Mostrando postagens com marcador Trio Irakitan. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Trio Irakitan. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Trio Irakitan


Em 2000, a jornalista Íris Gamenha lançou "A incrível história do Trio Irakitan", que conta toda a trajetória do trio, comemorando os 50 anos de sucesso do grupo. Lançaram, junto com o livro, o CD "Explode coração", pela Gravadora Gema, de São Paulo.

A música VIVENDO POR VIVER - Márcio Greyck/Cobel(1978) foi gravada por Roberto Carlos, Zezé di Camargo e Luciano, Márcio Greyck, Sérgio Reis, Trio Irakitan... sendo também lançada na Itália pela Universal "Vivendo Per Vivere", no CD Músicas Brasilianas...



Sem motivo vou vivendo por aí por viver

Meus valores tão confusos reprimidos por você
Troco passos sem sentido pelas ruas sem saber aonde ir
E viver já nada mais significa
Até já me esqueci.
Volto para casa onde eu procuro me esconder
De pessoas que acreditam meus problemas resolver
Mas eu insisto em cultivar sua presença
Mesmo sem você saber
E ainda espero a cada dia sua volta
É só você querer.


As lembranças me chegam sempre em noites tão vazias

E mexem tanto com minha cabeça
Que quando o sono vem o dia já nasceu
A distância me tira pouco a pouco a esperança
De ter você comigo novamente
E reviver aquele nosso grande amor.


Tantos planos, sonhos, feitos em pedaços por você

Que tolice tanto amor desperdiçado por nós dois
E na solidão me agarro a qualquer coisa
Que ainda resta desse amor
Pra sentir sua presença novamente
Seja como for.

Conjunto vocal e instrumental, criado na cidade de Natal/RN em 1950 por Edison Reis de França, Edinho, natural de Natal, RN, onde nasceu em 14/3/1930 e falecido no Rio de Janeiro em 1965; Paulo Gilvan Duarte Bezerril, de nome artístico Paulo Gilvan, nascido no Recife, PE, em 20/10/1930, e por João da Costa Neto, o Joãozinho, nascido em Natal, RN, em 6/2/1930. Anteriormente, Joãozinho havia participado do Quinteto Boêmios Estudantis.


O trio formou-se com Edinho, no violão, Paulo Gilvan, no afoxé, e Joãozinho no tantã. Iniciaram carreira em Natal (RN), em 1950.
 
Irakitan significa verde mel ou doce esperança em tupi guarani. Um nome bastante suave para combinar perfeitamente com o som do trio que invadiu as paradas de sucessos nos anos 50 e 60.

Sem se preocupar em ser tão rebuscado quanto o Trio Los Panchos, o Irakitan se inspirou na tradição dos mariachis (conjuntos de música popular mexicana) para criar seu estilo que acima de tudo era perfeito para cantar boleros. Mas os três músicos foram além – gravaram discos de cha cha cha, samba, carimbó e outros gêneros.

Um pouco do estilo desse grupo pode ser conferido na coletânea dupla da Série Bis (EMI). Nela, há várias versões de boleros famosos, a começar por Aqueles Olhos Verdes (Aquellos Ojos Verdes) – que puxou o recente CD Crooner, de Milton Nascimento – além de Perfídia, O Relógio (El Reloj), Vereda Tropical, Tão Somente uma Vez (Solamente una Vez), A Barca (La Barca), Frenesi e outras delícias para dançar no coxa-a-coxa ou namorar à luz do luar.

Entre os boleros menos manjados, não há como resistir às versões do grupo para Prisionero del Mar (Prisioneiro do Mar), Pecadora, Desesperadamente ou o suprassumo da trajédia bolerística, Hipócrita.


O diferencial do Trio Irakitan para os outros intérpretes de boleros da época é que ele os suaviza a tal ponto que as canções ficam com metade das calorias originais. Ou seja, o menos cafona possível, graças aos arranjos vocais e instrumentais sutis que contrastam com a dramaticidade das letras.

Apesar de não cobrir todos os ritmos abraçados pelo trio ao longo de sua carreira, a compilação não se restringe aos boleros. Há vários sambas, assinados por bambas do primeiro time, como Noel Rosa (O Orvalho Vem Caindo), Dorival Caymmi (Rosa Morena), Ary Barroso (Pra Machucar Meu Coração) e Bide & Marçal (Agora É Cinza).

Também foram incluídas algumas releituras do grupo para sucessos de Altemar Dutra (Brigas), Anísio Silva (Sonhando Contigo) e até do sumido Fábio. Sua Stelaaaaaaaa ficou perfeitamente digerível em versão bolero, com direito a trumpetinho à la Burt Bacharach!(Rodrigo Faour)




Conjunto vocal (Gilvan, João, Toni, Edinho, Odilon, Irakitan Brito) que se notabilizou nos anos 50 cantando principalmente boleros. Formado por jovens cantores em Natal (RN), o Trio fez sucesso em outros países antes de ser conhecido no Brasil.

Foram para a Venezuela, Colômbia, Caribe e México, onde desenvolveram a técnica mexicana de vocalizar, que se tornou uma característica do Trio.


Voltaram ao Brasil em 1954 e foram contratados pela Rádio Nacional. O repertório era basicamente sambas-canções, boleros e alguma música mexicana, no gênero dos "mariachis".

Em 1965, gravaram um disco com Nat King Cole, o LP "Aos meus amigos", no qual o cantor norte americano fez questão de interpretar com eles a canção "Andorinha preta", com o trio cantando sua parte em português e Nat King Cole cantando a sua em inglês.

A morte de Edinho, em 1965, gerou algumas modificações na direção artística do Trio.

Nos anos 70 diversificaram um pouco a área de atuação, gravando um disco de carimbó, ritmo do norte do Brasil, e outros de samba e outros estilos em voga. Participaram de filmes, gravaram mais de 50 discos, e ainda se apresentam em shows e eventos, cantando principalmente música romântica.

TRIO IRAKITAN - O VAGABUNDO



O Trio Irakitan é um conjunto vocal e instrumental, criado em 1950 por Edison Reis de França, Edinho, Paulo Gilvan Duarte Bezerril (conhecido no meio artístico como Paulo Gilvan), e por João da Costa Neto, o Joãozinho.


O primeiro nome dado ao trio foi Trio Muirakitan, escolhido pelo folclorista Luís da Câmara Cascudo, em 1951, e significa pedra verde em tupi-guarani. Como na época já havia um trio com o mesmo nome, Câmara Cascudo resolveu criar um neologismo, rebatizando o grupo de Trio Irakitan, que em TUPI significa mel verde, ou numa linguagem poética, doce esperança.

No começo, o grupo chamava-se Muirakitan. Descobriram que já haviam adotado este nome e Luís da Câmara Cascudo decidiu alcunhar o Trio de Irakitan, alegando que não haveriam mais coincidências.

A formação do grupo aconteceu em 1950. Os integrantes tinham de 19 para 20 anos. A primeira apresentação profissional do Trio Irakitan foi no aniversário do Clube América.


A orquestra e o maestro Nelson Ferreira estavam no mesmo evento. Nelson fez o convite para eles se apresentarem na rádio Jornal do Commercio. A partir deste convite, o trio, que não tinha muitas pretensões, passou a receber vários convites.

Em 1951, eles saíram de Natal pelo norte realizando shows pela América Central. "Eles comeram o pão que o diabo amassou, passaram fome", acrescenta Iris. Na volta do exterior, eles foram para o Rio de Janeiro, assinando contrato de dez anos com a Rádio Nacional, que tinha à disposição o maior e melhor "cast" de cantores na época.

Na Atlântida, famosa por seus musicais, o Trio Irakitan esteve em três filmes, onde são os artistas principais: "Virou Bagunça", "Rio Fantasia" e "Três Colegas de Batina".

A sonoridade deles empolgava Dolores Duran a se apresentar com eles. Por pouco o Trio Irakitan não fez a trilha sonora do filme "Inferno Verde", estrelado por Grace Kelly. Eles encontraram com o pessoal da Metro quando estes estavam procurando lugar para as locações do filme na Colômbia. Os potiguares cantaram "Maringá" e foram chamados para fazer a trilha sonora do filme. Só que a turnê do Trio Irakitan demorou muito e eles perderam o lugar para o Bando da Lua, que acompanhava Carmem Miranda.

Por três anos seguidos, em 1951, 1952 e 1953, excursionaram pela América Latina e pelo Caribe, apresentando-se nas Guianas Holandesa e Inglesa, na Ilha de Trinidad, em Caracas, na Venezuela, e em Bogotá, Medellín, Branquilla e Cartagena, na Colômbia. Ficaram no México durante um ano, atuando em night clubs e na televisão mexicana.

No México, chegaram a trabalhar no filme "Llévame en tus brazos", em 1953, além de gravar várias músicas brasileiras em espanhol.

Em 1954, voltaram ao Brasil e fixaram residência no Rio de Janeiro, sendo logo contratados para integrar o elenco da Rádio Nacional. Na ocasião, segundo Paulo Gilvan, tiveram que fazer um teste para os diretores da rádio, Paulo Tapajós, Ismael Neto e Paulo Neto. Depois do teste, Paulo Tapajós e Ismael Neto dirigiram-se cabisbaixos ao encontro dos apreensivos rapazes e disseram em tom de brincadeira: "Infelizmente, nós não temos nota maior que 10 para vocês!".


Ainda no mesmo ano, foram contratados pela Odeon e gravaram o primeiro disco, com o bolero "Contigo na distância", de C. P. Luz, com versão de Paulo Gilvan, e o baião "Sina de cangaceiro", de João da Costa Neto e Paulo Gutemberg, sobrinho de Joãozinho. Esse baião conta a história da péssima recepção sofrida por Lampião, ao chegar à cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Em seguida, gravaram o bolero "Sinceridade", de G. Perez e Ghiaroni, e a toada "Sodade doida", de Hianto de Almeida e Francisco Anísio. Lançaram no mesmo ano o primeiro LP, "Vozes e ritmos do Trio Irakitan", pela Odeon, que tinha em uma das faixas a "Valsa de uma cidade", e com o qual ganharam um disco de ouro, e, tiveram o lançamento no Brasil de seu primeiro filme, "Levame en tus brazos", interpretando as músicas "Banzo" e "O vento".

Em 1955, gravaram com acompanhamento da orquestra Odeon o samba "Segredo", de Herivelto Martins e Marino Pinto e, o bolero "Te sigo esperando", de Manolo Palos. No mesmo ano, regravaram os sambas "Ave Maria no morro", de Herivelto Martins e, "Os quindis de Iaiá", de Ary Barroso, que se transformou no grande "cavalo de batalha" do grupo, segundo Paulo Gilvan. Para as festas natalinas lançaram a canção "Feliz Natal...Boas Festas", de Irani de Oliveira e Lourival Faissal, e a valsa "O Natal chegou", de Costa Neto e Edson França.

Ainda no mesmo ano, lançaram o LP "Três Vozes Que Encantam", no qual interpretaram músicas como "Ave Maria no morro", "Sina de cangaceiro", "Te sigo esperando" e "Segredo".

Atuaram também no filme "Chico viola não morreu", que teve as participações de Cyl Farney, John Herbert e Eva Wilma, no qual interpretaram a música "O mar".

Em 1956, gravaram o samba "Assim é o meu Rio", de Irani de Oliveira e Jair Araújo, e o samba-canção "Siga", de Fernando Lobo e Hélio Guimarães, com o qual fizeram bastante sucesso. Nesse ano, lançaram o LP "Lendas e Pregões do Brasil", do qual constaram músicas como "Negrinho do Pastoreio", "Pregões Cariocas", "A velha das ervas bentas" e "A lenda do Abaeté".


Também no mesmo ano, participaram com o papel principal do filme "Rio fantasia", dirigido por Watson Macedo, cantando "Assim é meu Rio", e, com a participação de Eliane as músicas "Hino ao músico", "B com A", "Oh Lia", "Andorinha preta" e "Os quindins de iaia".

Em 1957, gravaram a marcha "Hino ao músico", de Chocolate e Nanci Vanderley, "Casa mi fia", tema folclórico com arranjos do próprio trio, o samba "", de Edson França e Costa Neto, e o bolero "Vida, vida", de Anísio Silva.

Ainda nesse ano, atuaram no filme "Absolutamente certo" cantando as músicas "Agora é cinza", de Bide e Marçal, com a participação de Lyris Castellani, e "Zezé", filme que contou ainda com as participações de Anselmo Duarte e Dercy Gonçalves.



Em 1958, gravaram o samba "De perna bamba", de Guio de Morais; o bolero "Apaixonada", de Lourival Faissal; o bolero-mambo "Cachito", de C. Velasquez, de grande sucesso na época, e o samba "Eu vim morar no Rio", de Hianto de Almeida e Francisco Anísio.

Também no mesmo ano, atuaram no filme "Alegria de viver", com participação de Eliana, no qual cantaram o baião "O baião do negrinho". Ainda nesse ano, participaram da excursão ao exterior, idealizada por Humberto Teixeira, autor da lei que lhe trazia o nome, quando percorreram a Europa divulgando a música brasileira, ao lado de Abel Ferreira, Sivuca, Pernambuco, Dimas e o maestro Guio de Morais.

Nessa ocasião, gravaram o famoso e raro LP "Os brasileiros na Europa", em que aparecem na foto do encarte, todos vestidos com ternos amarelos, tendo ao fundo um típico ônibus londrino.

Nesse disco, interpretaram as músicas "Carrapicho", "Vai com jeito", "Zezé" e "Fantasia carioca", além de "Maracangalha", "A fonte secou", "Vai na paz de Deus"; "O baião em Paris" e "Mulata, mulata", faixas que contaram com as participações do maestro Guio de Moraes.

Em 1959, gravaram os boleros "La barca", de R. Cantoral e Neli Pinto, e "Sete notas de amor", de C. Alvarado e Neli Pinto, além dos sambas "Ai Diana", de Costa Neto e Edinho, e "Idéias erradas", de Dolores Duran e Ribamar.


Nesse ano, o trio tomou parte em quatro filmes, "Quem roubou meu samba", cantando a música "Eu vim morar no Rio"; do filme "Minervina vem ai", cantando a música "Adeus América", do filme "Espírito de porco", com as músicas "Brasil moreno" e "Ba", e do filme "Garota enxuta", interpretando as músicas "Touradas em Madri" e "Branquinha".

Dentre os LPs que lançaram pela Odeon, quatro se tornaram sucessos de vendagem: "O samba que gostamos de cantar", "Outros sambas que gostamos de cantar", "Mais sambas que gostamos de cantar" e "Nós gostamos de cantar samba".

Nesses quatro LPs, o trio interpretou um repertório de sambas clássicos, compostos por grandes mestres do gênero: Ary Barroso, Noel Rosa, Dorival Caymmi, Herivelto Martins, Wilson Batista, Heitor dos Prazeres, Assis Valente, Ismael Silva, Nássara, Roberto Martins e Zé da Zilda, entre outros.


O trio ficou conhecido por sua interpretação de boleros, sambas-canções e baiões, influenciados pelos "mariachis", conjuntos de música popular mexicana e gravou discos no México, Venezuela e Argentina.

Em 1960, participaram do curta-metragem "A velha a fiá", de Humberto Mauro. Também nesse ano, o trio participou de quatro filmes: "A viúva Valentina", cantando a música "Ai, Diana"; "Entrei de gaiato", com a música "Caixinha de bom parecer"; "Pistoleiro bossa nova", com a música "A Lapa de outrora", e também, do filme "Tudo legal". Nesse ano, gravaram o LP "Sempre alerta", disco dedicado ao repertório e em homenagem aos escoteiros do Brasil.


Em 1961, atuaram no filme "Três colegas de batina", com a música composta especialmente por Ary Barroso, "Assim na terra como no céu", e também no filme "Virou bagunça", com Nádia Maria e John Herbert, no qual atuaram como o nome fictício de "Trio Gerimum".

Sobre este último filme, Paulo Gilvan conta: "Quando estivemos em Londres, fomos muito bem recebidos e chegamos a gravar na capital inglesa três discos. Nessa época ainda não existia The Beatles. De volta ao Brasil, fizemos o filme que conta a história do trio e suas travessuras. Curiosamente, alguns anos depois de lançado, ficamos surpresos ao assistir "Help", com o grupo britânico, que tinha o mesmo argumento do nosso filme! Coincidência ou não, o nosso veio antes!".

Em 1962, lançaram disco com o bolero "Perfídia", de Dominguez e versão de Lamartine Babo e a balada "Neurastênico", de Betinho e Nazareno de Brito. Gravaram também os boleros "Pitota", de Evaldo Gouveia, Paulo Gilvan e Edson França e "E a vida continua", de Evaldo Gouveia e Jair Amorim.

Em 1965, gravaram um disco com Nat King Cole, o LP "Aos meus amigos", no qual o cantor norte americano fez questão de interpretar com eles a canção "Andorinha preta". Como, mesmo depois de ensaiar exaustivamente, o cantor não conseguia cantar em português com a pronúncia correta, Aluísio de Oliveira fez uma versão em inglês e decidiram gravar a música com o trio cantando sua parte em português e Nat King Cole cantando a sua em inglês.

Brazilian Love Song (Andorinha Preta) - Nat King Cole


Ainda nesse ano, trio sofreu um forte abalo com o suicídio em Copacabana/Rio de Janeiro, do vocalista Edinho o que fez com os componentes remanescentes suspendessem as atividades por dois anos. O grupo voltou a atuar dois anos depois, quando Edinho foi substituído pelo violonista Antônio Santos Cunha, o Toni, nascido no Ceará em 1936.

No ano do retorno, lançaram o LP "Avolta" no qual interpretaram boleros como "Ébrio de amor" e "Malagueña".

Em 1968, gravaram um compacto duplo com as músicas "Quando sai de Cuba"; "Embolada da mentira", "Vida bacana" e "Pega a voga cabeludo", esta última, composição do tropicalista Gilberto Gil.

Em 1974, lançaram com o grupo vocal As Gatas um compacto duplo intitulado "Carnaval Potiguar", cantanbdo as músicas "João sem terra", "Farol de mãe Luiza"; "Eterna morada do sol" e "Ladeira do sol".

Na década de 1980, retornaram com nova formação que contava com Paulo Gilvan, Joãozinho e Edil, que substituiu Toni.

Em 1992, o trio passou por uma nova modificação, com o afastamento de Joãosinho, ocorrido por motivo de uma operação que o levou a um coma profundo, sendo substituído pelo irmão de Edil, Edilson Andrade. A nova formação é a que mais se assemelha àquela do antigo trio. Voltaram a se reunir em show no Sesc Pompéia, em São Paulo, que excursionou por Salvador (BA) e Santa Catarina.

Em 1993, o trio fez uma participação especial no disco da cantora Joana "Alma, coração e vida", na interpretação da faixa título.

Em 1994, participaram do disco "Amores e boleros", da cantora Tânia Alves interpretando com ela as faixas "Quem eu quero não me quer", de Raul Sampaio e Benil Santos; "Alguém me disse", de Anísio Silva; "Sonhar contigo", de Adilson Ramos e "Caminhemos", de Herivelto Martins.

Em 1996, a Sony Music lançou o CD "20 super sucessos - Trio Irakitan", com, entre outras, as músicas "Eu vou ter sempre você", "Ah como eu amei", "Não dá mais prá segurar (explode coração)", de Gonzaguinha, "Aparências"; "Às vezes tu às vezes eu", "Bastidores", de Chico Buarque, "Café da Manhã", de Roberto Carlos, "Outra Vez", de Isolda e Milton Carlos e "As rosas não falam", de Cartola.

Nesse ano, participaram pela segunda vez de um disco de Tânia Alves interpretando com ela os boleros "Sonhar contigo", de Adilson Ramos e "Fica comigo esta noite", de Adelino Moreira e Nelson Gonçalves.

Em 1997, participaram do CD "Amores e boleros - volume 3", de Tânia Alves nas faixas "Pensando em ti", de Raul Sampaio e Benil Santos e "Que será", de Marino Pinto e Mário Rossi.

Dois anos depois, voltaram a cantar com Tânia Alves interpretando os boleros "Coração de bolero" e "Onde estás agora", em CD lançado pela Abril Music.



As melhores do Trio Irakitan aqui

Do filme de Eurides Ramos de 1959, "Minervina Vem Aí". O Trio Irakitan comparece nesta performance incrível.




FONTE

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Homenagens a Gordurinha

  • USP FM - 93,7 (SP): Especial sobre o cantor Gordurinha

Conforme me informou o Waldeck Luiz Macedo de Souza, neto do Gordurinha, o Laert Sarrumor, do grupo Língua de Trapo e apresentador e produtor do programa "Rádio Matraca", na Rádio USP FM, em São Paulo, e o Ayrton Mugnaini Jr fizeram um programa especial de uma hora sobre o Gordurinha, que irá ao ar neste sábado, 28 de agosto/2010, das 17h às 18h pela USP FM - 93,7, em São Paulo. Mas pode ser ouvido pelo site

O programa pode ser ouvido nesse link:

Gordurinha também foi tema da "Dica do Sarrumor", comentário que o Sarrumor faz às sextas-feiras, dentro do programa "Via Sampa", que vai ao ar das 11h às 12h, pela Rádio USP, e também pode ser ouvido pelo site

Ouvi o programa. Gostei do mini-documentário sobre GORDURINHA porque ele transmite aquele TOQUE de humor bem apropriado a vida e obra deste grande brasileiro. Vale ressaltar que entre os maiores sucessos do humorista, compositor e cantor Gordurinha, estão: "Chicletes com Banana", "Súplica Cearense", "Baiano Burro Nasce Morto", "Baiano Não É Palhaço", "Orora Analfabeta", "Mambo da Cantareira", "Súplica Cearense" e "Vendedor de Caranguejo".

Algumas de suas músicas foram regravadas (depois de sua morte) com grande êxito, como: "Chiclete com Banana", presente em "Expresso 2222", disco de Gilberto Gil, e "Vendedor de Caranguejo", também gravada por Gil no disco "Quanta".

PARABÉNS AOS IDEALIZADORES DESTA HOMENAGEM!
As súplicas e o bebop no samba de um satirista - por JOSÉ TELES

Gordurinha recebeu uma homenagem do governo do Estado da Bahia (através de sua Secretaria de Cultura), que reuniu parte de sua obra no CD A Confraria do Gordurinha. Além do próprio homenageado, em uma faixa, participam do disco os conterrâneos do grupo vocal Confraria da Bazófia, Marta Millani e Gilberto Gil (que atraiu atenção a Gordurinha ao incluir Vendedor de Caranguejo, no CD Quanta).

O disco traz 14 faixas, uma bem cuidada escolha de repertório, que mesclou músicas manjadas com outras quase obscuras. Estão no CD desde Baiano Burro Nasce Morto ("O pau que nasce torto, não tem jeito morre torto/ Baiano burro, garanto que nasce morto"), a Poema dos Cabelos Brancos ("Mamãe os seus olhos são claros, talvez de chorar tanto, tanto/ Quero beijar os seus cabelos, mamãe/ Quero enxugar o seu pranto").
  • HUMOR NA VEIA
Gordurinha foi um inovador, tanto nas melodias - seus forrós e cocos experimentavam harmonias pouco comuns ao gênero. As letras que escrevia tanto podiam ser simplesmente jocosas, quanto pungentes alertas para os desníveis sociais do país. Sua passagem pelo Recife, em 1951, inspirou-lhe a clássica Vendedor de Caranguejo ("Caranguejo çá / Caranguejo çá / Apanho ele na lama e boto no meu caçuá /Tem caranguejo, tem gordo guaimum/ Cada corda de dez eu dou mais um").

A sazonal bagunça pluviométrica que assola o Nordeste, onde ou não chove ou chove em demasia, recebeu dele duas canções antológicas. Umas são pouco conhecidas como: "Pedido a Padre Cícero", "Se Chovesse no Nordeste"; outra é bem conhecida como: Súplica Cearense ("Oh, Deus perdoe esse pobre coitado/ Que de joelhos rezou um bocado/ Pedindo pra chuva cair sem parar").

Sua veia engraçada soltava-se em músicas como: "Orora Analfabeta" ("Eu arranjei uma dona lá em Cascadura/ Que boa criatura, mas não sabe ler/ Nem escrever... Ela fala aribu, arioprano e motocicreta/ Diz que adora feijoada compreta/ Ela é errada demais!/ Vi uma letra O bordada na blusa dela/Eu disse é agora/Perguntei seu nome/ela disse: - Orora"; e  "Meu Amigo Oliveira" (Meu amigo Oliveira/ é uma fábrica de asneira/ quando abre a boca/ ou entra mosca, ou sai besteira/ Ele disse que comprou uma vitrola/ De alta "finalidade"/ com som "esferográfico"). Mais que um compositor de músicas nordestinas, Gordurinha era um cronista de sua época, e não se enquadrava em regionalismos.

Entre os autores baianos, ele é o próprio antinarciso. Nada do elogio puro e simples das tão decantadas maravilhas soterpolitanas. "Um baiano é uma boa pedida/ Dois baianos é uma coisa divertida/Três baianos é uma conversa comprida/ Quatro baianos é um discurso na avenida", canta ele em Baianada.

Sua Bahia estende-se aos demais estados nordestinos. Ele faz a defesa dos migrantes contra a discriminação dos sulistas em "Baiano não é palhaço" ("Até parece que estou num outro país/ Vê que piada infeliz inventaram agora/ Ajude a manter a cidade limpa/ Matando um baiano por hora").

  • O Problema é Seu:
De vida sentimental atribulada, Gordurinha faz uma rara incursão pelo romantismo (amargo, frise-se) em O problema é seu ("Se a saudade apertar/O problema é seu/ Eu já fiz tudo pra evitar/ Um rompimento entre nós dois"). Curiosamente este samba tem semelhanças com Mancada, uma das primeiras composições de Gilberto Gil, intéprete de O problema é seu, neste disco.
  • CURIOSIDADE:
"Lembro-me de que certa vez estava na casa do Luiz Gonzaga, na Ilha do Governador – lá por 1969, – quando entrou Gordurinha, muito pálido, arfante, olhos levemente esbugalhados. Gonzaga suspirou fundo ao ver o amigo naquele estado e me disse: “Esse cabra aqui me faz inveja duas vezes. A primeira, ter escrito a “Súplica cearense”, que eu adoraria ter assinado.” E, baixando a voz, para evitar ser ouvido pela mulher Helena: “A segunda coisa que eu não tive coragem de fazer e que esse cabra fez foi sair pra tomar um café, dizer à mulher que voltaria em instantes e só ter regressado há pouquinho tempo, três anos depois.”

  • "Oróra Analfabeta", de Gordurinha no Filme: Minervina vem aí
A música "Oróra Analfabeta", de Gordurinha e Nascimento Gomes, interpretado por Jorge Veiga integrou os números musicais do filme "Minervina Vem Aí" (1959), de Eurides Ramos e Victor Lima, baseado na peça teatral "O poder das massas", de Armando Gonzaga.

ORORA ANALFABETA
(Gordurinha / Nascimento Gomes)

Eu arrumei uma dona boa lá em Cascadura
Que boa criatura, mas não sabe ler
E nem tão pouco escrever
Ela é bonitona, bem feita de corpo
É cheia da nota
Mas escreve gato com "j"
E escreve saudade com "c"
Ela disse outro dia que estava doente
Sofrendo do "estrombo"
Levei um tombo... Cai durinho pra trás
Isso assim já e demais!

Ela fala "aribu", "arioprano", "motocicreta".
Diz que adora feijoada "compreta".
Ela é errada demais!
Viu uma letra "O" bordada na blusa
Eu disse é agora
Perguntei seu nome ela disse "Orora"
E sou filha do "Arineu"
Mas o azar é todo meu...

MINERVINA VEM AÍ! - 1959 - Brasil / Rio de Janeiro - 93 minutos - Comédia - Preto e branco - Direção: Eurides Ramos. Companhia produtora: Cinelândia Filmes / Cinedistri. Companhia distribuidora: Unida Filmes / Cinedistri. Produção: Oswaldo Massaini - Produtor associado: Alípio Ramos e Eurides Ramos - Diretor geral de produção: Alípio Ramos - Assistente de produção: João Macedo - Roteiro e argumento: Eurides Ramos e Victor Lima, a partir da peça teatral "O poder das massas", de Armando Gonzaga - Fotografia e montagem: Hélio Barrozo Netto - Câmera: Antônio Gonçalves - Cenografia: Benedito Macedo - Assistente de cenografia: Wilson Monteiro - Sonografia: Antônio Smith Gomes -Coreografia: Helba Nogueira - Música: Alexandre Gnatalli - Anotadora: Arlete Lester - Estúdios: Atlântida Cinematográfica.
  • Números musicais:
*"Deusa do asfalto" (Adelino Moreira), com Nelson Gonçalves;
*"Adeus, América" (Haroldo Barbosa e Geraldo Jacques), com o Trio Irakitan;
*"Apito no samba" (Luiz Bandeira - Luiz Antônio), com o Trio Irakitan;
*"Chá-chá-baby" (Luiz Rico), com orquestra.
*"Oróra analfabeta" (Waldeck Arthur de Macedo (Gordurinha) e Nascimento Gomes), com Jorge Veiga.


Intérpretes: Dercy Gonçalves (Minervina), Magalhães Graça (Pereira), Zezé Macedo (dona Melita), Norma Blum (Nini), Humberto Catalano (Demócrito), Cataldo (doutor Barbosa), Luiz Carlos (Alberto), Rosa Sandrini (Francisca-cozinheira), Cézar Viola (juiz de paz), Wilson Grey (senhor Pimenta), Grijó Sobrinho (Horácio), Carlos Costa (Gentil Paz), Armando Ferreira (Gonçalves-padeiro), Pedro Farah (marinheiro americano), Evelyn Rio (Aurora), Josué Morais (escrivão), Nelson Gonçalves, Trio Irakitan, Jorge Veiga

Sinopse: A empregada de uma família nobre decadente cai nas graças de um homem simples mas rico. Por equívoco, pensa-se que a paixão desse homem rico é pela sobrinha da velha senhora nobre. Depois de muitas confusões, ele se casa com Minervina, a empregada, que se torna milionária enquanto seus ex-patrões entram em total decadência.

"Minervina vem Aí"


  • "Súplica Cearense" faz parte do filme e CD Os Trapalhões na Serra Pelada


A música "Súplica Cearense", de Gordurinha e Nelinho, faz parte do filme e CD Os Trapalhões na Serra Pelada, de 1982. Filme de gênero comédia infantil, dirigido pelo cineasta J. B. Tanko é estrelado pela trupe humoristica Os Trapalhões.

Sinopse

Os amigos Curió, Boroca, Mexelete e Bateia aventuram-se em busca de ouro no garimpo de Serra Pelada. A região é controlada pelo estrangeiro Von Bermann, cujas ordens são executadas pelo capanga Bira. Sedento por poder, o gringo contrabandeia o ouro e deseja apoderar-se das terras do brasileiro Ribamar, que se recusa a fazer negócio antes da chegada do filho Chicão.

Curiosidades

Os Trapalhões na Serra Pelada teve locação em Serra Pelada e no Sítio do Capim Melado, no Rio de Janeiro. O filme foi comercializado para Moçambique e Angola em 1983. Teve bilheteria de cinco milhões de espectadores na época de seu lançamento, sendo que até hoje permanece como o oitavo filme de maior bilheteria da história do cinema brasileiro.

FONTE


LP Os Trapalhões na Serra Pelada
Os Trapalhões - 1982 - Os Trapalhões na Serra Pelada
Som Livre - 403.6269

01. Cavaleiro Alado (Renato Aragão - Paulinho Tapajós)
02. Procurei Tereza (Renato Aragão)
03. Perdi Minha Nega num Forró (Renato Aragão)
04. Folha Seca (Renato Aragão - Sivuca) instrumental
05. Cavaleiro Alado (Renato Aragão - Paulinho Tapajós) instrumental
06. Forroteca - Prece ao Vento (Gilvan Chaves - Alcyr Pires Vermelho - Fernando Luiz) - Suplica Cearense (Gordurinha - Nelinho) - Ultimo Pau-de-Arara (Venâncio - Corumbá - José Guimarães)
07. Rapaz Alegre (Renato Aragão - Luiz de França Guilherme de Queiroz)
08. Trem das Onze (Adoniran Barbosa)
09. Mentiroso (Renato Aragão - Sergio Sá)
10. Embolando na Serra (Bráulio Fernando Tavares Neto - Oswaldo Lenine Macedo Pimentel)
  • GORDURINHA E A TROUPE JOVAL RIOS E SEUS ARTISTAS

"Foi sob a lona colorida, pulando de cidade em cidade, que ele (Gordurinha) adquiriu sua natureza mambembe, traço de uma personalidade nômade. Da experiência circense levou consigo a capacidade de entreter o respeitável público por horas e a trabalhar o humor como válvula da arte, cunhando bordões e expressões que deixariam marcas indeléveis no simbolismo popular." (Júnior, Jairo Costa - Gordurinha -Waldeck Artur de Macedo - Integra o Filé da Casta de Cronistas Nordestinos" - Correio da Bahia, 15/02/2004)

Joval Rios nasceu em Ilhéus (BA), no dia 22 de abril de 1919. Filho do comerciante de cereais Antonio Queiroz Pereira e Ermância Queiroz Pereira. Leda Rios – Durvalina Feitosa Pereira - nasceu em 11 de maio na Vila da Pedra (AL) . Filha de Luiz Feitosa de Alcântara e Maria Isabel de Alcântara. Ele desde criança teve vontade de conhecer o mundo, pessoas, lugares diferentes. Ela amava sua terra natal, mas como ele, queria conhecer o mundo.

Aos 14 anos, ele começou a trabalhar como operador do Cine Teatro Ilhéus, onde aprendeu a desenhar cartazes de filmes, habilidade que lhe valeria sua entrada no circo, pois, no ano de 1937, seguiu com o Circo Havaí como pintor de cartazes. Assim Joval começava a realizar seu grande sonho: correr mundo. E, correndo mundo, Joval se formou na escola do circo como trapezista e palhaço.

Em 1941, já com Circo J. Lima, chegou a Vila da Pedra (AL), e na sua primeira exibição no trapézio, avistou Durvalina, no esplendor dos seus 20 anos. Morena faceira, Durvalina tinha muitos encantos. Um deles, que conquistou Joval de vez, foi sua voz aveludada que aliada a uma sensibilidade musical rara fazia dela uma cantora em potencial. Quinze dias depois de se conhecerem, no dia 7 de agosto de 1941, eles se casaram. Com Joval, que na época já atuava como ator, Durvalina virou então a cantora Leda Rios:

"- Cantei com muita paixão um repertório bem variado, do romântico ao samba rasgado. Me vesti de baianas e cetins, e sentia no palco uma emoção grande, dessas que arrepiam a pele da gente".

Os dois trabalharam no Parque de Diversões Versailles, quando ela estava esperando seu primeiro filho: Tairone Feitosa. Depois, eles montaram a Troupe Versailles e continuaram suas andanças em plena 2ª Guerra Mundial, sobrevivendo com o que podiam adquirir no trabalho.

A vida não era fácil, mas eles estavam felizes. As viagens eram verdadeiras aventuras, pois iam desde os caminhões, barcos, troles e trens até o lombo de cavalos, a exemplo da época da Guerra, quando iam aos lugares mais estranhos para fazerem apresentações, como cemitérios, alojamentos de soldados que estavam combatendo na guerra, e tantos outros. Anos depois, Joval, assim resumiria a vida circense:

- O “raiar do Sol e o suspender da Lua” traduzem de forma primorosa a vida circense: O raiar do Sol – é a dura realidade da vida: armar e desarmar, torcer por público, esperar, esperar... O suspender da Lua é a magia do espetáculo, é a luz da ribalta, é o aplauso...

Em 1946, Joval e Leda Rios ingressaram no Circo Teatro Fekete, onde fizeram grandes amigos como Bob, Charles, Eros Arruda, Nini, Raquel e, principalmente Alberto Fekete que, de certa forma foi um mestre, lapidando-os na arte de interpretar. Segundo Joval Rios, poucos teatros no Brasil tinham a qualidade de montagem de peças teatrais como o Circo Fekete. Grandes épicos eram levados como Os Miseráveis e A Queda da Bastilha.

Deixando o Fekete, o casal montou novamente a sua Troupe – agora com o nome Joval Rios e seus Artistas. Mais maduros, montavam esquetes e pequenas inserções teatrais. Dessa Troupe surgiram nomes de destaque na música brasileira, como é o caso de Waldeck Artur Macedo – o Gordurinha – autor da música "Súplica Cearense", Bianor Batista e Nelson Roberto.

Gordurinha estava com 19 anos quando conheceu o palhaço, trapezista e ator Joval Angélico Pereira e entrou para a pequena troupe de artista mambembes de Joval, uma das personalidades mais importantes da trajetória de Gordurinha. Ele teve influência direta em sua formação artística. Entre eles surgiu uma grande amizade. Joval Rios foi como um irmão mais velho para Gordurinha, e também o grande incentivador da fase inicial de sua carreira.

Na troupe de Joval Rios, Gordurinha entrou como cantor e violonista. Mas em pouco tempo já fazia de tudo um pouco: cantava, tocava violão, apresentava espetáculos, representava. A troupe de Joval foi uma grande escola para Gordurinha. Seus professores eram artistas mambembes como Nelsom Roberto, Bianor Batista, o próprio Joval, e tantos outros artistas que iam passando.

Durante as excursões da troupe, além de cantar e tocar, Gordurinha passou a participar como ator, fazendo dupla com Zebedeu, personagem vivido por Joval Rios, de esquetes e passagens cômicas. Quando começou a fazer a dupla com Zebedeu, Gordurinha ainda era Waldeck Artur Macedo. Ainda não existia o apelido famoso com que viria marcar seu nome na história da nossa música popular. Mas como Waldeck era um nome que soava pomposo demais para fazer parte de uma dupla de humoristas, eles começaram a bolar um nome artistico, um apelido mais apropriado.

Um certo dia, ao vê-lo sem camisa durante um ataque de asma, Joval teve a ideia: Gordurinha! Disse o amigo, entre risadas, aproveitando o paradoxo entre o apelido e a figura física. Inicialmente, Waldeck não gostou da brincadeira, resistiu, mas depois concordou, incorporando definitivamente o apelido que iria acompanhá-lo pela vida inteira. A dupla Zebedeu & Gordurinha fez grande sucesso nas praças onde se apresentou.

FONTE


*Gordurinha - Coleção Gente da Bahia - Torres, Roberto. 2ª ed. 2009.

  • A Hora e A Vez de Grandes Nomes da MPB
A pesquisa crítica de Manuel Veiga apresentada em novembro/2006 a Universidade Federal da Paraíba (UFBA-João Pessoa) em cumprimento as exigências do Programa de Pós-Graduação em Música traz uma crítica inspiradora a respeito dos dicionários musicais brasileiros. Inspiradora porque ao mesmo tempo que arrebata-nos os sentidos de nossas memórias musicais, também nos entusiasma a questionar a ausência de grandes nomes da MPB nesta fonte (dicionários) que para uns se faz completa, pra outros insuficiente e a tantos outros sinaliza apenas como uma miragem sugestiva de que as atualizações farão jus ao objetivo que um dicionário musical se propõe... e corresponderão a sede que temos de informações completas sobre o passado e o presente da nossa música, referências estas necessárias para "especularmos" quanto ao seu futuro.

Em nome de familiares, amigos, fãs de Gordurinha agradeço a Manuel Veiga a relevância de sua pesquisa, a lembrança e a consideração ao valor da obra de Waldeck Artur de Macedo: o Gordurinha.

A importância dos dicionários musicais está no resgatar, classificar e registrar influências, hábitos e façanhas, um misto de fatos e curiosidades, melodias e letras... informações necessárias a contextualização das "origens" e da multifacetada contribuição de Gordurinha e de tantos outros nomes, de A a Z, na construção da história da música popular brasileira. Assim sendo, aqui indico a leitura completa da pesquisa de Manuel Veiga (vide fonte da postagem).

Dicionários musicais brasileiros e a perplexidade das províncias
by Manuel Veiga (UFBA)

Resumo: Dicionários musicais ditos “brasileiros” são uma fonte perene de desarmonias, posto que consideram o Brasil do ponto de vista exclusivo do Rio de Janeiro e de São Paulo. A perplexidade do “resto”, fruto de preconceitos e de certo grau de etnocentrismo, é considerável. Exemplos são dados de erros e omissões que vão desde equívocos pitorescos, à criação de personalidades inexistentes e multiplicação de obras por perversa cissiparidade, quando não se trata de omissões irresponsáveis e letais, ao gosto de “críticos” auto-indicados. Propõe-se uma coordenação nacional de projetos limitados regionalmente, mas desenvolvidos em profundidade, de embasamento teórico semelhante, por uma instituição como o IBICT. Palavras-chave: Lexicografia musical. Erros e omissões. Necessidade de coordenação.

Logo na introdução, Manuel Veiga explica os objetivos de sua crítica-construtiva:

"São sempre as mais ingratas, principalmente se a matéria a ser tratada envolve críticas. Ainda mais se essas críticas se dirigem a esforços admiráveis de pessoas às quais devemos respeito e temos de ser gratos. Ainda mais, se essas críticas muitas vezes se deterão em erros e omissões de maior ou menor monta, quando elogios são merecidos por dezenas de outras colaborações e inclusões de alta categoria que não serão citadas. Peço desculpas por tudo isso, porquanto se o que busco aqui nada tem de desrespeitoso a pessoas ou trabalhos (com uma única exceção oportunamente identificada), nem por isto pretende passar, por exemplo, de isenção ou neutralidade científica. Por outro lado, se críticas não forem feitas, no caso, sob a ótica das províncias, jamais alcançaremos a obra brasileira de referência que todos queremos. O fato da maioria das observações recair sobre essa ou aquela obra já é um indicador de seu mérito, fique isto bem claro".

Veiga destaca que propondo-se a Enciclopédia de Música Brasileira a ser também Popular e Folclórica, algumas são desconcertantes: Não há um verbete sobre “Samba de roda”, hoje declarado patrimônio da humanidade, nem referência significativa sobre o assunto no verbete “Samba”. O verbete “Carnaval” nada diz sobre Bahia e Pernambuco. Nada há sobre “Trios elétricos”, nem sobre “Axé music”, nem sobre “Blocos afros”, nem sobre “Capoeira”, nem sobre “Lavagem”, nem sobre “Novenas”, nem sobre personagens populares dos últimos vinte anos, como: “Luiz Caldas”, nem sobre “É o Tcham” com seus mais de 10 milhões de discos vendidos (nem o peso da indústria cultural se sobrepõe à omissão deliberada?).

Que aconteceu com “Zé Trindade (Milton da Silva Bittencourt)” que rivalizava com Oscarito no próprio Rio de Janeiro? Uma simples visita ao setor de música da Fundação Biblioteca Nacional acrescenta. 21 itens ao acervo de Zé Trindade, não incorporados ainda ao banco de partituras do Núcleo de Estudos Musicais [NEMUS].

Que fazer de “Gordurinha (Waldeck Artur de Macedo)”? “Baiano não é palhaço”, “Cabra macho”, “Boca de siri”, “Quando o divórcio chegar”, “Quero me casar”, “Torcida organizada” estão entre outras e outros aguardando vez na EMB (Enciclopédia da Música Brasileira).

E o que ocorreu com Walter Levita, ainda vivo, que gravou tantos discos nos seus tempos de sucesso? A EMB ainda veicula data de falecimento errada para “Domingos de Faria Machado”, mesmo tendo o óbito ocorrido sob condições suspeitas de envenenamento (em 1865, não sete anos mais tarde).

Passamos, infelizmente, do pitoresco para o irresponsável e o letal quando, de omissão por desconhecimento ou descuido, a Enciclopédia passa ao capricho dos críticos, ou seja, ao mundo da censura.

O texto mais expressivo sobre o assunto pertence ao antropólogo Hermano Vianna, autor do muito elogiado O Mistério do Samba e de O Mundo Funk Carioca (Zahar), entre outras obras. Condenação Silenciosa: desprezo a gêneros como axé e pagode revela o despreparo e a intolerância da mídia foi um especial publicado pela Folha de São Paulo (Domingo, 25 abril 1999). Tão importante é o texto de Vianna que faremos aqui uma longa citação, ainda assim lamentando por não podermos anexar o valioso artigo por inteiro:

A “Enciclopédia da Música Brasileira” é uma obra fundamental, essencial, dessas que não podem faltar em nenhuma biblioteca. O lançamento de sua segunda edição atualizada, no final do ano passado, deve ter sido saudado como um dos mais importantes acontecimentos editoriais do país. Tendo comprado um raro exemplar da primeira edição num sebo, sua consulta foi de enorme valia para inúmeros trabalhos que fiz desde então. Não existe outra publicação que traga tantas informações sobre tantos gêneros da música erudita, popular e folclórica produzidos no Brasil. Como tantos outros fãs dessa enciclopédia, eu esperava ansioso a sua atualização. Valeu a pena esperar.

A nova versão inclui verbetes como Chico Science & Nação Zumbi, Antônio Nóbrega e Ratos do Porão, além dos últimos feitos das carreiras de Hans Joachim Koellreuter, Ronnie Von e Moreira da Silva. Mas só nas últimas semanas é que notei que alguma coisa estava faltando. Tinha uma entrevista marcada com o É o Tchan. Abri a enciclopédia na letra E, quase automaticamente, como sempre faço nessas ocasiões. Nada. Achei que podia estar em Gerasamba. Nada. Fiquei cismado. Retomei minhas investigações em outros setores da chamada axé music. Chiclete com Banana... Nada. Netinho... Suspiro aliviado... Mas que nada! Tem um Netinho dos Incríveis e outro da Banda de Pau e Corda. Mudei de estilo, fui para o novo pagode. Raça Negra... Nada. Negritude Júnior... Nada. Art Popular... Nada.

Tentei imaginar as razões para tantas ausências. Sou otimista, sempre procuro justificativas razoáveis para os enganos alheios. São artistas muito recentes, pensei. Ora, mas tem Chico César, que só lançou o primeiro disco em 1995. Tem Pato Fu. Tem Gabriel, o Pensador. Busquei outras desculpas, mesmo pouco convincentes. Nenhuma delas me convenceu num grau aceitável. Tive que recorrer à pior hipótese: o silêncio é um julgamento de valor. Há artistas que, por mais discos que vendam, por mais amados que sejam pela maioria da população brasileira, não “existem” para os editores da “Enciclopédia da Música Brasileira”. *[meu grifo] *Manuel Veiga

FONTE
(Dicionários musicais brasileiros e a perplexidade das províncias)


  • Música de Gordurinha no Ensino de Ciências
Aqui está uma excelente maneira de reunir duas artes: música e ciências. A música em sala de aula desenvolve o pensamento crítico-reflexivo e potencializa habilidades e aptidões indispensáveis a sensibilidade sócio-cultural dos envolvidos no processo ensino-aprendizagem...

O professor assistente III do Núcleo de Docência do Departamento de Ciências Biológicas, da PUC Minas, Marcelo Diniz Monteiro de Barros apresentou um Mini-curso no II Encontro Nacional de Ensino de Biologia, na Universidade Federal de Uberlândia, em Uberlândia nos dias 12 a 15 de Agosto de 2007, com o tema "A música popular brasileira e o ensino de ciências naturais". (A SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia).

A música "Vendedor de Caranguejo", de Gordurinha está entre as músicas selecionadas para serem usadas como material didático em sala de aula e nesse caso específico na disciplina de Ciências.

Pra se ter ideia da riqueza desse material basta conhecer as demais músicas que também inspiraram o planejamento destas aulas, tais como: Ciranda da bailarina de Edu Lobo e Chico Buarque; Coração de Estudante, de Wagner Tiso e Milton Nascimento; Passaredo, de Francis Hime e Chico Buarque, Passaredo, de Francis Hime e Chico Buarque; Solar, de Milton Nascimento e Fernando Brant; Querelas do Brasil, de Maurício Tapajós e Aldir Blanc; Cigarra de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos; Sobradinho, de Sá e Guarabyra; O Relógio, de Vinicius de Moraes e Paulo Soledade; Lindo Balão Azul, de Guilherme Arantes; Rosa de Hiroshima, de Vinícius de Moraes e Gérson Conrad; O cio da terra, de Milton Nascimento e Chico Buarque; Canção do sal, de Milton Nascimento; O mundo é um moinho, de Cartola; Andorinhas, de Marcus Viana; Pombo Correio, de Moraes Moreira / Dodo / Osmar; O meu guri, de Chico Buarque; Asa Branca, de Humberto Teixeira / Luiz Gonzaga; Eu e água, de Caetano Veloso; Iemanjá Rainha do Mar, de Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro; Beira-mar de Roberto Mendes e Capinan; Francisco, Francisco, de Roberto Mendes / Capinan; Amor à natureza, de Paulinho da Viola; Pois é pra quê?, de Sidney Miller, Amor e Sexo, de Rita Lee / Roberto de Carvalho / Arnaldo Jabor; O xote das meninas, de Zé Dantas / Luiz Gonzaga; Façamos (vamos amar), de Chico Buarque / Elza Soares; Lamento sertanejo, de Gilberto Gil / Dominguinhos; Linda juventude, de Flávio Venturini / Márcio Borges; O ouro e a madeira, de Ederaldo Gentil; A arca de Noé, de Vinícius de Moraes / Toquinho; Depende de Nós, de Ivan Lins / Vitor Martins.

Vendedor de caranguejo
Composição: Waldeck Artur de Macêdo (Gordurinha)


Caranguejo Uçá
Olha o gordo guaiamum
quem quiser comprar um
cada corda de dez
eu dou mais um

Caranguejo Uçá
Caranguejo Uçá
Apanho ele na lama
E trago no meu caçuá

Eu perdi a mocidade
Com os pés sujos de lama
Eu fiquei analfabeto
Mas meus filho criou fama

Pelo gosto dos menino
Pelo gosto da mulher
Eu já ia descansar
Não sujava mais os pé

Os bichinho tão criado
Satisfiz o meu desejo
Eu podia descansar
Mas continuo vendendo caranguejo

Caranguejo Uçá
Caranguejo Uçá
Apanho ele na lama
E trago no meu caçuá

FONTE


O "Programa COMPOSITORES DO BRASIL", do Prof. José Nilton (Zé Nilton) no dia 25/02/2010, apresentou vida e obra de Gordurinha, excelente compositor brasileiro, que viveu as mais diferentes artes – cinema, teatro, música, locução radiofônica em Salvador e no centro do mundo – o Rio de Janeiro, de sua época. A pesquisa postada no site Chapada do Araripe foi atração no programa: Compositores do Brasil, da Rádio Educadora do Cariri... e aqui no Blog apresento a postagem na íntegra.

GORDURINHA

“Meu Deus

Por que é que nessa terra
Pedem paz e fazem guerra
E fazem guerra pela paz
Meu Deus
Por que é que os homens agem
Sempre em nome da coragem
A apunha-las só por trás
A fortuna correndo atrás
De quem já tem dinheiro
E o faminto se foge da fome
Ela vai atrás
Óh, meu Deus o sertão está seco
Só chove na praia
O oceano está cheio de água
Não precisa mais
Muita gente com a reza na boca
E o ódio no peito
O cristão fazendo mal feito
Com a Bíblia na mão
A ganância na terra entre os homens
Gerando conflito
E a ciência a serviço do mal
E da destruição”…

(Gordurinha: “Prece para os homens sem Deus”)

O nome Waldeck Artur de Macedo tem tudo para representar um sujeito muito sério, compenetrado e porque não dizer, sisudo e arredio. Contudo, a figura nomeada por tão pomposa graça não é nada disto. Começou a vida artística, lá pelos anos de 1938, em Salvador, como comediante e humorista, por tratar-se de uma pessoa alegre, brincalhona e de bem com a vida.

Gordurinha, que era magro e esbelto, logo ganhou notoriedade pelo jeito esculachado de ser, pela sua fina verve humorística e pelo sarcasmo que iria ser disseminado em suas letras anos mais tarde. Disse em sua música que “cabeça grande é sinal de inteligência”, e com este dom (que independe do tamanho da caixa craniana), antecipou muitos movimentos musicais.

Na letra de “Chicletes com banana”, onde declara, à guisa de Adriano Suassuna, seu desprezo pela presença americana em nossa cultura, lembra a sacada tropicalista, de fraseado antropofágico, quando sugere na letra:
“Só boto bebop no meu samba,/Quando o tio Sam pegar no tamborim/Quando ele pegar no pandeiro e no zabumba/Quando ele entender que o samba não é rumba”/…

Já na música “O vendedor de caranguejo” fala da sobrevivência no mundo do mangue, da lama, e na criação de um tipo de humanidade, o vendedor de caranguejo , preso à rotinização que acaba por configurar um tipo de sub cultura, mais tarde tão bem expressado pelo movimento mangue-beat, de Chico Science. Foi um defensor da música regional, e muito criticou os preconceitos e os estereótipos com que o sudestinos marcam os nordestinos.

Escreveu na capa do LP do Trio Nordestino, em 1972, um desabafo contra essa de que somos uns paus de arara. Disse que “Pau de Arara é a vovozinha”, música que abre um dos melhores discos dos gloriosos, Lindú, Cobrinha e Coroné.

Gozou também com a bossa nova, ridicularizando em suas rimas pobres e pouca ou nenhuma proposta. Gordurinha tinha uma predileção pelo Ceará. Cantou a secas e as enchentes cearenses, pediu clemência ao Padre Cícero, exaltou a Praça do Ferreira.

A pesquisa foi atração no programa: Compositores do Brasil, a partir das 14 horas, na Rádio Educadora do Cariri. Vamos falar de Gordurinha como uma das expressões da música nordestina cantada com a força e a graça da musicalidade baiana, de onde veio este excelente compositor brasileiro, que viveu as mais diferentes artes – cinema, teatro, música, locução radiofônica em Salvador e no centro do mundo – o Rio de Janeiro, de sua época. Dentre as músicas de seu vasto cancioneiro, selecionamos o seguinte roteiro.

Vamos ouvir e falar de:

Tenente Bezerra, de Gordurinha com Gordurinha, gravação continental de 1959.

Uma prece para homens sem Deus, de Gordurinha, com Ary Lobo, de 1969;
Trem da Central, de Gordurinha e Mary Monteiro, com Marinês e sua gente, gravação da RCA Victor, de 1960.
Bossa quase nova, de Gordurinha, com Gordurinha, gravação original pela continental de 1961.
De trás pra frente, de Gordurinha, com Gordurinha, 1962;
Baianada, de Gordurinha, com Gordurinha, gravação da continental, de 1959.
Baiano burro nasce morto, de Gordurinha, com Gordurinha, do LP. Gordurinha tá na praça, gravação da Continental de 1959;
Pedido ao padre cicero, de Gordurinha, com Gordurinha, grvação original de 1959.
Vendedor de caranguejo, de Gorduinha, com Gordurinha, gravada pela Continental em 1958;
Súplica cearense, de Gordurinha e Netinho, com Luiz Gonzaga, gravação original da continental de 1960;
Mambo da Cantareira, de Gordurinha, com Gordurinha, gravação da continental de 1960;
Pau de arara é a vovozinha, de Gordurinha, com Trio Nordestino,1972.
Chiclete com banana, de Gordurinha e Almira Castilho, com Jackson do Pandeiro, gravação original pela continental, de 1959.

Informações:

Programa Compositores do Brasil
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Sempre às quintas-feiras, às 14 horas
Rádio Educadora do Cariri – 1020 kz.
Apoio: CCBN.

FONTE

*Chapada do Araripe - compositores do Brasil - 2010- Por: Prof. José Niltonhttp://www.crato.org/chapadadoararipe/2010/02/25/programa-compositores-do-brasil-por-prof-jose-nilton/

  • SÚPLICA CEARENSE É CITADA EM TRABALHO ACADÊMICO


O artigo "A natureza em Os Sertões" de José Leonardo Ribeiro Nascimento apresentado a disciplina de Ética e Meio Ambiente, do Prodema (Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente) em 2010 - fala sobre a maior seca já documentada no nordeste brasileiro e cita a música "Súplica Cearense", de Gordurinha e Nelinho, como referência da tragédia climática que assola aquela terra.

Em 1915 e nos anos seguintes, muitas famílias deixaram seus lares, rumando para o sul do Brasil. [...] Treze anos antes da grande seca, em 1902, Euclides da Cunha escreveu “Os Sertões – Campanha de Canudos”, baseado nas suas experiências como correspondente na campanha para o jornal A Província de São Paulo.

Ultrapassando as fronteiras da classificação como peça literária, constituindo-se obra de interesse da Sociologia, Geografia, História e Antropologia, “Os Sertões” propunha denunciar o massacre de Canudos, que foi, para Euclides da Cunha (2010, p. 20), “na significação integral da palavra, um crime.” E o autor conseguiu. Seu livro chamou a atenção para os problemas do sertão nordestino, ou do Norte, como se falava na época, e é considerado uma das maiores obras da literatura nacional.

[...] De forma antinômica, não tarda o autor a dizer que “o sertão é um paraíso” (ibidem, p. 70), bastando, tão-somente que a chuva caia sobre a vilã terra e esconda o vilão sol. Reaparecem os animais, ressurge a vida, ganham forma os rios, estes ao sabor do relevo incerto, o que gera inundações e destruição. O sertão não é um lugar de paz. Ou se sofre por falta da chuva, ou se sofre por causa dela.

Atribuindo personalidade à natureza – e uma personalidade cruel – Euclides afirma, categoricamente, que ela “compraz-se em um jogo de antíteses” (ibidem, p.73). Neste ponto é inevitável citar a música “Súplica Cearense”, do baiano Waldeck Artur de Macedo, o Gordurinha, na qual um nordestino reza para que a chuva pare, após um período longo de estiagem:

Súplica Cearense


Oh! Deus perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar

Oh! Deus será que o senhor se zangou
E só por isso o sol arretirou
Fazendo cair toda a chuva que há

Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedi pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão [...]

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
  • CUNHA, Euclides da. Os Sertões: volume I / Euclides da Cunha; estabelecimento de texto Walnice Nogueira Galvão. São Paulo: Abril, 2010. 336p.
  • QUEIROZ, Rachel de. O quinze. São Paulo: Siciliano, 1993.
  • MÚSICA POPULAR. Gordurinha (Waldeck Artur de Macedo). Disponível em: http://www.musicapopular.org/gordurinha
FONTE