sexta-feira, 27 de maio de 2016

Hurtmold


Hurtmold é uma banda brasileira de post-rock/math rock. Foi formada na cidade de São Paulo em 1998, e nesta época tinha como integrantesMaurício Takara (bateria, vibrafone, trompete), Guilherme Granado(teclado, vibrafone, escaleta), Marcos Gerez (baixo), Mário Cappi (guitarra) e Fernando Cappi (guitarra).


 Em 2003 entra Rogério Martins(percussão e clarinete), completando a formação que dura até hoje.


A banda é conhecida por fazer um post-rock mais vigoroso que o convencional, utilizando bastante instrumentos de percussão, com influências diversas que vão do jazz, passando por minimalismo, punk rock, funk norte-americano, música eletrônica, até chegar a ritmos regionais da música brasileira.

 Outra característica do Hurtmold é o fato dos seus integrantes trocarem os instrumentos entre si durante as apresentações ao vivo.


A banda teve a canção "Sabo" incluída em uma coletânea de bandas independentes brasileiras lançada em 2008 pela revista francesaBrazuca.


Cinco anos depois do primeiro álbum puramente instrumental, o Hurtmold resolveu bagunçar todas as listas de melhores discos do ano lançando agora em dezembro o esperado Mils Crianças (2012, Submarine).

 Em um ano particularmente bom para a música instrumental brasileira – Macaco Bong, Elma foram alguns dos que lançaram discos por aqui -, esse não deixa de ser um trabalho empolgante, cuidadosamente elaborado e coeso nos seus elementos rítmicos e sonoros, proposta que agrada e ao mesmo tempo surpreende os ouvintes do álbum anterior.


Como o registro de 2007, Mils Crianças tem como linha condutora o uso da percussão em suas várias possibilidades: da bateria que pontua o tema math-rock de Beli a instrumentos como o agogô e o caxixi, que marcam o início e a finalização de Tomele Tomele, passando pelo vibrafone, que contribui para suavizar certos momentos como SNP e a acrescentar elementos novos em outros, como em Hervi.


 Em torno desta linha, os demais instrumentos vão acrescentando elementos novos e dialogando através de sons precisamente encaixados, em que se percebe a preocupação maior com o desenho cuidadoso do conjunto do que com o vôo individual da improvisação. Encaminhamento que tenciona o álbum inteiro a se desenvolver quase como uma faixa única, num caminho sonoro claro do início até o fim.


Os temas deste disco parecem menos densos e fechados em si mesmos, mais suaves e acessíveis ao ouvinte. Ao contrário do que se tem afirmado, não se trata de um disco com canções mais fáceis, nem que se aproximam da música pop, mas de canções com ideias muito mais claras, que precisam de caminhos menos tortuosos para se exprimirem. Dessa forma, os músicos tem a possibilidade de mudar de direção sem perder o rumo – o que acontece em várias faixas, a começar pela primeira, Naca – e transitar por vários estilos, do dub de Tomele Tomele ao hard-rock de Pigarro, em uma trama bem urdida em que os músicos se alternam e se encontram constantemente.


Em comparação ainda mais distante com os primeiros álbuns, em que havia ainda a presença de vocais, o grupo parece se afastar radicalmente de qualquer necessidade de expressão verbal. A formatação essencialmente abstrata contribui para que o coletivo apresente um disco inteiro em que, desde o próprio disco às faixas, nenhum título parece ter um significado definido, atraindo apenas pela sonoridade ou limitando-se a iniciais – como se os músicos se expressassem ainda mais puramente através do som.


Também vale a pena falar do projeto gráfico de Mils Crianças, de autoria do guitarrista Mario Cappi: aberto, o envelope mostra o desenho de uma linha de trem correndo paralelamente a uma muralha de prédios – paisagem facilmente reconhecível como a Barra Funda, bairro da Zona Oeste de São Paulo – enquanto o edifício do canto é esmagado por uma gigantesca mão vermelha. A imagem, cujo traço lembra Frank Miller, é expressão acabada desse som enraizado em solo paulistano, com a multiplicidade de referências culturais que lhe é própria, acrescentando um toque de violência surrealista que lhe é necessária.



fonte

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hurtmold

http://miojoindie.com.br/disco-mils-criancas-hurtmold

Pata de Elefante


Pata de Elefante foi uma banda brasileira de rock instrumental, formada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul e que permaneceu em atividade por cerca de onze anos.


A banda foi formada em janeiro de 2002 com a proposta de fazer rock no Brasil sem nenhuma letra, apenas utilizando o instrumental.

Em dezembro de 2004, lançaram seu primeiro álbum , o homônimo Pata de Elefante, pela gravadora goiana Monstro Discos.

 Desde então, a Pata de Elefante passou a se apresentar nos principais festivais de música independente doBrasil: Goiânia Noise Festival (2004, 2006 e 2007), Festival Calango (Cuiabá, 2005), Semana da Música de Cuiabá (2006), Feira da Música Independente de Brasília (2006), Grito Rock (Cuiabá, 2007), Gig Rock (Porto Alegre, 2006 e 2007) e Abril Pro Rock (Recife, 2008).


Em 2007, foi lançado o segundo CD, intitulado Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha.

A banda teve a canção "Hey!" incluída em uma coletânea de bandas independentes brasileiras lançada em 2008 pela revista francesa Brazuca.


Em 2009, ganhou o VMB 2009 na categoria Instrumental.

Em Março de 2013 , Gustavo Telles "Prego" oficializou através da rede social Facebook, o término da banda em seu perfil pessoal, bem como na fanpage da Pata de Elefante: "Pessoal, a Pata de Elefante acabou! Foram 11 anos de trajetória, 4 discos lançados (o último será lançado pela internet em abril), shows em diversos estados e músicas utilizadas em trilhas sonoras de filmes, entre tantas realizações. Agradecemos a todos que auxiliaram a Pata a desenvolver sua música e a todos que curtem! A música fica! E a vida segue! Forte Abraço a todos!"

Há especulações de que um desentendimento entre o baixista Gabriel Guedes e o baterista Gustavo Telles teria ocorrido, justificando a separação repentina do grupo. Porém absolutamente nada foi confirmado e quando questionados por algum fã acerca do fim, a resposta é tranquila e firme, esclarecendo que a decisão é irrevogável e sempre procurado frisar os novos trabalhos.


Integrantes
Daniel Mossmann - guitarra
Gabriel Guedes - guitarra
Gustavo Telles - bateria
Edu Meirelles - baixo


Músicos Convidados e Participações Especiais
Julio Rizzo - sopro
Luciano Leães - teclados


Discografia
2004 - Pata de Elefante - Monstro Discos
2007 - Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha - Monstro Discos
2010 - Na Cidade - Trama
2014 - Julio Rizzo e Pata de Elefante


Bootlegs
2014 - Bota de Perna Taguatinga

FONTE


http://www.patadeelefante.com

domingo, 22 de maio de 2016

The Fevers


Influenciados por Elvis, Beatles e Rolling Stones, a Banda The Fevers iniciou suas atividades musicais no Colégio entre amigos em 1965, na zona norte do Rio de Janeiro. O nome da banda surgiu inspirada em um sucesso de Elvis Presley – “Fever”.

Em função do destaque em suas apresentações ao vivo, foram convidados a acompanhar musicalmente as principais estrelas brasileiras do movimento que se espalhava por todo o mundo, o chamado Rock n’ Roll, no qual no Brasil, os Fevers tiveram grande participação e importância, foram contratados para atuar no principal programa jovem em rede nacional de TV da época, a “Jovem Guarda”, transmitido ao vivo aos domingos pela TV Record deSão Paulo, apresentado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa.


Destacaram-se gravando grandes versões de sucessos internacionais, acompanhando a evolução do mercado musical, mantendo a pegada de rock n’ roll que os lançou, sempre com ritmo dançante, mas acrescentando um toque de contemporaneidade aos novos trabalhos, seja na tecnologia instrumental ou na adaptação de suas obras à novas mídias.


Ao longo de quatro décadas de estrada o volume de sucessos da banda só é comparável no Brasil a Mega Stars. São mais de 50 lançamentos e um grande número de compilações (entre vinil, fitas cassete, Cds e DVD), uma vendagem superior a 13 milhões de copias efetivamente vendidas.


A extensa discografia da banda, incluindo compilações ao longo de quase cinco décadas de sucesso atingiu números recordes em vendagem e lançamentos de discos, que contribuíram para muitas premiações.


PREMIAÇÕES:

  • 29 discos de ouro, 5 de Platina, 3 de Platina Duplo, 1 de Diamante, Disco de Platina em Portugal;
  • Prêmio Sharp, como: “Melhor Grupo”, Prêmio “Destaque Popular”, da Rádio Difusão.
  • Em 1999, Prêmio Petrobrás
  • Rio Show 2005, 2006 e 2008.
O reconhecimento internacional em 2009:

  • Prêmio Portuguese Cultural em Mississauga, Canadá.

Em 2010, foi homenageado na Festa Nacional da Musica, maior Fórum da Musica Popular Brasileira, realizado em Canelas/RS, em evento que reúne artistas, músicos, editores, jornalistas, formadores de opinião e executivos que atuam na Musica e na Industria do Entretenimento Musical Brasileira.

Em 2011, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro teve o CD VEM DANÇAR II, indicado, juntamente com as bandas “Sua Mãe”, do ator Wagner Moura e “Roupa Nova”, a:

  • “Melhor Álbum Popular” ao Prêmio da Musica Brasileira.

Em 2013, recebeu o Premio:

  • Rio Show Petrobras, pelo conjunto de sua Obra.

Em 2014, foi Homenageado pela Cia Teatral Paulista “Loucos do Taro” em evento de premiações na Cidade do Rio de Janeiro.


Entre as varias canções incluídas em trilhas sonoras de novelas de sucesso para a TV GLOBO destacam-se os temas de abertura das novelas:

ELAS POR ELAS

GUERRA DOS SEXOS

TI TI TI

DE QUINA PRA LUA

AMOR COM AMOR SE PAGA


NINGUÉM VIVE SEM AMOR

SÓ VOU GOSTAR DE QUEM GOSTA DE MIM, na trilha da novela AMOR & REVOLUÇÃO da TV Record 2011.

Fevers participaram ativamente da comemoração dos 40 Anos da Jovem Guarda. Ao lado de Erasmo Carlos, Wanderléa e Golden Boys, participando sob direção geral de José Carlos Marinho do Projeto 40 Anos de Rock Brasil – Jovem Guarda, que excursionou pelas principais capitais atuando nos principais espaços de Mega Shows de todo Brasil, com extraordinária repercussão.

O espetáculo foi registrado em DVD no Tom Brasil, São Paulo, premiado com Discos de Ouro e Platina. O Jovem Guarda – 40 Anos de Rock Brasil, manteve-se na estrada, com novo titulo, “Festa de Arromba”, tornou-se um dos principais espetáculos dirigido a Eventos Corporativos.

Momentos importantes e emocionantes na carreira dos Fevers foram os Concerto da “FEVERS INTERNATIONAL TOUR”, Portugal, Nova York, New Jersey,Cumberland, Rhode Island, Ontário Place,Monsom Amphitheater em Toronto e Cultura Center de Winnipeg e Mississauga, Canadá, onde foram homenageados pela comunidade canadense.


A turnê internacional teve seqüência, The Fevers apresentaram-se novamente no Canadá, desta vez com maior destaque no Chin Radio Pic Nic, considerado o maior pic nic ao ar livre do mundo, o evento reuniu uma platéia de mais de 150.000 pessoas em Toronto. Diante ao grande sucesso a meta da produção e dos Fevers é manter o Show VEM DANÇAR para os próximos dois anos, superando a quantidade e a qualidade dos shows realizados em 2013.


E os FEVERS não param, com agenda de shows muito requisitada, os Fevers mantém uma média anual superior a mais de 100 apresentações de Shows ao vivo, atuando de norte a sul do país e exterior. Das festas populares, passando por eventos corporativos e recepções das camadas mais elitizadas da sociedade brasileira, Suas canções marcam épocas, o que prova que The Fevers, esta marcado nos corações de seus fãs e na musica popular brasileira. Fato este que independe de classe social e destaca o lado Cult da Banda, confirmando o resultado de pesquisa do programa FANTÁSTICO da TV Globo: The Fevers é a “Banda mais Popular do País”.

FONTE

http://www.thefevers.com.br

Alexandre Pires... Samba e Pagode


Quem é fã de samba e pagode já pode se preparar para show em dose tripla que acontece no dia 10 de junho em Campo Grande/MS. Os cantores Alexandre Pires, Belo e Luiz Carlos ocupam o palco juntos no projeto Gigantes do Samba II, no Diamond Hall.


Os 3 uniram os repertórios das bandas que arrastaram multidões e vão cantar sucessos que são trilha sonora para muitas gerações. Além de alguns dos principais representantes do estilo, o show terá ainda a nova voz do samba, Ana Clara.

A segunda fase do projeto teve início em março deste ano, com a entrada de Belo, e uniu artistas que juntos já venderam mais de 60 milhões de discos. 


O show é um oportunidade de mostrar que aqui não tem só sertanejo, garante o responsável pela Santo Show, o empresário Valter Júnior. “É uma oportunidade também para dar uma quebrada na ideia de que não há shows desse porte em Campo Grande. Muitos ingressos já foram vendidos e ainda estamos fazendo reservas”, diz.


Alexandre Pires surgiu a frente do grupo Só Pra Contrariar que fez sucesso na década de 90. Ao seguir carreira solo, ganhou prêmios internacionais em uma sólida trajetória.


Luiz Carlos, líder da banda Raça Negra, é o mais prestigiado deles. É um dos responsáveis pela "era do pagode". Criou um estilo romântico dentro do ritmo que normalmente exigia um gingado mais samba. Também surgiu em comunidade distante dos morros cariocas. A banda dele teve origem em São Paulo, em 1983.

 
Belo, de cabelos descoloridos, ficou conhecido como vocalista do Grupo Soweto. Passou por maus bocados, foi preso, se reinventou e voltou às paradas de sucesso em 2010.

cUrIoSiDaDeS

Algumas das músicas de Alexandre Pires são versões de outras músicas estrangeiras. Tiveram suas letras originais trocadas por letras em português. São elas:


Estrela Cadente - Versão da música Hunting high and low, cantada pelo grupo A-ha.


Minha Fantasia - Versão da música It ain't over 'till it's over, cantada por Lenny Kravitz.



No Céu Da Paixão - Versão da música I believe I can fly, cantada por R. Kelly.


Eva Meu Amor - Versão da música Every time you go away, cantada por Paul Young.


Um Mundo Ideal - Versão da música A Whole New World, cantada por Brad Kane & Lea Salonga.


A Musa das Minhas Canções - Versão da música Spanish Guitar, cantada por Toni Braxton.


Ao Sentir o Amor - Versão da música On the Wings of Love de Jeffrey Osborne.

Alexandre gravou Eletrosamba, seu terceiro DVD da carreira solo em São Paulo no dia 11 de Abril de 2012, com a participação de Cláudia Leitte, Xuxa, Abadia Pires, Só Pra Contrariar e Mumuzinho.


Em março de 2013 Alexandre retornou ao grupo Só Pra Contrariar para turnê em comemoração dos 25 anos de carreira do grupo.



FONTE

sábado, 21 de maio de 2016

Adoniran Dá Licença de Contar...


Adoniran Barbosa o sambista que ajudou a mostrar para o Brasil como era a São Paulo dos anos 30 a 60, que cantava em português errado, de propósito, uma maneira fidedigna de registrar a forma como as classes mais populares de São Paulo se expressavam.

A linguagem da poesia de Adoniran é caracterizada por um vocabulário com muita informalidade, mas não é uma informalidade qualquer, é uma variação linguística sociocultural marcada pelo regionalismo, linguajar popular e pelas gírias. Muitas vezes sem nenhum prestígio social, porém é este modo errôneo, inculto e popular de ser que configurou a maneira de estar... certa e agradar a todos! Foi com essa característica que Adoniran Barbosa manifestou sua arte, quebrando paradigmas e preconceitos linguísticos.

Adoniran Barbosa (1910-1982) foi um importante cantor, compositor, humorista e ator brasileiro. É considerado o patrono do samba paulista, onde as letras de suas canções deixaram peculiaridades que caracterizam sua genialidade linguística e remete-nos à percepção do linguajar da boemia noturna, ou melhor, a linguagem popular paulistana.
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Viveu com simplicidade e alegria. Nunca perdia o bom humor e seu amor por São Paulo, em especial pelo bairro do Bixiga (Bela Vista), que ele, sem dúvida, conseguiu retratar e cantar em muitas músicas suas. Por isso, Adoniran é considerado o compositor daqueles que nunca tiveram voz na grande metrópole.

A lembrança de Adoniran Barbosa não reside apenas em suas composições: temos em São Paulo o Museu Adoniran Barbosa, localizado na Rua XV de Novembro, 347; há, no Ibirapuera, um albergue para desportistas que leva seu nome; em Itaquera existe a Escola Adoniran Barbosa; no bairro do Bexiga, Adoniran Barbosa é uma rua famosa e na praça Don Orione há um busto do compositor; Adoniran Barbosa é também um bar e uma praça; no Jaçanã existe uma rua chamada "Trem das Onze"...


Adoniran deixou cerca de 90 letras inéditas que, graças a Juvenal Fernandes (um estudioso da MPB e amigo do poeta), foram musicadas por compositores do quilate de Zé Keti, Luiz Vieira, Tom Zé, Paulinho Nogueira, Mário Albanese e outros. Está previsto para o dia 10 de agosto o paulista Passoca (Antonio Vilalba) lançar o CD Passoca Canta Inéditas de Adoniran Barbosa.

As 14 inéditas de Adoniran foram zelosamente garimpadas entre as 40 já musicadas. Outra boa notícia é que entre os primeiros 25 CDs da série Ensaio (extraídos do programa de Fernando Faro da TV Cultura) está o de Adoniran em uma aparição de 1972.


A gravadora Kuarup nos brinda com um presente especial: um CD com a gravação de um show de Adoniran Barbosa realizado em março de 1979 no Ópera Cabaré (SP), três anos antes de sua morte. Além do valor histórico, o disco serve também para mostrar música menos conhecidas do compositor, como Uma Simples Margarida (Samba do Metrô), Já Fui uma Brasa e Rua dos Gusmões.


Fora isso, o paulista Barbosa nem se chamava Barbosa de verdade. Verdade seja dita, Adoniran adorava inventar, se reinventou tão bem que Rubinato sumiu, partiu para a maloca. Virou Adoniran de vez. Era tão multifacetado que criou mais de 16 personagens em seus programas de rádio na Record.

Em uma época onde TV era objeto decorativo na casa de gente rica, ele fazia a festa no rádio. Mas nem por isso desistiu de ser galã, chegou a trabalhar um tempo depois na TV, e como Mané Mole participou do longa O cangaceiro, que ganhou a Palma em Cannes em 1953, e foi exibido em mais de 80 países.

Sambista de acaso, sabia como tirar um sarro com a própria dor. Seu humor negro era apreciado por todos, seus sambas trágicos tinham um toque de ironia que marcou suas músicas, como na história da noiva que foi atropelada 20 dias antes do casamento e o noivo só guardou de recordação as meias e os sapatos – De lembranças guardo somente suas meias e seus sapatos/ Iracema, eu perdi o seu retrato.

Seu nome verdadeiro, quer dizer, seu nome era Adoniran Barbosa, mas isso foi o que ele escolheu, sua mãe foi do contra e escolheu um outro, João Rubinato, que significa Deus é Bondoso. Ah, e ele foi! Fez com que os paulistas, tidos como sem ginga e sem graça, ganhassem o melhor sambista do país. Não só isso, ele foi marmiteiro também, tirava de sua vida e sua história material para fazer seu samba – “A matemática da vida lhe dá o que a escola deixou de ensinar: uma lógica irrefutável. Se havia fome e, na marmita, oito bolinhos, dois lhe saciariam a fome e seis a dos clientes; se quatro, um a três; se dois, um a um.”

Sua voz rouca retratou São Paulo como nenhum outro artista conseguiu fazer. Mesmo tendo nascido em Valinhos, foi no Bexiga e no Brás que foi acolhido. Grande observador dos detalhes e fios soltos da vida, ele ria das suas amarguras e ia fundo em suas histórias. Era em suas noites no botequim, atrás de mesas de bar e filosofias tiradas do fundo de copos sujos em cantos do Brás, que ele fez sua história como compositor.

Foram as mesas, ladeiras e o povo que o fez ser quem foi e quem ainda é pelo que deixou. Suas tragédias íntimas e épicos tirados das sarjetas e malocas da cidade fizeram dele um grande contador de histórias. Quando São Paulo está embaixo d’agua por conta dos alagamentos, quem entenderia melhor a dor do paulistano do que ele, que falava do que entendia, do que vivia: Não reclama/ porque o temporal/ destruiu teu barracão/ Não reclama/ güenta a mão, João/ Com o Cebídi aconteceu coisa pior/ Não reclama/ Pois a chuva só levou a tua cama. Era só o que João tinha. Já a casa do Cebídi tava completa e foi toda levada pela enxurrada morro abaixo. Logo, João não tem tanto motivo pra reclamar da sorte.

Adoniran sabia como era difícil para São Paulo ser grande, entendia a dor de ser arranha-céu e de ser barracão. Sampa enfim pode ser consolada através de suas letras. Ele fez a década de 50 tremer, e olha que nem era um dos tremendões. Todos se renderam aos olhos pesados e bigode galante que formavam o rosto boêmio do sambista. Quem não se renderia, até eu daria mole, se ele me desse uma aliança feita com a corda mi do seu cavaquinho – foi o que ele fez na famosa “Prova de carinho”.

Os intelectuais o abraçaram, todos os nerds e universitários de plantão também, mas o povo para quem ele realmente cantava e dedicou a vida, esse se esqueceu dele. No fim da vida, não era tocado em rádios populares e o mercado não dava bola.

Morreu pobre, como quase todo sambista bom morre. Lançou 3 LPs em 40 anos de carreira, tinha fãs de grande nome em seu encalço, como Elis Regina. Exatos 28 anos atrás, o mundo perdeu Rubinato, quer dizer, Adoniran, Charutinho, enfim, ele podia ser quem quisesse, ele se dava esse direito. Parada cardíaca. Uma parada para ele foi o bastante, mas espero que tenha sido de barriga cheia. Só tenho a filosofia/ Que me dá consolação/ Com a barriga assim vazia/ Sei que morrerei/ No necrotério acabaria/ Mas não será de indigestão.

Adoniran não precisa de artigos para explicá-lo, ele mesmo sabia fazer isso, e fazia melhor do que qualquer Barbosa – Eu sou de humilde contato/ Tímido, nem sou loquaz/ Tenho espontâneo relato/ Do meu ego e o que me apraz/ Sou como sou não pedi.

Para quem fazia piada com a Jovem Guarda, o que me restou como Barbosa foi dar esse leve sopro – Porque com eles canta a voz do povo/ E eu que já fui uma brasa/ Se assoprarem posso acender de novo.

Adoniran Barbosa retratou a relação entre a cultura popular e moderna o Compositor abriu espaço para setores marginalizados e desprezados pela história oficial do Brasil

A obra de Adoniran Barbosa é densa, profunda e fascina pesquisadores, o que pode ser comprovado na extensa bibliografia dedicada ao compositor paulista. O livro Adoniran Barbosa, o poeta da cidade(Ateliê Editorial), do historiador Francisco Rocha, por exemplo, vale-se das canções para pensar o processo de modernização do Brasil, o lugar da cultura popular nesse contexto, a urbanização e o crescimento de São Paulo.

Rocha lembra que Adoniran Barbosa viveu no momento em que São Paulo se tornava a grande metrópole brasileira. “A matéria-prima dele é a tentativa de narrar a expansão urbana na perspectiva dos excluídos”, observa o escritor. “Os personagens são o homem comum, o trabalhador informal, o migrante que está chegando à cidade, gente que desenvolve as mais variadas estratégias para sobreviver. São pessoas das quais a história oficial nada fala. Essas biografias ficaram no anonimato, no silêncio”, acrescenta Francisco Rocha.

Além da crítica social e do tom dramático, Adoniran “faz a ponte entre o rádio e a rua”. Na opinião de Rocha, esse tom só foi ouvido com clareza nas gravações dos anos 1970. Ele cita a versão de Elis Regina para Saudosa maloca – cantando os dramas vividos pelo povo, a intérprete reafirmou a resistência à ditadura militar.

“Adoniran tem antena para captar vozes e dramas do homem comum no momento da apologia ao progresso, que nos versos dele, e fazendo crítica a esse discurso, torna-se ‘progréssio’”, explica Rocha. A linguagem e o português incorreto remetem a uma fonte cara à arte do paulista: a cultura oral. Por outro lado, ressaltam a resistência, com tom crítico à cultura oficial.

“Certa vez, ele disse que era preciso falar errado de modo certo”, lembra Francisco Rocha. A prática valeu censura ao artista. Tiro ao Álvaro, de acordo com o músico Sérgio Rosa, do grupo Demônios da Garoa, era considerado pela ditadura militar mau exemplo para os brasileiros. “A autenticidade e a força poética dessa arte se comunicam fortemente”, afirma.

Um casamento feliz, para a vida inteira. Assim Sérgio Rosa, o porta-voz do Demônios da Garoa, define a relação entre Adoniran Barbosa e o grupo. Tudo começou em 1949, durante as filmagens de O cangaceiro – o compositor atuava como ator, o conjunto fazia a trilha sonora. O namoro se fortaleceu com o sucesso, em 1951, da gravação de Malvina.

O estouro veio com Saudosa maloca – gravada por Adoniran, a canção virou hit com Demônios da Garoa. O lado dois do álbum trazia outra pérola, Samba do Arnesto. “Nunca vi Adoniran sorrindo. Ele estava sempre sério, era caladão. Entretanto, quando soltava alguma observação, fazia todo mundo rir”, conta Roberto Barbosa, de 70 anos, cavaquinista do Demônios. “Ele é artista caprichoso, põe a alma na música e sempre teve orgulho de criar o samba gaiato”, acrescenta.

Conviver com o amigo caladão nem sempre foi divertido. “Às vezes, era um chato. Quando gravamos Saudosa maloca, mudamos algumas palavras e criamos vocais percussivos. Bravo, ele disse que havíamos estragado a música”, conta Roberto. Quando veio o sucesso, voltou atrás: “Tá bom, gostei”, disse ele, como relembra o cavaquinista, imitando a voz do compositor.

“Suas canções simples retratam quase que fielmente o cotidiano do povo humilde. Ele foi um dos grandes poetas da nossa terra”, elogia Sérgio Rosa. Para conhecer o compositor na voz do grupo, ele sugere o disco Demônios da Garoa e convidados, comemoração dos 65 anos do conjunto, com participação de Lecy Brandão, Zeca Pagodinho, da bateria da escola de samba Rosa de Ouro e do Fundo de Quintal, entre outros. O grupo abriu o ano comemorando a obra do parceiro em apresentações com a Banda Sinfônica de São Paulo.

1.º edição, 2002
Ayrton Mugnaini Jr.
Editora 34

Sinopse


Ninguém expressou melhor a confluência de caipiras, italianos e malandros suburbanos em São Paulo do que João Rubinato, o genial Adoniran Barbosa (1910-1982). Este livro narra a trajetória desse ícone da cultura paulistana: os incontáveis biscates na adolescência, a iniciação no rádio durante os anos 1930, a criação de algumas de suas canções mais conhecidas e inúmeros "causos" deste inesquecível compositor.

Curiosidades: Adoniran Barbosa


*Trem das Onze, a música que não parou de circular. Composta em 1961, lançada em 1964, traduzida até para o iugoslavo, Trem das Onze fala do homem comum para o homem comum.


*A estação do Jaçanã foi aberta em 1910, próxima ao Asilo dos Inválidos, no Guapira, aliás o nome original da estação. É a mais famosa das estações da Cantareira, pois foi a inspiração para a música Trem das Onze, de Adoniram Barbosa. Trem que, aliás, nunca existiu, pois o último trem saía às 20:30. A estação foi desativada em 1965, com o ramal, e foi demolida já no ano seguinte.


Adoniran Barbosa: o poeta da cidade: trajetória e obra do radioator e ... Por Francisco Rocha
*Adoniran não só combateu como sofreu preconceito linguístico e grafocêntrico. Múltiplas são as variantes encontradas nas composições de Adoniran Barbosa que retrata com êxito o perfil sócio-cultural de uma comunidade.

A Historiografia e a Música Popular se encontram nessa obra de grande interesse à cultura nacional, particularmente a da cidade de São Paulo. Através da trajetória e obra do cancionista, comediante e radioator Adoniran Barbosa, o autor Francisco Rocha pretende resgatar o olhar do compositor às camadas inferiores da cidade. 'Saudosa Maloca', 'Trem das Onze', 'Iracema' e 'História Paulista' são algumas das canções que se destacam do extenso repertório do artista. De suas músicas e demais obras é que foi possível ao historiador o resgate biográfico de Adoniran, método que vem promover uma nova visão sobre os conceitos tradicionais de estudo da cultura popular e, paralelamente, a valorização da criatividade das chamadas pessoas comuns. Mais do que isso, a encarnação do popular no artista faz de Adoniran um agente divulgador da cultura nacional.



Adair Cardoso


Cantor. Compositor. Multi-instrumentista, Adair Cardoso lançou no início de 2016 a música "Havaianas", de Adair Cardoso com participação de Wesley Safadão.

Adair nasceu em 27 de junho de 1993 em Tangará da Serra, no Mato Grosso, filho de Orlando e Francisca Cardoso. Cantor e compositor brasileiro de música sertaneja. Seu primeiro sucesso foi a música "Que se Dane o Mundo", que foi tema da 18ª temporada de Malhação.

Aos 2 anos de idade, seu pai percebeu que o filho tinha facilidade em tocar instrumentos e com uma pequena sanfona ele já mostrava muita intimidade. Aos 8 anos de idade seu Orlando o apresenta para o empresário da dupla Gino e Geno, Wagner Tadeu de Paula.


Aos 11 anos Adair se apresenta pela primeira vez em um programa de tv Programa Raul Gil no quadro jovens talentos, onde seu trabalho é reconhecido a nível nacional e internacional. Aos 13 anos Adair lançou seu primeiro álbum de estúdio Coração Adolescente, em Fevereiro de 2007. 


Gravou um DVD ao vivo que trouxe o sucesso "Enamorado" com a participação de Claudia Leitte e Arthur Danni na música Disco Voador.


Adair, compositor de musicas de sucesso como: QUE SE DANE O MUNDO, ENAMORADO e SAUDADE DE VOCÊ (gravada pelo artista Zé Felipe) investiu numa música totalmente voltada para o ritmo do pagode baiano que conquistou o país nos últimos anos. “Gosto muito dessa pegada de pagode baiano, e queria uma música nesse estilo, foi daí que escrevi TOME SOFRÊNCIA, assim que terminei, resolvi que tinha que lançá-lá rápido.” – disse o cantor. E ai, já ouviu TOME SOFRÊNCIA?

Discografia
Coração Adolescente (2007)
Coração de Quem Ama (2009)
Adair Cardoso - Ao Vivo (2010)
Adair Cardoso - Ao Vivo DVD (2012)
Não me dou por vencido (2013)



Singles
"Coração Adolescente" (2007)
"Coração de Quem Ama" (2008)
"Chora Coração" (2010)
"Que se Dane o Mundo (2010/2011)
"Enamorado" Participação de Claudia Leitte (2011/2012)
"Disco Voador" Participação de Arthur Danni(2011/2012)


"Praia e Sol" (2012)
"Faculdade do Amor" (2012)
"Vai e Vem" (2012)
"Não me dou por vencido" (2013)
"Por que Sera?" (2014)
"Tome Sofrência" (2015)
"Havaianas"(Part. Wesley Safadão ) (2016)


Trilhas sonoras
- Que se dane o mundo - Malhação - 2010
- Enamorado - Cheias de Charme - 2012


FONTE:



quinta-feira, 19 de maio de 2016

João Donato



João Donato de Oliveira Neto (Rio Branco, 17 de agosto de 1934), mais conhecido apenas como João Donato, é um pianista, acordeonista,arranjador, cantor e compositor brasileiro.



Donato foi amigo de todos os expoentes do movimento bossanovista, como João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Johnny Alf, entre outros, mas nunca foi caracterizado unicamente como tal, e sim um músico muito criativo e que promove fusões musicais, de jazz e música latina, entre tantos outros.

Na década de 1950, João Donato se muda para os Estados Unidos onde permanece durante treze anos e realiza o que nunca tinha conseguido no Brasil: reincorporar a musicalidade afro-cubana ao jazz. Grava o disco A Bad Donato e compõe músicas como "Amazonas", "A Rã" e "Cadê Jodel".



Retorna ao Brasil, reencontra a música brasileira que estava sendo feita no país, mas não abandona sua paixão pela fusão entre o jazz e ritmos caribenhos. Como arranjador participou de discos de grandes nomes da MPB como Gal Costa eGilberto Gil.

Entre as composições mais conhecidas do músico, estão: "Amazonas", "Lugar Comum", "Simples Carinho", "Até Quem Sabe" e "Nasci Para Bailar". Segundo o crítico musical Tárik de Souza: "Durante muito tempo, João Donato foi um mito das internas da MPB.Gênio, desligado, louco, de tudo um pouco.



Biografia
Filho de um major da aeronáutica, João Donato de Oliveira Filho e Eutália Pacheco da Cunha, nasceu em Rio Branco no dia 17 de agosto de 1934, mas 11 anos depois mudou-se para o Rio de Janeiro. Desde cedo demonstrou ter mais intimidade com a música, aos cinco anos já tocava acordeon.

João Donato nasceu em uma família musical, seu pai que era piloto de avião, nas horas vagas tocava bandolim. A mãe cantava e a irmã mais velha, Eneyda, pretendia ser concertista de piano. O caçula, Lysias, pendeu para as letras e se tornaria o principal parceiro nas composições com Donato.

O primeiro instrumento de João foi o acordeão, no qual, aos oito anos, compôs sua primeira música, a valsa "Nini". Antes de completar 12 anos, o pai presenteou-lhe com acordeões de 24 e 120 baixos. Em 1945, Donato pai é transferido, e a família tem de deixar Rio Branco rumo ao Rio de Janeiro.

Em pouco tempo, passou a frequentar o circuito musical das festas de colégios da Tijuca e adjacências. Tentou a sorte no programa de Ary Barroso. Intransigente, Ary rodou o tabuleiro da baiana e sequer quis escutá-lo, sob a alegação de que "não gostava de meninos-prodígio".
Ao profissionalizar-se, em 1949, aos 15 anos, Donato já havia participado das jam sessions realizadas na casa do cantorDick Farney e no Sinatra-Farney Fã Club, do qual era membro. Johnny Alf, Nora Ney, Dóris Monteiro, Paulo Moura e atéJô Soares, no bongô, estavam entre os componentes destas jams.

Na primeira gravação em que participa, como integrante da banda do flautista Altamiro Carrilho, Donato toca acordeão nas duas faixas do 78 RPM: "Brejeiro", de Ernesto Nazareth, e "Feliz aniversário", do próprio Altamiro. Pouco depois, migra para o grupo do violinista Fafá Lemos, como suplente de Chiquinho do Acordeom.

Década de 1950
Durante este período frequentou o Sinatra-Farney Fã Clube, na Tijuca, zona norte carioca, que durou apenas 17 meses, considerado por muitos estudiosos como uma escola para toda a geração que mais tarde criaria a Bossa Nova.

Em 1951, com apenas 17 anos, namorou Dolores Duran, que tinha 21. O romance gerou polêmicas e preconceitos a época, por ela ser mais velha que ele. Após um tempo, João resolveu se separar dela por causa das brigas da família do casal. Assim, ele a deixou e foi morar no México.

A partir de 1953, agora como pianista, Donato passa a comandar suas próprias formações instrumentais,– Donato e seu Conjunto, Donato Trio, o grupo Os Namorados – com quem lança, em 78 RPM, versões instrumentais para standards da música americana (como "Tenderly", sucesso de Nat King Cole) e brasileira (como "Se acaso você chegasse, do sambista gaúcho Lupicinio Rodrigues).

Três anos depois, a Odeon escala um iniciante para fazer a direção musical de "Chá Dançante" (1956), primeiro LP de Donato e seu conjunto. Antônio Carlos Jobim fez a seleção musical do disco de João Donato. O repertório escolhido porTom Jobim foi: "No rancho fundo" (Lamartine Babo – Ary Barroso), "Carinhoso" (Pixinguinha – João de Barro), "Baião" (Luiz Gonzaga – Humberto), "Peguei um ita no norte" (Dorival Caymmi).

Em seguida, Donato passa uma temporada de dois anos em São Paulo. Quando volta ao Rio, a Bossa Nova estava deflagrada. Ainda em 1958, grava "Minha saudade" e "Mambinho", em parceria com João Gilberto.
A convite de Nanai (ex integrante do grupo Os Namorados) parte para uma temporada de seis semanas em um cassino Lake Tahoe (Nevada) Donato adaptou as influências do jazz com a música do Caribe, como integrante das orquestras de Mongo Santamaría, Johnny Martinez, Cal Tjader e Tito Puente. E excursionou com João Gilberto pela Europa.

Década de 1960
Em 1962 regressa ao Brasil e concebe dois clássicos da música instrumental brasileira – "Muito à vontade" (1962) e "A Bossa muito moderna de João Donato" (1963), ambos pela Polydor. As canções foram relançadas no começo dos anos2000 em CD pela Dubas. com Donato ao piano, Milton Banana na bateria, Tião Neto no baixo e Amaury Rodrigues, na percussão.

Sobre "Muito à vontade", o jornalista Ruy Castro escreveu, por ocasião de seu relançamento em CD: "foi o seu primeiro disco ao piano e o primeiro mesmo para valer, com nove de suas composições entre as 12 faixas (...). Donato, que estava morando nos Estados Unidos durante a explosão da Bossa Nova, era uma lenda entre os músicos mais novos - para alguns, pelas histórias que ouviam, ele devia ser algo assim como o curupira ou a cobra d'água. Este disco abriu-lhes novos horizontes e devolveu Donato a um movimento que ele, sem saber, ajudara a construir". Estão lá "Muito à vontade", "Minha saudade", "Sambou, sambou", "Jodel".

"A Bossa muito moderna" introduz mais alguns temas originalmente instrumentais que, muitos anos depois, se tornariam obrigatórios em qualquer cancioneiro da MPB. Entre elas "Índio perdido", que viraria "Lugar comum", ao receber letra deGilberto Gil. Gil também é parceiro nos versos que transformariam "Villa Grazia" em "Bananeira". Já "Silk Stop" é o tema original sobre o qual Martinho da Vila escreveria "Gaiolas Abertas". A influência da música cubana é evidente em "Bluchanga", dos tempos em que Donato tocava com Mongo Santamaría.

Donato muda-se mais uma vez para os Estados Unidos e lá permaneceria por quase uma década. Trabalhou comNelson Riddle, Herbie Mann, Chet Baker, Cal Tjader, Bud Shank, Armando Peraza, etc. Formou, ao lado de João Gilberto, Jobim, Moacir Santos, Eumir Deodato, Sergio Mendes e Astrud Gilberto, o time dos que tornaram o Brasil de fato reconhecido internacionalmente por sua música.


"Piano of João Donato: The new sound of Brazil" (1965) e "Donato/Deodato" (1973) saíram respectivamente pela RCA e Muse Records, mas permanecem fora do catálogo no Brasil. Mas o disco que melhor representa a segunda temporada americana é "A Bad Donato" (1970), feito para o selo Blue Thumb, da Califórnia, e relançado em CD pela Dubas. Gravado em Los Angeles, "A Bad Donato" condensa funk, psicodelia, soul music, sons afro-cubanos, jazz fusion. Um Donato dançante, repleto de groove e veneno sonoro – antenadíssimo com o experimentalismo do sonho californiano - , considerado um dos 100 maiores discos da música brasileira pela Revista Rolling Stone.


Década de 1970
No Natal de 1972, Donato foi ao Rio e à casa do compositor Marcos Valle, onde encontrou o cantor Agostinho dos Santos, que sugeriu a Donato letrar suas criações instrumentais. Sendo assim, alguns temas de Donato ganharam letras e ganharam contornos de canção popular. Valle convidou-o a gravar um novo disco no Brasil, com o repertório formado a partir deste novo cancioneiro. O episódio é contado por Donato: "Eu ia gravar instrumental dentro de alguns dias e o Agostinho dos Santos falou: ‘Vai gravar tocando piano de novo? Todo mundo já ouviu isso. Se fosse você, eu gravaria cantando". A partir deste momento Donato deixa de ser integrante exclusivo da seara instrumental e entra para a MPB. Além de Gil, Martinho e Lysias, Chico Buarque, Caetano Veloso, Cazuza, Arnaldo Antunes, Aldir Blanc, Paulo César Pinheiro, Ronaldo Bastos, Abel Silva, Geraldo Carneiro e até o poeta Haroldo de Campos e o fonoaudiólogo e escritorPedro Bloch tornaram-se parceiros de João.



O disco "Quem é quem", lançado pela Odeon, em 1973 traz as músicas "Terremoto", "Chorou, chorou" (ambas com letra de Paulo César Pinheiro"), "Até quem sabe" (com Lysias), "Cadê Jodel?" (com Marcos Valle). Até Dorival Caymmi manda uma música inédita, "Cala a boca, Menino".


Em carta enviada a João Gilberto, em 13 de setembro de 1973, Donato não esconde o entusiasmo: "É o meu melhor trabalho em discos até o momento, tendo-se em conta o tempo que demorou, o que demonstra o máximo cuidado com que tudo aconteceu. E o resultado é um disco que eu simplesmente acho adorável". Também foi considerado um dos 100 melhores discos de todos os tempos pela Revista Rolling Stone.

Em 2008 "Quem é Quem" foi tema de programa inteiramente dedicado a ele, pelo Canal Brasil, apresentado por Charles Gavin; e de livro escrito pelo produtor e músico Kassim.

O álbum seguinte, "Lugar comum" (1975), pela Philips, dá sequência ao Donato vocalista, com a maior parte do repertório formado por ex-temas instrumentais. Há parcerias com Caetano Veloso ("Naturalmente"), Gutemberg Guarabyra ("Ê menina"), Rubens Confete ("Xangô é de Baê"). Só com Gilberto Gil são oito, entre elas "Tudo tem", "A bruxa de mentira", "Deixei recado", "Que besteira", "Emoriô" e pelo menos dois standards para qualquer antologia da canção popular: a faixa-título e "Bananeira".

No texto que preparou para o lançamento em CD de "Lugar comum", pela Dubas, Donato revisita um certo dia de verão nos anos 1970, na casa de Caetano. Ele se aproximara dos baianos a ponto de fazer a direção musical do show "Cantar", de Gal Costa, registrado em disco no ano anterior: "Tava todo mundo: Maria Bethânia, Gal, Caetano com Dedé e Moreno (...). Eles tinham meus dois discos "Muito à vontade" e "A bossa muito moderna" e eu sempre provocava, desafiando eles a fazer as letras. Quando surgiu essa melodia, o Gil inventou que era "bananeira não sei / bananeira sei lá (...)". Daí eu disse: "quintal do seu olhar". E ele: "olhar do coração. Como se fosse um ping-pong na segunda parte".

Lembram daquela excursão que Donato fez à Europa com João Gilberto, logo depois da primeira temporada americana? Pois foi num vilarejo italiano que a bananeira foi plantada. Donato explica: "As minhas primeiras letras surgiram a partir desses temas instrumentais já gravados, que eu pensava que não iam ter letra nunca. "Bananeira" era "Villa Grazia", o nome da pousadinha onde a gente ficou em Lucca, na Itália, acompanhando o João Gilberto numa temporada (...). Noventa e nove por cento das minhas músicas instrumentais trocaram de nome, por causa da letra".

Década de 1990
Depois desse período, Donato ficou quase vinte anos sem gravar. O mainstream da época parecia não absorver o que a turma pop começou a enxergar a partir dos anos 1990. A volta de João ao mundo do disco acontece em 1996 (ele lançara apenas o instrumental e ao vivo "Leilíadas", pela WEA, em 1986), com o álbum "Coisas tão simples", produzido por João Augusto, para a EMI. O disco traz "Doralinda", parceria com Cazuza, além de novas colaborações com Lysias ("Fonte da saudade"), Norman Gimbel ("Everyday"), Toshiro Ono ("Summer of tentation").

De lá para cá, Donato tem lançado seus álbuns sobretudo por três gravadoras independentes: Pela Lumiar, de Almir Chediak: "Café com pão" (com o baterista Eloir de Moraes, 1997); "Só danço samba" (1999); os três volumes da coleção Songbook (1999), além de "Remando na raia" (2001), encontro com Emilio Santiago (2003) e o reencontro com Maria Tita (2006). Na Deckdisc, faz "Ê Lalá Lay-Ê" (2001), "Managarroba" (2002) e o instrumental "O piano de João Donato", produzidos pelo roqueiro Rafael Ramos, além do disco gravado com Wanda Sá (2003).


Pela Biscoito Fino, saíram os encontros instrumentais com Paulo Moura ("Dois panos pra manga", 2006) e Bud Shank("Uma tarde com", este também em DVD). Pela Biscoito, Donato fez ainda o DVD "Donatural" (2005), onde recebe – em gravação ao vivo no Espaço Sérgio Porto, no Rio – diversas gerações de parceiros: de Gilberto Gil ao DJ Marcelinho da Lua; de Emilio Santiago a Marcelo D2; de Leila Pinheiro a Joyce, com direito a Ângela Rô Rô e o filho Donatinho, fera dos teclados e dos samplers.

João Donato vive no bairro da Urca, no Rio. Ele é casado com a jornalista Ivone Belem, desde 2001. É pai de Jodel, Joana e Donatinho.


FONTE


Bruno Moritz


Bruno Moritz (20 de novembro de 1982, Brusque, Santa Catarina- ) é um arranjador, compositor e premiado acordeonista brasileiro. É fundador e regente da Orquestra de Acordeon de Brusque. Autodidata, com apenas 4 anos aprendeu os primeiros acordes de sanfona, e, com 6, já tocava em festas. Aos 9 anos, subiu ao palco ao lado de Sivuca, começando uma amizade importante para a sua carreira.


Passou a viajar para apresentar-se ao lado do referido mestre em cidades do estado de Santa Catarina. Um pouco mais tarde, já se via cruzando o caminho de ídolos como Dominguinhos, Oswaldinho e Renato Borghetti. Passou a estudar outros instrumentos, como violão, piano, trompete, flauta, contrabaixo, violino, bateria, entre outros.



Em 2005, lançou o primeiro CD solo, "Toque do Povo de Algum Lugar", no qual tocou, além de acordeom, violão, contrabaixo, flauta e cavaquinho.

Em 2007, venceu o Primeiro Concurso Internacional de Acordeonistas, realizado na cidade de Jaú (SP) e, também, o Primeiro Concurso Roland Accordion, o qual se tornou o primeiro concurso de acordeom digital do mundo. A partir desse prêmio, concorreu na Itália e ficou classificado entre os 7 melhores do mundo.

Em 2008, lançou seu segundo CD no qual constaram algumas músicas próprias. Até 2010, foi o único brasileiro classificado para a "Copa Mundial de Acordeonistas"


Prêmios e melhores classificações em campeonatos
e festivais de acordeon
  • Campeão do Festival Internacional de Acordeom (2007), ocorrido no Brasil;
  • Vencedor do Roland Accordion (2007);
  • Quarto colocado nas copas mundiais de acordeon, da Nova Zelândia (2009); e da Itália (2012).

Discografia
Tempero Brasileiro
"Orquestra de Acordeon de Brusque Volume 2"
"Pedro Raymundo"
"ldo Krieger Inédito"
"Capim Limão"
"Orquestra de Acordeon Volume 1"
"TRIO"
"Toque do Povo de Algum Lugar"
"Passando a Hora como eu Passo"



Com talento e criatividade nas teclas e baixos do acordeon já reconhecidos dentro e fora do Brasil, o brusquense Bruno Moritz celebrou dia 13 de maio de 2016, na terra natal, três décadas de paixão pela música.


Acompanhado por gente que fez parte de uma carreira que ainda tem muita melodia para dar, o instrumentista de 33 anos aproveita a ocasião para lançar o DVDTitoco Ao Vivo, gravado nos Estúdios Café Maestro, em Itajaí, em dezembro do ano passado em um formato diferente, com músicos e público usando fones de ouvido para apreciar ao máximo o repertório.


FONTE
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bruno_Moritz

http://www.dicionariompb.com.br/bruno-moritz/discografia

http://dc.clicrbs.com.br/sc/entretenimento/noticia/2016/05/bruno-moritz-celebra-tres-decadas-de-amor-a-musica-com-show-em-brusque-5799126.html

http://dc.clicrbs.com.br/sc/entretenimento/noticia/2014/07/bruno-moritz-e-felipe-coelho-fazem-turne-pelo-sul-do-brasil-argentina-e-uruguai-4558090.html

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Quem não tem... Fantasia Real



Fantasia Real - Byafra

Quem conhece os segredos da imaginação

Não se perde nem perde a razão
Não precisa dizer de onde tirou
As ideias que deixa no chão

Quem passeia nos ventos

Que sopram do mar
Sabe que o tempo pode mudar
Pode ser calmaria
Pode ser temporal
Fantasia ou vida real

refrão (2x)

Quem não tem
Um mal que não se espanta?
De onde vem essa loucura santa?
E quem sabe explicar, dizer o que é normal?
Fantasia ou vida real? E quem sabe explicar,
dizer o que é normal?
Fantasia ou vida real?

A sempre perfeita e atualíssima "Fantasia Real", de Byafra. Feita especialmente por Danilo Caymmi para Byafra, a música, foi tema do personagem mais carismático da novela "Mulheres de Areia": Tonho da Lua, um dos personagens mais conhecido do ator Marcos Frota.

O cantor brasileiro Byafra nasceu no dia quinze do mês de outubro do ano de 1957, em Niterói – Rio de Janeiro e se chama Maurício Pinheiro Reis.


Iniciou sua carreira como cantor sendo vocalista da banda chamada O Circo no ano de 1970. Os sucessos da banda foram "Leão Ferido" e "Sonho de Ícaro", foi também o compositor de muitas músicas temas de novela, gravou quatorze álbuns e ganhou discos de ouro. As vendas de seus álbuns foram exorbitantes e suas músicas foram cantadas por cantores de renome do MPB.

No ano de 1998, precisou trocar a letra de seu nome que era “I” pelo “Y”, pois seu nome escrito Biafra aparecia em páginas falando da Guerra Civil nigeriana quando buscado na internet; e por isso ficou Byafra.

Fez parte do Coral do Centro Educacional de Niterói, comandado pelo Maestro Hermano Soares de Sá, com o qual realizou várias apresentações, com destaque para uma participação no Festival de Aberdeen, na Escócia. Na metade dos anos 1970, formou, com outros integrantes do Coral, a banda O Circo. O grupo fez inúmeras apresentações em Niterói e no interior do Estado do Rio, tendo Byafra como o principal vocalista.



Em 1979, acompanhado por seus colegas de O Circo, gravou o LP "Primeira Nuvem", com destaque para sua canção "Helena" (c/ Luiz Eduardo Farah), incluída na trilha sonora da novela "Marron Glacê" (Rede Globo), homenagem a sua paixão na época, a clarinetista Maria Helena Verani. 

Em 1980, lançou o LP "Biafra", contendo, entre outras, a faixa "Uma vez e nunca mais".


Em 1981, gravou o LP "Despertar" que, impulsionado pelo sucesso de sua composição "Leão ferido" (c/ Dalto), superou a vendagem de 100 mil cópias, o que valeu ao cantor seu primeiro Disco de Ouro.

Em 1982, lançou o LP "Menino", com destaque para a canção "Jogo Aberto".

Em 1984 foi contemplado com mais um Disco de Ouro pelo LP "Existe uma idéia", que incluiu as faixas "Aguardente" e "Realeza", além do sucesso "Sonho de Ícaro" (Pisca e Cláudio Rabello). 


Ainda na década de 1980, lançou os seguintes LPs: "O sonho deve ser" (1985), contendo "Seu nome" e "Outra forma de paixão"; "Toque" (1986), contendo "Guerra fria"; "Biafra" (1987), contendo "Estrelas no ar", "Não mais" e "Até o fim"; e "Biafra" (1989), contendo "Na hora H" e "Bye bye".


Na década de 1990, gravou os seguintes LPs: "Minha vida de artista" (1991), incluindo "Machuca e faz feliz"; "Infinito amor" (1994), incluindo "Perdões" e "Menina bonita"; e Ícaro (1998), incluindo "Rua Ramalhete" (Tavito e Ney Azambuja) e "Moldura". Esse último contou com a participação da cantora Rosana e do conjunto Roupa Nova.

CURIOSIDADE:


Fonte:

http://musica.culturamix.com/estilos/mpb/cantor-byafra

http://www.dicionariompb.com.br/byafra/dados-artisticos