staganelli
  • Wilson Rodrigues
  • Zito Borborema
Sentados: Julio Caqui - o Caqui do Pandeiro, Seu Beto, Talismã, Zeca da Casa Verde, João Dionísio, Odair Fala Macio (Odair Ferreira), China, Califa, Jangada, Osvaldinho da Cuíca, Doca, Julinho, Ideval, Caveirinha, Kazinho. Em pé: Jaburú e, com o pavilhão da mocidade, Nelí. A foto foi tirada em 1974, durante o almoço dos compositores, na Morada do Samba, quadra da Mocidade Alegre, no Bairro do Limão.


Composições de Kazinho na voz de outros interpretes:


Hei de Viver (Kazinho)
Samba no Duro (Kazinho)

Saudade Junina (Kazinho)
Saudade do Meu Pará (Kazinho)

Saudades do Meu Pará (Kazinho)

Hei de Viver (Kazinho)
Chão do Pará (Kazinho/Venâncio)

Saudação aos Orixás (Kazinho)

Mulher de Compromisso (Kazinho-Aor Ribeiro Filho)

Conjugando (Kazinho)
Garota Gazeteira (Kazinho)

Isto É São Paulo (Kazinho)

Como é que Pode (Kazinho)
Deu a Louca na Nega (Kazinho)
Eu e a Saudade pela Rua (Kazinho)
Meu Viver (Kazinho)
Pressão Baixa (Kazinho)

Convencido (Kazinho)

Barracão Vazio (Kazinho)
Se...(Kazinho)

A Volta (Kazinho)
Consciente (Kazinho)
Os Pagodeiros do Ritmo
Minha Porta Bandeira (Kazinho)

Idealizando (Kazinho-Renato Tito)

Lição de Baião (Kazinho-Aor Ribeiro)
Mulher de Compromisso (Kazinho-Aar Ribeiro)

Peça Bis (Kazinho)

As Coisas Lindas do Meu Pará (Kazinho)

No dia 18/01/2011 saiu o resultado da pergunta/concurso lançada por Júlio César Passarela na Veja : - Você conhece esse time? Quer ganhar dois CDs (sambas-enredo 2011 do Rio e da Liga-SP)? Diga onde estão e quem são os personagens da foto acima. O ano é 1974. Os três primeiros que acertarem ganharão os CDs. As respostas devem ser enviadas no campo de comentários aí embaixo. Os CDs serão entregues nesse mesmo local da foto em dia a ser marcado. Na sexta-feira, 21, encerramos o concurso. Obviamente não vamos publicar as mensagens com respostas até que o concurso tenha acabado, para que não copiem a resposta alheia. Podemos dizer que até agora ninguém acertou todos os nomes, mas chegou bem perto. De qualquer maneira, se ninguém acertar todos os nomes, aquele que acertar mais leva dois CDs.

Entre 1997 – 1999, Kazinho conheceu a advogada atuante, bailarina, cantora, compositora, intérprete musical, contorcionista e estudante de acrobacias e artes circenses... Maria Andréia (de Piracicaba); dessa amizade resultou o CD “Caindo na Gandaia”, de Maria Andréia, que tem Kazinho como autor de sete das 10 músicas que compõe o seu álbum, lançado em 2000. A segunda edição do primeiro CD remasterizado da Maria Andreia lançado em 2004 mostra toda a irreverência e personalidade da artista. A música de trabalho “Bacalhau Criminal” é tema de carnavais de rua e hotéis na região de Piracicaba/SP. Em 2005, após um período em que se dedicou mais a dança dando ênfase as coreografias circenses, Maria Andreia trabalhou na 3 edição do seu primeiro CD – renovou sua identidade visual e em homenagem ao grande amigo e compositor Kazinho lança Barracão Vazio.

Leia aqui o depoimento de Kazinho sobre a cantora Maria Andréia.

FONTE
 


*Matheus Trunk é jornalista. Começou na revista Transporte Mundial e atualmente está no Jornal Nippo-Brasil. Dirigiu a revista eletrônica Zingu! por trinta meses. Mantém o blog Violão, Sardinha e Pão.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Elias Soares


As composições de Elias Soares, principalmente baiões, mas também rojões e cocos, foram gravadas, entre outros, por Luiz Gonzaga, Zito Borborema, Luiz Vanderlei, Ari Lobo, Jackson do Pandeiro e Trio Nordestino.

Ary Lobo - Jurei me Vingar

Em 1958 o humorista Zé Trindade gravou pela Colúmbia a marcha "O negócio é perguntar pela Maria", de parceria dos dois, e Zito Borborema gravou pela RGE o xote "Casamento encrencado", parceria com Cumpadre.


O negócio é perguntar pela Maria 

Em 1959, o mesmo Zito Borborema gravou o forró "Bichinho da Goitana", parceria com Antônio Vilarinho, e Ari Lobo gravou o rojão "Juvita", parceria com João Rodrigues.

Mineiro sabido

Em 1960, Luiz Vanderley gravou pela Chantecler o baião "Mineiro sabido", parceria dos dois, e Jackson do Pandeiro gravou pela Philips o rojão "O povo falou", parceria de Elias e Jackson.

Turista baiano

Em 1961 compôs com Luiz Vanderley os baiões "Turista baiano" e "Pernambuco, você é meu", gravados pelo próprio Luiz Vanderley pela Chantecler.

Em 1964, duas de suas composições, o baião "O baião vai", parceria com S. Rodrigues, e a toada "Nordeste sangrento", foram gravadas por Luiz Gonzaga no LP "Sanfona do povo". A toada "Nordeste sangrento" foi gravada também por Gordurinha e Geraldo Nunes.

Nordeste sangrento

Em 1967, Luiz Gonzaga gravou "Ou casa ou morre" no LP "Óia eu aqui de novo".


Ou casa ou morre

Elias Soares teve ainda a composição "Vitória de Santo Antão" gravada por Gonzaga em 1968 no LP "São João do Araripe". O Trio Nordestino gravou, entre outras, "Hora da partida" e "Duas são demais", parceria com Antônio Ceará.

Trio Nordestino - Hora da partida


Seu principal parceiro foi Luiz Vanderley com quem compôs, entre outras, os baiões "O homem de Caxias" e "Zé Paraíba", o xote "A sopinha do Zarur", todas gravadas pelo próprio Luiz Vanderley, além da marcha "A marcha do Chacrinha", gravada pelo próprio Chacrinha em 1960 pela Chantecler.

ARY LOBO - Zé Paraíba

Um de seus sucesso foi o forró "Vamos todos festejar", gravado pelo trio Os Três do Nordeste.

Os 3 do Nordeste - Vamos todos Festejar


Em 1980, suas músicas "Seu reverendo", com Genival Lacerda e "Forró do cabra Zoró", com Genicé Moraes foram gravadas por Genival Lacerda no disco "O Rei da munganga".

Em 1999, teve o rojão "Mané Gardino", parceria com Ari Monteiro gravado por Carmélia Alves pelo selo CPC-UMES. No mesmo ano, o cantor brega Falcão gravou "Meu cofrinho do amor", parceria com Tarcísio Matos e João Martins no CD "500 anos de chifre - O brega do brega".


Em 2007, teve a música "Mané Gardino", de sua autoria com Ari Monteiro, gravada pelo cantor e compositor Kojak do Forró, no álbum ao vivo "O afilhado do rei do ritmo Jackson do Pandeiro". O CD/DVD, de lançamento independente, produzido por Kleber Matos, foi uma homenagem ao cantor e compositor Jackson do Pandeiro.



FONTE


Dicionário Cravo Albin