Mostrando postagens com marcador Donga. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Donga. Mostrar todas as postagens

domingo, 6 de novembro de 2011

Pelo Telefone, o primeiro samba


Diário da Música ♪♫: Donga

Há 95 anos, o compositor Ernesto Joaquim Maria dos Santos, Donga, registrou "Pelo Telefone", o primeiro samba a ser gravado no Brasil. O Carnaval de 1917 veria a popularização no Rio de Janeiro de um gênero musical que comandaria as festas de Momo nas décadas seguintes e uma canção que seria considerada a sua certidão de nascimento. O tal gênero se chamaria samba e a música era "Pelo Telefone". Composta em 1916 no quintal da casa da baiana Tia Ciata, na Praça Onze, ela se tornaria uma inesgotável fonte de lendas e controvérsias. O tema, originalmente intitulado como "Roceiro", era considerado de criação coletiva, e tinha a participação de todos os bambas que batiam ponto no berço do samba da antiga rua Visconde de Itaúna: João da Baiana, Pixinguinha, Caninha, Hilário Jovino, Sinhô e muitos outros.


Donga entrou definitivamente para a história da música popular brasileira, por ter registrado na Biblioteca Nacional (algumas fontes datam como o dia 06 de novembro de 1916 outras como 27 de novembro de 1916) a partitura do "Pelo telefone", composição surgida numa reunião de samba realizada na casa de Tia Ciata, onde também estavam João da Baiana, Caninha, Sinhô, Pixinguinha, Mauro de Almeida, Buci Moreira, entre outros.

"Pelo telefone" tornou-se uma das composições mais polêmicas de todos os tempos. Desde o seu lançamento em dezembro de 1916, apareceram vários pretendentes à sua autoria, devido à própria natureza da composição, surgida numa roda de samba onde diversos participantes improvisavam versos e melodia. Mauro de Almeida, que aparentemente nunca se preocupou em afirmar sua participação na autoria, declarou em carta ao jornalista Arlequim ser apenas o "arreglador" dos versos...

Primeira composição classificada como samba a alcançar o sucesso, "Pelo Telefone" marca o início do reinado da canção carnavalesca. É a partir de sua popularização que o carnaval ganha música própria e o samba começa a se fixar como gênero musical. Desde o lançamento, quando apareceram vários pretendentes à sua autoria, e mesmo depois, quando já havia sido reconhecida sua importância histórica, essa melodia seria sempre objeto de controvérsia, tornando-se uma de nossas composições mais polêmicas em todos os tempos.

Quase tudo que a este samba se refere é motivo de discussão: a autoria, a afirmação de que foi o primeiro samba gravado, a razão da letra e até sua designação como samba. Todas essas questões, algumas irrelevantes, acabaram por se integrar à sua história, conferindo-lhe mesmo um certo charme. "Pelo Telefone" tem uma estrutura ingênua e desordenada: a introdução instrumental é repetida entre algumas de suas partes (um expediente muito usado na época) e cada uma delas tem melodias e refrões diferentes, dando a impressão de que a composição foi sendo feita aos pedaços, com a junção de melodias escolhidas ao acaso ou recolhidas de cantos folclóricos.

Outra versão, relatada por Donga a Ary Vasconcelos e ao jornalista E. Sucupira Filho, é a de que "Pelo Telefone" teria surgido de uma estrofe a ele transmitida por um tal Didi da Gracinda, elemento ligado ao grupo de Hilário Jovino. Já Mauro de Almeida, que parece nunca ter-se preocupado em afirmar sua participação na autoria, declarou, em carta ao jornalista Arlequim, ser apenas o "arreglador" dos versos, o que corresponderia à verdade. "Pelo Telefone" foi lançado em discos Odeon, em dezembro de 1916, simultaneamente pelo cantor Bahiano (foto) e a Banda da Casa Edison.

Primeiro samba?
Em 1917, o samba Pelo Telefone se transformou no marco inicial da história fonográfica daquele gênero musical. Historiadores, porém já registraram, em suas pesquisas, gravações anteriores que podem ser reconhecidas como samba e que comprovadamente foram gravadas antes da composição assinada pela dupla Donga/Mauro de Almeida. O sucesso comercial de Fred Figner e sua Casa Edison, no Rio de Janeiro, provocou o aparecimento de concorrentes no Brasil inteiro e uma variedade enorme de selos fonográficos surgiu. A maioria de vida curta, mas que acabou por contribuir culturalmente com a música popular brasileira e influir na instalação da indústria fonográfica no país.

A gravadora Odeon, por exemplo, que registrou o chamado samba pioneiro, antes dele já havia gravado, na série lançada entre 1912 e 1914, Descascando o pessoal e Urubu malandro, classificados como sambas no próprio catálogo da fábrica. Na série de 1912 a 1915 consta A viola está magoada de Catulo da Paixão Cearense e interpretada por Bahiano e Júlia Martins, além de Moleque vagabundo de Lourival Carvalho, também identificados como samba. Pelo Telefone tem o número de série 121313, mas anteriores a ele são ainda Chora, Chora, Choradô (121057), cantado por Bahiano, Janga (121165), com o Grupo Paulista, e Samba Roxo (121176), com Eduardo das Neves. O selo Columbia editou série entre 1908 e 1912, aparecendo nela como “samba” a gravação Michaella, interpretada por Bartlet; Quando a Mulher Não Quer, com Arthur Castro, e No Samba, gravado por Pepa Delgado e Mário Pinheiro.

A Favorite Record gravava na Europa para a Casa Faulhaber do Rio de Janeiro, entre 1910 e 1913, e em seu catálogo se encontra a gravação Samba - Em Casa de Baiana, com o Conjunto da Casa Faulhaber, identificada na abertura como “samba de partido-alto”. O disco tem o título simples de Samba, sem indicação de intérprete ou autoria.

O selo Phoenix também pertencia à família Figner. Gravou de 1914 a 1918 para a Casa Edison de São Paulo. Os sambas que nele aparecem são anteriores a 1915, ano da gravação 70.711(Flor do Abacate), como provam suas numerações: Samba do Urubu (70.589), com o Grupo do Louro, Samba do Pessoal Descarado (70.623), com o Grupo dos Descarados, Vadeia Caboclinha (70.691), com o Grupo Tomás de Souza, e Samba dos Avacalhados (70.693), com o Grupo do Pacheco, coro e batuque. Da mesma maneira como existem dúvidas quanto à verdadeira autoria de Pelo Telefone, não se pode concluir com inteira certeza qual o primeiro samba realmente gravado.

Outros compositores

A história oral menciona vários autores para o samba Pelo Telefone, mas quando Donga fez seu registro na Biblioteca Nacional omitiu todos declarando ser seu único compositor. As primeiras partituras, ainda na ortografia da época, que grafava Telephone, exibiam apenas o nome de Donga. A grita que se seguiu não teve muitos resultados, mas pelo menos serviu para que Mauro de Almeida (foto) fosse reconhecido como um dos parceiros. O Peru dos Pés Frios, como era conhecido o jornalista carnavalesco, aparece aqui em raríssima foto, mesmo porque faleceu pouco tempo depois da gravação do samba, ficando todas as luzes apenas sobre Donga, que delas sempre soube tirar proveito pessoal.

O sucesso cercou Pelo Telefone de aspectos os mais variados, fugindo da simples conseqüência musical, de cair na preferência popular, no assobio das calçadas e na cantoria das festinhas de subúrbio. Logo um sem-número de pais-da-criança apareceu, cada um puxando a brasa para sua sardinha, todo mundo ignorando a iniciativa de Donga (foto ao lado) em registrar oficialmente sua autoria na Biblioteca Nacional.

Como se sabe, o samba vinha sendo cantado na casa de Tia Ciata de maneira informal, como partido alto com a participação da dona da casa, emérita partideira que com certeza introduziu nele seus improvisos, o mesmo fazendo seu genro Mestre Germano e o "ranchista" Hilário Jovino.

Da cantoria, lá pelo ano de 1916, participavam também Donga, o jornalista Mauro de Almeida - a quem Almirante credita a autoria indiscutível do samba -, João da Mata, o dono do refrão, e o conflituoso Sinhô, que como autor da frase "samba é como passarinho, está no ar, é de quem pegar", evidentemente tentou também se apossar da paternidade da novidade. Ironizando a atuação de Aurelino Leal, o novo chefe de policia do Rio de Janeiro, o samba teve seus versos fixados por Mauro de Almeida, que nem assim foi reconhecido como co-autor no registro da Biblioteca Nacional.

Cantado em público pela primeira vez (segundo Almirante) no Cinema Teatro Velo, à rua Haddock Lobo, na Tijuca, despertou de imediato a cobiça alheia e - com razão ou sem ela - contestações quanto à autoria de Donga (foto ao lado) pipocaram de todos os lados. A principal veio de Tia Ciata, criando uma briga que jamais chegou à reconciliação, com um anúncio publicado no Jornal do Brasil garantindo que no Carnaval de 1917, na avenida Rio Branco, seria cantado o "verdadeiro tango Pelo Telefone dos inspirados carnavalescos João da Mata, o imortal Mestre Germano, a nossa velha amiguinha Ciata, o bom Hilário, com arranjo do pianista Sinhô, dedicado ao falecido repórter Mauro", seguindo-se a letra com o nome de Roceiro, denunciando Donga nas entrelinhas:

"Pelo telefone/A minha boa gente / Mandou avisar / Que meu bom arranjo / Era oferecido / Para se cantar - Ai; ai, ai / Leve a mão na consciência, / Meu bem / Ai, ai, ai / Mas porque tanta presença / meu bem? - O que caradura / De dizer nas rodas / Que esse arranjo é teu / E do bom Hilário / E da velha Ciata / Que o Sinhô escreveu - Tomara que tu apanhes / Para não tornar a fazer isso, / Escrever o que é dos outros / Sem olhar o compromisso".

Não faltaram também os aproveitadores, que na esteira do êxito da gravação de Bahiano correram atrás dos lucros que se imaginava para os autores de Pelo Telefone (Mauro de Almeida jamais recebeu um tostão de direitos...). Carlos Lima editou Chefe da Folia no Telefone; J. Meira registrou Ai, Si A Rolinha Sinhô, Sinhô e Maria Carlota da Costa Pereira se apresenta como autora de No Telefone, Rolinha, Baratinha & Cia.

A letra da música
Pelo Telefone (samba, 1917) 
Donga e Mauro de Almeida - - Interpretação: Almirante

Bb-------------------------- Gm--------------- Cm--- F7
O chefe da folia pelo telefone manda lhe avisar
-----------------Cm-------------- F7-------------- Bb
Que com alegria não se questione para se brincar
--------------------------------Gm ---------------Cm---F7
O chefe da polícia pelo telefone manda lhe avisar
----------------Cm------------- F7-------------- Bb
Que na Carioca tem uma roleta para se brincar
: - Ai, ai, ai,
------------------------------F7
- Deixa as mágoas para trás ó rapaz
- Ai, ai, ai,
-----------------------Bb-------- F7 Bb F7 Bb
- Fica triste se é capaz, e verás :
---------Gm ----------------Cm
: Tomara que tu apanhes
----------F7-------------- Bb
Pra nunca mais fazer isso
----Gm----------------- F7
Tirar o amor dos outros
--------------------Bb
E depois fazer feitiço :
----------------Eb
: Ai se a rolinha (Sinhô, sinhô)
---------------Bb
Se embaraçou (Sinhô, sinhô)
------------------F7
É que a avezinha (Sinhô, sinhô)
----------------Bb
Nunca sambou (Sinhô, sinhô)
--------------------Eb
Porque este samba (Sinhô, sinhô)
-------------Bb
De arrepiar (Sinhô, sinhô)
-------------------F7
Põe perna bamba (Sinhô, sinhô)
------------Bb F7 Bb F7 Bb
E faz chorar


No filme "Ena votsalo sti limni" (A pebble to the lake), dirigido por Alekos Sakellarios em 1952.
  • A versão do povo
No dia 20 de outubro de 1916, Aureliano Leal, chefe de polícia do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, determinou por escrito aos seus subordinados que informassem "antes pelo telefone" aos infratores, a apreensão do material usado no jogo de azar. Imediatamente o humor carioca captou a comicidade do episódio, que ao lado de outros foi cantado em versos improvisados nas festas de Tia Ciata e registrado rapidamente por Donga em seu nome, na Biblioteca Nacional. É lógico que os versos "oficiais" eram diferentes daqueles que ridicularizavam o chefe de polícia. Sua versão popular, a que corria na boca das ruas dizia:

"O chefe da polícia / Pelo telefone / Mandou avisar / Que na Carioca / Tem uma roleta /Para se jogar /Ai, ai, ai /O chefe gosta da roleta,/ Ô maninha / Ai, ai, ai / Ninguém mais fica forreta / É maninha. / Chefe Aureliano, / Sinhô, Sinhô, / É bom menino, / Sinhô, Sinhô, / Prá se jogar,/ Sinhô, Sinhô, / De todo o jeito, /Sinhô, Sinhô, / O bacará / Sinhô, Sinhô, / O pinguelim, / Sinhô, Sinhô, / Tudo é assim".

A letra registrada por Donga, que passou a ser conhecida como original e aparece nas gravações até hoje, é alongada, homenageando o "Peru", o jornalista Mauro de Almeida, co-autor da obra, e o "Morcego", Norberto do Amaral Júnior, conhecido no Clube dos Democráticos. Incorpora também elementos do folclore nordestino:

"O chefe da folia / Pelo telefone / Manda avisar / Que com alegria / Não se questione / Para se brincar. Ai, ai, ai, / Deixa as mágoas para trás / Ó rapaz! /Ai, ai, ai, / Fica triste se és capaz / E verás Tomara que tu apanhes / Pra nunca mais fazer isso / Tirar amores dos outros /E depois fazer feitiço...Ai, a rolinha / Sinhô, Sinhô / Se embaraçou / Sinhô, Sinhô/ É que a avezinha / Sinhô, Sinhô / Nunca sambou / Sinhô, Sinhô,/ Porque esse samba, /Sinhô, Sinhô, / É de arrepiar, /Sinhô, Sinhô,/ Põe a perna bamba / Sinhô, Sinhô, / Me faz gozar, / Sinhô, Sinhô.O "Peru" me disse/ Se o "Morcego" visse / Eu fazer tolice,/ Que eu então saísse / Dessa esquisitice / De disse que não disse. Ai, ai, ai, / Aí está o canto ideal / Triunfal / Viva o nosso carnaval. / Sem rival. Se quem tira o amor dos outros / Por Deus fosse castigado / O mundo estava vazio / E o inferno só habitado.Queres ou não / Sinhô, Sinhô, / Vir pro cordão / Sinhô, Sinhô / Do coração, / Sinhô, Sinhô. / Por este samba".

O Samba é a principal forma de música de raízes africanas surgida no Brasil. O nome "samba" é, provavelmente, originário do nome angolano semba, um ritmo religioso.

O ritmo provavelmente surgiu na Bahia, onde até hoje guarda toda uma batida e ritmos próprios e, com a transferência de grande quantidade de escravos para as plantações de café no Estado do Rio, neste último ganhou novos contornos, instrumentos e histórico próprio, de forma tal que, como um gênero musical, apontam seu surgimento no ínicio do século 20 na cidade do Rio de Janeiro (a capital brasileira de então). Muitos pesquisadores apontam para os ritmos do maxixe, do lundu e da modinha como fontes que, quando sintetizadas, deram origem a esse ritmo.


FONTE

Fonte: A Canção no Tempo (Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello), História do Samba - Ed. Globo
cifrantiga

quarta-feira, 2 de março de 2011

Donga


Das cordas do violão de Donga nasceu o samba. Prece, na raiz da palavra africana, o gênero musical estava ainda preso à tradição das religiões afro-brasileiras que o compositor conheceu na infância, no Rio de Janeiro.

Ernesto Joaquim Maria dos Santos sempre foi Donga, apelido familiar desde menino. Exceto por um curto período, em 1914, quando usou o nome Zé Vicente para participar do Grupo de Caxangá, conjunto organizado por João Pernambuco, de inspiração nordestina, tanto no repertório, como na indumentária, onde cada integrante do conjunto adotava para si um codinome sertanejo.


Em sua primeira formação, o grupo reunia João Pernambuco (Guajurema), Caninha (Mané Riachão), Raul Palmieri, Jacó Palmieri (Zeca Lima), Pixinguinha (Chico Dunga), Henrique Manoel de Souza (Mané Francisco), Manoel da Costa (Zé Porteira), Osmundo Pinto (Inácio da Catingueira), Bonfiglio de Oliveira, Quincas Laranjeiras, Zé Fragoso, Lulu Cavaquinho, Nelson Alves, José Correia Mesquita, Vidraça e Borboleta.

Donga usava nesse grupo o nome de "Zé Vicente". No carnaval de 1914, o Grupo do Caxangá percorreu os principais pontos da Avenida Rio Branco, e "Cabocla de Caxangá" tornou-se grande sucesso musical.

Ernesto Joaquim Maria dos Santos, conhecido como Donga, (Rio de Janeiro, 5 de abril de 1890 — Rio de Janeiro, 25 de agosto de 1974) foi um músico, compositor e violonista brasileiro.

Filho de Pedro Joaquim Maria e Amélia Silvana de Araújo, Donga teve oito irmãos. O pai era pedreiro e tocava bombardino nas horas vagas; a mãe era a famosa Tia Amélia do grupo das baianas Cidade Nova e gostava de cantar modinhas e promovia inúmeras festas e grandes reuniões de samba.

Participava das rodas de música na casa da lendária Tia Ciata, ao lado de João da Baiana, Pixinguinha e outros. Grande fã de Mário Cavaquinho, começou a tocar este instrumento de ouvido, aos 14 anos de idade. Pouco depois aprendeu violão nas aulas do grande Quincas Laranjeiras. Iniciou-se na composição com "Olhar de Santa" e "Teus Olhos Dizem Tudo" (anos mais tarde, o jornalista David Nasser faria as letras).



Em 1917 consagrou a gravação de Pelo Telefone, considerado o primeiro samba gravado na história. Assim, Donga entrou definitivamente para a história da música popular brasileira, por ter registrado na Biblioteca Nacional ( 27 de novembro de 1916) a partitura do "Pelo telefone", composição surgida numa reunião de samba realizada na casa de Tia Ciata, onde também estavam João da Baiana, Caninha, Sinhô, Pixinguinha, Mauro de Almeida, Buci Moreira, entre outros.

O "Pelo telefone" tornou-se uma das composições mais polêmicas de todos os tempos. Desde o seu lançamento em dezembro de 1916, apareceram vários pretendentes à sua autoria, devido à própria natureza da composição, surgida numa roda de samba onde diversos participantes improvisavam versos e melodia. Mauro de Almeida, que aparentemente nunca se preocupou em afirmar sua participação na autoria, declarou em carta ao jornalista Arlequim ser apenas o "arreglador" dos versos.


Em 1917, teve os sambas carnavalescos "O malhador", parceria com Pixinguinha e Mauro de Almeida e "O veado à meia-noite", gravadas pelo cantor Baiano e coro, na Odeon. Outro grande sucesso popular do grupo do Caxangá aconteceu no carnaval de 1919 com o samba "Já te digo", de sua parceria com China, lançado pelo Grupo de Caxangá em resposta ao samba "Quem são eles", de Sinhô, que obteve sucesso no carnaval do ano anterior.


A polêmica começou, na verdade, quando Sinhô compôs "O pé de anjo", seu primeiro sucesso para o carnaval gravado por Chico Alves, que também estreava. A letra da marcha refere-se com ironia aos pés avantajados de China.


Passado o carnaval, Isaac Frankel, gerente do Cinema Palais, solicitou a Pixinguinha que selecionasse músicos para apresentação na sala de espera do cinema. Foi assim constituído o conjunto "Oito batutas", uma continuação com menos elementos do Grupo Caxangá. Donga e Pixinguinha e outros seis músicos, integrou o grupo Oito Batutas.


Contratados com a finalidade de tocar na sala de espera do cinema, o grupo tornou-se uma atração à parte, maior até que os próprios filmes. Ernesto Nazareth, Rui Barbosa e Arnaldo Guinle eram seus admiradores. O povo aglomerava-se na calçada só para ouvi-los. Conquistaram rapidamente a fama de melhor conjunto típico da música brasileira, empreendendo excursões por São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e Pernambuco.

Ainda em 1919, João Pernambuco, notável violonista e compositor, foi incorporado ao conjunto, no qual permaneceu até o fim de 1921. J. Thomaz, baterista, compositor e maestro, substituiu Luiz Pinto da Silva em 1921.

Em 1920, os Oito Batutass apresentaram-se em um almoço oferecido ao rei Alberto, da Bélgica, que estava em visita ao Brasil.

O grupo Oito Batutas excursionou pela Europa em 1922. Em 28 de janeiro de 1922, embarcaram para Paris, custeados por Arnaldo Guinle, por sugestão do dançarino Duque, divulgador do maxixe no exterior. Embarcaram apenas sete batutas, razão pela qual foram anunciados como Os batutas, ou melhor, Les batutas. Eram eles: Pixinguinha, Donga, China, Nelson Alves, José Alves de Lima, José Monteiro (voz e ritmo), Sizenando Santos (Feniano-pandeiro). Os dois últimos, faziam substituição a Raul e Jacó Palmieri. J. Thomaz, que não embarcou por motivo de doença, não teve substituto.

Estrearam em meados de fevereiro no Dancing Sheherazade. A temporada prevista para apenas um mês prolongou-se até o final do mês de julho. Retornam ao país em meados de agosto, para participar das comemorações do Centenário da Independência do Brasil.

Em agosto, foram contratados por Mme. Rasimi, empresária da Companhia Ba-ta-clan, para atuar na peça "V'la Paris", revista em dois atos e 31 quadros. A revista ficou em cartaz por oito dias, seguindo para São Paulo. O grupo, porém, não seguiu com a companhia francesa. O primeiro emprego do conjunto, após a volta ao Brasil, foi no Assírio, onde já haviam atuado. Nas apresentações, Pixinguinha por vezes trocava a flauta pelo saxtenor, presente que lhe foi dado por Arnaldo Guinle quando ainda estavam em Paris.

Em dezembro do mesmo ano, embarcam para a Argentina, como Os oito batutas, com os mesmos Pixinguinha, Donga, China, Nelson Alves, José A . de Lima, J.Thomaz, e os novos integrantes Josué Barros ao violão, e J. Ribas ao piano. Na Argentina, incorporaram Aristides Júlio de Oliveira (Julinho de Oliveira) e convidaram conjuntos brasileiros para participar de suas apresentações.

Em 1923, gravaram para a Victor de Buenos Aires. Após a gravação, divergências entre os integrantes do grupo, o trouxeram de volta ao Brasil, juntamente com J.Thomaz e Julinho.

Da França Donga traz um violão-banjo e, em 1926 integra a banda Carlito Jazz, para acompanhar a companhia francesa de revistas Ba-Ta-Clan, que se exibia no Rio de Janeiro. Com esse conjunto viaja outra vez à Europa.

Em 1927, teve o samba "Dona Clara (Não te quero mais)", parceria com João da Baiana, gravado por Patrício Teixeira na Odeon.

Donga volta ao Brasil em 1928, quando forma a Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, que gravou para o selo Parlophon nos anos 20 e 30. A Orquestra Típica Pixinguinha - Donga, conjunto composto só de instrumentos de sopro, foi criado para realizar gravações na Parlophon, e que acompanhava cantores como Patrício Teixeira e Castro Barbosa. Na Odeon, o grupo conservava o nome de Orquestra Típica dos Oito Batutas.


Em 1928, já com o nome de Jazz-Band Os Batutas, o grupo excursionou pelo sul do país, estreando em Florianópolis no dia 28 de agosto. Em dezembro deste mesmo ano, a Orquestra Típica Pixinguinha - Donga, gravou "Carinhoso", música que havia sido composta cerca de dez anos antes e também gravada anteriormente. Ainda no mesmo ano, teve o samba "Foram-se os malandros", gravado em dueto por Francisco Alves e Gastão Formenti.


Em 1929, formou a Orquestra Típica Donga, com a qual gravou na Parlophon o maxixe "O meu tipo", de Pascoal Barros. No mesmo ano, Afredo Albuquerque gravou a canção "Miss Brasil", parceria com De Chocolat.

Em1930, compôs com Luiz Peixoto e Marques Porto a "Canção dos infelizes", gravada por Zaíra Cavalcânti.

Em 1932, Patrício Teixeira gravou seu samba "Ri melhor quem ri por último" e a marcha "Brasil vitorioso".

Em 1932, integrou o Grupo da Velha Guarda, conjunto organizado por Pixinguinha e que reuniu alguns dos maiores instrumentistas brasileiros da época, onde executava cavaquinho, banjo e violão. O grupo realizou inúmeras gravações na Victor, acompanhando também grandes cantores da época como Carmen Miranda, Sílvio Caldas, Mário Reis, entre outros.

Em fins de 1932, Pixinguinha organizou na Victor a orquestra "Diabos do céu", com alguns dos integrantes do Grupo da Velha Guarda, estreando e disco e acompanhando Carmen Miranda na gravação de "Etc", samba de Assis Valente.

No mesmo ano, a canção "No baile de máscaras", parceria com Valdemar Viana, foi gravada por Gastão Formenti na Victor.

Em 1932, casou-se com a cantora Zaíra de Oliveira, com quem viveu até a morte desta, ocorrida em 1952. Tiveram uma filha, Lígia dos Santos, pesquisadora e personalidade influente na vida musical carioca.


Em 1934, teve o samba "Metralhadora", parceria com Luis Menezes e Haroldo Lobo, gravado por Aurora Miranda na Odeon e a canção "Felicidade que eu não vi", parceria com Luni Montenegro, gravada por Gastão Formenti na Victor.

Em 1935, Augusto Calheiros gravou a valsa canção "Coração das plantas", parceria com P. Menezes e Moreira da Silva, a marcha "Depois de você", com Eduardo de Almeida.


Em 1936, teve duas composições gravadas por Mário Reis, o samba "Esse meio não serve", parceria com Noel Rosa e a marcha "Tira...tira", parceria com Simões. No mesmo ano, Francisco Alves gravou na Victor a valsa "Pássaro urbano", parceria com Alberto Ribeiro.

Em 1938, gravou pela Odeon , com Seu Conjunto Regional, o samba "Pelo telefone", de sua parceria com Mauro de Almeida e o tango brasileiro "O corta-jaca", de Chiquinha Gonzaga.


Em 1939, Neide Martins gravou duas marchas de sua autoria, "Uma estrela brilhou", parceria com Sá Róris e "Eterno sonho", parceria com Milton Amaral.

Em 1940, Leopoldo Stokowski solicitou a Villa-Lobos que selecionasse e reunisse os mais representativos artistas de música popular brasileira, para gravação de músicas destinadas ao Congresso Pan-Americano de Folclore. Villa-Lobos incluiu no grupo escolhido a nata dos verdadeiros criadores nacionais de música: Pixinguinha, Donga, Cartola, João da Baiana e Zé Espinguela.

As gravações realizaram-se na noite de 7 para 8 de agosto de 1940, a bordo do navio Uruguai atracado no Armazém 4. Foram registradas quarenta músicas, e dessas quarenta apenas dezesseis chegaram ao disco, reproduzidas nos Estados Unidos em dois álbuns de quatro fonogramas cada um, sob o título "Columbia presents " Native Brazilian Music" Leopold Stokowski".


Donga gravou nove composições do disco Native Brazilian Music, organizado por dois maestros: o norte-americano Leopold Stokowski e o brasileiro Villa-Lobos, lançado nos Estados Unidos pela Columbia. Ainda no mesmo ano, Donga compôs com David Nasser, a embolada "Na barra da tua saia" e o samba "Romance de um índio", gravadas por Manezinho Araújo. Também no mesmo ano, fez os arranjos para o motivo popular "Passarinho bateu asas", gravado por Almirante, que no mesmo disco, gravou seu samba "Seu Mané Luiz", parceria com Cícero de Almeida.


Em 1941, teve a marcha-rancho "Meu jardim", parceria com David Nasser, gravada por Déo.


No final dos anos 50 voltou a se apresentar com o grupo Velha Guarda, em shows organizados por Almirante. "Olha esse ponteado, Donga!" Essa exclamação com que Almirante incentivava o violão solista do grupo, está em um dos discos mais famosos da história da música popular brasileira, e é uma das marcas da fase de sedimentação do samba no Rio de Janeiro.
 
Em 1950, teve a valsa "Corina", com Valfrido Silva, gravada na Odeon pelo trio vocal Trigêmeos Vocalistas.
 

Em 1953, casou-se novamente, com Maria, que, no ano 2001, lançou-se como cantora, já aos 90 anos de idade, chegando a gravar um CD, editado pelo ICCA em 2003.
 
Em 1954, Almirante organizou em São Paulo o I Festival da Velha Guarda, reunindo vários músicos veteranos do choro.
 
No II Festival da Velha Guarda, a caravana carioca formou em caráter regular um conjunto denominado Velha Guarda do qual faziam parte Pixinguinha, Donga, João da Baiana, entre outros.
 
Em 1955, alcançaram grande sucesso na Boate Casablanca, constituindo a grande atração do show Zilco Ribeiro.
 
Nesse mesmo ano, o grupo gravou seu primeiro LP na Sinter "A Velha Guarda", seguido de um outro "Carnaval da Velha Guarda".
 
Ainda em 1955, Almirante gravou na Sinter o partido alto "Patrão prenda seu gado", parceria com João da Baiana e Pixinguinha e o samba "Nosso ranchinho", parceria com J. Cascata.
 
Pouco depois de sua morte, ocorrida em 1974, a gravadora Marcus Pereira lançou seu único LP individual, em que interpretava várias de suas composições. O LP registra ainda trechos do depoimento concedido ao MIS em maio de 1966, gravação que obteve grande repercussão pública, já que foi a segunda feita para a posteridade, dela sendo entrevistador o próprio diretor do museu, Ricardo Cravo Albin.

As criações mais conhecidas de Donga são "Passarinho Bateu Asas", "Bambo-Bamba", "Cantiga de Festa", "Seu Mané Luís" e "Ranchinho Desfeito"...


Donga foi morar no bairro de Aldeia Campista, para onde se retirara como oficial de justiça aposentado. Doente e quase cego, viveu seus últimos dias na Retiro dos Artistas, falecendo em 1974. Está sepultado no Cemitério São João Batista.


Donga - Pelo Telefone


O primeiro samba gravado no Brasil foi Pelo Telefone, no ano de 1917, cantado por Bahiano. A letra deste samba foi escrita por Mauro de Almeida e Donga .

Pelo Telefone - Chico Buarque, Donga, Pixinguinha e Hebe



Na estante da sala do modesto apartamento de Maria das Dores Santos, a Vó Maria, na Tijuca, zona norte do Rio, a Ordem do Mérito Cultural e a Medalha Pedro Ernesto, principal comenda do município, dividem espaço com placas do Clube do Samba que a homenageia com o enredo do bloco, que desfilará em 8 de março, Dia Internacional da Mulher. "É uma maravilha na minha idade sair como destaque. Sou fundadora do bloco (em 1979) e saí em todos os desfiles até hoje."





FONTE

Wikipédia

Dicionário MPB

Estadão