Mostrando postagens com marcador Luiz Gonzaga. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luiz Gonzaga. Mostrar todas as postagens

sábado, 13 de novembro de 2010

Luiz Gonzaga


Luiz Gonzaga do Nascimento (Exu, 13 de dezembro de 1912 — Recife, 2 de agosto de 1989) foi um compositor popular brasileiro, conhecido como o "rei do baião". É considerado mestre do cantor Dominguinhos.

Biografia
Nasceu na fazenda Caiçara, no sopé da Serra de Araripe, na zona rural de Exu, sertão de Pernambuco. O lugar seria revivido anos mais tarde em "Pé de Serra", uma de suas primeiras composições. Seu pai, Januário, trabalhava na roça, num latifúndio, e nas horas vagas tocava acordeão (também consertava o instrumento). Foi com ele que Luiz Gonzaga aprendeu a tocá-lo. Não era nem adolescente ainda, quando passou a se apresentar em bailes, forrós e feiras, de início acompanhando seu pai.

Autêntico representante da cultura nordestina, manteve-se fiel às suas origens mesmo seguindo carreira musical no sul do Brasil. O gênero musical que o consagrou foi o baião. A canção emblemática de sua carreira foi "Asa Branca", que compôs em 1947, em parceria com o advogado cearense Humberto Teixeira.

"Asa Branca" cantada por Luiz Gonzaga - com os amigos Regional do Caçulinha, Clara Nunes, João Bosco, Waldir Azevedo, Altamiro Carrilho... exibida no Fantástico (Globo), em 1978.

Antes dos dezoito anos, ele se apaixonou por Nazarena, uma moça da região e, repelido pelo pai dela, o coronel Raimundo Deolindo, ameaçou-o de morte. Januário e Santana lhe deram uma surra por isso. Revoltado, Luiz Gonzaga fugiu de casa e ingressou no exército em Crato, Ceará. A partir dali, durante nove anos ele viajou por vários estados brasileiros, como soldado. Em Juiz de Fora-MG, conheceu Domingos Ambrósio, também soldado e conhecido na região pela sua habilidade como acordeonista. Dele, recebeu importantes lições de música.

Em 1939, deu baixa do Exército no Rio de Janeiro, decidido a se dedicar à música. Na então capital do Brasil, começou por tocar na zona do meretrício.

No início da carreira, apenas solava acordeão (instrumentista), tendo choros, sambas, fox e outros gêneros da época. Seu repertório era composto basicamente de músicas estrangeiras que apresentava, sem sucesso, em programas de calouros. Apresentava-se com o típico figurino do músico profissional: paletó e gravata.

Em 1941, no programa de Ary Barroso, ele foi aplaudido executando Vira e Mexe , um tema de sabor regional, de sua autoria. O sucesso lhe valeu um contrato com a gravadora Victor, pela qual lançou mais de 50 músicas instrumentais. Vira e mexe foi a primeira música que gravou em disco.

Veio depois a sua primeira contratação, pela Rádio Nacional. Foi lá que tomou contato com o acordeonista gaúcho Pedro Raimundo, que usava os trajes típicos da sua região. Foi do contato com este artista que surgiu a ideia de Luiz Gonzaga apresentar-se vestido de vaqueiro - figurino que o consagrou como artista.

Em 11 de abril de 1945, Luiz Gonzaga gravou sua primeira música como cantor, no estúdio da RCA Victor: a mazurca Dança Mariquinha em parceria com Saulo Augusto Silveira Oliveira.

Também em 1945, uma cantora de coro chamada Odalisca Guedes deu à luz um menino, no Rio. Luiz Gonzaga tinha um caso com a moça - iniciado provavelmente quando ela já estava grávida - e assumiu a paternidade do rebento, adotando-o e dando-lhe seu nome: Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior. Gonzaguinha foi criado pelos seus padrinhos, com a assistência financeira do artista.

Em 1946 voltou pela primeira vez a Exu (Pernambuco), e o reencontro com seu pai é narrado em sua composição Respeita Januário, parceria com Humberto Teixeira.

Em 1948, casou-se com a pernambucana Helena Cavalcanti, professora que tinha se tornado sua secretária particular. O casal viveu junto até perto do fim da vida de "Lua". E com ela teve outro filho que Lua a Chamava de Rosinha.

A partir de 1953 Gonzaga passou a apresentar-se trajado com roupas típicas do Sertão Nordestino: chapéu (inspirado no famoso cangaceiro Virgulino Ferreira, O Lampião, de quem era admirador), gibão e outras peças características da indumentária do vaqueiro nordestino. Alia-se a esta imagem a presença de sua inconfundível Sanfona Branca - A Sanfona do Povo.

Com o surgimento de novos padrões na música popular brasileira, o apogeu do Baião começa a apresentar sinais de declínio, apesar disso, Gonzaga não cai no esquecimento, pelo menos para o público do interior, principalmente no Nordeste. Todavia, foi o próprio movimento musical juvenil da Década de 60 - notadamente Gilberto Gil e Caetano Veloso, este último e depois Gonzaguinha regravando ambos o sucesso Asa Branca, responsáveis pelo ressurgimento do nome Gonzaga no cenário musical do país.

Em março de 1972 em show realizado no Teatro Tereza Rachel, no Rio de Janeiro, marca o reaparecimento de Gonzaga para as platéias urbanas. Nessa época retorna às paradas de sucesso como "Ovo de Codorna" cuja autoria é do nordestino Severino Ramos.


Após longo período de atividade profissional, cerca de 35 anos, é chegada a hora de retornar a sua terra natal. Em Exu dá início à construção do tão sonhado Museu do Gonzagão, localizado às margens da BR-122, dentro do Parque Aza Branca (escrevia desta forma por pura superstição, embora soubesse do erro ortográfico).


Lá se encontra o maior acervo de peças pertencentes ao Rei do Baião: suas principais sanfonas, inclusive a que tocou para o Papa em Fortaleza; suas vestimentas; seus discos de ouro; troféus; diplomas; títulos; fotos e presentes a ele ofertados ao longo de sua brilhante carreira.

Além do Museu, o Parque abriga também o Mausoléu da família, lanchonete, grande palco de shows, várias suítes para acolhimento de visitantes, a casa de Vovô Januário, lojinha de souvenir e a casa grande de onde Gonzaga observava a sua pequena Exu.

Gonzaga sofria de osteoporose. Morreu vítima de parada cardiorrespiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana. Seu corpo foi velado em Juazeiro do Norte (a contragosto de Gonzaguinha, que pediu que o corpo fosse levado o mais rápido possível para Exu, irritando várias pessoas que iriam ao velório e tornando Gonzaguinha "persona non grata" em Juazeiro do Norte) e posteriormente sepultado em seu município natal.


CURIOSIDADES

*Foi o Coronel Manuel Aires de Alencar quem realizou o grande sonho de Gonzaga: possuir sua primeira sanfona. Tal instrumento custava a importância de cento e vinte mil réis, Gonzaga tinha só a metade, a outra o próprio Coronel adiantou, quantia esta paga mais tarde com o fruto do seu trabalho de sanfoneiro. O primeiro dinheiro ganho com a nova sanfona foi no casamento de Seu Dezinho, na Ipueira, onde ganhou vinte mil réis. Tal convite viera aumentar sua fama, começa ali a ser um respeitado sanfoneiro na região.




 A música “Súplica Cearense” foi gravada por Gordurinha, por volta de 1960. Na época, ele a catalogou como de autoria dele com Nelinho, mas, no disco de Nerino Silva, gravado em 1967, a parceria aparece como sendo entre Gordurinha e Manoel Ávila Peixoto. O Fagner também já gravou essa canção. No entanto, a gravação mais conhecida da música foi a de Luiz Gonzaga, em 1984, e ele aponta como autores Gordurinha e Nelinho. E é assim que até hoje é dito.
Sucessos

A dança da moda, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1950)
A feira de Caruaru, Onildo Almeida (1957)
A letra I, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1953)
A morte do vaqueiro, Luiz Gonzaga e Nelson Barbalho (1963)
A triste partida, Patativa do Assaré (1964)
A vida do viajante, Hervé Cordovil e Luiz Gonzaga (1953)
Acauã, Zé Dantas (1952)
Adeus, Iracema, Zé Dantas (1962)
Á-bê-cê do sertão, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1953)
Adeus, Pernambuco, Hervé Cordovil e Manezinho Araújo (1952)
Algodão, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1953)
Amanhã eu vou, Beduíno e Luiz Gonzaga (1951)
Amor da minha vida, Benil Santos e Raul Sampaio (1960)
Asa-branca, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1947)
Assum-preto, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1950)
Ave-maria sertaneja, Júlio Ricardo e O. de Oliveira (1964)
Baião, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1946)
Baião da Penha, David Nasser e Guio de Morais (1951)
Beata Mocinha, Manezinho Araújo e Zé Renato (1952)
Boi bumbá, Gonzaguinha e Luiz Gonzaga (1965)
Boiadeiro, Armando Cavalcanti e Klécius Caldas (1950)
Cacimba Nova, José Marcolino e Luiz Gonzaga (1964)
Calango da lacraia, Jeová Portela e Luiz Gonzaga (1946)
O Cheiro de Carolina, - Sua Sanfona e Sua Simpatia - Amorim Roxo e Zé Gonzaga (1998)
Chofer de praça, Evaldo Ruy e Fernando Lobo (1950)
Cigarro de paia, Armando Cavalcanti e Klécius Caldas (1951)
Cintura fina, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1950)
Cortando pano, Jeová Portela, Luiz Gonzaga e Miguel Lima (1945)
De Fiá Pavi (João Silva/Oseinha) (1987)
Dezessete légua e meia, Carlos Barroso e Humberto Teixeira (1950)
Feira de gado, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1954)
Firim, firim, firim, Alcebíades Nogueira e Luiz Gonzaga (1948)
Fogo sem fuzil, José Marcolino e Luiz Gonzaga (1965)
Fole gemedor, Luiz Gonzaga (1964)
Forró de Mané Vito, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1950)
Forró de Zé Antão, Zé Dantas (1962)
Forró de Zé do Baile, Severino Ramos (1964)
Forró de Zé Tatu, Jorge de Castro e Zé Ramos (1955)
Forró no escuro, Luiz Gonzaga (1957)
Fuga da África, Luiz Gonzaga (1944)
Hora do adeus, Luiz Queiroga e Onildo Almeida (1967)
Imbalança, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1952)
Jardim da saudade, Alcides Gonçalves e Lupicínio Rodrigues (1952)
Juca, Lupicínio Rodrigues (1952)
Lascando o cano, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1954)
Légua tirana, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1949)
Lembrança de primavera, Gonzaguinha (1964)
Liforme instravagante, Raimundo Granjeiro (1963)
Lorota boa, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1949)
Moda da mula preta, Raul Torres (1948)
Moreninha tentação, Sylvio Moacyr de Araújo e Luiz Gonzaga (1953)
No Ceará não tem disso, não, Guio de Morais (1950)
No meu pé de serra, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1947)
Noites brasileiras, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1954)
Numa sala de reboco, José Marcolino e Luiz Gonzaga (1964)
O maior tocador, Luiz Guimarães (1965)
O xote das meninas, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1953)
Ô véio macho, Rosil Cavalcanti (1962)
Obrigado, João Paulo, Luiz Gonzaga e Padre Gothardo (1981)
O fole roncou, Luiz Gonzaga e Nelson Valença (1973)
Óia eu aqui de novo, Antônio Barros (1967)
Olha pro céu, Luiz Gonzaga e Peterpan (1951)
Ou casa, ou morre, Elias Soares (1967)
Ovo azul, Miguel Lima e Paraguaçu (1946)
Padroeira do Brasil, Luiz Gonzaga e Raimundo Granjeiro (1955)
Pão-duro, Assis Valente e Luiz Gonzaga (1946)
Pássaro carão, José Marcolino e Luiz Gonzaga (1962)
Pau-de-arara, Guio de Morais e Luiz Gonzaga (1952)
Paulo Afonso, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1955)
Pé de serra, Luiz Gonzaga (1942)
Penerô xerém, Luiz Gonzaga e Miguel Lima (1945)
Perpétua, Luiz Gonzaga e Miguel Lima (1946)
Piauí, Sylvio Moacyr de Araújo (1952)
Piriri, Albuquerque e João Silva (1965)
Quase maluco, Luiz Gonzaga e Victor Simon (1950)
Quer ir mais eu?, Luiz Gonzaga e Miguel Lima (1947)
Quero chá, José Marcolino e Luiz Gonzaga (1965)
Padre sertanejo, Helena Gonzaga e Pantaleão (1964)
Respeita Januário, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1950)
Retrato de Um Forró,Luiz Ramalho e Luiz Gonzaga (1974)
Riacho do Navio, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1955)
Sabiá, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1951)
Sanfona do povo, Luiz Gonzaga e Luiz Guimarães (1964)
Sanfoneiro Zé Tatu, Onildo Almeida (1962)
São-joão na roça, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1952)
Siri jogando bola, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1956)
Tropeiros da Borborema, Raimundo Asfora / Rosil Cavalcante
Vem, morena, Luiz Gonzaga e Zé Dantas (1950)
Vira-e-mexe, Luiz Gonzaga (1941)
Xanduzinha, Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga (1950)
Xote dos cabeludos, José Clementino e Luiz Gonzaga (1967)

Discografia
1956 - Aboios e Vaquejadas
1957 - O Reino do Baião
1958 - Xamego
1961 - Luiz "LUA" Gonzaga
1962 - Ô Véio Macho
1962 - São João na Roça
1963 - Pisa no Pilão (Festa do Milho)
1964 - A Triste Partida
1964 - Sanfona do Povo
1965 - Quadrilhas e Marchinhas Juninas
1967 - O Sanfoneiro do Povo de Deus
1967 - Óia Eu Aqui de Novo
1968 - Canaã
1968 - São João do Araripe
1970 - Sertão 70
1971 - O Canto Jovem de Luiz Gonzaga
1971 - São João Quente
1972 - Aquilo Bom!
1972 - Volta pra Curtir (Ao Vivo)
1973 - A Nova Jerusalém
1973 - Sangue de Nordestino
1973 - Luiz Gonzaga
1974 - Daquele Jeito...
1974 - O Fole Roncou
1976 - Capim Novo
1977 - Chá Cutuba
1978 - Dengo Maior
1979 - Eu e Meu Pai
1979 - Quadrilhas e Marchinhas Juninas, vol. 2 - Vire Que Tem Forró
1980 - O Homem da Terra
1981 - A Festa
1981 - A Vida do Viajante - Gonzagão e Gonzaguinha
1982 - Eterno Cantador
1983 - 70 Anos de Sanfona e Simpatia
1984 - Danado de Bom
1984 - Luiz Gonzaga & Fagner
1985 - Sanfoneiro Macho
1986 - Forró de Cabo a Rabo
1987 - De Fiá Pavi
1988 - Aí Tem
1988 - Gonzagão & Fagner 2 - ABC do Sertão
1989 - Vou Te Matar de Cheiro
1989 - Aquarela Nordestina
1989 - Forrobodó Cigano
1989 - Luiz Gonzaga e sua Sanfona, vol. 2

Fonte:

domingo, 7 de novembro de 2010

Gordurinha: Tirando o Brasil Musical da Gaveta

"Ganhar um troféu é passar por todo um caminho cheio de obstáculos! É cruzar toda a passarela do sucesso, depois de ter enfrentado cara-a-cara, mil dificuldades. Ganhar um troféu é ter passado pelo mutismo da platéia dos primeiros dias. É ter ouvido piadas de corredores... e ter conquistado finalmente o aplauso daqueles que silenciavam ontem, e hoje resolveram gritar freneticamente". (Gordurinha - referindo-se ao Troféu Luiz Gonzaga recebido pelo Trio Nordestino)

Waldeck Artur de Macedo - Gordurinha - entrou para a Imortalidade

Se tivesse que descrever Gordurinha com mais uma qualidade dentre tantas que já lhe são atribuídas, eu diria: resiliente. Gordurinha passou por várias percas, desesperava, chorava, foi ao chão diversas vezes, mas agarrou-se a sua vontade de vencer e renasceu sempre que a vida assim dele exigiu, dando continuidade aos ideais que davam sentido a sua vida.

Aos 4 anos Gordurinha sofreu a perda de seu pai e contou com o apoio de seu avô para receber uma educação de qualidade. Na adolescência escrevia poemas, aprendeu os primeiros acordes de violão. Confiante posicionou-se no caminho que apontava a direção da realização de seu sonho: ser um artista. Na juventude empolgou-se com as primeiras apresentações como cantor do conjunto Caídos do céu; e em sua atuação na rádio como comediante tendo como parceiro o compositor e humorista Dulphe Cruz; e depois como integrante de uma pequena troupe de artistas mambembes. Gordurinha misturou os melhores ingredientes e pronto. Fez conhecido o artista que era.


Descobri fatos incríveis pesquisando a vida e obra de Gordurinha. Ri e chorei lendo o livro "Gordurinha: Baiano Burro Nasce Morto", escrito por Roberto Torres. E reconheço, é palpável a ideia de que o que aproxima o artista de seu público é saber o que se guarda na gaveta, ou seja aquelas preciosidades ao alcance apenas dos familiares e dos amigos. Fatos corriqueiros, curiosidades, dúvidas e certezas... Então, parafraseando Rolando Boldrin que diz: "Vamos tirar o Brasil Musical da Gaveta". Vamos tirar as Memórias Musicais de Gordurinha da Gaveta! Aprendi que sempre que compartilhamos fatos memoráveis adicionamos a estes doses de carinho, emoções e um pouco mais de história.

Em visita aos Blogs de familiares e amigos de Gordurinha percebo o quanto é contagiante as lembranças da vida e obra deste artista. Cada um deles tem um arquivo pessoal a compartilhar. E posso dizer que a paixão de Gordurinha pela palavra falada, escrita e musicada antes uma semente, encontrou terreno fértil e propagou-se em flores e frutos. Uns fazem rádio, cantam, outros escrevem. E assim diante de tamanha efervecência artistica eu como tantos outros que não tiveram o prazer de assistir as apresentações de Gordurinha... sentem como se o tivessem conhecido pessoalmente. De modo que vou citar aqui duas situações distintas que confirmam tal afinidade.

Outro dia a Leide Warthon, filha do Gordurinha, reuniu-se com amigos, e remexeu suas memórias guardadas carinhosamente em uma gaveta e cantou com os amigos "SÚPLICA CEARENSE", de Gordurinha e Nelinho, tendo o cantor-compositor e músico Zé Di acompanhando-os ao violão. Não estive presente mas vi as fotos e o vídeo do que se pode chamar de um dia agradável; e imaginei todo o saudosismo que impregnou aquela reunião.


Sintonia semelhante se faz notar nas poesias escritas por Waldeck Luiz. Algumas de suas poesias e o Blog que fez em homenagem a seu avô permitem ao apreciador fazer uma releitura da emoção, história e cultura presentes na vida e obra de Gordurinha. Suas memórias musicais ao saírem da gaveta ampliam-se em significantes e significados, como na poesia:

GORDURINHA
Waldeck Luiz

QUEM SABE UM DIA OS MALES SERÃO CURADOS
E OS ERROS DO PASSADO SERÃO PASSADO
QUEM SABE UM DIA ESSA CORDILHEIRA DE ÓDIOS COMO FOI DITO
SEJA FINALMENTE DISSIPADA COM O CALOR DA PAZ

ESSA CATARATAS DE LÁGRIMAS SEQUE
COMO ERA SECO SEU SERTÃO
E DEUS FAÇA CHOVER COMO FEZ CHOVER
NA SUA SUPLICA CEARENSE
QUE DEUS NOS FAÇA MELHOR COM SUA
PRECE PARA SEM OS HOMENS DEUS

QUE SEJAMOS TÃO FELIZES
QUE POSSAMOS MISTURAR
CHICLETES COM BANANA
VIAJAR NA CANTAREIRA

QUE ESSA PRECE SEJA OUVIDA
QUE MEU FILHO APRENDA
COM UMA CARTA DE ABC NA MÃO
AH, JÁ VIU
ELE NÃO VAI ENTENDER BULUFAS
E VAI CASAR COM UMA ORORA ANALFABETA

DEIXO ENTÃO
MEU POEMA DOS SEUS NÃO CABELOS BRANCOS
E ACEITE
O MEU GOOD BYE".

Os mesmos resquícios memoriais encontramos nas poesias: "Sociedade Falida"; "Baião para Americano Ver". Tais palavras trazem uma assinatura que identifica o artista que a inspirou: Gordurinha. A cada geração suas palavras podem até ganhar novos frascos, mas a essência é sempre a mesma.

Gordurinha mais que uma referência aos iniciados e iniciantes na arte, foi exemplo de talento, perfeição, genialidade e criatividade. Capaz de "rasgar seu espaço" criou personagens humorísticas peculiares, meio matuto, cheios de sabedoria popular e perspicácia, como Seu Abóbora. Compôs samba, coco, baião, mambos. Mencionou a bossa-nova o tropicalismo... Disseminou protestos sutis, implícitos e explícitos. E isso em plena ditadura, dias em que anonimato, discrição, omissão significavam: ter casa, emprego; e principalmente manter-se vivo...


Síntese do artista completo. Gordurinha foi um dos mais dinâmicos artista de circo, teatro, rádio, televisão, cinema. Cantava, tocava, atuava, apresentava, divertia. Admirável compositor-cantor, suas letras trazem a "bagagem" de suas vivências, ao mesmo tempo em que divertiam também combatiam a intolerância e o preconceito. Autor de obras primas da nossa música, como: "Súplica Cearense" e "Chicletes com Banana".


Ator cativante, basta ver sua participação na comédia musical "Titio não é Sopa" (1959), de Eurídes Ramos lançada pela Atlantida Cinematográfica. Como produtor musical ajudou a produzir um dos melhores discos do Trio NordestinoAcima de tudo, Gordurinha deixa registros de um cidadão engajado as causas sociais. Prenunciou o manguebeat de Josué de Castro e Chico Science na emblemática "Vendedor de Caranguejo".


Gordurinha eternizou-se deixando um legado impar na memória sócio-cultural brasileira, com a profundidade necessária para criar raízes e também atrair prestígio de "um cartaz internacional", como dizia a letra de "Calouro Teimoso", composição de Gordurinha e Nelinho.


Viva Gordurinha!

                                                                     **by Elizabeth Nogueira

Cenas do filme: "Titio não é Sopa" 

Gênero: Comédia - SINOPSE
O advogado Luiz se despede da família que vai em férias para Poços de Caldas. Ele é muito amigo de Paulo, um músico e dono da boate "Casablanca", montada com o dinheiro que o tio Gregório lhe mandou para a construção de um abrigo de idosos. Paulo, que deveria ter a profissão de corretor de imóveis, fica apavorado quando Luiz lhe entrega uma carta de Gregório comunicando que virá ao Rio com Verinha. Ele faz um acordo com o amigo que, por 10 p.cento da herança do tio rico, passará por dono da boate. Gregório quer verificar as obras do abrigo. Julie, namorada de Paulo, o chama ao telefone para surpresa de Vera. Como desculpa, ele diz que é uma possível compradora de um apartamento. Numa obra, ele acerta com Azevedo para que ajude na farsa da obra do abrigo. Na boate, Julie trama com o amante para que Paulo assine alguns papéis que lhe permitam entrar de posse na boate. Para surpreza de Paulo, ele se encontra com Vera na boate; ela diz que não contará nada ao tio desde que possa se apresentar ali. Julie chega neste momento e chantageia o namorado, dizendo que vai contar tudo ao tio. Paulo leva Gregório em visita à obra, sendo ajudado na farsa pelo mestre de obras, Azevedo. Amaro, sogro de Luiz, volta ao Rio para resolver um negócio interrompido. Gregório o manda para a cozinha, onde Luiz se passava por mordomo. Paulo e Vera chegam à casa depois do ensaio, sendo que Paulo estava arrependido pelo que tinha feito com o dinheiro do tio. Gregório vai até a obra sem Paulo, e diz ao engenheiro que deseja ampliar uma parte da construção. O engenheiro o toma por louco e explica que a obra é uma fábrica de biscoito. Azevedo confirma o engodo. Gregório descobre então a verdade sobre Paulo ao ligar para a boate. O tio vai disfarçado como o americano Charles até a boate e pede ao garçom para conhecer os donos, já que está disposto a comprar o local. Vera e Paulo trocam beijos no camarim, enquanto ele se mostra mais uma vez arrependido. Gregório sai para receber informações de um detetive sobre Paulo e Julie e não volta para o almoço. Todos ficam preocupados. À noite chega Gregório disfarçado de Charles. Durante a conversação, Gregório revela sua personalidade verdadeira e perdoa o sobrinho. Luiz e Amaro o cumprimentam pela bondade e o primeiro retoma sua posição de dono da casa. O filme termina com a perseguição de Luiz e Amaro, fantasiados para o baile do Bola Preta, pela esposa e filha que retornaram de viagem.

CURIOSIDADES DAS FILMAGENS

Peça teatral
O filme é baseado na peça teatral "Titio não é sopa" (também conhecida como "Aí vem a Aurora", "Seu Gregório chegou", "Espírito de porco" e "Amigo da onça"), de Henrique Marques Fernandes.

Números musicais
"Quero beijar-te as mãos" guarania (Arcênio de Carvalho e Lourival Faissal) com Anísio Silva; "Mamãe eu quero" fantasia (Jararaca - Arranjo de Vicente Paiva e José Calazans, com orquestração de Pachequinho) com Eliana Macedo; "Baiano burro nasce morto" (Waldeck Artur de Macedo) com Gordurinha e Mário Tupinambás.








Identidades/elenco:
Ferreira, Procópio (Gregório)
Macedo, Eliana (Verinha)
Lupo, Ronaldo (Luiz)
Rossano, Herval (Paulo)
Montez, Nancy (Julie)
Stuart, Afonso (Amaro)
Policena, José (Engenheiro)
Moema, Grace (Emengarda)
Guimarães, Zélia (Isaltina)
Morais, Sonia (Aurora)
Carvalho, Rafael de (Azevedo)
Grijó Sobrinho (Vizinho)
Carvalho, Paulo de (Gaspar)
Mello, Angelito (Paranhos)
Gomes, Delfim (Pedreiro)
Ivantes, Azelita (Beatriz)
Mazzei, Luis (Garçon)
Chiquinho (Garçon)


             Abaixo registro a origem do texto "Gordurinha: Tirando o Brasil Musical da Gaveta"...Waldeck Luiz: Obrigada pelo Carinho e pelo Convite.

Por vezes fico observando o quanto a internet aproxima as pesssoas... São tantas histórias.

Há dois anos e alguns dias me inscrevi no site de Letras.com com aquela certeza de que minha participação ali seria contribuir para que biografias, fotos, curiosidades, letras de músicas de cantores, grupos e afins fossem ali encontradas com mais facilidade.

O fato é que não fico satisfeita diante de "coisas por fazer". Sou inquieta, mesmo. E pesquisando no Google sobre MÚSICA a toda momento minhas buscas me levavam ao citado site, mas ao abrir a página indicada: SURPRESA. Decepção. As informações estavam incompletas. Então, percebi que o site era alimentado por pessoas ali inscritas, então me inscrevi.

Comecei assim, inserindo uma informação aqui outra ali. Me aborrecia quando errava... o site não te dá a opção de corrigir o que foi enviado. Quer ver ainda um exercício de paciência é esperar que suas postagens sejam aprovadas. Uma eternidade... Contudo, através do site fiz várias amizades. E entre estes conheci o Gordurinha-neto, o Waldeck Luiz... uma pessoa apaixonada por palavras, como seu avô...

Esta semana vi que o Waldeck fez referência aos meus textos no Blog que fez em homenagem a Gordurinha, me surpreendi e fiquei muito feliz. Surpresa maior foi receber o seu convite pra escrever um texto sobre seu avô a ser postado em seu Blog. Aceitei. Vou escrever sim. Gordurinha é de uma biografia admirável. Espero que consiga responder positivamente a suas expectativas.

Escrever é uma arte, diga-se de passagem. Ser lida e conquistar aprovação além de gratificante é inspirador. Reconhecimento pra mim significa uma autêntica demonstração de amizade e carinho... atitudes que mostram o quanto algumas pessoas são especiais em sua forma de ser, estar e permanecer e de como são bem-vindas as suas ações. Muito obrigada pelo convite.


A poesia "Gordurinha", de Waldeck Luiz, menciona várias músicas de sucesso de seu avô, como: "Súplica Cearense"; "Prece para os Homens Sem Deus";  "Chicletes com Banana";  "Mambo da Cantareira"; "Carta de ABC"; "Órora Analfabeta"; e ainda outras entremeadas de um desabafo e de uma palavra que traz referências a vida pessoal do poeta. Bom vou ter o cuidado de não destacá-la antes de confirmar minhas suspeitas...


Deixo aqui uma SUGESTÃO. Pesquise as músicas do Gordurinha citadas na poesia de Waldeck Luiz; e depois releia a poesia. Vai por mim, conhecer a fonte que inspirou a estrutura poética é gratificante, pois amplia o seu sentido.



FONTE