sábado, 26 de novembro de 2011

Voz do Sertão


Voz do Sertão foi um conjunto vocal e instrumental criado em 1927 pelo bandolinista Luperce Miranda e do qual também fazia parte o cantor de emboladas e compositor Minona Carneiro.

"Entre 1928 e 1929, veio em excursão para o Rio um conjunto pernambucano, com um repertório especializado em ritmos nordestinos, os Turunas da Mauricéia, tendo como destaques o extraordinário cantor e compositor Augusto Calheiros, apelidado muito a propósito de Patativa do Norte, e o genial violonista cego Manoel de Lima, entre vários outros músicos notáveis. Eles tocavam uma grande variedade de ritmos, praticamente desconhecidos do público carioca, cocos, emboladas, trizadas, baiões, martelos... Tinham uma série de apresentações marcadas para o Teatro Lírico, no Largo da Carioca, como uma curiosidade e só. Mas o sucesso foi tão retumbante, as platéias ficaram de tal modo tão arrebatadas pelo grupo, que novas apresentações e excursões foram rapidamente marcadas por todo o Sul. Naturalmente as rádios também os contataram e o que fora até então um grande sucesso transformou-se numa febre, num autêntico delírio coletivo. Essa demanda excitada atraiu outro grupo nordestino, Voz do Sertão, encabeçado pelo cantor Minona Carneiro e o violonista Romualdo Miranda. A vibração do público só ampliava e se multiplicava. Mas agora as gravadoras e emissoras de rádio já sabiam o caminho. Não foi o rádio que lançou a música popular, foi o contrário” (História da Vida Privada no Brasil, vol. 3, pág. 593)


Em 1927, os Turunas chegavam ao Rio de Janeiro, mas Luperce somente veio reunir-se ao grupo  alguns meses depois. Cantavam emboladas, cocos, ritmos até então desconhecidos na cidade, e trajavam roupas sertanejas, com chapéus de abas largas erguidas na frente, onde se podia ler: "Guajurema", "Riachão", "Periquito" e "Patativa do Norte".

No final de 1927, gravaram 20 músicas para a Odeon, sendo três de sua autoria e Augusto Calheiros: os sambas "Pinião" e "O pequeno Tururu" e a canção "Belezas do sertão". Note-se que "Pinião", uma embolada foi lançada como sendo samba.

Nesse mesmo ano, animado com o sucesso dos Turunas, Luperce organizou em Recife um novo conjunto: Voz do Sertão, no qual tocava bandolim e era integrado por Meira (violão), José Ferreira (cavaquinho), Robson Florence (bandolim) e o cantor de emboladas Minona Carneiro (voz) e, pouco depois, Romualdo.
Minona Carneiro (Severino de Figueiredo Carneiro), cantor e compositor, nasceu em Recife/PE, em 23/11/1902, e faleceu na mesma cidade em 1936. Freqüentador das rodas boêmias de Recife, cantava modinhas e canções, chegando a participar de um conjunto regional organizado por Pedro Alves.

Com a voz afetada por problemas de saúde, viu-se obrigado a procurar um novo estilo, passando a se dedicar à emboladas. Numa reunião no bairro de Casa Amarela, conheceu Manezinho Araújo, que com ele aprendeu a cantar emboladas. Começaram a se apresentar juntos em festas.

Em 1927 integrou o conjunto Voz do Sertão, organizado pelo bandolinista Luperce Miranda, que incluía ainda Meira (violão), José Ferreira (cavaquinho) e Robson Florence (bandolim). Com o conjunto foi para o Rio de Janeiro em 1928.

No início de 1930 gravou na Brunswick, Dedé (Nelson Ferreira). No mesmo ano gravou três discos na Parlophon, com as emboladas Passarinho molhado (Francisco Santoro), Óia lá (Altamiro Godinho), O amor da caboca, Ai seu Mané, Chô, bicho e O perigo da muié (estas últimas de sua autoria).

Compôs também outras emboladas, como O trem vai chegá, Chô, juriti (com Luperce Miranda), Comigo não, João, Cajueiro, e sambas, como Achei um ninho, Sertão do Surubi, Penera asas (todos com Luperce Miranda).

Com a saúde debilitada, retornou pouco depois à capital pernambucana, onde morreu.

Meira (Jaime Tomás Florence), instrumentista e compositor, nasceu em Paudalho PE em 1/10/1909 e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 8/11/1982. Aprendeu a tocar violão com o irmão Robson, com quem seguiu para o Rio de Janeiro em 1928 no conjunto Voz do Sertão, organizado por Luperce Miranda ainda em Recife, em 1927, e integrado também por Minona Carneiro (cantor) e José Ferreira (cavaquinho).

Foi vizinho de Noel Rosa, que compunha os primeiros sambas.

No início da década de 1930 teve editada uma música sua, Falando ao teu retrato (com De Chocolat), gravada em 1935 por Augusto Calheiros.

Teca Calazans & Heraldo do Monte - Falando ao Teu Retrato

A estréia de Meira, em disco,  ocorreu em 1934, quando Benedito Lacerda e seu regional lançaram o choro Primavera.

Em 1937 substituiu o violonista Carlos Lentine no Regional de Benedito Lacerda, o qual, com Dino (violão de sete cordas), formou uma das mais duradouras duplas violonistas da música popular brasileira. Com o regional, acompanharam os grandes cantores populares da época, em apresentações e gravações.

Na década de 1940, apareceu com algumas composições que alcançaram êxito, como Aperto de mão (com Dino e Augusto Mesquita), gravada por Isaura Garcia na Victor, em 1943; Deixa pra lá (com Augusto Mesquita), choro gravado pela mesma cantora em 1945; e Amar foi minha ruína (com Augusto Mesquita), lançado por Gilberto Alves em 1947.

Em 1950, quando Benedito Lacerda abandonou as atividades artísticas, permaneceu no grupo, que passou a se chamar Regional do Canhoto, realizando durante a década de 1950 muitas gravações com choros dos seus integrantes, além de acompanhar outros artistas.

Com Augusto Mesquita, Meira lançou o samba-canção Molambo, grande sucesso nas gravações de Roberto Luna e Cauby Peixoto.



Molambo
Composição: Jaime Florence / Augusto Mesquita

Eu sei que vocês vão dizer
Que era tudo mentira, que não pode ser
Que depois de tudo o que ela me fez
Eu jamais deveria aceitá-la outra vez
Pensei que assim procedendo
Me exponho ao desprezo de todos vocês
Lamento, mas fiquem sabendo
Que ela voltou e comigo ficou
Ficou pra matar a saudade
A tremenda saudade que não me deixou
Que não me deu sossego um momento sequer
Desde o dia em que ela me abandonou
Ficou pra impedir que a loucura
Fizesse de mim um molambo qualquer
Ficou desta vez para sempre
Se Deus quiser...

Em 1965 tomou parte no show Samba pede passagem, organizado por Sidney Muller, e participou da gravação do LP Rosa de Ouro, pela Odeon. Atuou em gravações de novos sambistas e, a partir de 1970, também de discos de choro, além de lecionar violão no Rio de Janeiro. Altamente reconhecido por sua atividade didática, iniciou no violão grandes artistas como Baden Powell, João de Aquino, Raphael Rabello e Maurício Carrilho.

Em 2003, teve regravadas pelo flautista Alexandre Lacerda as músicas "Arranca toco" e "Minha flauta de prata", no CD "Benedito Lacerda - 100 anos". Nesse ano, "Molambo" foi regravada por Zezé Gonzaga. Em 2004, o samba "Aperto de mão", foi incluído na gravação feita nos anos 1950 por Dircinha Batista no CD "Linda e Dircinha Batista" lançado pela BMG.





Em 1928, o grupo Voz do Sertão lançou pela Odeon seis composições de Luperce Miranda: o fox "Primoroso", a valsa-choro "Lindete", os sambas "Sacode a saia morena", "Samba da meia-noite" e "Sertão do Surubim" e a embolada "Minas Gerais", as quatro últimas com Minona Carneiro.

Nesse mesmo ano, outras composições suas como a valsa "Alma do sertão", a marcha "Lúcia" e o choro "A farra o Olegário" foram gravadas pelo grupo Voz do Sertão. As emboladas "Xou, juriti", "Ai, Maria" e o choro "Cavaquinho de ouro", de autoria de Luperce Miranda e Minona Carneiro.

Em 1928, o grupo realizou diversas gravações; e depois se dissolveu.
  • Grupo Voz do Sertão - Composições
A farra do Olegário (Luperce Miranda)
Achei um ninho (Luperce Miranda e Minona Carneiro)
Aguenta meu bem (Luperce Miranda)
Ai, Maria (Luperce Miranda e Minona Carneiro)
Alma e coração (Luperce Miranda)
Cananéa (Luperce Miranda e Minona Carneiro)
Cavaquinho de ouro (Luperce Miranda e Minona Carneiro)
Lúcia (Luperce Miranda)
Lucinete (Luperce Miranda)
Não fui eu (Luperce Miranda)
Não gosto de você (Luperce Miranda)
Me deixa, Xavier (Luperce Miranda)
Meu samba novo (Luperce Miranda)
Não te arrecebo (Luperce Miranda)
Penera as asas (Luperce Miranda e Minona Carneiro)
Prá frente é que se anda (Luperce Miranda)
Samba de São João (Luperce Miranda)
Xou, juriti (Luperce Miranda e Minona Carneiro)

FONTE


Ismael Silva


Mílton de Oliveira Ismael Silva (14 de setembro de 1905 - 14 de março de 1978), conhecido como Ismael Silva. foi um músico do Brasil.

Filho do cozinheiro Benjamim da Silva e da lavadeira Emília Corrêa Chaves, era o mais novo de um grupo de cinco irmãos.

Diante das dificuldades financeiras enfrentadas após a morte de seu pai, mudou-se com a mãe da praia de Jurujuba (Niterói) para o bairro Estácio de Sá (Rio de Janeiro), quando tinha três anos de idade.

Ismael frequentou a escola primária e terminou o ginásio aos 18 anos, depois de morar em outros bairros do Rio de Janeiro como Rio Comprido e Catumbi.


Aos 15 anos fez o samba Já desisti, considerado como a sua primeira composição.

Em 1925 teve o seu primeiro samba gravado: Me faz carinhos. Essa composição promoveu a sua aproximação com Francisco Alves, o Chico Viola ou Rei da Voz. Ao lado de Nílton Bastos e Francisco Alves, Ismael formou o trio que ficou conhecido como Bambas do Estácio e que deu origem àquele que é considerado um dos mais bonitos sambas da história: Se você jurar.



Após a morte de Nilton, teve início sua contribuição com Noel Rosa. As dezoito composições da dupla fazem de Ismael Silva o mais frequente parceiro do Poeta da Vila.



Em 1928, Ismael Silva, com um grupo de sambistas do Estácio, fundou o bloco que se tornaria o precursor da primeira escola de samba de que se tem notícia: a Deixa falar. A Deixa falar desfilou nos anos de 1929, 1930 e 1931. Seu final ocorreu em função da mudança de Ismael para o Centro do Rio de Janeiro, após as mortes de Nílton Bastos e Edgar Marcelino.

1963/64: Aparecimento do “Zicartola”, bar de encontro dos compositores do samba autêntico. – 1966: Participação no espetáculo O Samba Pede Passagem, organizado por Sérgio Cabral, em que participa ao lado de Baden Powell, Araci de Almeida, MPB-4, Raul de Barros, entre outros. – 1970: Show na boate “Jogral” - 1973/74: Com Carmen Costa comanda o espetáculo Se você jurar, que viraria disco. - 1975/76: Gravações e shows.

Ismael foi condenado a cinco anos de cadeia - tendo cumprido apenas dois anos, devido a bom comportamento - após atirar em Edu Motorneiro, um frequentador da boêmia carioca. Depois deste episódio, ele se tornou recluso e só retornou à cena carioca na década de cinquenta. Sabe-se que durante esse período ele atravessou enormes dificuldades financeiras. Ainda nesta mesma década, teve o seu samba Antonico gravado. Foi um grande sucesso.

Seu reconhecimento como um sambista verdadeiro, lhe rendeu alguns títulos por iniciativa do jornalista e estudioso do assunto Sérgio Cabral e da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Fez alguns shows esporádicos, nos quais participaram Aracy de Almeida, Carmem Costa e MPB-4. Um de seus últimos shows foi no ano de 1973, produzido por Ricardo Cravo Albim e intitulado Se você jurar.

Morreu em 1978. Ismael Silva talvez tenha sido um dos sambista a exibir a mais alta originalidade no cenário da boêmia carioca.



Suas composições mais conhecidas são: Me faz carinhos, Se você jurar, Antonico, Para me livrar do mal, Novo amor, Ao romper da aurora, Tristezas não pagam dívidas, Me diga o teu nome, entre outras.


FONTE

WIKIPÉDIA

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Joaquim Callado

Criador do primeiro grupo de choro - inicialmente composto por dois violões, uma flauta e um cavaquinho -, Joaquim Callado é citado como nacionalizador da música brasileira. Seu maior sucesso, "Flor Amorosa", é número obrigatório para flautistas de choro. Amigo e protetor de Chiquinha Gonzaga, Callado foi parceiro de Viriato Figueira da Silva, Ismael Correia, Lequinho e outros chorões.

Joaquim Antônio da Silva Calado Júnior (Rio de Janeiro, 11 de julho de 1848 — Rio de Janeiro, 20 de março de 1880) foi um músico compositor e flautista brasileiro.

Callado nasceu em 1848 e iniciou seus estudos de flauta e piano com seu pai, mestre da Banda Sociedade União de Artistas. Aos oito anos, começou a estudar composição e regência com Henrique Alves de Mesquita. Lecionou flauta no Conservatório Imperial de Música e no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro. Sua primeira apresentação em concerto foi feita para a família imperial.

Sua composição de estreia, "Querosene", foi escrita aos 15 anos. Quatro anos depois, fez seu primeiro sucesso com "Carnaval".
Ceumar - Flor Amorosa (Joaquim Callado / Catulo da Paixão Cearense)

Os historiadores o consideram como um dos criadores do choro ou como o pai dos chorões. Seu grupo, que ficou conhecido como "O Choro de Calado", era constituído por um instrumento de solo, no caso sua flauta de ébano, dois violões e um cavaquinho, onde os acompanhantes, ou os três instrumentistas de cordas, tinham boa capacidade de improvisar sobre o acompanhamento harmônico, que é a base do choro.

O compositor trabalhou e conviveu com inúmeros chorões, que se destacaram naquela fase de fixação da nova maneira de interpretar as modinhas, lundus, valsas e polcas. Dentre eles, o seu amigo e aluno, o flautista Viriato Figueira e sua também amiga Chiquinha Gonzaga.

Em 1879, Callado recebeu a mais alta condecoração do Império: A Ordem da Rosa.

Morreu aos 31 anos no Rio de Janeiro de meningo-encefalite perniciosa.

Flor Amorosa (Joaquim Callado) - Altamiro Carrilho & Regional
  • Composições
Adelaide
Ai, que gozos
Aurora
Capricho característico
Caprichosa
Carnaval de 1867
Celeste
Choro
As cinco deusas
Como é bom
Como é bom o que é bom!
Conceição
Consoladora
Cruzes, minha prima!
A dengosa
A desejada
Ermelinda
Ernestina
Família Paul
Fantasia para flauta
Flor amorosa (com letra posterior de Catulo da Paixão Cearense)
As flores do coração
Florinda
Hermenêutica
Honorata
Íman
Improviso
Isabel
Laudelina
Lembrança do cais da Glória
Linguagem do coração
Lírio fanado
Lundu característico
Manuela
Manuelita
Maria
Maria Carlota
Mariquinhas
Mimosa
Não digo
Uma noite de folia
O que é bom, é bom! loucos!
Olhos de Ana
Pagodeira
Perigosa
Perigoso
Polca em dó maior
Polucena
Puladora
Quem tocar, toca sempre
Querida por todos
Querosene e tnt
O regresso de Chico Trigueira
Rosinha
Salomé
Saturnina
Saudades do cais da Glória
Saudades de Inhaúma
Saudosa
A sedutora
Sete de novembro
Sousinha
Suspiro
Suspiros de uma donzela
Último suspiro
União comercial
Valsa
Vinte e um de agosto
Vinte e um de junho
  • Dica: livro sobre Joaquim Callado



André Diniz já fez o “Almanaque do Choro” (2003), “Almanaque do Samba” (2006), "O Rio Musical de Anacleto de Medeiros" (2007) e “Almanaque do Carnaval” (2008). Sua mais nova publicação não é um almanaque, mas uma biografia de Joaquim Callado (1848 - 1880), um dos primeiros nomes do choro no Brasil.

Callado fazia choro sem saber. Afinal de contas o ritmo só começou a ser classificado como um gênero no início do século 20. Até então as polcas e valsas dominavam os salões e o que existiam eram interpretações brasileiras para ritmos europeus.O violonista Mauricio Carrilho tem catalogadas 66 melodias de Callado. As únicas com seu registro autoral do pai do choro.

O livro foi lançado pela Jorge Zahar tem 148 páginas.
Songbook Joaquim Callado

A série "Clássicos do Choro Brasileiro - Você é o Solista!" é um lançamento do selo Choro Music que lhe permite descobrir o Choro através da insubstituível experiência de tocar as composições acompanhado de um regional, sendo você o solista. Cada volume da série traz um grande compositor desse incrível gênero musical com suas principais composições em partituras C, Bb e Eb, entrevistas, biografia e significado de alguns títulos de músicas, além de um CD.

FONTE

Maurício Carrilho


Maurício Carrilho (26/4/1957 - Rio de Janeiro/RJ.) Instrumentista. Arranjador. Produtor. Pesquisador de MPB. Oriundo de família de músicos, seu bisavô materno, Carlos Manso de Aquino, era tão afixionado por música que ao nascer sua primeira filha lhe deu o nome de Lyra, nome também de sua banda: Lyra de Orion, na qual também tocava seu tio Altamiro Carrilho. Seu pai, Álvaro Carrilho, também é flautista respeitado no meio musical.

Aos oito anos, morando na Rua Conde de Agrolongo, no subúrbio da Penha, convivia com Canhoto da Paraíba, Paulo Moura, Radamés Gnattali, Lindolfo Gaya, Elizeth Cardoso, Nara Leão, entre outros que freqüentava a casa onde morava.

Apesar de iniciar os estudos musical no piano, voltou-se para o violão na adolescência, quando inciou os estudos com os mestres do Choro Dino (Horondino Silva) e Meira (Jaime Florence). Também estudou violão clássico com João Pedro Borges.


No início da década de 1970, ainda menino, freqüentava as rodas de choro do bar Suvaco de Cobra, reduto de boêmios e chorões da Penha, subúrbio do Rio de Janeiro. Neste bar, conheceu Durval Berredo, músico que havia herdado de Alfredo Vianna (pai de Pixinguinha) um caderno de partituras de composições inéditas de Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros, Carramona, Irineu de Almeida, Joaquim Callado, entre outros. A partir daí, aprendeu diversas composições inéditas de vários autores dos séculos XIX e XX, músicas essas que viriam a influenciar tanto a sua maneira de tocar como a de compor. Aos 14 anos já acompanhava o tio Altamiro Carrilho em show em teatros e TVs.

Em 2000, em parceria com o bandolinista Pedro Aragão e a cavaquinista Luciana Rabello, fundou a Escola Portátil de Música (EPM), projeto no qual aglutinou mestre do choro como Álvaro Carilho (flauta) e Paulo Aragão (violão), no Sesc de Ramos para o ensino de choro, fomentando novos grupos e novos instrumentistas no gênero.


Neste mesmo ano, com Luciana Rabello, criou a gravadora Acari Records, a primeira gravadora brasileira especializada em choro e pela qual lançaram diversos disco do gênero, entre os quais o disco do flautista Álvaro Carrilho (pai de Maurício Carrilho), a caixa com 15 CDs da coleção "Princípios do Choro" e uma caixa com cinco CDs contendo boa parte da obra do flautista Joaquim Callado.

No ano de 2007, junto à cavaquinista Luciana Rabello e pela gravadora Acari Records, lançou a caixa "Choro carioca - Música do Brasil" com nove CDs abordando a obra de 74 chorões de todo o pais e trazendo composições inéditas do avô do maestro Villa-Lobos, do pai de Radamés Gnattali e de Alfredo Vianna, pai de Pixinguinha, tudo isso fruto de uma pesquisa intitulada "Inventário do repertório do choro", projeto desenvolvido em parceria com sua esposa Anna Paes (violonista e pesquisadora) com bolsa da Fundação RioArte, revelando mais de oito mil obras de compositores do gênero entre os anos de 1870 e 1920, a maioria inédita, destacando-se entre os compositores Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros, Carramona, Irineu de Almeida, Joaquim Callado, Mário Álvares, Felisberto Marques, Carlos Gomes, Villa-Lobos, Francisco Mignone, Alexandre Levy e Chiquinha Gonzaga.


Em 1971, seu tio, Altamiro Carrilho, o convidou para tocar com ele (só flauta e violão) em um programa na TV Globo.

No ano de 1977, integrou o conjunto Os Carioquinhas, ao lado de Luciana Rabello (cavaquinho), Rafael Rabello (violão de 7 cordas) e Celsinho Silva (pandeiro), com o qual gravou o único LP "Os Carioquinhas no choro". Dois anos depois, com o final do grupo, passou a integrar o conjunto Camerata Carioca, com Joel Nascimento e Radamés Gnattali, com o qual gravou quatro LPs.

Em 1979, integrando o Camerata Carioca, trabalhou em vários shows com Elizete Cardoso, cantora com a qual gravou vários disco e acompanhou ainda por quase 20 anos em turnês nacionais e internacionais.

No ano de 1986, junto a João de Aquino, lançou um LP só com composições de ambos.

Em 1993, formou o grupo O Trio, no qual atuou como violonista ao lado de Paulo Sérgio Santos (clarinete) e Pedro Amorim (bandolim). Neste mesmo ano, o grupo gravou, em Paris, o seu primeiro CD "O Trio", duplamente indicado ao "Prêmio Sharp", na categoria de "Música Instrumental". Em Paris, o grupo gravou com Teca Calazans o LP "Samba de bamba".


No ano de 1995, ainda fazendo parte do grupo O Trio, apresentou-se ao lado do cantor Marcos Sacramento e do percussionista Marcos Suzano em temporada na Sala Funarte Sidney Miller, no Rio de Janeiro. Ainda nesse ano, o trio foi convidado a participar do projeto "Aquarela do Rio", homenageando o compositor Custódio Mesquita, tendo como convidado também o percussionista Marcos Suzano.

No ano 2000, fundou juntamente com Luciana Rabello a gravadora Acari Records, pela qual gravou o CD "Maurício Carrilho", no qual interpretou de sua autoria 15 composições, entre elas "Proveta na madrugada", "O turbante do Joel", "Choro cubano" e "Um choro pra Anna", este último, dedicado a sua esposa.

Em 2001, Paulo Sérgio Santos em seu CD "Gargalhada", incluiu de sua autoria "Alumiando", parceria com João Lyra. Neste mesmo ano, interpretou de sua autoria "O turbante do Joel", "Serenata pro Pilger", ambas de sua autoria e ainda "Mestre Jorginho do Pandeiro", de Luciana Rabello, no disco "1º Compasso", lançado pelo selo Biscoito Fino, gravado ao vivo no ano anterior em show no Paço Imperial, no Rio de Janeiro.

O grupo A Família Roitamn, neste mesmo ano, interpretou "Cabroxinha", parceria com Paulo César Pinheiro.

Como compositor, tem parcerias com João de Aquino e Paulo César Pinheiro, entre outros.


Em 2002 Mariana de Moraes interpretou em show no Vinicius Piano Bar "Meu samba, meu lamento" (c/ Paulo César Pinheiro). Neste mesmo ano apresentou-se com seu sexteto no Centro Cultural Carioca, no Rio de Janeiro e lançou com Clara Sandroni e Marcos Sacramento o CD "Saravá Baden Powell", pela gravadora Biscoito Fino.

No ano de 2003, foi um dos convidados do violinista francês, radicado no Rio de Janeiro, Nicolas Krassik, para participar do "Projeto Choro na Lapa", no Ballroom, no qual o violonista recebeu músicos brasileiros.

Em 2004 lançou o CD "Sexteto + 2" pela gravadora Acari Records, disco no qual interpertou várias composições inéditas ao lado de Luciana Rabello, Celsinho Silva, Rui Alvin, Pedro Paes, Pedro Amorim, Marcelo Bernardes e Oscar Bolão.

Em 2005 fez o lançamento do disco "Sexteto + 2" no Teatro do Sesc Pompéia, em São Paulo.

Sua composição "Mulher faladeira", parceria com Mauricio Tapajós e Hermínio Bello de Carvalho, foi gravada pela dupla Chico Buarque e Zeca Pagodinho na caixa "Timoneiro", de Hermínio Bello de Carvalho.


No ano de 2007 lançou, na Sala Baden Powell, o CD "Choro ímpar", no qual interpretou composições, de sua autoria, em compassos ternários e quinários, entre as quais "Dino", "Meira", "Seu Cristóvão", "Maluquinha", "Schottisch da noite", "Afrochoro em tempo de guerra", "Trinta e três" e "Canhoto Tramontano".

Apresentou-se com a Camerata de Curitiba em dois concertos com peças de sua autoria. Ainda em Curitiba, ao lado de Toninho Carrasqueira, participou da "Maratona do Choro", evento que reuniu vários instrumentistas do gênero em 24 horas de apresentação.

Neste mesmo ano apresentou-se em París, no Theatre Des Champs Elysées, com regência do maestro Kurt Masur, interpretando "Suíte para violão de sete cordas e orquestra". A mesma composição também foi interpretada pelo violonista Yamandú Costa acompanhado pela Orquestra Sinfônica Brasileira, regida pelo maestro Roberto Minczuc.

Trio Carioca - "Oscar Niemeyer", de Mauricio Carrilho

FONTE

Anacleto de Medeiros


Anacleto Augusto de Medeiros ou Anacleto de Medeiros (Rio de Janeiro/RJ 13 de julho de 1866 — 14 de agosto de 1907), foi um músico, maestro e compositor brasileiro, nascido e falecido na Ilha de Paquetá, na capital fluminense.

Filho de uma escrava liberta, Anacleto de Medeiros começou na música tocando flautim da Banda do Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro. Aos 18 anos foi trabalhar como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, e ao mesmo tempo matriculou-se no Imperial Conservatório de Música.

La Guitarra esencial - live - Millstatt 2008 -
Guitar - Julia Malischnig - José Saluzzi

Nessa época já dominava quase todos os instrumentos de sopro, e tinha especial preferência pelo saxofone. Fundou, entre os operários da tipografia, o Clube Musical Gutemberg, iniciando aí sua função de organizador de conjuntos musicais.

Pavilhão Brasileiro

Formou-se no Conservatório em 1886, época em que organizou a Sociedade Recreio Musical Paquetaense, em Paquetá, seu bairro natal, e começou a compor algumas peças sacras. Em seguida suas composições passaram a ser mais populares, principalmente polcas, schotisch, dobrados, marchas e valsas. Aos poucos foi criando fama como compositor, e suas peças passaram a ser executadas em bandas de todo o país.

Em 1896, compôs o dobrado Jubileu, para a Exposição Internacional do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, já bastante conhecido como regente e compositor, foi convidado a organizar a Banda do Corpo de Bombeiros, do Rio de Janeiro, para a qual levou alguns elementos da Sociedade Recreio Musical Paquetaense e antigos colegas do Arsenal de Guerra, além de músicos de choro.

Jubileu

A Banda do Corpo de Bombeiros ficou famosa sob sua direção, tendo gravado alguns dos primeiros discos impressos no Brasil, a partir de 1902. Chegou ao posto de primeiro-tenente da Guarda Nacional.

Catulo da Paixão Cearense musicou algumas de suas músicas, como o famoso schotisch "Iara", editado em 1912 com o nome "Rasga Coração".

Outras composições que ficaram conhecidas foram "Santinha", "Três Estrelinhas" e "Não Me Olhes Assim".

Três Estrelinhas (Anacleto Medeiros) - Conjunto Época de Ouro

Interpretação do Conjunto Época de Ouro: * Cavaquinho (Solo): Jonas do Cavaquinho; * Violão 7 Cordas: Horondino Silva (Dino 7 Cordas); * Violão 6 Cordas: Benedito César Faria; * Bandolim: Déo Cesário Botelho (Déo Rian); * Violão 6 Cordas: Damásio. * Apresentação de Paulinho da Viola e participação especial de Elton Medeiros.

Em 1935, por iniciativa do pintor e escultor Pedro Bruno, uma das ruas da ilha recebeu o nome de Maestro Anacleto, homenagem a um dos maiores compositores populares de sua época.

Anacleto foi fundador, diretor e maestro de muitas bandas, tendo contribuído de maneira fundamental para a fixação dessa formação no Brasil. A tradição de bandas se reflete até hoje, por exemplo no desenvolvimento de uma sólida escola de sopros. A banda que se tornou mais famosa sob regência de Anacleto foi a do Corpo de Bombeiros, que chegou a gravar alguns dos discos pioneiros produzidos no Brasil, nos primeiros anos do século XX.

Araribóia
  • Maestro violento e caprichoso?
"Anacleto de Medeiros. Nasceu na ilha de Paquetá e morava na Rua da Ajuda com o inesquecível humorista Moreira da Imprensa Nacional, muito conhecido dos chorões daquele tempo pela sua verve espiritual. Era o maestro que aproveitava as melodias dos pássaros, dos apitos das fábricas, das cornetas dos tripeiros, do badalar dos sinos, dos toques das buzinas, dos automóveis, do trinar dos apitos dos guardas-noturnos, e de tudo que formasse uma nota boa ou semitonada. Por ele eram todos esses ritmos aproveitados para as suas sublimes composições.

Anacleto, foi um grande lecionador de música, assim como um mestre de muitas bandas particulares deixando muitos discípulos que fizeram honra aos seus dotes de professor exímio. Como mestre da Banda do Corpo de Bombeiros ele imortalizou-se, com a sua inteligência e devotamento, trabalhou corrigindo, modelando e aperfeiçoando, todos os seus comandados com a magia de uma grande vara usada por ele nos ensaios a guisa de batuta que fazia os seus alunos obedecerem. Como maestro ensaiador transformou a Banda do Corpo de Bombeiros em um conjunto de músicos professores que o respeitavam e o obedeciam, na maior rispidez de suas energias, pois Anacleto era um diretor de música caprichoso e violento.

Porém, quando não tinha na mão a batuta era um cordeiro de mansidão. Era uma pomba sem fel e um sincero amigo dos seus subordinados. Privando com eles na maior intimidade no mesmo nível de igualdade os acompanhando para o choro onde sobressaía com um inigualável executor no seu saxofone que era o seu instrumento predileto.

Os choros organizados por Anacleto faziam falar os mudos e movimentava os paralíticos, desatinava a mocidade e trazia a juventude nos corações dos velhos. As competições musicais de Anacleto são conquistadas e admiradas por todos os chorões, composições estas que deixo de enumerá-las aqui por serem todas elas conhecidas pelos chorões da velha guarda."

O Choro - Reminiscências dos chorões antigos - Rio de Janeiro, 1936 (Alexandre Gonçalves Pinto)

Avenida

  • Obras
No levantamento feito pelo Professor Catedrático Baptista Siqueira da Escola Nacional de Música da UFRJ, autor do livro “Três vultos históricos da Música Brasileira (Mesquita, Callado e Anacleto)” editado em 1970 sob o patrocínio do MEC, é a seguinte relação das músicas do Maestro Anacleto:

A Fuga dos anjos (canto); Acorde – Escute (polca); Açucena – 1890; Aí eu caí (valsa); Amar Sonhando (polca); Andorinha (valsa), 1890; Arariboia (passo dobrado); Ave-Maria (obra sacra); Avenida (passo dobrado), 1905; Baile (quadrilha), 1890; Benzinho (schottish – letra de Catulo); Bolero; Bouquet (polca de concerto - sólo de trompete); Brasil – Portugal (polca); Cabeça de porco (polca); Café Avenida (tango); Capricho (tango); Carícia de Amor (schottish); Carolina (polca), 1896; Casa de Cômodos; Caprichosa (polca - manuscrito); Carnaval de 1905 (polca); Catutinha (polca); Como eu quisera morrer! (passo dobrado); Conde de Santo Agostinho (marcha); Deliciosa (quadrilha); Despedida (valsa – Catulo fez uma polca para essa valsa); Dulce (valsa), 1896; Em ti pensando (polca - manuscrito); Enigmática (polca - choro); Esperança (quadrilha); Está se corando (polca), 1891; Eulália ( polca); Faceira (quadrilha); Fadário (polca - Medrosa); Farrula (valsa); Fluminense (quadrilha); Fuga dos Anjos (letra de Arlindo Pinheiro Bastos); Graciosa (valsa); Implorando (schottish – letra de Catulo); Jubileu (passo dobrado), 1906; Juracy (polca – manuscrito); Louco de amor (schottish); Lydia (polca); Marcha Fúnebre nº 1; Marcha Fúnebre nº 2; Melosa (polca); Medrosa (polca – Letra de Catulo); Miguelina (quadrilha); Missa, 1896; Misterioso (passo dobrado); Morrer sonhando (polca); Na volta do Correio (passo dobrado); Não me olhes assim (schottish), 1899; Nenezinha (polca); Noites de Inverno (romance para cornetim); Noites de inverno (schottish); Núpcias (valsa); Oh! Não fujas (habaneiras); Olhos matadores (schottish - Poesia de Catulo); Os Boêmios (tango - Poesia de Catulo), 1901; Pavilhão Brasileiro (passo dobrado); Perpétua (mazurka); Por um beijo – (Terna saudade); Preciosa (quadrilha); Predileta (valsa - editado em 15/04/1901 – poesia de Catulo); Primavera (romance para clarinete – sólo); Que tu és (polca – poesia de Catulo); Queimou a luz (polca); Quem comeu a vaca ?; Qui – pro – quó (polca), 1901; Salutaris; Pinheiro Freire (marcha); Radiante (polca); Rainha dos Gênios (valsa); Santinha (schottish); Segredo do Coração (quadrilha); Sentida (polca); Sentinela (schottish); Silenciosa (quadrilha); Tatá (polca); Te Deum, 1896; Terna saudade (valsa); Teu olhar (schottish); Três Estrelinhas; Triunfo do Brasil (encontrado no interior de Minas); Urso (polca - dedicada ao amigo Frederico Bischof); 28 de Fevereiro (fantasia); Vou Contigo (polca); Yara (schottish – edição 1916).

João Vicente Macedo - Suíte Retratos - Anacleto de Medeiros
Concerto Orquestra de Câmara Theatro São Pedro

FONTE

WIKIPÉDIA

CIFRANTIGA

Getúlio Macedo


Getúlio Macedo (13/11/1922 - Sabino Pessoa/ES). Compositor. Produtor. Em 1938 mudou-se para o Rio de Janeiro. Em 1942, ingressou na UBC, da qual ocupou entre outros, o cargo de conselheiro.

Covarde

Com um repertório predominantemente romântico, compôs boleros, samba-canção, fox, mambo, samba e rumba. Um de seus principais parceiros foi Lourival Faissal, com quem compôs mais de vinte músicas. Entre outras, o bolero "Covarde", o mambo "A louca", o bolero "Intenção", o ragtime "Ano novo, ano bom" e a marcha "Nosso Natal".

Entre seus intérpretes estão Emilinha Borba, Marlene, Gilda de Barros, Alzirinha Camargo, Ângela Maria, Carlos Galhardo, Adelaide Chiozzo e Ellen de Lima, entre outros.

Em 1952, Carlos Galhardo gravou na RCA Victor a valsa "Mãezinha querida", pioneira nas homenagens às mães e que se tornou um clássico do cancioneiro popular e que vendeu cerca de 6 milhões de cópias ao longo dos anos com diferentes intérpretes.

MÃEZINHA QUERIDA
AGNALDO TIMOTEO PART. ESP. ANGELA MARIA

No mesmo ano, Linda Batista gravou também na RCA o samba-canção "Divórcio", parceria com Lourival Faissal.

Se Correr o Bicho Pega (Samba - 1969)

Em 1953, Fafá Lemos gravou pela RCA o baião "ABC do amor", parceria com Augusto Alexandre, Gilberto Milfont gravou o samba-canção "Confissão" e Francisco Carlos o samba-canção "Primeiro amor" e o samba "A saudade eu vou levar", os três da parceria com Lourival Faissal.

No mesmo ano, Carlos Galhardo gravou a valsa "Tanta mentira" parceria com Mário Lago e Emilinha Borba e Trio Madrigal gravaram o mambo "É o maior", parceria com Bené Alexandre.

Telefonando

Em 1954, Orlando Melo gravou pela Odeon, de sua parceria com Lourival Faissal, a toada "A canção do Jerônimo", abertura da famosa novela de rádio "Jerônimo, o herói do sertão" e o baião "Apanha flor, sá Nanci".

A canção do Jerônimo

No mesmo ano Nelson Gonçalves gravou na RCA Victor o samba-canção "Como eu previa", parceria com Lourival Faissal.


Em 1955, Jorge Veiga gravou de sua parceria com Lourival Faissal o "Hino da torcida do Flamengo" e Chiquinho do Acordeom o bolero "Horas íntimas", parceria com Oscar Maneck.

Em 1956, o Trio Itapoã gravou o beguine "Praia Vermelha", com Lourival Faissal, Hélio Chaves gravou na Mocambo o samba "Este é o samba", parceria com Almeida Batista e Gilberto Milfont na Continental o fox trot "Até a lua se escondeu".

Em 1957, Cauby Peixoto gravou o samba-canção "Onde ela mora", com Lourival Faissal, e o bolero "O louco".

Cauby Peixoto canta "Onde Ela Mora" de Getúlio Macedo e Lourival Faissal
no filme "Chico Fumaça" com direção de Victor Lima,
arranjos para orquestra de Radamés Gnattali,
produzido e estrelado por Mazzaropi em 1957.

No mesmo ano, Adelaide Chiozzo gravou a marcha "Tua companhia" e os Vocalistas Modernos o bolero "Covarde", ambos com Lourival Faissal.

Em 1958, Emilinha Borba gravou na Continental "Botões de laranjeira", parceria com Lourival Faissal. Ângela Maria pela Copacabana gravou o samba-canção "Voltei", parceria com Irani de Oliveira e Gilda de Barros pela Sinter o fox "Trágica mentira", parceria com Ilza Silveira.

Ainda em 1958, Os Cariocas gravaram pela Columbia o "Cha cha cha baiano".

OS CARIOCAS - "Chá-Chá-Chá Baiano" (Getúlio Macedo) 1958


Em 1959, Agnaldo Rayol regravou na Copacabana o bolero "Trágica mentira".


Em 1960, Carlos Galhardo gravou pela RCA Victor o samba-canção "Presença viva do amor", com Lourival Faissal, e o Trio Nagô gravou também na RCA o samba "Meu apelo", parceria com Irani de Oliveira.

No mesmo ano, o palhaço de circo Carequinha gravou na Copacabana o fox "É mamãe", parceria com Irani de Oliveira.

Em 1961, Leo romano gravou na Odeon o bolero "Aliança". No mesmo ano produziu e compôs com Hamilton Sbarra as músicas para o disco "Carequinha no Parque Xangai", que foi um grande sucesso.

Em 1962, Ellen de Lima gravou na RCA Victor o samba-canção "Meu amor lhe acompanhará" e Carlos Galhardo o bolero "Tu e eu", parceria com Irani de Oliveira.

Em 1963, Dalva de Andrade gravou na odeon o bolero "Cigana".

Teve mais de 50 composições gravadas. Atuou durante trinta anos como produtor e diretor de televisão, tendo trabalhado nas TVs Tupi, Excelsior e Globo. Compôs vinhetas e jingles. Compôs cerca de 400.

FONTE

Luciana Rabello


Luciana Maria Rabello Pinheiro (Petrópolis, 1961) é uma cavaquinista e compositora brasileira que se destacou ainda bem jovem no cenário musical.

Nascida em uma família do nordeste do Brasil, teve como seu primeiro e único professor, aos seis anos de idade, seu avô, José de Queiroz Baptista, professor de música, violonista e chorão.

Mais tarde, aos 13 anos, começou a compor. Aos 16 anos já tinha gravado o seu primeiro disco no grupo Os Carioquinhas. Abriu espaço, assim, a uma viagem ao Japão para tocar na comemoração dos setenta anos de imigração japonesa no Brasil.

Em 1979, já desfeito o grupo Os Carioquinhas, foi convidada por Joel Nascimento para tocar no grupo Camerata Carioca, com regência de Radamés Gnattali. Gravou no mesmo ano o LP Tributo a Jacob do Bandolim. Ainda neste ano, Luciana Rabello foi contratada para trabalhar na catalogação e pesquisa do acervo do renomado pesquisador e respeitado musicólogo Mozart de Araújo, acervo hoje considerado um dos mais importantes do país, abrigado no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro.

Primeira mulher a tocar cavaquinho musicalmente, em 1981 Luciana Rabello viaja pela Europa fazendo participação especial como solista de choro em shows do violonista Toquinho.

Em 1982, após ser aclamada pela crítica daqueles países, é convidada a retornar como solista. A partir de então, passa a ser a cavaquinista preferida de vários maestros do primeiro time da música brasileira.


Toquinho (violão e voz) e Luciana Rabello (cavaquinho),
Show Musicalmente Toquinho,
acústico na Suíça em 1983.

Brasileirinho - com Toquinho e Luciana Rabello
Composição de Waldir Azevedo na interpretação de Toquinho e Luciana Rabello.

Em 1999, Luciana fundou com Maurício Carrilho, a primeira gravadora a se dedicar exclusivamente ao choro, a Acari Records. Desde 2000 administra esta, hoje com mais de 60 títulos em seu catálogo.

Em 2000 lançou seu primeiro disco solo "Luciana Rabello" (Acari Records), com composições inéditas de sua autoria e outras músicas que lhe foram dedicadas.

Participou, ainda em 2000, de turnês na Dinamarca e workshops, a convite do quarteto Arranca-Toco e fundou, com Maurício Carrilho, a Oficina de Choro, hoje com mais de 800 alunos e com o nome de Escola Portátil de Música.

Em 2001 foi produtora executiva da coleção Princípios do Choro.

Em 2002 foi produtora executiva da série Joaquim Callado- Pai dos Chorões.

Em 2006 produziu a coleção Choro Carioca-Música do Brasil.

Em 2007 foi responsável pela direção musical da peça Besouro Cordão de Ouro, de Paulo César Pinheiro.



FONTE

WIKIPÉDIA

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Enzo de Almeida Passos


O radialista e compositor Enzo Benedicto de Almeida Passos 13/5/1928 Itatiba, SP,  20/5/1991 São Paulo, SP, na segunda metade da década de 1950, apresentou na Rádio Bandeirantes o programa "Telefone pedindo bis".

Em 1958, abriu os caminhos da música popular para o cantor Sérgio Reis, que então usava o nome de Johnny Jonson, ao apresentá-lo aos executivos da gravadora Chantecler.


Enzo de Almeida Passos, em 1959, comandando "Festival de Brotos" no auditório da Rádio Bandeirantes.

Em 1960, entrou como parceiro de Adelino Moreira naquele que seria um dos mais famosos sambas-canção da música popular brasileira, "Negue", composição lançada por Carlos Augusto na Odeon e que foi regravada por vários cantores de diferentes épocas e estilos como Cauby Peixoto, Agostinho dos Santos, Joanna, Elymar Santos, Nelson Gonçalves, Pery Ribeiro, Angela Maria, Carlos Nobre e Maria Bethânia.

Negue, de Adelino Moreira/Enzo de Almeida Passos
Negue seu amor, o seu carinho
Diga que você já me esqueceu
Pise, machucando com jeitinho
Este coração que ainda é seu
Diga que meu pranto é covardia
Mas não se esqueça
Que você foi meu um dia
Diga que já não me quer
Negue que me pertenceu
Que eu mostro a boca molhada
Ainda marcada pelo beijo seu

Ainda no mesmo ano, Enzo foi parceiro de Olegário Mazzer na guarânia "Nunca me abandones" gravada por Osvaldo Cruz pela Copacabana.


Teve gravado por Agostinho dos Santos em 1961, o samba-canção "Negue", no LP "Agostinho canta sucessos".

Ainda no início dos anos 1960, seu programa alcançava grande audiência e certa vez para comemorar o aniversário do referido programa alugou o Cine Piratininga, no bairro paulista do Braz onde realizou grande show com as presenças de Sérgio Murilo, Tony Campello, Celi Campello, Ronnie Cord, Carlos Gonzaga, e o ainda iniciante Roberto Carlos. Por essa época apresentava o programa "Festival dos brotos" na Rádio Bandeirantes.


Em 1963, fez a declamação na música "Amor mais puro", de autoria de Palmeira, dedicada ao Dia das Mães, gravada pelo cantor Francisco Petrônio e que permaneceu em catálogo por vários anos.

Em 1969, dirigiu na TV Bandeirantes o programa interativo "Telefone pedindo bis".


Em 1977, produziu pela GTA o LP "A grande parada Enzo de Almeida Passos" que incluiu nomes como Belchior, Maria Creusa, Fafá de Belém, Ronnie Von, Ivan Lins, Luiz Ayrão, e Wando. Ainda na década de 1970, assinou com Waldick Soriano a canção "Louca", gravada por Claudia Barroso.

Em 1983, o samba-canção "Negue" foi gravado em forma de rock pelo conjunto Camisa de Vênus.


Negue, de Adelino Moreira/Enzo de Almeida Passos


Sua atuação se deu mais no campo da radiofonia e da televisão, embora tivesse entrado para a história da MPB como co autor do clássico samba-canção "Negue", embora o mais provável é que essa sua parceria tenha se dado mais como parte da divulgação da música. Apresentou programas de sucesso em São Paulo nas décadas de 1950, 1960 e 1970, e foi homenageado como nome de uma rua na região de Atibaia em São Paulo.


CURIOSIDADES

TELEFONE PEDINDO BIS. Com Enzo de Almeida Passos, Foi talvez o programa de maior audiência da radio Bandeirantes, principalmente nos anos finais da década de 50. Aos sábados, quando Enzo apresentava as mais pedidas da semana. Por qualquer parte da cidade de São Paulo, fazia éco a voz do apresentador. Na metade dos anos 1960, o governo impediu o uso do telefone em programas de rádio, o que prejudicou bastante a estrutura do programa. mas algum tempo depois, tal lei foi revogada e Enzo passou a fazer o programa ao original.

FONTE

DICIONÁRIO MPB