A história da música traz muitos exemplos de mashup – que ficou muito conhecido pela música eletrônica e pelo trabalho de diversos DJs, que a partir de músicas distintas conseguiram criar novas batidas e sonoridades. Mas o mashup não ficou limitado apenas ao universo da música eletrônica e acabou se expandindo muito, principalmente para o universo da música pop internacional.
Você já escutou o novo Gênero de Mashup que está fazendo sucesso pelo Brasil combinando nossos Hits Sertanejos com os grandes nomes do Pop Internacional? É esta a proposta da dupla Lu e Robertinho. Eles começaram sua história fazendo Sertanejo Mashup e vêm liderando o novo gênero há mais de 1 ano, acumulando mais de 15 milhões de views no YouTube. Os números fazem da dupla um dos maiores sucessos da música na Internet Brasileira, independente do gênero.
Lu e Robertinho reúnem referências de diversos estilos, mesclando sucessos de ídolos internacionais como Adele, David Guetta e Jason Mraz com os hits sertanejos de Fernando e Sorocaba, Jorge e Mateus, Luan Santana e Michel Teló, entre outros.
As canções trazem a pegada do sertanejo em misturas improváveis com músicas pop, rock e eletrônica – criando um mashup inusitado, harmônico, gostoso de ouvir e dançar. Este gênero, que surgiu como uma febre na internet, hoje agita festas e shows por todo o país.
O resultado agrada muito os fãs e o sucesso de Lu e Robertinho, tanto na web quanto na estrada, mostra que o Sertanejo Mashup veio para ficar e conquistar todo o Brasil.
Lu é de Lins, no interior de São Paulo, e tem 24 anos. Sua carreira na música começou com o projeto "Lu e Robertinho". Antes, Lu trabalhava no negócio da família e tocava em alguns bares da sua terra natal. Sempre quis ser cantor, mas ainda buscava o que gostaria de fazer. Tinha dúvidas entre montar uma dupla, banda ou grupo.
Sobre referências musicais, o pop nacional e internacional sempre foram os gêneros mais presentes em sua vida. "Eu queria cantar pra massa. Então, comecei a ouvir outros estilos, e hoje não tenho preconceito algum. Meu pen drive no carro tem desde Bruno e Marrone a Avenged Sevenfold".
Robertinho Com pai músico, trabalha na música desde os 15 anos de idade. Hoje, também tem 24 anos. Antes do Projeto "Lu e Robertinho", tocava em bares, bandas de baile e duplas. Também deu aulas de violão e guitarra.
Sobre suas referências musicais, apesar de ter tocado em bandas de diversos estilos, assume o lado sertanejo nos mashups da dupla.
Entrevista – Lu & Robertinho
O Blognejo gravou a primeira entrevista com Lu & Robertinho em 2013, quando a dupla iniciava uma parceria com a Sony digital para a distribuição no Itunes das músicas que eles gravavam em formato acústico misturando hits internacionais com hits sertanejos, os chamados mash ups.
Em 19 de junho de 2015, o Blognejo fez a segunda entrevista com a dupla, ainda conhecidos pelos mash ups, mas agora além da parceria com a Sony digital, a dupla Lu & Robertinho são artistas da Sony Music, e gravaram um DVD com grandes participações, e músicas inéditas; e enfim romperam a barreira do mash up para ingressarem no grande mercado sertanejo de vez.
Na entrevista abaixo, a dupla fala dessa nova fase e do novo projeto. Rolaram algumas das canções inéditas do DVD, claro. E agora em cenário novo, finalmente. Confiram abaixo.
Henrique Foréis Domingues (Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 1908— Rio de Janeiro, 22 de dezembro de 1980) foi um cantor, compositor e radialista brasileiro, também conhecido por Almirante. Filho de Eduardo Foréis Domingues e Maria José Foréis, nasceu em Vila Isabel, tradicional bairro carioca.
Aprendeu a ler em Barbacena, continuando depois seus estudos em um colégio de Friburgo onde estudou um pouco de alemão. Com a morte de seu pai, em 1924, começou a trabalhar como caixeiro de uma loja. Em 1925, empregou-se no comércio, na seção de vidros e santos da Casa Cruz, depois numa fábrica de linhas e em seguida no Magazine Costa Guimarães.
Seu apelido, Almirante, teve origem no período em que serviu na Marinha (1926-27), quando teve oportunidade de desfilar ao lado do comandante da Reserva Naval, em traje de gala, sendo confundido com um almirante. Seu codinome na Era de Ouro do Rádio era: "a mais alta patente do Rádio", graças a programas inovadores como Curiosidades musicais entre outros.
Depois de servir à Marinha, Amirante estudou Contabilidade, chegando a ser guarda-livros de algumas firmas comerciais. Em 1928, conheceu João de Barro, "Braguinha"; e este convidou-o, um dia, para uma festa em sua casa. Braguinha organizara um conjunto musical para se divertirem. Foi convidado, nessa mesma noite, para ser o pandeirista do conjunto, que era conhecido como Flor do Tempo, e contava com os violonistas Álvaro Miranda Ribeiro (Alvinho) e Henrique Brito.
Pioneiro da música popular no país, Almirante começou sua carreira musical em 1928 no grupo amador "Flor do Tempo" formado por alunos do Colégio Batista, do bairro da Tijuca, Rio de Janeiro, como cantor e pandeirista. Compunham o grupo, além de Almirante (cantor e pandeirista) os violonistas Braguinha (João de Barro) Alvinho e Henrique Brito.
Em 1929, convidados a gravar um disco na Parlophon (subsidiária da Odeon) admitem mais um violonista, do bairro vizinho de Vila Isabel, um jovem talento chamado Noel Rosa. Depois de participar, com muito sucesso, de várias festas e shows, o conjunto foi convidado a fazer gravações. Diante da impossibilidade de levar toda aquela multidão (de 20 a 30 pessoas) para o estúdio, combinaram então que fariam um conjunto menor com Braguinha (violão e vocal), Noel Rosa (violão), Henrique Brito (violão) e Almirante (pandeiro e vocal) e por sugestão de Braguinha adotaram o nome de "Bando dos Tangarás".
Segundo a lenda, os Tangarás se reúnem em grupos de cinco e fazem uma roda de dança. O grupo então é rebatizado para Bando de Tangarás, nome inspirado numa lenda do litoral paranaense, a "dança dos tangarás" que conta a história de um grupo de pássaros (os tangarás) que se reúne para dançar e cantar alegremente.
Ao lado de Noel Rosa e Braguinha, iniciou sua carreira artística em 1928, no conjunto Bando de Tangarás. O "bando" se desfez em 1933 mas Almirante continuou sua carreira como cantor, interpretando sambas e músicas de carnaval, muitas de grande sucesso e hoje clássicos da música popular brasileira, como "O Orvalho Vem Caindo" (Noel Rosa / Kid Pepe), "Yes, Nós Temos Bananas" e "Touradas em Madri" (João de Barro/Alberto Ribeiro), entre outras.
Almirante foi parceiro de Carmen Miranda em discos e filmes nacionais. Em 1931 iniciou a sua carreira solo. Participou dos filmes Alô, alô, Brasil, Estudantes, Alô, alô, carnaval e Banana da terra. No carnaval de 30, Almirante lançou a música “Na Pavuna”, um dos seus grandes sucessos.
Em 1938 inicia a carreira de radialista onde lhe é atribuído o “slogan” A Mais Alta Patente do Rádio. Em 18 anos de atividade no rádio, estreou mais de vinte programas. Entre eles, destacamos: Caixa de perguntas (1938), A canção antiga (1941), Campeonato brasileiro de calouros (1944), Carnaval antigo (1946), Incrível! Fantástico! Extraordinário (1947), No Tempo de Noel Rosa (1951), Recolhendo o folclore (1955), entre outros. Além de todas estas atividades, Almirante foi colecionador de dados relativos a história da MPB, tornando-se uma das maiores autoridades no assunto.
Em 1951, tornou-se o primeiro biógrafo do Poeta da Vila, ao produzir para a Rádio Tupi do Rio de Janeiro a série de programas semanais No Tempo de Noel Rosa, com histórias, depoimentos e interpretações de suas músicas, muitas delas inéditas. Entre 18 de outubro de 1952 e 3 de janeiro de 1953, publicou na Revista da Semana, em capítulos, A Vida de Noel Rosa.
Casou-se com Ilka Braga Domingues, irmã de Braguinha, passando a residir, por coincidência, na Rua Almirante Cockrane, em um edifício também chamado Almirante (Cockrane). Em janeiro de 1958, quase morreu, vítima de derrame cerebral, que o obrigou a reaprender a falar, fato que o marcou profundamente a partir de então.
Em 1963, com o mesmo título da série radiofônica, a editora Francisco Alves lançou seu livro sobre o ex-companheiro do Bando de Tangarás. O livro No Tempo de Noel Rosa, a primeira biografia eficaz do Poeta da Vila.
A morte de Almirante foi causada por uma aneurisma cerebral. Faleceu no Rio de Janeiro, em 22 de dezembro de 1980.
Em 1990, Sérgio Cabral publicou o livro No Tempo de Almirante.
Curiosidades:
Em 1926, foi fazer a reserva naval, na Marinha de Guerra do Brasil, estudando de noite para não perder o emprego. No ano seguinte, a 5 de julho, participou das solenidades de recepção do hidroavião Jaú. Em um carro que cruzava as ruas da capital, com o Capitão Matias da Costa, dirigente da reserva, sentado na frente, ia ele atrás, como ordenança, instalado em um banquinho, todo duro e engomado. Na rua, perguntavam: "Quem é o da frente?" É o comandante. Esse aí atrás? Ah, esse deve ser o Almirante! O apelido pegou. E o reservista naval Henrique Foréis Domingues foi definitivamente promovido a Almirante, ao menos para a MPB.
Almirante dedicou sua vida à divulgação e à preservação da memória musical brasileira, tendo organizado um vasto acervo de livros e discos que se tornou importante fonte de pesquisa sobre o folclore e a música popular brasileira.
Em 1965, seu arquivo foi incorporado ao MIS, Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. A coleção de Almirante adquirida pelo governo do estado na época da inauguração do MIS, é composta de milhares de partituras, livros, fotos, recortes de jornais, além de instrumentos musicais que pertenceram a músicos brasileiros famosos.
Bom amigo e admirador de João Pernambuco, foi Almirante que tomou a sua defesa na contenda com Catulo da Paixão Cearense pela autoria da música de Caboca de Caxangá e Luar do Sertão. Sobre essa questão complicada e controversa, Almirante escreveu as páginas mais equilibradas no livro No Tempo de Noel Rosa (1963). Almirante preservou no seu arquivo numerosas músicas de Pernambuco, sobretudo vocais.
Existe uma estranha beleza e um valor incontestável no trabalho de artistas nacionais que lidam com o rock instrumental em suas múltiplas formas. Uma manifestação por vezes esquecida por alguns ouvidos mais “críticos”, mas que está longe de ser encontrada em projetos elaborados em solo estrangeiro: a constante capacidade de experimentar.
Enquanto nomes de peso da cena internacional que brincam com o gênero e suas inúmeras variáveis se acomodam em uma série de padrões repetitivos depois de alcançada a tão sonhada fórmula base, no Brasil temos um completo oposto desse infeliz padrão, com artistas que mesmo veteranos fazem de cada presente lançamento um novo começo e uma possibilidade de mais uma vez se reinventar.
É o caso da banda mezzo paulistana, mezzo mineira Elma, que ao alcançar dez anos de carreira faz do atual trabalho uma capacidade de perverter tudo aquilo que fora construído previamente. Aos comandos de Fernando Seixlack (bateria), Ricardo Lopes (baixo), Paulo Cyrino (guitarra) e Bernardo Pacheco (guitarra), o mais recente lançamento da banda, Elma LP (2012, Submarine), traz de volta o mesmo espírito entusiasmado dos primeiros singles lançados pelo grupo.
Costurando por meio de guitarras sombrias e ambientações sujas uma sequência de manifestações acústicas que se alteram a todo o instante, o grupo monta um trabalho que encontra na constante transformação um “padrão” que dá movimento ao disco.
Esqueça o óbvio, tão logo a banda inicia o trabalho, uma chuva de acordes densos e maquinações grosseiras começam a se manifestar. Espécie de preparativo para o que o grupo lentamente esculpe no decorrer do álbum, em A Parte Elétrica o grupo torna perceptível todos os elementos que pouco a pouco compõem a estrutura base do recente projeto. Estão lá as linhas de baixo sufocantes, a dupla de guitarras que praticamente se espancam com o passar do álbum e principalmente a bateria firme (e necessária) de Seixlack.
Elemento guia do trabalho, as batidas fornecem o ritmo (sempre maleável) e o sustento ao espectador iniciante que trafega pelo álbum, referência que inicialmente surge como um conforto em meio a avalanche de ruídos que percorrem o disco, mas que logo se manifesta como o real motor de toda a explosiva soma de conceitos instáveis que formam o disco.
Abrindo o registro com relativa parcimônia, a cada nova faixa proclamada pelo quarteto, mais esquizofrênica se estabelece a sonoridade que define a produção do registro. Se em um momento os realces típicos do Math Rock fluem como um encontro entre o Battles (do primeiro disco) com os o Fugazi de princípios da década de 1990, logo nos instantes seguinte toda essa proposta já está desfeita. É como se a banda não tivesse a mínima dificuldade em pular de Black Sabbath para os ruídos claustrofóbicos do Sonic Youth em questão de segundos, tornando a execução da obra ao mesmo tempo dinâmica e experimental. Tudo ecoa próximo de algo que já nos é familiar e ainda assim novo, capacidade da banda em absorver o que há de mais sujo no mundo da música e transformar em um som incontestavelmente próprio.
Recheado por composições de realces densos (Smagma) e outras faixas que mantém na aceleração um recurso próprio (Zoltan Ri), Elma LP segue até o ecoar da última composição como um registro de destinos incertos ao ouvinte. Nada parece previsível na maneira como o quarteto expõe as canções, afinal, diferente do que outros projetos assumem, cada faixa lançada pela banda se quebra em inúmeras particularidades e preferências distintas, como se o grupo se separasse na abertura de cada canção, seguindo por um caminho próprio, mas ao final se encontrando em um mesmo ponto. Basta observar os vários rumos delimitados dentro da música Agente para entender do que se trata essa constante mudança de percursos que sustentam o disco.
Conduzido do princípio ao fim pela incerteza da instrumentação e dos rumos – que praticamente são construídos e destruídos no decorrer das faixas -, o registro brinca de maneira intencional com a o descontrole, arremessando o ouvinte de um canto a outro do álbum sem que a banda se importe com os impactos ou possíveis ferimentos que isso possa gerar. Corajoso na maneira como disco passeia experimental por formas e gêneros instrumentais por vezes incompatíveis, há na construção do álbum uma clara noção do que a banda pretende alcançar, afinal, não basta apenas acrescentar ou diminuir ruídos sem um mínimo comprometimento, é preciso saber o que se pretende conquistar com isso, algo que os membros do Elma parecem compreender logo nos primeiros acordes do disco.
Hurtmold é uma banda brasileira de post-rock/math rock. Foi formada na cidade de São Paulo em 1998, e nesta época tinha como integrantesMaurício Takara (bateria, vibrafone, trompete), Guilherme Granado(teclado, vibrafone, escaleta), Marcos Gerez (baixo), Mário Cappi (guitarra) e Fernando Cappi (guitarra).
Em 2003 entra Rogério Martins(percussão e clarinete), completando a formação que dura até hoje.
A banda é conhecida por fazer um post-rock mais vigoroso que o convencional, utilizando bastante instrumentos de percussão, com influências diversas que vão do jazz, passando por minimalismo, punk rock, funk norte-americano, música eletrônica, até chegar a ritmos regionais da música brasileira.
Outra característica do Hurtmold é o fato dos seus integrantes trocarem os instrumentos entre si durante as apresentações ao vivo.
A banda teve a canção "Sabo" incluída em uma coletânea de bandas independentes brasileiras lançada em 2008 pela revista francesaBrazuca.
Cinco anos depois do primeiro álbum puramente instrumental, o Hurtmold resolveu bagunçar todas as listas de melhores discos do ano lançando agora em dezembro o esperado Mils Crianças (2012, Submarine).
Em um ano particularmente bom para a música instrumental brasileira – Macaco Bong, Elma foram alguns dos que lançaram discos por aqui -, esse não deixa de ser um trabalho empolgante, cuidadosamente elaborado e coeso nos seus elementos rítmicos e sonoros, proposta que agrada e ao mesmo tempo surpreende os ouvintes do álbum anterior.
Como o registro de 2007, Mils Crianças tem como linha condutora o uso da percussão em suas várias possibilidades: da bateria que pontua o tema math-rock de Beli a instrumentos como o agogô e o caxixi, que marcam o início e a finalização de Tomele Tomele, passando pelo vibrafone, que contribui para suavizar certos momentos como SNP e a acrescentar elementos novos em outros, como em Hervi.
Em torno desta linha, os demais instrumentos vão acrescentando elementos novos e dialogando através de sons precisamente encaixados, em que se percebe a preocupação maior com o desenho cuidadoso do conjunto do que com o vôo individual da improvisação. Encaminhamento que tenciona o álbum inteiro a se desenvolver quase como uma faixa única, num caminho sonoro claro do início até o fim.
Os temas deste disco parecem menos densos e fechados em si mesmos, mais suaves e acessíveis ao ouvinte. Ao contrário do que se tem afirmado, não se trata de um disco com canções mais fáceis, nem que se aproximam da música pop, mas de canções com ideias muito mais claras, que precisam de caminhos menos tortuosos para se exprimirem. Dessa forma, os músicos tem a possibilidade de mudar de direção sem perder o rumo – o que acontece em várias faixas, a começar pela primeira, Naca – e transitar por vários estilos, do dub de Tomele Tomele ao hard-rock de Pigarro, em uma trama bem urdida em que os músicos se alternam e se encontram constantemente.
Em comparação ainda mais distante com os primeiros álbuns, em que havia ainda a presença de vocais, o grupo parece se afastar radicalmente de qualquer necessidade de expressão verbal. A formatação essencialmente abstrata contribui para que o coletivo apresente um disco inteiro em que, desde o próprio disco às faixas, nenhum título parece ter um significado definido, atraindo apenas pela sonoridade ou limitando-se a iniciais – como se os músicos se expressassem ainda mais puramente através do som.
Também vale a pena falar do projeto gráfico de Mils Crianças, de autoria do guitarrista Mario Cappi: aberto, o envelope mostra o desenho de uma linha de trem correndo paralelamente a uma muralha de prédios – paisagem facilmente reconhecível como a Barra Funda, bairro da Zona Oeste de São Paulo – enquanto o edifício do canto é esmagado por uma gigantesca mão vermelha. A imagem, cujo traço lembra Frank Miller, é expressão acabada desse som enraizado em solo paulistano, com a multiplicidade de referências culturais que lhe é própria, acrescentando um toque de violência surrealista que lhe é necessária.
Pata de Elefante foi uma banda brasileira de rock instrumental, formada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul e que permaneceu em atividade por cerca de onze anos.
A banda foi formada em janeiro de 2002 com a proposta de fazer rock no Brasil sem nenhuma letra, apenas utilizando o instrumental.
Em dezembro de 2004, lançaram seu primeiro álbum , o homônimo Pata de Elefante, pela gravadora goiana Monstro Discos.
Desde então, a Pata de Elefante passou a se apresentar nos principais festivais de música independente doBrasil: Goiânia Noise Festival (2004, 2006 e 2007), Festival Calango (Cuiabá, 2005), Semana da Música de Cuiabá (2006), Feira da Música Independente de Brasília (2006), Grito Rock (Cuiabá, 2007), Gig Rock (Porto Alegre, 2006 e 2007) e Abril Pro Rock (Recife, 2008).
Em 2007, foi lançado o segundo CD, intitulado Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha.
A banda teve a canção "Hey!" incluída em uma coletânea de bandas independentes brasileiras lançada em 2008 pela revista francesa Brazuca.
Em 2009, ganhou o VMB 2009 na categoria Instrumental.
Em Março de 2013 , Gustavo Telles "Prego" oficializou através da rede social Facebook, o término da banda em seu perfil pessoal, bem como na fanpage da Pata de Elefante: "Pessoal, a Pata de Elefante acabou! Foram 11 anos de trajetória, 4 discos lançados (o último será lançado pela internet em abril), shows em diversos estados e músicas utilizadas em trilhas sonoras de filmes, entre tantas realizações. Agradecemos a todos que auxiliaram a Pata a desenvolver sua música e a todos que curtem! A música fica! E a vida segue! Forte Abraço a todos!"
Há especulações de que um desentendimento entre o baixista Gabriel Guedes e o baterista Gustavo Telles teria ocorrido, justificando a separação repentina do grupo. Porém absolutamente nada foi confirmado e quando questionados por algum fã acerca do fim, a resposta é tranquila e firme, esclarecendo que a decisão é irrevogável e sempre procurado frisar os novos trabalhos.
Integrantes
Daniel Mossmann - guitarra
Gabriel Guedes - guitarra
Gustavo Telles - bateria
Edu Meirelles - baixo
Músicos Convidados e Participações Especiais
Julio Rizzo - sopro
Luciano Leães - teclados
Discografia
2004 - Pata de Elefante - Monstro Discos
2007 - Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha - Monstro Discos
Influenciados por Elvis, Beatles e Rolling Stones, a Banda The Fevers iniciou suas atividades musicais no Colégio entre amigos em 1965, na zona norte do Rio de Janeiro. O nome da banda surgiu inspirada em um sucesso de Elvis Presley – “Fever”.
Em função do destaque em suas apresentações ao vivo, foram convidados a acompanhar musicalmente as principais estrelas brasileiras do movimento que se espalhava por todo o mundo, o chamado Rock n’ Roll, no qual no Brasil, os Fevers tiveram grande participação e importância, foram contratados para atuar no principal programa jovem em rede nacional de TV da época, a “Jovem Guarda”, transmitido ao vivo aos domingos pela TV Record deSão Paulo, apresentado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa.
Destacaram-se gravando grandes versões de sucessos internacionais, acompanhando a evolução do mercado musical, mantendo a pegada de rock n’ roll que os lançou, sempre com ritmo dançante, mas acrescentando um toque de contemporaneidade aos novos trabalhos, seja na tecnologia instrumental ou na adaptação de suas obras à novas mídias.
Ao longo de quatro décadas de estrada o volume de sucessos da banda só é comparável no Brasil a Mega Stars. São mais de 50 lançamentos e um grande número de compilações (entre vinil, fitas cassete, Cds e DVD), uma vendagem superior a 13 milhões de copias efetivamente vendidas.
A extensa discografia da banda, incluindo compilações ao longo de quase cinco décadas de sucesso atingiu números recordes em vendagem e lançamentos de discos, que contribuíram para muitas premiações.
PREMIAÇÕES:
29 discos de ouro, 5 de Platina, 3 de Platina Duplo, 1 de Diamante, Disco de Platina em Portugal;
Prêmio Portuguese Cultural em Mississauga, Canadá.
Em 2010, foi homenageado na Festa Nacional da Musica, maior Fórum da Musica Popular Brasileira, realizado em Canelas/RS, em evento que reúne artistas, músicos, editores, jornalistas, formadores de opinião e executivos que atuam na Musica e na Industria do Entretenimento Musical Brasileira.
Em 2011, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro teve o CD VEM DANÇAR II, indicado, juntamente com as bandas “Sua Mãe”, do ator Wagner Moura e “Roupa Nova”, a:
“Melhor Álbum Popular” ao Prêmio da Musica Brasileira.
Em 2013,recebeu o Premio:
Rio Show Petrobras, pelo conjunto de sua Obra.
Em 2014,foi Homenageado pela Cia Teatral Paulista “Loucos do Taro” em evento de premiações na Cidade do Rio de Janeiro.
Entre as varias canções incluídas em trilhas sonoras de novelas de sucesso para a TV GLOBO destacam-se os temas de abertura das novelas:
ELAS POR ELAS
GUERRA DOS SEXOS
TI TI TI
DE QUINA PRA LUA
AMOR COM AMOR SE PAGA
NINGUÉM VIVE SEM AMOR
SÓ VOU GOSTAR DE QUEM GOSTA DE MIM, na trilha da novela AMOR & REVOLUÇÃO da TV Record 2011.
Fevers participaram ativamente da comemoração dos 40 Anos da Jovem Guarda. Ao lado de Erasmo Carlos, Wanderléa e Golden Boys, participando sob direção geral de José Carlos Marinho do Projeto 40 Anos de Rock Brasil – Jovem Guarda, que excursionou pelas principais capitais atuando nos principais espaços de Mega Shows de todo Brasil, com extraordinária repercussão.
O espetáculo foi registrado em DVD no Tom Brasil, São Paulo, premiado com Discos de Ouro e Platina. O Jovem Guarda – 40 Anos de Rock Brasil, manteve-se na estrada, com novo titulo, “Festa de Arromba”, tornou-se um dos principais espetáculos dirigido a Eventos Corporativos.
Momentos importantes e emocionantes na carreira dos Fevers foram os Concerto da “FEVERS INTERNATIONAL TOUR”, Portugal, Nova York, New Jersey,Cumberland, Rhode Island, Ontário Place,Monsom Amphitheater em Toronto e Cultura Center de Winnipeg e Mississauga, Canadá, onde foram homenageados pela comunidade canadense.
A turnê internacional teve seqüência, The Fevers apresentaram-se novamente no Canadá, desta vez com maior destaque no Chin Radio Pic Nic, considerado o maior pic nic ao ar livre do mundo, o evento reuniu uma platéia de mais de 150.000 pessoas em Toronto. Diante ao grande sucesso a meta da produção e dos Fevers é manter o Show VEM DANÇAR para os próximos dois anos, superando a quantidade e a qualidade dos shows realizados em 2013.
E os FEVERS não param, com agenda de shows muito requisitada, os Fevers mantém uma média anual superior a mais de 100 apresentações de Shows ao vivo, atuando de norte a sul do país e exterior. Das festas populares, passando por eventos corporativos e recepções das camadas mais elitizadas da sociedade brasileira, Suas canções marcam épocas, o que prova que The Fevers, esta marcado nos corações de seus fãs e na musica popular brasileira. Fato este que independe de classe social e destaca o lado Cult da Banda, confirmando o resultado de pesquisa do programa FANTÁSTICO da TV Globo: The Fevers é a “Banda mais Popular do País”.
Quem é fã de samba e pagode já pode se preparar para show em dose tripla que acontece no dia 10 de junho em Campo Grande/MS. Os cantores Alexandre Pires, Belo e Luiz Carlos ocupam o palco juntos no projeto Gigantes do Samba II, no Diamond Hall.
Os 3 uniram os repertórios das bandas que arrastaram multidões e vão cantar sucessos que são trilha sonora para muitas gerações. Além de alguns dos principais representantes do estilo, o show terá ainda a nova voz do samba, Ana Clara.
A segunda fase do projeto teve início em março deste ano, com a entrada de Belo, e uniu artistas que juntos já venderam mais de 60 milhões de discos.
O show é um oportunidade de mostrar que aqui não tem só sertanejo, garante o responsável pela Santo Show, o empresário Valter Júnior. “É uma oportunidade também para dar uma quebrada na ideia de que não há shows desse porte em Campo Grande. Muitos ingressos já foram vendidos e ainda estamos fazendo reservas”, diz.
Alexandre Pires surgiu a frente do grupo Só Pra Contrariar que fez sucesso na década de 90. Ao seguir carreira solo, ganhou prêmios internacionais em uma sólida trajetória.
Luiz Carlos, líder da banda Raça Negra, é o mais prestigiado deles. É um dos responsáveis pela "era do pagode". Criou um estilo romântico dentro do ritmo que normalmente exigia um gingado mais samba. Também surgiu em comunidade distante dos morros cariocas. A banda dele teve origem em São Paulo, em 1983.
Belo, de cabelos descoloridos, ficou conhecido como vocalista do Grupo Soweto. Passou por maus bocados, foi preso, se reinventou e voltou às paradas de sucesso em 2010.
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Algumas das músicas de Alexandre Pires são versões de outras músicas estrangeiras. Tiveram suas letras originais trocadas por letras em português. São elas:
Estrela Cadente - Versão da música Hunting high and low, cantada pelo grupo A-ha.
Minha Fantasia - Versão da música It ain't over 'till it's over, cantada por Lenny Kravitz.
No Céu Da Paixão - Versão da música I believe I can fly, cantada por R. Kelly.
Eva Meu Amor - Versão da música Every time you go away, cantada por Paul Young.
Um Mundo Ideal - Versão da música A Whole New World, cantada por Brad Kane & Lea Salonga.
A Musa das Minhas Canções - Versão da música Spanish Guitar, cantada por Toni Braxton.
Ao Sentir o Amor - Versão da música On the Wings of Love de Jeffrey Osborne.
Alexandre gravou Eletrosamba, seu terceiro DVD da carreira solo em São Paulo no dia 11 de Abril de 2012, com a participação de Cláudia Leitte, Xuxa, Abadia Pires, Só Pra Contrariar e Mumuzinho.
Em março de 2013 Alexandre retornou ao grupo Só Pra Contrariar para turnê em comemoração dos 25 anos de carreira do grupo.
Adoniran Barbosa o sambista que ajudou a mostrar para o Brasil como era a São Paulo dos anos 30 a 60, que cantava em português errado, de propósito, uma maneira fidedigna de registrar a forma como as classes mais populares de São Paulo se expressavam.
A linguagem da poesia de Adoniran é caracterizada por um vocabulário com muita informalidade, mas não é uma informalidade qualquer, é uma variação linguística sociocultural marcada pelo regionalismo, linguajar popular e pelas gírias. Muitas vezes sem nenhum prestígio social, porém é este modo errôneo, inculto e popular de ser que configurou a maneira de estar... certa e agradar a todos! Foi com essa característica que Adoniran Barbosa manifestou sua arte, quebrando paradigmas e preconceitos linguísticos.
Adoniran Barbosa (1910-1982) foi um importante cantor, compositor, humorista e ator brasileiro. É considerado o patrono do samba paulista, onde as letras de suas canções deixaram peculiaridades que caracterizam sua genialidade linguística e remete-nos à percepção do linguajar da boemia noturna, ou melhor, a linguagem popular paulistana.
Viveu com simplicidade e alegria. Nunca perdia o bom humor e seu amor por São Paulo, em especial pelo bairro do Bixiga (Bela Vista), que ele, sem dúvida, conseguiu retratar e cantar em muitas músicas suas. Por isso, Adoniran é considerado o compositor daqueles que nunca tiveram voz na grande metrópole.
A lembrança de Adoniran Barbosa não reside apenas em suas composições: temos em São Paulo o Museu Adoniran Barbosa, localizado na Rua XV de Novembro, 347; há, no Ibirapuera, um albergue para desportistas que leva seu nome; em Itaquera existe a Escola Adoniran Barbosa; no bairro do Bexiga, Adoniran Barbosa é uma rua famosa e na praça Don Orione há um busto do compositor; Adoniran Barbosa é também um bar e uma praça; no Jaçanã existe uma rua chamada "Trem das Onze"...
Adoniran deixou cerca de 90 letras inéditas que, graças a Juvenal Fernandes (um estudioso da MPB e amigo do poeta), foram musicadas por compositores do quilate de Zé Keti, Luiz Vieira, Tom Zé, Paulinho Nogueira, Mário Albanese e outros. Está previsto para o dia 10 de agosto o paulista Passoca (Antonio Vilalba) lançar o CD Passoca Canta Inéditas de Adoniran Barbosa.
As 14 inéditas de Adoniran foram zelosamente garimpadas entre as 40 já musicadas. Outra boa notícia é que entre os primeiros 25 CDs da série Ensaio (extraídos do programa de Fernando Faro da TV Cultura) está o de Adoniran em uma aparição de 1972.
A gravadora Kuarup nos brinda com um presente especial: um CD com a gravação de um show de Adoniran Barbosa realizado em março de 1979 no Ópera Cabaré (SP), três anos antes de sua morte. Além do valor histórico, o disco serve também para mostrar música menos conhecidas do compositor, como Uma Simples Margarida (Samba do Metrô), Já Fui uma Brasa e Rua dos Gusmões.
Fora isso, o paulista Barbosa nem se chamava Barbosa de verdade. Verdade seja dita, Adoniran adorava inventar, se reinventou tão bem que Rubinato sumiu, partiu para a maloca. Virou Adoniran de vez. Era tão multifacetado que criou mais de 16 personagens em seus programas de rádio na Record.
Em uma época onde TV era objeto decorativo na casa de gente rica, ele fazia a festa no rádio. Mas nem por isso desistiu de ser galã, chegou a trabalhar um tempo depois na TV, e como Mané Mole participou do longa O cangaceiro, que ganhou a Palma em Cannes em 1953, e foi exibido em mais de 80 países.
Sambista de acaso, sabia como tirar um sarro com a própria dor. Seu humor negro era apreciado por todos, seus sambas trágicos tinham um toque de ironia que marcou suas músicas, como na história da noiva que foi atropelada 20 dias antes do casamento e o noivo só guardou de recordação as meias e os sapatos – De lembranças guardo somente suas meias e seus sapatos/ Iracema, eu perdi o seu retrato.
Seu nome verdadeiro, quer dizer, seu nome era Adoniran Barbosa, mas isso foi o que ele escolheu, sua mãe foi do contra e escolheu um outro, João Rubinato, que significa Deus é Bondoso. Ah, e ele foi! Fez com que os paulistas, tidos como sem ginga e sem graça, ganhassem o melhor sambista do país. Não só isso, ele foi marmiteiro também, tirava de sua vida e sua história material para fazer seu samba – “A matemática da vida lhe dá o que a escola deixou de ensinar: uma lógica irrefutável. Se havia fome e, na marmita, oito bolinhos, dois lhe saciariam a fome e seis a dos clientes; se quatro, um a três; se dois, um a um.”
Sua voz rouca retratou São Paulo como nenhum outro artista conseguiu fazer. Mesmo tendo nascido em Valinhos, foi no Bexiga e no Brás que foi acolhido. Grande observador dos detalhes e fios soltos da vida, ele ria das suas amarguras e ia fundo em suas histórias. Era em suas noites no botequim, atrás de mesas de bar e filosofias tiradas do fundo de copos sujos em cantos do Brás, que ele fez sua história como compositor.
Foram as mesas, ladeiras e o povo que o fez ser quem foi e quem ainda é pelo que deixou. Suas tragédias íntimas e épicos tirados das sarjetas e malocas da cidade fizeram dele um grande contador de histórias. Quando São Paulo está embaixo d’agua por conta dos alagamentos, quem entenderia melhor a dor do paulistano do que ele, que falava do que entendia, do que vivia: Não reclama/ porque o temporal/ destruiu teu barracão/ Não reclama/ güenta a mão, João/ Com o Cebídi aconteceu coisa pior/ Não reclama/ Pois a chuva só levou a tua cama. Era só o que João tinha. Já a casa do Cebídi tava completa e foi toda levada pela enxurrada morro abaixo. Logo, João não tem tanto motivo pra reclamar da sorte.
Adoniran sabia como era difícil para São Paulo ser grande, entendia a dor de ser arranha-céu e de ser barracão. Sampa enfim pode ser consolada através de suas letras. Ele fez a década de 50 tremer, e olha que nem era um dos tremendões. Todos se renderam aos olhos pesados e bigode galante que formavam o rosto boêmio do sambista. Quem não se renderia, até eu daria mole, se ele me desse uma aliança feita com a corda mi do seu cavaquinho – foi o que ele fez na famosa “Prova de carinho”.
Os intelectuais o abraçaram, todos os nerds e universitários de plantão também, mas o povo para quem ele realmente cantava e dedicou a vida, esse se esqueceu dele. No fim da vida, não era tocado em rádios populares e o mercado não dava bola.
Morreu pobre, como quase todo sambista bom morre. Lançou 3 LPs em 40 anos de carreira, tinha fãs de grande nome em seu encalço, como Elis Regina. Exatos 28 anos atrás, o mundo perdeu Rubinato, quer dizer, Adoniran, Charutinho, enfim, ele podia ser quem quisesse, ele se dava esse direito. Parada cardíaca. Uma parada para ele foi o bastante, mas espero que tenha sido de barriga cheia. Só tenho a filosofia/ Que me dá consolação/ Com a barriga assim vazia/ Sei que morrerei/ No necrotério acabaria/ Mas não será de indigestão.
Adoniran não precisa de artigos para explicá-lo, ele mesmo sabia fazer isso, e fazia melhor do que qualquer Barbosa – Eu sou de humilde contato/ Tímido, nem sou loquaz/ Tenho espontâneo relato/ Do meu ego e o que me apraz/ Sou como sou não pedi.
Para quem fazia piada com a Jovem Guarda, o que me restou como Barbosa foi dar esse leve sopro – Porque com eles canta a voz do povo/ E eu que já fui uma brasa/ Se assoprarem posso acender de novo.
Adoniran Barbosa retratou a relação entre a cultura popular e moderna o Compositor abriu espaço para setores marginalizados e desprezados pela história oficial do Brasil
A obra de Adoniran Barbosa é densa, profunda e fascina pesquisadores, o que pode ser comprovado na extensa bibliografia dedicada ao compositor paulista. O livro Adoniran Barbosa, o poeta da cidade(Ateliê Editorial), do historiador Francisco Rocha, por exemplo, vale-se das canções para pensar o processo de modernização do Brasil, o lugar da cultura popular nesse contexto, a urbanização e o crescimento de São Paulo.
Rocha lembra que Adoniran Barbosa viveu no momento em que São Paulo se tornava a grande metrópole brasileira. “A matéria-prima dele é a tentativa de narrar a expansão urbana na perspectiva dos excluídos”, observa o escritor. “Os personagens são o homem comum, o trabalhador informal, o migrante que está chegando à cidade, gente que desenvolve as mais variadas estratégias para sobreviver. São pessoas das quais a história oficial nada fala. Essas biografias ficaram no anonimato, no silêncio”, acrescenta Francisco Rocha.
Além da crítica social e do tom dramático, Adoniran “faz a ponte entre o rádio e a rua”. Na opinião de Rocha, esse tom só foi ouvido com clareza nas gravações dos anos 1970. Ele cita a versão de Elis Regina para Saudosa maloca – cantando os dramas vividos pelo povo, a intérprete reafirmou a resistência à ditadura militar.
“Adoniran tem antena para captar vozes e dramas do homem comum no momento da apologia ao progresso, que nos versos dele, e fazendo crítica a esse discurso, torna-se ‘progréssio’”, explica Rocha. A linguagem e o português incorreto remetem a uma fonte cara à arte do paulista: a cultura oral. Por outro lado, ressaltam a resistência, com tom crítico à cultura oficial.
“Certa vez, ele disse que era preciso falar errado de modo certo”, lembra Francisco Rocha. A prática valeu censura ao artista. Tiro ao Álvaro, de acordo com o músico Sérgio Rosa, do grupo Demônios da Garoa, era considerado pela ditadura militar mau exemplo para os brasileiros. “A autenticidade e a força poética dessa arte se comunicam fortemente”, afirma.
Um casamento feliz, para a vida inteira. Assim Sérgio Rosa, o porta-voz do Demônios da Garoa, define a relação entre Adoniran Barbosa e o grupo. Tudo começou em 1949, durante as filmagens de O cangaceiro – o compositor atuava como ator, o conjunto fazia a trilha sonora. O namoro se fortaleceu com o sucesso, em 1951, da gravação de Malvina.
O estouro veio com Saudosa maloca – gravada por Adoniran, a canção virou hit com Demônios da Garoa. O lado dois do álbum trazia outra pérola, Samba do Arnesto. “Nunca vi Adoniran sorrindo. Ele estava sempre sério, era caladão. Entretanto, quando soltava alguma observação, fazia todo mundo rir”, conta Roberto Barbosa, de 70 anos, cavaquinista do Demônios. “Ele é artista caprichoso, põe a alma na música e sempre teve orgulho de criar o samba gaiato”, acrescenta.
Conviver com o amigo caladão nem sempre foi divertido. “Às vezes, era um chato. Quando gravamos Saudosa maloca, mudamos algumas palavras e criamos vocais percussivos. Bravo, ele disse que havíamos estragado a música”, conta Roberto. Quando veio o sucesso, voltou atrás: “Tá bom, gostei”, disse ele, como relembra o cavaquinista, imitando a voz do compositor.
“Suas canções simples retratam quase que fielmente o cotidiano do povo humilde. Ele foi um dos grandes poetas da nossa terra”, elogia Sérgio Rosa. Para conhecer o compositor na voz do grupo, ele sugere o disco Demônios da Garoa e convidados, comemoração dos 65 anos do conjunto, com participação de Lecy Brandão, Zeca Pagodinho, da bateria da escola de samba Rosa de Ouro e do Fundo de Quintal, entre outros. O grupo abriu o ano comemorando a obra do parceiro em apresentações com a Banda Sinfônica de São Paulo.
1.º edição, 2002
Ayrton Mugnaini Jr.
Editora 34
Sinopse
Ninguém expressou melhor a confluência de caipiras, italianos e malandros suburbanos em São Paulo do que João Rubinato, o genial Adoniran Barbosa (1910-1982). Este livro narra a trajetória desse ícone da cultura paulistana: os incontáveis biscates na adolescência, a iniciação no rádio durante os anos 1930, a criação de algumas de suas canções mais conhecidas e inúmeros "causos" deste inesquecível compositor.
Curiosidades: Adoniran Barbosa
*Trem das Onze, a música que não parou de circular. Composta em 1961, lançada em 1964, traduzida até para o iugoslavo, Trem das Onze fala do homem comum para o homem comum.
*A estação do Jaçanã foi aberta em 1910, próxima ao Asilo dos Inválidos, no Guapira, aliás o nome original da estação. É a mais famosa das estações da Cantareira, pois foi a inspiração para a música Trem das Onze, de Adoniram Barbosa. Trem que, aliás, nunca existiu, pois o último trem saía às 20:30. A estação foi desativada em 1965, com o ramal, e foi demolida já no ano seguinte.
*Adoniran não só combateu como sofreu preconceito linguístico e grafocêntrico. Múltiplas são as variantes encontradas nas composições de Adoniran Barbosa que retrata com êxito o perfil sócio-cultural de uma comunidade.
A Historiografia e a Música Popular se encontram nessa obra de grande interesse à cultura nacional, particularmente a da cidade de São Paulo. Através da trajetória e obra do cancionista, comediante e radioator Adoniran Barbosa, o autor Francisco Rocha pretende resgatar o olhar do compositor às camadas inferiores da cidade. 'Saudosa Maloca', 'Trem das Onze', 'Iracema' e 'História Paulista' são algumas das canções que se destacam do extenso repertório do artista. De suas músicas e demais obras é que foi possível ao historiador o resgate biográfico de Adoniran, método que vem promover uma nova visão sobre os conceitos tradicionais de estudo da cultura popular e, paralelamente, a valorização da criatividade das chamadas pessoas comuns. Mais do que isso, a encarnação do popular no artista faz de Adoniran um agente divulgador da cultura nacional.
Cantor. Compositor. Multi-instrumentista, Adair Cardoso lançou no início de 2016 a música "Havaianas", de Adair Cardoso com participação de Wesley Safadão.
Adair nasceu em 27 de junho de 1993 em Tangará da Serra, no Mato Grosso, filho de Orlando e Francisca Cardoso. Cantor e compositor brasileiro de música sertaneja. Seu primeiro sucesso foi a música "Que se Dane o Mundo", que foi tema da 18ª temporada de Malhação.
Aos 2 anos de idade, seu pai percebeu que o filho tinha facilidade em tocar instrumentos e com uma pequena sanfona ele já mostrava muita intimidade. Aos 8 anos de idade seu Orlando o apresenta para o empresário da dupla Gino e Geno, Wagner Tadeu de Paula.
Aos 11 anos Adair se apresenta pela primeira vez em um programa de tv Programa Raul Gil no quadro jovens talentos, onde seu trabalho é reconhecido a nível nacional e internacional. Aos 13 anos Adair lançou seu primeiro álbum de estúdio Coração Adolescente, em Fevereiro de 2007.
Gravou um DVD ao vivo que trouxe o sucesso "Enamorado" com a participação de Claudia Leitte e Arthur Danni na música Disco Voador.
Adair, compositor de musicas de sucesso como: QUE SE DANE O MUNDO, ENAMORADO e SAUDADE DE VOCÊ (gravada pelo artista Zé Felipe) investiu numa música totalmente voltada para o ritmo do pagode baiano que conquistou o país nos últimos anos. “Gosto muito dessa pegada de pagode baiano, e queria uma música nesse estilo, foi daí que escrevi TOME SOFRÊNCIA, assim que terminei, resolvi que tinha que lançá-lá rápido.” – disse o cantor. E ai, já ouviu TOME SOFRÊNCIA?
Discografia
Coração Adolescente (2007)
Coração de Quem Ama (2009)
Adair Cardoso - Ao Vivo (2010)
Adair Cardoso - Ao Vivo DVD (2012)
Não me dou por vencido (2013)
Singles
"Coração Adolescente" (2007)
"Coração de Quem Ama" (2008)
"Chora Coração" (2010)
"Que se Dane o Mundo (2010/2011)
"Enamorado" Participação de Claudia Leitte (2011/2012)
"Disco Voador" Participação de Arthur Danni(2011/2012)
"Praia e Sol" (2012)
"Faculdade do Amor" (2012)
"Vai e Vem" (2012)
"Não me dou por vencido" (2013)
"Por que Sera?" (2014)
"Tome Sofrência" (2015)
"Havaianas"(Part. Wesley Safadão ) (2016)
Trilhas sonoras
- Que se dane o mundo - Malhação - 2010
- Enamorado - Cheias de Charme - 2012
João Donato de Oliveira Neto (Rio Branco, 17 de agosto de 1934), mais conhecido apenas como João Donato, é um pianista, acordeonista,arranjador, cantor e compositor brasileiro.
Donato foi amigo de todos os expoentes do movimento bossanovista, como João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Johnny Alf, entre outros, mas nunca foi caracterizado unicamente como tal, e sim um músico muito criativo e que promove fusões musicais, de jazz e música latina, entre tantos outros.
Na década de 1950, João Donato se muda para os Estados Unidos onde permanece durante treze anos e realiza o que nunca tinha conseguido no Brasil: reincorporar a musicalidade afro-cubana ao jazz. Grava o disco A Bad Donato e compõe músicas como "Amazonas", "A Rã" e "Cadê Jodel".
Retorna ao Brasil, reencontra a música brasileira que estava sendo feita no país, mas não abandona sua paixão pela fusão entre o jazz e ritmos caribenhos. Como arranjador participou de discos de grandes nomes da MPB como Gal Costa eGilberto Gil.
Entre as composições mais conhecidas do músico, estão: "Amazonas", "Lugar Comum", "Simples Carinho", "Até Quem Sabe" e "Nasci Para Bailar". Segundo o crítico musical Tárik de Souza: "Durante muito tempo, João Donato foi um mito das internas da MPB.Gênio, desligado, louco, de tudo um pouco.
Biografia
Filho de um major da aeronáutica, João Donato de Oliveira Filho e Eutália Pacheco da Cunha, nasceu em Rio Branco no dia 17 de agosto de 1934, mas 11 anos depois mudou-se para o Rio de Janeiro. Desde cedo demonstrou ter mais intimidade com a música, aos cinco anos já tocava acordeon.
João Donato nasceu em uma família musical, seu pai que era piloto de avião, nas horas vagas tocava bandolim. A mãe cantava e a irmã mais velha, Eneyda, pretendia ser concertista de piano. O caçula, Lysias, pendeu para as letras e se tornaria o principal parceiro nas composições com Donato.
O primeiro instrumento de João foi o acordeão, no qual, aos oito anos, compôs sua primeira música, a valsa "Nini". Antes de completar 12 anos, o pai presenteou-lhe com acordeões de 24 e 120 baixos. Em 1945, Donato pai é transferido, e a família tem de deixar Rio Branco rumo ao Rio de Janeiro.
Em pouco tempo, passou a frequentar o circuito musical das festas de colégios da Tijuca e adjacências. Tentou a sorte no programa de Ary Barroso. Intransigente, Ary rodou o tabuleiro da baiana e sequer quis escutá-lo, sob a alegação de que "não gostava de meninos-prodígio".
Ao profissionalizar-se, em 1949, aos 15 anos, Donato já havia participado das jam sessions realizadas na casa do cantorDick Farney e no Sinatra-Farney Fã Club, do qual era membro. Johnny Alf, Nora Ney, Dóris Monteiro, Paulo Moura e atéJô Soares, no bongô, estavam entre os componentes destas jams.
Na primeira gravação em que participa, como integrante da banda do flautista Altamiro Carrilho, Donato toca acordeão nas duas faixas do 78 RPM: "Brejeiro", de Ernesto Nazareth, e "Feliz aniversário", do próprio Altamiro. Pouco depois, migra para o grupo do violinista Fafá Lemos, como suplente de Chiquinho do Acordeom.
Década de 1950
Durante este período frequentou o Sinatra-Farney Fã Clube, na Tijuca, zona norte carioca, que durou apenas 17 meses, considerado por muitos estudiosos como uma escola para toda a geração que mais tarde criaria a Bossa Nova.
Em 1951, com apenas 17 anos, namorou Dolores Duran, que tinha 21. O romance gerou polêmicas e preconceitos a época, por ela ser mais velha que ele. Após um tempo, João resolveu se separar dela por causa das brigas da família do casal. Assim, ele a deixou e foi morar no México.
A partir de 1953, agora como pianista, Donato passa a comandar suas próprias formações instrumentais,– Donato e seu Conjunto, Donato Trio, o grupo Os Namorados – com quem lança, em 78 RPM, versões instrumentais para standards da música americana (como "Tenderly", sucesso de Nat King Cole) e brasileira (como "Se acaso você chegasse, do sambista gaúcho Lupicinio Rodrigues).
Três anos depois, a Odeon escala um iniciante para fazer a direção musical de "Chá Dançante" (1956), primeiro LP de Donato e seu conjunto. Antônio Carlos Jobim fez a seleção musical do disco de João Donato. O repertório escolhido porTom Jobim foi: "No rancho fundo" (Lamartine Babo – Ary Barroso), "Carinhoso" (Pixinguinha – João de Barro), "Baião" (Luiz Gonzaga – Humberto), "Peguei um ita no norte" (Dorival Caymmi).
Em seguida, Donato passa uma temporada de dois anos em São Paulo. Quando volta ao Rio, a Bossa Nova estava deflagrada. Ainda em 1958, grava "Minha saudade" e "Mambinho", em parceria com João Gilberto.
A convite de Nanai (ex integrante do grupo Os Namorados) parte para uma temporada de seis semanas em um cassino Lake Tahoe (Nevada) Donato adaptou as influências do jazz com a música do Caribe, como integrante das orquestras de Mongo Santamaría, Johnny Martinez, Cal Tjader e Tito Puente. E excursionou com João Gilberto pela Europa.
Década de 1960
Em 1962 regressa ao Brasil e concebe dois clássicos da música instrumental brasileira – "Muito à vontade" (1962) e "A Bossa muito moderna de João Donato" (1963), ambos pela Polydor. As canções foram relançadas no começo dos anos2000 em CD pela Dubas. com Donato ao piano, Milton Banana na bateria, Tião Neto no baixo e Amaury Rodrigues, na percussão.
Sobre "Muito à vontade", o jornalista Ruy Castro escreveu, por ocasião de seu relançamento em CD: "foi o seu primeiro disco ao piano e o primeiro mesmo para valer, com nove de suas composições entre as 12 faixas (...). Donato, que estava morando nos Estados Unidos durante a explosão da Bossa Nova, era uma lenda entre os músicos mais novos - para alguns, pelas histórias que ouviam, ele devia ser algo assim como o curupira ou a cobra d'água. Este disco abriu-lhes novos horizontes e devolveu Donato a um movimento que ele, sem saber, ajudara a construir". Estão lá "Muito à vontade", "Minha saudade", "Sambou, sambou", "Jodel".
"A Bossa muito moderna" introduz mais alguns temas originalmente instrumentais que, muitos anos depois, se tornariam obrigatórios em qualquer cancioneiro da MPB. Entre elas "Índio perdido", que viraria "Lugar comum", ao receber letra deGilberto Gil. Gil também é parceiro nos versos que transformariam "Villa Grazia" em "Bananeira". Já "Silk Stop" é o tema original sobre o qual Martinho da Vila escreveria "Gaiolas Abertas". A influência da música cubana é evidente em "Bluchanga", dos tempos em que Donato tocava com Mongo Santamaría.
Donato muda-se mais uma vez para os Estados Unidos e lá permaneceria por quase uma década. Trabalhou comNelson Riddle, Herbie Mann, Chet Baker, Cal Tjader, Bud Shank, Armando Peraza, etc. Formou, ao lado de João Gilberto, Jobim, Moacir Santos, Eumir Deodato, Sergio Mendes e Astrud Gilberto, o time dos que tornaram o Brasil de fato reconhecido internacionalmente por sua música.
"Piano of João Donato: The new sound of Brazil" (1965) e "Donato/Deodato" (1973) saíram respectivamente pela RCA e Muse Records, mas permanecem fora do catálogo no Brasil. Mas o disco que melhor representa a segunda temporada americana é "A Bad Donato" (1970), feito para o selo Blue Thumb, da Califórnia, e relançado em CD pela Dubas. Gravado em Los Angeles, "A Bad Donato" condensa funk, psicodelia, soul music, sons afro-cubanos, jazz fusion. Um Donato dançante, repleto de groove e veneno sonoro – antenadíssimo com o experimentalismo do sonho californiano - , considerado um dos 100 maiores discos da música brasileira pela Revista Rolling Stone.
Década de 1970
No Natal de 1972, Donato foi ao Rio e à casa do compositor Marcos Valle, onde encontrou o cantor Agostinho dos Santos, que sugeriu a Donato letrar suas criações instrumentais. Sendo assim, alguns temas de Donato ganharam letras e ganharam contornos de canção popular. Valle convidou-o a gravar um novo disco no Brasil, com o repertório formado a partir deste novo cancioneiro. O episódio é contado por Donato: "Eu ia gravar instrumental dentro de alguns dias e o Agostinho dos Santos falou: ‘Vai gravar tocando piano de novo? Todo mundo já ouviu isso. Se fosse você, eu gravaria cantando". A partir deste momento Donato deixa de ser integrante exclusivo da seara instrumental e entra para a MPB. Além de Gil, Martinho e Lysias, Chico Buarque, Caetano Veloso, Cazuza, Arnaldo Antunes, Aldir Blanc, Paulo César Pinheiro, Ronaldo Bastos, Abel Silva, Geraldo Carneiro e até o poeta Haroldo de Campos e o fonoaudiólogo e escritorPedro Bloch tornaram-se parceiros de João.
O disco "Quem é quem", lançado pela Odeon, em 1973 traz as músicas "Terremoto", "Chorou, chorou" (ambas com letra de Paulo César Pinheiro"), "Até quem sabe" (com Lysias), "Cadê Jodel?" (com Marcos Valle). Até Dorival Caymmi manda uma música inédita, "Cala a boca, Menino".
Em carta enviada a João Gilberto, em 13 de setembro de 1973, Donato não esconde o entusiasmo: "É o meu melhor trabalho em discos até o momento, tendo-se em conta o tempo que demorou, o que demonstra o máximo cuidado com que tudo aconteceu. E o resultado é um disco que eu simplesmente acho adorável". Também foi considerado um dos 100 melhores discos de todos os tempos pela Revista Rolling Stone.
Em 2008 "Quem é Quem" foi tema de programa inteiramente dedicado a ele, pelo Canal Brasil, apresentado por Charles Gavin; e de livro escrito pelo produtor e músico Kassim.
O álbum seguinte, "Lugar comum" (1975), pela Philips, dá sequência ao Donato vocalista, com a maior parte do repertório formado por ex-temas instrumentais. Há parcerias com Caetano Veloso ("Naturalmente"), Gutemberg Guarabyra ("Ê menina"), Rubens Confete ("Xangô é de Baê"). Só com Gilberto Gil são oito, entre elas "Tudo tem", "A bruxa de mentira", "Deixei recado", "Que besteira", "Emoriô" e pelo menos dois standards para qualquer antologia da canção popular: a faixa-título e "Bananeira".
No texto que preparou para o lançamento em CD de "Lugar comum", pela Dubas, Donato revisita um certo dia de verão nos anos 1970, na casa de Caetano. Ele se aproximara dos baianos a ponto de fazer a direção musical do show "Cantar", de Gal Costa, registrado em disco no ano anterior: "Tava todo mundo: Maria Bethânia, Gal, Caetano com Dedé e Moreno (...). Eles tinham meus dois discos "Muito à vontade" e "A bossa muito moderna" e eu sempre provocava, desafiando eles a fazer as letras. Quando surgiu essa melodia, o Gil inventou que era "bananeira não sei / bananeira sei lá (...)". Daí eu disse: "quintal do seu olhar". E ele: "olhar do coração. Como se fosse um ping-pong na segunda parte".
Lembram daquela excursão que Donato fez à Europa com João Gilberto, logo depois da primeira temporada americana? Pois foi num vilarejo italiano que a bananeira foi plantada. Donato explica: "As minhas primeiras letras surgiram a partir desses temas instrumentais já gravados, que eu pensava que não iam ter letra nunca. "Bananeira" era "Villa Grazia", o nome da pousadinha onde a gente ficou em Lucca, na Itália, acompanhando o João Gilberto numa temporada (...). Noventa e nove por cento das minhas músicas instrumentais trocaram de nome, por causa da letra".
Década de 1990
Depois desse período, Donato ficou quase vinte anos sem gravar. O mainstream da época parecia não absorver o que a turma pop começou a enxergar a partir dos anos 1990. A volta de João ao mundo do disco acontece em 1996 (ele lançara apenas o instrumental e ao vivo "Leilíadas", pela WEA, em 1986), com o álbum "Coisas tão simples", produzido por João Augusto, para a EMI. O disco traz "Doralinda", parceria com Cazuza, além de novas colaborações com Lysias ("Fonte da saudade"), Norman Gimbel ("Everyday"), Toshiro Ono ("Summer of tentation").
De lá para cá, Donato tem lançado seus álbuns sobretudo por três gravadoras independentes: Pela Lumiar, de Almir Chediak: "Café com pão" (com o baterista Eloir de Moraes, 1997); "Só danço samba" (1999); os três volumes da coleção Songbook (1999), além de "Remando na raia" (2001), encontro com Emilio Santiago (2003) e o reencontro com Maria Tita (2006). Na Deckdisc, faz "Ê Lalá Lay-Ê" (2001), "Managarroba" (2002) e o instrumental "O piano de João Donato", produzidos pelo roqueiro Rafael Ramos, além do disco gravado com Wanda Sá (2003).
Pela Biscoito Fino, saíram os encontros instrumentais com Paulo Moura ("Dois panos pra manga", 2006) e Bud Shank("Uma tarde com", este também em DVD). Pela Biscoito, Donato fez ainda o DVD "Donatural" (2005), onde recebe – em gravação ao vivo no Espaço Sérgio Porto, no Rio – diversas gerações de parceiros: de Gilberto Gil ao DJ Marcelinho da Lua; de Emilio Santiago a Marcelo D2; de Leila Pinheiro a Joyce, com direito a Ângela Rô Rô e o filho Donatinho, fera dos teclados e dos samplers.
João Donato vive no bairro da Urca, no Rio. Ele é casado com a jornalista Ivone Belem, desde 2001. É pai de Jodel, Joana e Donatinho.