Diário da Música ♪♫: César Camargo Mariano: Um dos mais renomados músicos do País, o pianista, compositor, arranjador e produtor Cesar Camargo Mariano tem sua história retratada em livro de memórias pela editora LeYa Brasil. “Solo” chega às livrarias este mês com histórias marcantes dos 50 anos de carreira, dificuldades e conquistas de sua trajetória musical e a importância da dedicação do artista à sua arte.
Permeado de histórias divertidas e dramáticas, de quem viveu e acompanhou intensamente cada momento da música brasileira desde o início da Bossa Nova, “Solo” mostra passagens que marcaram sua vida desde a infância, com amigos, família e ao lado de profissionais e artistas com quem fez história.
“Solo” não resgata somente histórias de um dos mais importantes músicos do País, mas também momentos da trajetória da MPB e a paixão e o drama dos bastidores da arte. E pela primeira vez revela outro dom artístico do músico, que ilustrou suas memórias com desenhos feitos a lápis. Uma obra para os apaixonados por música.
"O piano sempre esteve ali na sala, desafiador, misterioso, de dar arrepios. Quando o inquilino caladão Johnny Alf chegou para tocá-lo, as paredes tremeram. Wilson Simonal e Elis Regina, mais tarde, deitaram e dançaram sobre seus timbres. Aos 50 anos de carreira, vivendo nos Estados Unidos com a família, Cesar Camargo Mariano tem cem histórias para cada tecla de seu instrumento. Memórias que lança agora no livro Solo, com três shows no Sesc Vila Mariana e uma exposição de desenhos, tudo interligado. As músicas e as ilustrações foram criadas enquanto ele revivia um passado que, pela primeira vez, decide contar de próprio punho." (continue lendo aqui)
Cesar Camargo Mariano segue a sua agenda de shows “Memórias” e “PianoSolo” por São Paulo, neste mês.
César Camargo Mariano (Antônio César Camargo Mariano), arranjador, instrumentista, nasceu em São Paulo/SP em 19/9/1943. Autodidata, começou a tocar piano aos 13 anos e aos 17 iniciou carreira na orquestra de William Fourneau. A partir dessa época, passou a estudar, por conta própria, instrumentação, orquestração e arranjos.
Filho de um professor de música, começa a tocar piano por conta própria, e aos quatorze anos passa a ser apresentado como "menino prodígio" em espetáculos em que acompanha bandas de jazz. Em seguida fez amizade com Johnny Alf, que o incentivou a estudar harmonia, arranjo e composição. Logo começa a atuar como profissional na Orquestra de William Furneaux, e em 1962 forma o grupo "Três Américas", que toca em festas e bailes.
Por essa época participou da gravação de um LP de Alaíde Costa, na RGE, como pianista e arranjador do grupo, que se transformaria, anos depois, no Som-3.
No ano seguinte vai para São Paulo e integra o "Quarteto Sabá", com quem grava o primeiro LP. Integrou o conjunto São Paulo Dixieland Band, em 1962, e, no mesmo ano, formou em São Paulo o Sambalanço Trio, do qual era pianista e líder, ao lado do contrabaixista Humberto Claiber e do baterista Airto Moreira. O grupo gravou três LPs e acompanhou o cantor-bailarino Lennie Dale em sua temporada no Teatro de Arena, em São Paulo, e depois na boate Zum-Zum, no Rio de Janeiro/RJ, em 1963.
No fim da década é contratado pela TV Record de São Paulo, onde trabalha como instrumentista e arranjador, e grava discos com seu novo grupo, "Som Três". Liderou o trio Som-3 (1965- 1971), que reunia o baterista Toninho Pinheiro e o contrabaixista Sabá, com o qual gravou diversos LPs. Ainda em 1965, foi arranjador e pianista dos LPs de Lennie Dale e Elizete Cardoso e do LP de seu octeto.
Nesse mesmo ano aceitou o convite de Wilson Simonal para fazer os arranjos de seu repertório, tarefa para a qual teve inicialmente orientação de Eumir Deodato. Participou do júri de todos os festivais da TV Record, de São Paulo, a partir de 1966, ano em que também se apresentou, com o Som-3, no Festival de Arte Negra, em Dacar, Senegal.
Como pianista, em 1967 esteve presente nas gravações dos LPs de os Três Morais, Os Farroupilhas e O Quarteto.
A partir de 1965 e até 1971, foi o responsável pelos arranjos de todos os discos de Wilson Simonal, cantor que acompanhou em excursões ao México, Argentina, Peru, Venezuela, Itália, França, Portugal e Inglaterra.
Em 1971 passou a ser arranjador e pianista da Philips, participando de todos os discos de Elis Regina gravados a partir dessa data, também como teciadista. Nessa época, realizou com Elis Regina tournées pela América Latina, EUA e Europa. Foi ainda pianista e arranjador de discos de Chico Buarque, João Bosco, Maria Bethânia, Claudete Soares, Erasmo Carlos, Wanderléia, Beth Carvalho, Jorge Ben Jor, Elizete Cardoso e Cristina.
Apresentou em 1977 o show São Paulo/Brasil/Crônica, que a RCA lançou como LP no mesmo ano.
Na década de 1980 foram lançados os LPs César Camargo Mariano e Cia (1980) e Samambaia (1981, com destaque para sua composição Maria Rita), ambos pela Odeon; e A todas as amizades (1983, Som Livre), com repertório que incluiu as composições Blue Moon (Rodgers e Hart), Novo tempo (Ivan Lins e Vítor Martins) e Avenida Paulista (com Regina Werneck) e a participação de cantores como Milton Nascimento, Nana Caymmi, Fafá de Belém e Quarteto em Cy, entre outros.
Nos anos setenta tem início uma bem-sucedida parceria com Elis Regina e logo após casou-se com ela. César atua como diretor musical, produtor e arranjador da cantora, excursionando pelo Brasil e por vários países. Também participa de trabalhos com Chico Buarque, Maria Bethânia, Jorge Ben e outros. Na mesma época, entra no mercado de jingles e canções para cinema e propaganda.
Na década de oitenta César gravou dois discos considerados históricos: "Samambaia", com o guitarrista Hélio Delmiro, e "Voz e Suor", com a cantora Nana Caymmi. Foi o primeiro a utilizar teclado sintetizador nos seus arranjos musicais.
Continua atuando como arranjador, produtor, compositor e pianista no Brasil até 1994, quando se muda para os Estados Unidos, onde começa a trabalhar com o compositor Sadao Watanabe, que o leva a turnês no Japão. Mesmo nos EUA, continua em contato permanente com os maiores nomes da MPB, dirigindo e produzindo discos e espetáculos. É pai de Pedro Mariano e da também cantora Maria Rita.
Compôs músicas e fez arranjos para os filmes Eu te amo, de Arnaldo Jabor (1980) e Além da paixão, de Bruno Barreto (1984).
Em 1994 mudou-se para New Jersey, EUA, e aí tem se apresentado em casas noturnas e trabalhado como produtor e arranjador.
No Brasil em 1997, apresentou-se no Palace, em São Paulo, no festival Heineken Concerts.
Cesar Camargo Mariano - Um Toque de Funk
Cesar Camargo Mariano em estudio - Happy Hour a Beira-Mar