domingo, 2 de dezembro de 2012

Rosil Cavalcanti



Rosil de Assis Cavalcanti (Macaparana, PE, 20 de dezembro de 1915 – Campina Grande, PB, 10 de julho de 1968) foi um ator, compositor e radialista brasileiro.

Compositor e animador de programas de rádio e televisão, Rosil de Assis Cavalcanti foi funcionário do Ministério da Agricultura. Em 1943 foi transferido para Campina Grande, PB, onde iniciou a carreira de compositor. Autor de 130 canções, algumas delas em parceria com Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e outros.

Suas canções mais famosas: “Sebastiana” (gravada por vários intérpretes, como Jakson do Pandeiro, Gal Costa, Gilberto Gil, Baby do Brasil, Rastapé,.), “Na Base da Chinela”, “Quadro Negro”, entre outras.



Como animador, usava o nome de “Zé Lagoa”, um tipo engraçado que criou e que fez muito sucesso na televisão e, sobretudo, no rádio. Atuou nas rádios Borborema e Caturité e na TV Borborema, todas de Campina Grande.

Nunca gravou uma de suas canções porque reconhecia que tinha “pouca voz”. Na Rádio Borborema, também apresentou o programa Radar, um noticiário policial recheado de humorismo. Compunha todos os gêneros da música regional nordestina (baião, xote, coco etc.).

Rosil veio para Paraíba, de Macaparana, Pernambuco, logo cedo. Atrás de estudo e trabalho. Trouxe consigo o brejeirismo e a poesia daquelas encostas chuvosas da Borborema sudeste, coalhada de pequenos produtores de banana e mandioca.

Culto e talentoso, dono de uma forma poética típica da nossa "nordestinidade", que se algum crítico, algum dia procurar caracterizar, rotular, necessariamente falará de um "realismo nordestino".

Suas músicas eram crônicas da vida do povão dos agrestes, brejos e sertões do Nordeste. Em suas narrativas, muito de comédia e drama; de João Grilo e Djacyr Menezes; de Zé da Luz e Zélins; de Zé Limeira e Gilberto Freyre. Seus forrós, baiões, rojões ou lamentos eram a expressão rítmica da vida nordestina.

ROSIL CAVALCANTI, O CAPITÃO ZÉ LAGOA
Compositor de 'Sebastiana', sucesso na voz de Jackson do Pandeiro, Rosil Cavalcanti era amante do rádio. Suas composições foram gravadas por diversos nomes da música popular nordestina




Rômulo Nóbrega e José Batista Alves
Revista de História da Biblioteca Nacional

As semelhanças não são poucas. Nasceram em regiões dominadas pela cultura da cana-de-açúcar e pela colonização negra. Quando adultos, foram casados, mas não tiveram filhos. E as coincidências não se restringem à vida. Em anos diferentes, morreram de infarto no mesmo dia e mês. Rosil Cavalcanti (1915 – 1968) e Jackson do Pandeiro (1919 – 1982) tiveram uma relação que muito além de 'Sebastiana'. Muito antes de ser proclamado o rei do ritmo, Jackson já convivia com o talento musical de Rosil.

De família tradicional na política de Pernambuco, Rosil de Assis Cavalcanti trabalhou durante toda sua vida como funcionário público. Seu primo de segundo grau, Joaquim Francisco chegou a ser governador do estado. Em 1943, com pouco mais de 20 anos, outro parente de Rosil assumiu a prefeitura da cidade de Macaparana, que continua sob influência da família, pois Maviael Cavalcanti (DEM) é o atual prefeito da cidade. Mas a paixão de Rosil era outra.

Rosil Cavalcanti residiu em Pombal por alguns anos e, em 1947, instalou na cidade o Serviço de Alto-Faltantes Tupã, que durou três anos, até 1950.

Ignácio Tavares, em artigo intitulado “No Tempo da Rádio Difusora Tupã”, publicado em 6 de junho de 2007, faz referência a presença de Rosil Cavalcanti em Pombal.
 
Diz Inácio que “..em pouco tempo a Rádio Difusora Tupã, passou a ser o centro das atenções e logo conquistou corações e mentes do povo da terrinha..”. “...de forma engenhosa e inteligente, o jovem empresário implantou um tipo de jornalismo até então desconhecido pelo povo. As noticias, que eram garimpadas e catalogadas pela sua secretaria e esposa, abrangiam todos os recantos do Brasil, do Estado, afora o noticiário local. As informações eram repassadas através de auto-falantes localizados em pontos estratégicos da cidade...”. “...dessa forma, a questão do desrespeito a pessoa humana, passou a ser a âncora do jornal diário da Rádio Difusora Tupã. Centenas de pessoas acotovelavam-se em frente ao estúdio, para escutar os editoriais, que eram lidos antes do inicio do jornal de cada dia, escritos caprichosamente pelo editor do jornal. Rosil sabia muito bem o risco que estava correndo, diante das posições assumidas contra grupo em questão. Corajoso e destemido, em nenhum momento curvou-se à pressão da força repressora udenista, em assim sendo, continuou a deitar falação e denunciar firmemente os atos de barbárie cometidos contra as pessoas indefesos. O seu propósito era o de acabar, de uma vez por todas, com esse tipo de agressão perversa e gratuita. Não tardou, numa certa noite, quando encerrou a sua programação foi atacado por desconhecidos de forma brutal e humilhante. Diante do quadro de terror que se instalou na cidade, resolveu definitivamente sair de Pombal e decidiu fixar residência em Campina Grande”.

 

Em João Pessoa, no ano de 1947, Rosil deu seus primeiros passos no rádio, participando em programas noturnos na Rádio Tabajara. Nesta ocasião, formou a dupla caipira ‘Café com Leite’ com um rapaz conhecido como Jack, que mais tarde seria o famoso Jackson do Pandeiro. O nome fazia alusão à aparência dos dois. Jackson, cafuzo de pele escura, era o café. Rosil, branco, era o leite. Tocando emboladas, a dupla alcançou um grande sucesso, garantido também pelas tiradas cômicas que faziam os ouvintes darem gargalhadas no auditório.
 
Nascia o imponderável. Jackson já era artista do povo daqui e queria ser artista do Brasil. Rosil era um poeta, que nas horas vagas se dedicava àquela arte.

Rosil Cavalcanti, auto-definido como um pernambucano de Campina Grande desempenhou papel importante na vida de Jackson. Era radialista, produtor, compositor (30 de suas músicas foram gravadas por Jackson, incluindo Sebastiana), humorista e apresentador. Seu maior sucesso foi o programa "Forró do Zé Lagoa", na Rádio Borbo-rema de Campina Grande, nos anos 1950, que ele apresentava sozinho fazendo várias vozes. No programa, o Zé Lagoa era uma espécie de mediador dos dramas e comédias da cidade, intercaladas de muita música – um radioteatro musical.

Apesar de boêmio e frequentar bares e cabarés, Rosil quase não bebia. Ele estreou na Rádio Tabajara de Jo-ão Pessoa em 30 de maio de 1947, cantando acompanhado por um conjunto regional do qual Jackson fazia parte. Os dois tornaram-se amigos, e essa cumplicidade e humor des-pertaram a atenção de Orlando Vasconcelos, diretor artístico da Tabajara, que criou a dupla Café com Leite, tornando-se a versão paraibana de Jararaca e Ratinho. A dupla só durou três meses, após o que Jackson foi convidado para o rádio pernambucano. Ro-sil morreu no dia 10 de julho de 1968.
 
Jackson seguiu em busca de seu destino. Foi para Recife. Rosil seguiu para Campina Grande, onde foi trabalhar como fiscal de renda, fiscalizando a qualidade do algodão comercializado na "Liverpool das Américas", como chamavam Campina na época.

Campina era a potência econômica de todo Nordeste. Ali sempre estava cheio de gringos e paulistas. Vinham em busca do "Ouro branco" dos sertões. Campina tinha um ar metropolitano em comparação as pequenas cidades espalhadas Nordeste adentro. Era uma extensão de Recife.

O trem que transportava o algodão e as riquezas paraibanas ligava Campina a Recife, via Itabaiana. Daí que, em Campina se respirava muito dos ares cosmopolita recifense. Ao mesmo tempo Campina recebia o sertão diariamente. Levas de sertanejos almocreves transportavam sua produção e sua cultura ao entroncamento da Borborema. Ali se vivia um clima propício à poesia.

Ali efervescia um movimento cultural espontâneo, síntese de uma região, que no processo de industrialização nacional se amoldava como a parte "atrasada" de um capitalismo desigual e combinado que se configurava no Brasil, seguindo os moldes do capitalismo mundial.

Em Campina, Rosil não continha seu impulso artístico. Foi trabalhar na rádio Borborema. Criou um programa de noticiário policial Radar, ancestral de qualidade desses folhetins deploráveis que se tornaram os boletins polícias das emissoras de rádio de hoje em dia, apenas expressando a situação também deplorável que se vive no "submundo" do crime. Mas, o grande sucesso de Rosil foi o "Forró do Zé Lagoa".

Programa de forró que animava as noites de toda a Borborema. Do Cariri ao Brejo, onde chegavam as ondas sonoras em Amplitude Modulada (AM), da Rádio Borborema. As pessoas paravam para ouvir o Zé Lagoa. O aparelho de rádio se popularizava em Campina Grande e em seus arredores e Zé Lagoa (Rosil Cavalcanti) era a estrela maior. Sua audiência era total. A Rádio Borborema tinha auditório e o Programa era transmitido do auditório, ao vivo. Ali se fez concurso de sanfoneiro, de dançarino, de beleza, de teatro, etc.

Na realidade era uma rádio-teatro. Rosil tinha um carisma impressionante e cativava todos e todas. Os artistas famosos da Rainha da Borborema e de todo o Nordeste tinham presença garantida nos finais de semana. Campina virou uma espécie de centro da cultura regional.

Rosil não parava de compor. Certo dia enviou para o amigo Jackson, uma "brincadeira" musical para Jackson "improvisar" em suas apresentações quase sempre frustradas na rádio Jornal do Comércio.

Nesse dia Jackson se soltou. Entrou no palco com a ginga dos sambistas que conheceu no "Zepa", em Campina Grande, com os ritmos das coquistas de seu quilombo em Alagoa Grande, com as mugangas dos tempos de Bedegueba em cima de caminhões em pastoris por Queimadas, São José da Mata, Bodocongó, Ligeiro, Barracão de Luiz de Melo, etc. Entrou com um pandeiro na mão e gritou: Convidei a cumade Sebastiana pra dançar um xaxado na Paraíba. Ela veio cum uma dança diferente pulava qui só uma guariba e gritava A, E I, O, U ipsilone.

"Sebastiana" é o lado "b" do disco inicial de Jackson do Pandeiro (José Gomes Filho) na Copacabana, que tem no lado "a" "Forró em Limoeiro". Ambas estão entre os maiores sucessos deste paraibano de Alagoa Grande, um dos mais originais, espirituosos e influentes artistas que o Nordeste produziu.

Imbatível na inventividade rítmica, Jackson formou nos anos quarenta com Rosil Cavalcanti - também pandeirista - a Dupla Café com Leite. Depois, quando o primeiro foi fazer carreira em Recife, a dupla se desfez, tornando-se Rosil um popularíssimo radialista em Campina Grande (PB), com o programa "Forro do Zé Lagoa", continuando entretanto a ligação entre os dois.

Primeira música gravada de Rosil, "Sebastiana" foi lançada no programa pós-carnavalesco no auditório da Rádio Jornal do Comércio de Recife, com a colaboração da teatróloga Luísa de Oliveira. Ao chegar no insólito breque "a-e-i-o-u-ipsilone", tendo como parceira Almira Castilhos, ela resolveu dar uma umbigada em Jackson, conquistando a platéia. Foi o início de um passo marcante, que se tornou obrigatório nas apresentações em palco de Jackson do Pandeiro. "Sebastiana" seria relançada em ' por Gal Costa em dueto com Gilberto Gil.

Sebastiana (coco, 1953) - Rosil Cavalcanti - Intérprete: Jackson do Pandeiro

"Sebastiana" é o lado "b" do disco inicial de Jackson do Pandeiro (José Gomes Filho) na Copacabana, que tem no lado "a" "Forró em Limoeiro". Ambas estão entre os maiores sucessos deste paraibano de Alagoa Grande, um dos mais originais, espirituosos e influentes artistas que o Nordeste produziu.

Imbatível na inventividade rítmica, Jackson formou nos anos quarenta com Rosil Cavalcanti - também pandeirista - a Dupla Café com Leite. Depois, quando o primeiro foi fazer carreira em Recife, a dupla se desfez, tornando-se Rosil um popularíssimo radialista em Campina Grande (PB), com o programa "Forro do Zé Lagoa", continuando entretanto a ligação entre os dois.

Primeira música gravada de Rosil, "Sebastiana" foi lançada no programa pós-carnavalesco no auditório da Rádio Jornal do Comércio de Recife, com a colaboração da teatróloga Luísa de Oliveira. Ao chegar no insólito breque "a-e-i-o-u-ipsilone", tendo como parceira Almira Castilhos, ela resolveu dar uma umbigada em Jackson, conquistando a platéia. Foi o início de um passo marcante, que se tornou obrigatório nas apresentações em palco de Jackson do Pandeiro. "Sebastiana" seria relançada em ' por Gal Costa em dueto com Gilberto Gil.

Sebastiana (coco, 1953) - Rosil Cavalcanti - Intérprete: Jackson do Pandeiro

 

Convidei a comadre Sebastiana
Pra dançar e xaxar na Paraíba.
(coro repete)
Ela veio com uma dança diferente
E pulava que só uma guariba.
(coro repete)
E gritava: a, e, i, o, u, ipsilone...
(coro repete)Já cansada no meio da brincadeira
E dançando fora do compasso
Segurei Sebastiana pelo braço
E gritei: Não faça sujeira
O xaxado esquentou na gafieira
Sebastiana não deu mais fracasso.
Mas gritava: a, e, i, o, u, ipsilone...
(coro repete)


Nesse dia nasce Jackson ou JackSOM do Pandeiro. O sucesso da "Cumade Sebastiana" que recebeu o título de Sebastiana foi tanto que em pouco tempo, os palcos de Jackson eram no Rio de Janeiro e São Paulo.

A música do Nordeste deixou de ser só o Baião do Lua do Nordeste, o Gonzagão, para ser também: o Rojão e o Forró; o Coco. Jackson vai "empareiar-se" com Gonzaga em termo de sucesso, de apelo popular. Vai fazer sombra ao Lua do Sertão. Gonzaga já abrira as portas da Indústria Fonográfica para a música originária da parte "atrasada" do Brasil. Jackson escancara.

Rosil não deixara Campina. Ali havia criado raízes. Sentia-se em casa. Era de fato, sua casa e sua família. Nas madrugadas de sextas, sábados e/ou domingos ele juntava uma trupe e ia caçar em alguma fazenda próxima a Campina. Nessas caçadas de nhambu, caçava também talentos e, sobretudo, a alma popular nordestina. Nessas caçadas Rosil encontrou os sanfoneiros Pedro Mendes, Diomedes, Josinaldo, Chicó e tantos outros que ele levava para as apresentações em seu Programa. Também promoveu os forrozeiros de Oito Baixos e cantores da mais autêntica música brasileira, produzida ali entre os penhascos da Borborema. Vivia-se a época de ouro do Forró.

Em suas fugas, Rosil preferia o Cariri. Tinha um cantinho preferido na Vaca Brava ou Tôco do Pade, hoje Campo de Emas, onde nasci, vivi e retorno quando posso. Lá, Zé Lagoa, como o chamavam, enrolava seus amigos, dizendo-se caçador, dava uma volta e apreciava a paisagem caririzeira. Voltava antes de todo mundo, tomava uma "bicada" na "Bodega de Hemetério" e armava uma rede, sempre limpa e pronta para o Zé Lagoa, sob a sombra carinhosamente organizada pelos galhos de uma Quixabeira e de um Umbuzeiro, entrelaçados. Parece, sabiam as árvores, que ali estava um ramo seu, um poeta de suas dores e alegrias.

O chão sempre limpo, pois rodas de aprendizes de sanfoneiros e sanfoneiros já premiados se "aprochegavam" à Rosil para criarem versos, músicas e brincarem ao dedilhar da sanfona de Pedro Mendes. Ali nasceu Meu Cariri e Aquarela Nordestina, duas das mais lindas canções de Rosil. Suas andanças nas terras caririzeiras também o instigaram à Festa do Milho e diversas outras que fizeram e fazem nordestinos chorarem Brasil afora.

Ao deixar Pombal e se fixar em Campina Grande, em 1951 Rosil Cavalcanti entra definitivamente para o rádio como redator na Rádio Caturité, recém inaugurada por Drault Ernani, onde lançou o programa Rádio Atrações.
Rosil tinha um grande defeito: era birrento, pegava ar por qualquer coisa. Em 1978, durante um almoço no Restaurante Manuel da Carne de Sol, em Campina Grande, o Rei do Baião – Luiz Gonzaga – me contou essa história: havia se desentendido com Rosil por conta da uma alteração que a gravadora RCA Victor exigiu que fosse feita em uma música de Rosil. Ele não gostou e deixou de falar com o “velho Lua”. Ficaram quase um ano sem se falar.
Eis que Gonzagão vem a Campina e pede a Zé Bezerra para intermediar uma conversa com Rosil. Os dois se encontram, mas a conversa foi pouco produtiva. Luiz Gonzaga se encarregou de cumprimenta-lo, perguntar como estava a patroa, dizer que estava com saudades de notícias suas, etc. e tal. Rosil pouco falou, pediu licença, disse que ia ter que trabalhar e se retirou.
Trancou-se em uma sala e poucos minutos depois entregou a Luiz Gonzaga um papel datilografado com esta, que considero uma das músicas mais bonitas de sua autoria (“Amigo Velho), gravada em 1963 por Gonzaga: “Ô amigo velho, como vai, como passou? / Pedi notícia sua, porém você não mandou / Me diga como vai sua distinta família / Como vai aquela jóia que é sua linda filha / Como vai seu filho, tipo do rapaz perfeito / E sua senhora, lhe transmito meu respeito / Amigo velho foi prazer ter lhe encontrado / Eis aqui um forte abraço desse seu menor criado / Você está mais forte, bem disposto e humorado / Parece vender saúde, deve andar bem sossegado / Logo que cheguei, pretendia lhe avistar / Porém lhe vendo agora, quero lhe cumprimentar / Amigo velho depois eu falo consigo / Dê licença a seu amigo, que vou ter que trabalhar. Esta letra retrata simplesmente o encontro dos dois, que fizeram as pazes, se abraçaram e choraram muito.
 
 
No dia 10 de julho de 1968, no início da tarde, Rosil se sentiu mal quando descansava sob a sombra do Umbuzeiro e da Quixabeira. Pediu um chá para "desempachar", reclamou mais uma vez do mal-estar e anunciou: vou pra Campina, não estou bem. Na noite daquele dia, como em todos os outros, moradores, trabalhadores rurais, fazendeiros e a população daquela área em geral se aglutinava nas casas onde havia um Rádio, daqueles grandes, a bateria, pra ouvir o Forró de Zé Lagoa. Em vez da música introdutória na voz vibrante de seu parceiro Café, dizendo: se você não viu, vá ver que coisa boa, em Campina Grande, o Forró do Zé Lagoa, se ouviu uma fúnebre anunciando o falecimento do poeta da caatinga, dos cariris, do Nordeste. O Nordeste parou. Campina Grande assistiu a mais profunda comoção que a atingira. Desaparecera subitamente sua síntese poética, suas alegrias e suas tristezas. Os contornos da feira central ficaram sem graça. A feira da Prata perdeu o charme.

Macambiras e xiquexiques murcharam. Juritis, asas brancas, ribaçãs arribaram. O povo, a população simples e pobre das periferias de Campina e dos municípios visinhos se encerrou em luto. Campina Grande não comportou a quantidade de pessoas para o último adeus ao poeta que a cidade adotou.

Jackson continuou sem Rosil. Cantou composições de dezenas de outros compositores e muitas suas, que ele não assinava. Cantou o samba nordestino, urbano, da malandragem da periferia do Zepa, de Bodocongó, da Liberdade, do Serrotão e uma diversidade de crônicas riquíssima da vida nordestina. Viveu 15 ou 16 anos sem sua mistura preferida. Num 10 de julho do início dos anos 80, voltam a se misturar noutra dimensão. Jackson volta a encontrar Rosil. Certamente as paisagens cantadas, as histórias narradas, as caricaturas e brincadeiras da cultura regional voltou a ser matéria prima do Café com Leite.

A 45 anos da morte de um e 30 da do outro, tenho a impressão que a lacuna deixada por eles ainda não fechou, nem fechará. As estripulias do Bedegueba de pastoril que conquistou o Brasil que formava uma unidade indissolúvel com a pureza da poesia de Rosil desandaram por um tremelique sem graça, como pacote comercial: hermético, fechado, sem poesia, sem a malicia deliciosa dos personagens de Ariano; sem a alma criativa de Zé da Luz; sem os absurdos extravagantes e maravilhosos de Zé Limeira; sem a alma nordestina.

Venceu a imbecilidade do mercado!

Mas a dupla está mais presente do que nunca entre os amantes da boa música. A tecnologia que é usada brutalmente para ferir a cultura popular, também nos permite ouvir Jackson do Pandeiro, sentir o gingado, a malandragem do povão de Campina, do Nordeste, do Brasil. É possível matar a saudade de Rosil Cavalcanti ouvindo o próprio Jackson, mas também Gonzaga e uma diversidade enorme de sons. Pois é, dia 10 de julho é um dia fatídico para a cultura popular nordestina, mas é também o dia de reencontro, da mistura perfeita do Café com Leite.
 
 


Quando a dupla se desfez, Jackson levou debaixo do braço várias músicas de Rosil. Uma delas seria o grande destaque do carnaval de 1953. Era o coco 'Sebastiana', que foi originalmente lançado em um disco pelo selo Copacabana e posteriormente regravado por Gal Costa.

SEBASTIANA, primeira música gravada de Rosil Cavalcanti, foi lançada num programa de auditório da Rádio Jornal do Comércio, sob a interpretação de Jackson do Pandeiro e a colaboração da teatróloga Luísa de Oliveira. Na passagem "A-E-I-O-Uipsilone", Luísa deu uma umbigada em Jackson, o que conquistou a platéia. Mais tarde, a umbigada tornou-se a marca de Almira Castilho, que substituiu Luísa nos programas de auditório da Rádio Jornal. Sebastiana faz parte do lado A de um 78 rpm da Copacabana que tem no lado B Forró em Limoeiro, rojão de Edgar Ferreira.

Por sua vez, Rosil ganhou destaque dez anos depois com o programa ‘Forró de Zé Lagoa’, que teve grande repercussão em Campina Grande.
 


Apresentado diariamente na Rádio Borborema, que transmitia em ondas médias e tropicais, a atração era uma mescla de notícias com brincadeiras, onde Rosil encenava o papel do capitão Zé Lagoa e contracenava com os soldados Jaca Mole e Jaca Dura. Entre uma piada e outra, muitos repentistas e cantores passaram por lá, como Genival Lacerda, Zé Calixto, Marinês e Abdias.

Mas, mesmo antes de Sebastiana, Rosil já havia composto uma música gravada comercialmente. Apresentada à cantora Dilú Melo, a canção se chama ‘Meu Cariri’ e foi interpretada por Ademilde Fonseca e Marinês, na sua versão mais famosa.
 
 
 
Porém, Rosil não guardava boas recordações de sua estréia nas vitrolas. Apesar de ter composto música e letra, os créditos do disco apontavam Dilú como parceira de Rosil. Mas não faltariam oportunidades futuras para o devido reconhecimento.

Ao todo, Rosil teve mais de vinte músicas gravadas por Jackson do Pandeiro, como 'Cabo Tenório', 'Lei da Compensação', 'Quadro Negro', 'Forró na Gafieira' e 'Na Base da Chinela'. Feita em parceria com o rei do ritmo, esta última foi regravada posteriormente por Elba Ramalho.
 
 
 
Na voz de Marinês destacam-se Saudade de Campina Grande e Aquarela Nordestina, que foi também interpretada por Luiz Gonzaga.
 
 
 
Rosil teve ainda canções gravadas pelo Trio Nordestino, Zé Calixto, Genival Lacerda, Anastácia, Ary Lobo, entre muitos outros.

Canções

  • A festa do milho - Luiz Gonzaga (1963)
  • Amigo velho - Luiz Gonzaga (1963)
  • Aquarela nordestina - Marinês (1958)
  • Cabo Tenório - Jackson do Pandeiro (1954)
  • Coco do Norte - Jackson do Pandeiro (1955)
  • Coco social - Jackson do Pandeiro (1954)
  • Coisas do Norte - Marinês (1963)
  • Cumpadre João - Jackson do Pandeiro (1958)
  • Faz força, Zé, Luiz Gonzaga (1963)
  • Forró do Zé Lagoa - Genival Lacerda (1962)
  • Forró na gafieira - Jackson do Pandeiro (1959)
  • Meu Cariri, com Dilu Melo - Ademilde Fonseca (1951)
  • Moxotó, com José Gomes - Jackson do Pandeiro (1958)
  • Na base da chinela, com Jackson do Pandeiro (1962)
  • Ô véio macho - Luiz Gonzaga (1962)
  • Os cabelos de Maria, com Jackson do Pandeiro (1960)
  • Saudade de Campina Grande - Marinês (1958)
  • Sebastiana - Jackson do Pandeiro (1953)
  • Tropeiros da Borborema - Luiz Gonzaga (1980)

Em agosto (2012)  a segunda noite de apresentações do Projeto 7 Notas trouxe as canções de Rosil Cavalcanti interpretadas por Gitana Pimentel. Difundindo e promovendo a cena musical local, abrindo espaço para novos artistas, e homenageando grandes nomes da música brasileira.



Gitana Pimentel começou sua carreira aos 14 anos e se destaca no meio musical cantando ritmos latinos com uma pegada de samba. Na proposta do 7 Notas, ela irá apresentar uma releitura da obra de Rosil Cavalcante mantendo a originalidade e a essência dos clássicos do músico que se consagrou como uma lenda campinense e teve a sua poesia cantada por grandes nomes como Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga e Marinês.

O 7 Notas acontece em cinco etapas entre os meses de Julho a Dezembro, a programação de Agosto contou ainda com a apresentação do grupo Armazém da Melodia Incompleta fechando a segunda etapa do projeto. As apresentações acontecem sempre no Cine Teatro do Sesc Centro, em Campina Grande. O Projeto 7 Notas é uma realização do Sesc Paraíba em parceria com a Fecomércio.

FONTE

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rosil_Cavalcanti

http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2011/resumos/R6-2315-1.pdf

http://cifrantiga3.blogspot.com/2006/05/sebastiana.html#ixzz2DuonaY6I

http://ambienteacreano.blogspot.com.br/2009/03/rosil-cavalcanti-o-capitao-ze-lagoa.html

http://www.forroemvinil.com/desafio-quem-e-2

http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Jackson+do+Pandeiro+e+Rosil+Cavalcanti&ltr=J&id_perso=151

http://clemildo-brunet.blogspot.com.br/2009/07/lembrancas-de-rosil-cavalcanti-o.html

As Três Marias



As Três Marias foi um grupo vocal feminino brasileiro proeminente nos anos 40, época em que acompanharam muitos artistas no disco e no rádio.

Idealizado por José Mauro, então diretor artístico da Rádio Nacional em 1942, era formado primeiramente por Bidu Reis, Marília Batista e Salomé Cotelli. Nesse ano, fizeram a primeira gravação, na Victor, acompanhando Linda Batista nos sambas Bom dia (Aldo Cabral eHerivelto Martins) e Aula de música (Haroldo Barbosa e Herivelto Martins).


Em 1943, acompanhadas de Zacarias e Orquestra, gravaram a batucada Cai, cai (Roberto Martins) e o samba Morena boca de ouro (Ary Barroso), nesta, junto de Nilo Sérgio, em disco Victor. E gravaram junto de Francisco Alves os foxtrotes Quantas são (Jingle, jingle, jingle, de Joseph Lilley e Frank Loesser) e Céu cor-de-rosa (Indian summer, de Al Dubin e Victor Herbert), ambos versões de Haroldo Barbosa, lançados em disco Odeon.


Participaram do filme É proibido sonhar, de José Carlos Burle.
Junto delas, Albertinho Fortuna gravou seu primeiro disco, na Victor, com o samba Ai, que saudades da Amélia! (Ataulfo Alves e Mário Lago), em 1944.


No ano seguinte, Bidu Reis e Marília Batista se desligaram do grupo, sendo substituídas por Consuelo Sierra e Hedinar Martins, esta última irmã de Herivelto Martins. Bidu voltou ao grupo dois anos depois, no lugar de Consuelo.


CÉU COR DE ROSA - FRANCISCO ALVES & AS TRÊS MARIAS



Em 1945, a cantora Bidu Reis recebeu convite para ir para a Rádio Globo e para a Orquestra Tabajara, saindo do grupo. No mesmo ano, Marília desligou-se do grupo para casar-se. Foram substituídas por Hedinar Martins, irmão do compositor Herivelto Martins e por Consuelo Sierra. O grupo ainda teve a participação da cantora Nilza de Oliveira, por curto período, ocasião em que substituiu Consuelo.


Em 1948, Bidu Reis retornou para substituir Consuelo. Em 1949, o grupo participou do filme "Não me diga adeus", uma produção argentino-brasileira do diretor Luís Barth. Na ocasião, acompanharam a cantora Marlene em "Conceição da praia", um jongo de Dilu Melo e Oldemar Magalhães e na guaracha "Candonga", de Felisberto Martins e Fernando Martins, músicas lançadas em disco pela gravadora Star.


Na década de 1950, o grupo já tinha outra formação com Regina Célia, Hedinar e Nilza. Regina acabou substituída por Carmen Déa. Em 1951, gravaram pelo selo Carnaval a marcha "Saudosa cachopa" e o samba "Incerteza", de Herivelto Martins e Raul Sampaio.

Em 1952, participaram do filme "Era uma vez um vagabundo", de Luís de Barros. No ano seguinte, sairam do grupo Carmen Déa e Nilza, sendo suas vagas ocupadas por Consuelo e Maria Tereza. O grupo dissolveu-se em 1957, mesmo tendo sido sempre muito prestigiado por Paulo Tapajós, então diretor artístico da poderosa Rádio Nacional do Rio.


O trio foi reformulado novamente em 1950, agora composto de Hedinar, Nilza de Oliveira e Carmen Déa e, em 1953, as duas últimas foram substituídas por Consuelo Sierra e Maria Tereza. Embora bastante prestigiado por Paulo Tapajós, então diretor artístico da Rádio Nacional, o grupo se desfez em 1957.

Filmografia
É Proibido Sonhar (1943)
Não Me Digas Adeus (1949)
Era Uma Vez Um Vagabundo (1952)



As Três Marias e o pianista Leal Brito

Com o lançamento da coleção Baião na Musidisc, marca o início de uma série de discos L.P. com o ritmo mais popular do Brasil: o Baião.

Nesta primeira seleção, vamos encontrar os mais famosos baiões dos últimos tempos, apresentados em arranjos novos pelo trio vocal As Três Marias e o pianista Leal Brito.” (texto da contra-capa do disco)

baiao-vol1-frente
baiao-vol1-verso

As Três Marias foi um grupo vocal feminino brasileiro, destacaram-se principalmente na década de 1940, período em que acompanharam inúmeros artistas em programas e em gravações em discos e filmes. Passaram por cinco formações distintas e embora fosse bastante prestigiado, o grupo se desfez em 1957.


Britinho, João Adelino Leal Brito, nascido dia 05/05/1917 em Pelotas – RS, instrumentista, pianista, regente e compositor. Aos dez anos de idade estudou violino. Com 18 começou a aprender piano. Em 1939 mudou para São Paulo. Em 1942 transferiu-se para o Rio de Janeiro a fim de atuar na orquestra de Fon-Fon. Em 1944 formou seu próprio conjunto. Gravou piano para os maiores artistas da época.


Três Marias e Leal Brito – Baião nº1
10 polegadas – 1953 – Musidisc

01. Paraíba / Delicado (Humberto Teixeira – Luiz Gonzaga – W. Azevedo)
02. Baião vai, baião vem / Maringá(H. Cordovil – J. Carvalho)
03. Esta noite serenou / Chuva miudinha (H. Cordovil – M. Araujo – F. Lobo)
04. Pé de manacá / Ta-HI (H. Cordovil – J. Carvalho)
05. Eh! Boi / Adeus, adeus morena (H. Cordovil – M. Araujo)
06. Marilú / Macapá (Britinho – H. Teixeira – L. Gonzaga)
07. Saia de bico / Baião (J. de Barro – H. Teixeira – L. Gonzaga)
08. Peixe vivo / Baião de dois (H. Teixeira – L. Gonzaga)



FONTE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tr%C3%AAs_Marias_(grupo)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Sister Rosetta Tharpe


Rosetta Tharpe (20 de março de 1915 – 9 de outubro de 1973) foi uma cantora, compositora e guitarrista de música gospel, teve grande popularidade na década de 1930 e 40, com uma mistura única de letras gospel e acompanhamento de início de blues e country music. Pioneira da música no século XX, Rosetta foi única ao misturar o gospel com o ritmo que seria futuramente conhecido como rock. Ousando atravessar a linha entre sagrado e secular apresentando sua música inspiradora de "luz" na "escuridão" dos clubes noturnos e salões de baile acompanhada por big bands.

Em 13 de dezembro de 2017, Tharpe foi incluída no Rock and Roll Hall of Fame como uma influência antecipada.


Nascida Rosetta Nubin em Cotton Plant, Arkansas, ela começou a se apresentar quando tinha apenas quatro anos. Era chamada "Little Rosetta Nubin, the singing and guitar playing miracle", acompanhando sua mãe (Katie Bell Nubin) que tocava mandolin na Igreja de Deus em Cristo pelo sul do país. Exposta a ambos blues e country music durante a infância, depois que sua família se mudou para Chicago, Illinois no final da década de 20, ela tocava um tipo de proto-rock escondido e apresentava música gospel publicamente. Seu estilo único refletiu influências antigas, pois ela tocava notas como músicos de jazz faziam e dedilhava a guitarra como fazia Memphis Minnie.

Depois de se casar com o pastor Thomas Thorpe, da Igreja de Deus em Cristo, Rosetta ganhou o nome "Tharpe" por erros de grafia. Em 1934, ele se mudaram para Nova Iorque, e em outubro de 1938 ela gravou pela primeira vez, quatro faixas, com a Decca Records, acompanhada pela orquestra de Lucky Millinder. Suas gravações causaram um furor imediato, muitos frequentadores da igreja estavam chocados com a mistura de música sacra e outros ritmos, mas outras plateias adoraram essa mistura.


Apresentações em "From Spirituals To Swing" de John H. Hammond no final do mesmo ano no "Cotton Club" e "Café Society" com Cab Calloway e Benny Goodman fizeram com que Rosetta ficasse ainda mais famosa. Canções como "This Train" e "Rock Me", que combinavam temas gospel com arranjos mais rápidos, se tornaram hits entre um público que nunca havia sido exposto à música gospel.


Rosetta continuou gravando durante a Segunda Guerra Mundial, ela era um dos únicos dois artistas autorizados a gravar "v-discs" para tropas do outro lado do oceano. Sua música "Strange Things Happening Every Day", gravada em 1944 com Sammy Price, pianista de boogie woogie da Decca, mostrou sua virtuosidade como guitarrista e suas letras espirituosas. Essa também foi a primeira música gospel a ir para a corrida do top 10 da Billboard, algo que Sister Rosetta Tharpe conseguiu mais algumas vezes em sua carreira. A gravação é creditada por algumas fontes como a primeira gravação de Rock and roll.


Depois da guerra, a Decca juntou Sister Rosetta à cantora Marie Knight, e com o hit "up above my head" elas participaram do circuito gospel de turnês por alguns anos. Nessa época Sister Rosetta estava tão famosa que chegou a atrair um público pagante de aproximadamente 25.000 pessoas para o seu terceiro casamento com Russel Morrison que a empresariava na época.


A celebração foi seguida de uma apresentação vocal no "Griffith Stadium" em Washington D.C. em 1951.

Sua popularidade entrou em decaída quando gravou algumas canções de blues no começo da década de 50. Marie Knight queria ir para o lado da música pop, enquanto Sister Rosetta continuava na igreja. Em uma ida para a Europa, Sister Rosetta voltou gradualmente para o circuito gospel, entretanto nunca mais obteve o mesmo sucesso.

Entre abril e maio de 1964, durante o surgimento do interesse popular em blues, ela participou de uma turnê pelo Reino Unido como parte da "American Folk Blues and Gospel Caravan", junto com Muddy Waters, Otis Spann, Ranson Knowling, Little Willie Smith, Reverend Gary Davis, Cousin Joe, Sonny Terry e Brownie McGhee. Rosetta era introduzida ao palco acompanhada pelo pianista Cousin Joe Pleasent. A caravana era administrada por Joe Boyd.


Sister Rosetta parou subitamente de se apresentar após um derrame que sofreu em 1970, depois do qual teve uma perna amputada como resultado de complicações de diabetes.

Ela morreu em 1973 depois de outro derrame, na véspera de uma sessão de gravações agendada. Foi enterrada no "Northwood Cemetery" na Philadelphia, Pennsylvania em um túmulo sem identificação.

Em 2007 ela foi incluida ao Blues Hall of Fame. Em 2008, um show foi organizado para angariar fundos para seu túmulo e no mesmo ano foi declarado que dia 11 de janeiro seria o dia de Sister Rosetta Tharpe na Pennsylvania e uma lápide foi colocado em seu túmulo. Um marco histórico foi colocado em sua antiga casa em Yorktown, Philadelphia.


Um número grande de músicos conhecidos, incluindo Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Isaac Hayes e Aretha Franklin reconheceram o estilo de cantar e tocar e o modo de se apresentar como uma grande influência. Little Richard aos vocais gritados e altos da música gospel como seu tipo de música favorito durante a infância. Em 1945, Sister Rosetta ouviu Richard cantar em seu show no auditório da cidade de Macon e o convidou para acompanhá-la no palco. Depois do show, ela pagou a ele pela apresentação. Johnny Cashtambém se referiu a Sister Rosetta como sua cantora preferida durante a infância no seu discurso na indução ao Rock and Roll Hall of Fame.


Em 2007, Alison Krauss e Robert Plant gravaram um dueto da música "Sister Rosetta Goes Before Us", escrita por Sam Phillips. Phillips lançou sua versão para a música em 2008 no seu álbum Don't Do Anything.


Discografia

Gospel Train (1956)
Up Above My Head
Precious Memories
Didn't It Rain
Rock Me
This Train
Tributos
Shout, Sister, Shout: A Tribute to Sister Rosetta Tharpe (2003)




FONTE

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sister_Rosetta_Tharpe

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Favela dos meus amores:o filme



"De ilusão também se vive. Este é o maior filme brasileiro de todos os tempos, jamais alguém chegou perto na cinematografia deste país", afirmava Fausto Visconde, o maior conhecedor da sétima arte tupiniquim.

Favela dos Meus Amores foi o primeiro a retratar a vida no morro, em condições menos favorecidas, moradias pobres e a contar a história de uma escola de samba. A película contou a Escola de samba Portela, tanto na criação das cenas, como contagiando com o seu samba.


Produzido por Humberto Mauro, falecido em Volta Grande/MG, em 1983, sem dúvida foi este filme dos anos de 1935, o um precursor do neo-realismo tupiniquim. A Voz do Carnaval e Favela dos Meus Amores (1932 e 1935).

Favela dos meus amores contém musicas de Lamartine Babo, Noel Rosa, Carlos Braga e participação especial de Carmem Miranda. Mauro abriu um filão explorado pelo cinema brasileiro no período, derivando para os filmes musicais e as chamadas chanchadas.


Favela dos Meus Amores não é só uma demonstração paisagística, turística folclórica. Desperta o interesse da intelectualidade de esquerda, devido ao apelo do filme que realça a miséria que sempre reinou nos morros cariocas.

O argumento de Henrique Pongetti, o mesmo que chamou Humberto Mauro de"Freud de Cascadura", por causa de suas incursões psicanalíticas em Ganga Bruta.


A filmagem foi quase que inteiramente no Morro da Providencia, na Saúde, Rio, e por essa razão, Humberto Mauro diria na década de 60, que tal autenticidade poderia razoavelmente lhe colocar como “precursor do neo-realismo italiano”. Tal frase levou Mauro à polícia para se “enquadrar”, pois ”numa cena importantíssima, que a censura queria cortar, alegando que mostrávamos muitos pretos, era triste demais.

Entretanto, Favela dos Meus Amores, porém foi sua acolhida na trincheira da intelectualidade da esquerda brasileira, que montada nos seus principais expoentes dos diversos ramos das artes, haja vista que, já empregava uma luta surda contra o autoritarismo reinante. Humberto Mauro, jamais deixou de se envolver abertamente nessa luta.

É um filme com ares grandiosos, notável e dessa simbiose foi feito assim, Favela dos Meus Amores: o melhor filme já realizado no Brasil em todos os tempos. A começar pelo elenco que tem os principais nomes da época como português Jayme Costa, Norma Geraldy, Rodolfo Mayer, e a vedete Eros Volúsia entre outros. (Na foto maior: Carmen Santos e Antonia Marzullo (tia da Marília Pêra). Foto Menor: Antônia Marzullo, Carmen Santos e Rodolfo Mayer).

Elenco completo: Sílvio Caldas, Jaime Costa, Belmira de Almeida , Russo de Pandeiro, Pedro Dias , Itala Ferreira, Norma Geraldy, Armando Louzada, Antonia Marzullo , Rodolfo Mayer Leopoldo Prata, Carmen Santos, Oswaldo Teixeira, Eduardo Viana e Eros Volusia.

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sábado, 17 de novembro de 2012

Luíz Galvão



Luíz Dias Galvão, mais conhecido como Luíz Galvão (Juazeiro, 1937), é um poeta e músico brasileiro. Mudou-se para Salvador, onde conheceu Moraes Moreira e Paulinho Boca de Cantor, com os quais criou o conjunto Novos Baianos, em 1968.


Conhecia João Gilberto desde a adolescência em Juazeiro, o que permitiu que, quando os Novos Baianos fossem para o Rio de Janeiro após realizarem É Ferro na Boneca (1970) em São Paulo, ele contatasse o pai da bossa nova e este influenciasse todo o grupo, culminando no álbum mais aclamado deles, Acabou Chorare (1972). Sua trajetória na música popular brasileira é extensa.


Em 1968, Galvão participou do V Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record (SP), com a canção De Vera (em parceria com Moraes Moreira), interpretada pelo grupo Novos Baianos.


Nos anos 70, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde passou a viver comunitariamente com todos os músicos do grupo, em um sítio localizado em Vargem Grande, onde gravaram Acabou Chorare, comunicando-se constantemente com Gilberto.

Escreveu a maioria das canções gravadas pelo conjunto, musicadas por Moraes Moreira, entre elas "Acabou Chorare", "Preta Pretinha" e "Mistério do Planeta".

O grupo se desfez em 1978, voltando a se reunir no final do século passado, para a gravação do CD ao vivo Infinito Circular.





Publicou, em 1997, o livro Anos 70: Novos e Baianos, lançado pela Editora 34 (SP), relatando a trajetória do grupo.

Hoje em dia mora em Salvador e tem dois cd's de poesias inéditas, lançados de forma independente.

FONTE


Rainha do Baião: Carmélia Alves



A cantora Carmélia Alves, conhecida como a Rainha do Baião, morreu na noite de sábado (03/11/12), após falência múltipla dos órgãos, no Hospital das Clínicas de Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. A artista tinha 89 anos.

Carmélia estava internada na unidade há cerca de um mês e era portadora do Mal de Alzheimer. As informações são de Maria Aparecida Cabral, administradora do Retiro dos Artistas. O corpo de Carmélia foi velado no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá. O enterro foi no cemitério que fica ao lado do Retiro.

O irmão a artista, Noel Alves, informou que a cantora tinha câncer. Ainda de acordo com Noel, ela participou recentemente do filme “Estão voltando as flores”, dirigido por Ricardo Cravo Albim.


Segundo o Dicionário Ricardo Cravo Albin da Música Popular Brasileira, Carmélia nasceu em Bangu, Zona Oeste do Rio, numa quarta-feira de cinzas. Ainda pequena, seus pais se mudaram para Petrópolis, Região Serrana do estado, onde ela foi criada.


Depois de voltar ao Rio, começou sua carreira artística nos anos 1940, quando foi contratada para apresentar-se no programa "Picolino", cantando músicas do repertório de Carmen Miranda. Ganhou o título de Rainha do Baião na década de 50, quando começou a fazer participações no cinema. Um dos grandes sucessos da cantora foi "Sabiá na gaiola".


Terceira filha do cearense Raimundo e Adelina, nascida na Bahia. Carmélia nasceu no bairro carioca de Bangu numa quarta-feira de cinzas. Ainda pequena, seus pais mudaram-se para a localidade de Areal, em Petrópolis, onde foi criada. Seu pai, funcionário do escritório do Departamento de Estradas de Rodagem era muito festeiro, tendo formado conjuntos de baile e organizado blocos carnavalescos e festas juninas. Costumava adormecer embalada pelas cantigas nordestinas cantadas pelo pai.


Com 17 anos voltou ao Rio para estudar, indo morar na casa de parentes. Por essa época, começou a interessar-se por música, encantando-se de ouvir no rádio as músicas cantadas por Carmen Miranda, da qual tornou-se fã, acompanhando seus programas na Rádio Tupi e recortando suas fotografias de revistas. Recebeu muito incentivo do irmão mais velho, Manoel, que também gostava de cantar e achava que a irmã cantava bem. Durante o período de ginásio, tomou parte em diversos programas de calouros, tendo sido aprovada em todos eles, inclusive, no mais temido de todos, o de Ary Barroso, onde o assistente Macalé fazia soar o gongo eliminando seguidamente os concorrentes.

Convidada por Manoel da Nóbrega, outro grande incentivador, participou de seu programa de calouros na Rádio Ipanema. Fez parte do programa "Estrada do Jacó", comandado por Ary Barroso, onde ele apresentava seus melhores calouros. Terminado o curso ginasial, optou por seguir a carreira artística.

Sua carreira artística teve início nos anos 1940, quando foi contratada por Barbosa Júnior para apresentar-se com cachê fixo no programa "Picolino", cantando músicas do repertório de Carmen Miranda. Em meados dos anos 1940, obteve chance no conhecido programa "Casé", substituindo uma cantora que havia faltado. Cantou músicas de Carmen Miranda, que nesta época havia viajado definitivamente para os Estados Unidos. Ouvida por César Ladeira, diretor da Rádio Mayrink Veiga, foi contratada por essa rádio, que buscava uma substituta para a estrela Carmen Miranda. Ganhou um programa semanal, recebendo 800 mil-réis por mês, uma verdadeira fortuna para a época.

Em 1941, foi contratada como crooner pelo Copacabana Palace, recebendo 100 mil-réis por dia, apresentando no programa "Ritmos da Panair", apresentado ao vivo por Murilo Neri, sendo transmitido para todo o Brasil pela Rádio Nacional. Nesse mesmo ano, foi considerada pela crítica especializada do Rio de Janeiro a melhor crooner. Por essa época, conheceu no Copacabana Palace, o paulista de Franca, José Andrade Nascimento Ramos, que apresentava-se cantando músicas americanas, com o nome artístico de Jimmy Lester, e com quem se casou em apenas três meses.

Sua carreira ganhou espaço nesse momento, sendo freqüentemente convidada para apresentar-se em outros locais, entre os quais, o programa do "Chacrinha", na Rádio Fluminense. Participou no coral de várias gravações de outros artistas, entre os quais na gravação de "Aurora", feita por Joel e Gaúcho. Participou, também, de inúmeras gravações de Benedito Lacerda na RCA Victor, sempre participando do coro.


Em 1943, gravou seu primeiro disco, o qual teve que financiar com 400 mil-réis de suas economias. Contou com a ajuda do amigo Benedito Lacerda, que acompanhou a gravação com os músicos de seu regional, que nada cobraram pelo trabalho. Participaram do coro inúmeros artistas, que depois se tornariam famosos, como Elizeth Cardoso e Nélson Gonçalves.

Nesse disco pioneiro foram registrados de Assis Valente, a batucada "Quem dorme no ponto é chofer" e de Horondino Silva e Popeye do Pandeiro, o samba "Deixei de sofrer". Apesar do sucesso obtido com a gravação, teve que afastar-se um tempo dos discos, pois sendo novata, criara involuntariamente uma situação constrangedora, já que naquele momento de guerra, muitos artistas consagrados não conseguiram gravar. Preferiu, então, excursionar pelo Brasil com o marido.

Durante quatro anos apresentou-se em diversas cidades brasileiras. Com a proibição do jogo em 1946, fixou-se em São Paulo SP, atuando em casas noturnas. Retornou ao Rio de Janeiro em 1948, retomando seu lugar na Rádio Mayrink Veiga. Em 1949, gravou com Ivon Curi a toada "Me leva", de Hervé Cordovil e Rochinha, com orquestração e regência do maestro Radamés Gnattali, que tornou-se seu primeiro grande sucesso e a rancheira "Gauchita", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. No mesmo ano, gravou com o Quarteto de Bronze, o samba "Diga que sim", de Roberto Martins e Ari Monteiro e o choro "Tic-tac do meu relógio", de Dunga. Ainda em 1949, gravou de José Maria de Abreu e Alberto Ribeiro, a marcha "Mimoso jacaré" e de Roberto Martins, o samba "Coração magoado". No mesmo ano, gravou de Lauro Maia e Humberto Teixeira o baião "Trem o lá lá" e de Ari Kerner, o balanceio "Trepa no coqueiro", com a orquestra de Severino Araújo, um de seus grandes sucessos, que havia sido gravada anteriormente com o cantor Patrício Teixeira.


Em 1950, gravou de Hervé Cordovil e Mário Vieira, o baião "Sabiá na gaiola", que estourou como outro grande sucesso, de Luís Bandeira, o cateretê "Dança do pinote" e o samba "Coração magoado", com a Orquestra Tabajara de Severino Araújo. Interpretando o baião com sotaque sulista, foi uma das maiores divulgadoras do gênero no Sul do país. No mesmo ano, passou a atuar na Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

Em 1951, gravou, de Capiba o frevo-canção "É frevo meu bem", que teve grande êxito em Recife, começando, a partir de então, a ter nos anos seguintes grandes sucessos com frevos. No mesmo ano, gravou de Salvador Miceli e Luiz Antônio, a batucada "Maria pouca roupa", de Humberto Teixeira, o baião "O baião em Paris" e de Luiz Bandeira e Ernâni Seve, o samba "Samba de emergência", entre outras. No mesmo ano, ela e o marido Jimmy Lester, em viagem ao Nordeste, descobrem o acordeonista Sivuca, atuando na Rádio Comércio do Recife e o levam para o Rio de Janeiro. Gravou na mesma época, com Jimmy Lester, os baiões "Adeus Maria Fulô", de Humberto Teixeira e Sivuca e "Saudade é de matar", de Hervé Cordovil e Manezinho Araújo. Com Sivuca gravou o pot-pourri "No mundo do baião", com baiões de diferentes autores.

Em 1952, gravou a marcha baião "Dança da mulesta", de Humberto Teixeira e Felícia Godoy. No mesmo ano, gravou de Humberto Teixeira, o baião "Eu sou o baião". Ainda em 1952, participou dos filmes "Tudo azul", de Moacir Fenelon e "Está com tudo", de Luís de Barros, e gravou com o Trio Melodia, dois pot-pourris, um de sambas e outro de baiões. Gravou com Sivuca ao acordeon os baiões "Maria Joana", de Luís Bandeira e "O vôo do mangangá", de Humberto Teixeira e Felícia Godoy.

Na mesma época, reforçou o direcionamento de sua carreira em direção aos ritmos regionais, embora continuasse a gravar sambas. Começa, também, a ingressar no cinema cantando números avulsos e ganha o título de Rainha do baião, integrando uma verdadeira corte, sendo Luiz Gonzaga, o Rei, Luiz Vieira, o príncipe e Claudette Soares, a princesa, cantando repertório de Carmélia, já conhecida como a Rainha do Baião. Recebeu inúmeros convites para apresentar-se em diversos lugares, inclusive na Argentina, onde viu lançado seu grande sucesso "Sabiá na gaiola". Gravou de Humberto Teixeira e Lauro Maia, o balanceio "O balanceio tem açúcar" e o baião "Baião vai, baião vem", de Hervé Cordovil.

Em 1953, gravou de Humberto Teixeira e Felícia Godoy o samba "Um verdadeiro amor" e de Hervé Cordovil, a marcha-rancho "Que bela rosa". No mesmo ano, gravou as polcas "A viola do Zé", de José Meneses e Luiz Bittencourt. Ainda em 1953, gravou com o Trio Melodia a chula "Pau de arara" de Luiz Bittencourt e José Meneses e a clássica toada "Tristeza do Jeca", de Angelino de Oliveira, e apareceu no filme "Agulha no palheiro", de Alex VianyEm 1954, gravou de Capiba, o frevo-canção "Vamos pra casa de Noca?". No mesmo ano, gravou as marchas "Carnaval em Caxias", de Humberto Teixeira e Felícia Godoy e "Marcha dos barbadinhos", de Roberto Martins. Também gravou com Sivuca os pot-pourris "No mundo do baião" III e IV, com diversos compositores.


De 1950 a 1954, manteve-se na gravadora Continental, na Rádio Nacional e no topo das paradas como a Rainha do Baião. Depois de apresentar-se com enorme sucesso na Argentina, viaja com a caravana de Humberto Teixeira indo apresentar-se na Alemanha, onde fez sucesso, sendo convidada a gravar um LP pela Telefunken. O mesmo acontece em outros países onde se apresenta. Em Portugal, seu repertório passou a ser utilizado por ranchos regionais. Na então União Soviética, fez um show para 150 mil pessoas.


Em 1954 apareceu no filme "Carnaval em Caxias", de Paulo Wanderley. Em 1955, gravou o samba "Falando de amor", de Edu Rocha, João de Oliveira e Pernambuco, a marcha "Disco voador" de Hervé Cordovil e os baiões "Voando prá Paris", de Humberto Teixeira e "Pau-de-arara", de Guio de Morais. Nesse mesmo ano apareceu nos filmes "Trabalhou bem, Genival", de Luís de Barros e "Carnaval em lá maior", de Ademar Gonzaga.

Em 1956, gravou os baiões "Baião de Santa Luzia", de Luiz Bandeira e "Vapô de Carangola", de Manezinho Araújo e Fernando Lobo e apareceu na fita "Pensão de Dona Estela", de Alfredo Palácios e Ferenc Fekete. No mesmo ano, já de viagem marcada para a Europa gravou de Luiz Bandeira o frevo "Quarta-feira ingrata" que se tornou o hino do carnaval pernambucano. Em 1957, gravou os frevos-canção "É de fazer chorar", de Luiz Bandeira e "Nem que chova canivete", de Capiba.


Em 1959, gravou os sambas "Maldade", de Valdemar Gomes e "Recado", de Djalma Ferreira e Luiz Antônio e os baiões "Serenata dos gatos" e "Carreteiro", ambos de Antônio Almeida. Gravou, também, o clássico samba "Gente da noite", do compositor gaúcho Túlio Piva. Por essa época, o casal Carmélia Alves e Jimmy Lester pouco tempo ficou no Brasil, fazendo tournês internacionais nas três Américas e na Europa.

Em 1962, gravou pela Mocambo os sambas "Tem que ter", de Túlio Piva e o clássico "Chiclete com banana", de Almira e Gordurinha. No mesmo ano realizou com enorme sucesso uma série de shows em boates chilenas durante a Copa do Mundo.

Em 1963, gravou o frevo-canção "É de Maroca", de Capiba e o samba "O malhador", de Donga, Pixinguinha e Valfrido Silva. Durante a Jovem Guarda, chegou a apresentar-se com o grupo vocal Golden Boys, no programa Silvio Santos na televisão.


Em 1974, gravou pela RGE o LP "Ritmos do Brasil", onde interpretou uma variedade de ritmos musicais brasileiros, entre os quais, o baião "Paraíba feminina", de Hervé Cordovil, o carimbó "Eu vou girar", de B. Lobo e Agnaldo Alencar, o arrasta-pé "Chora viola, chora", de Venâncio e Corumba e o maxixe "Feitiço da Bahia", de Nelson Sampaio.

Em 1976, a Continental lançou pela série "Ídolos MPB", o LP "Carmélia Alves", fazendo um histórico da carreira da cantora, com a apresentação de 12 composições, que foram sucesso em sua voz.

Em 1977, após 15 anos sem se apresentar para o público carioca, fez antológico show ao lado de Luiz Gonzaga no Teatro João Caetano reabrindo a série "Seis e Meia". Na década de 1990, integrou o conjunto "Cantoras do rádio" ao lado de Nora Ney, Zezé Gonzaga, Rosita Gonzales, Ellen de Lima e Violeta Cavalcanti.


Em 1993 teve relançado em CD o seu show realizado no teatro João Caetano ao lado de Luiz Gonzaga.

Em 1998, com a morte de Jimmy Lester, entrou em depressão, permanecendo isolada em sua residência de Teresópolis, mas em dois anos já estava de volta ao trabalho, participando de vários shows em São Paulo, inclusive, no Projeto "O Botequim do Cabral" ao lado do crítico Sérgio Cabral.

Em 2000, lançou pelo selo paulista CPC da Umes, com produção de Marcus Vinícius, um CD dedicado a Jackson do Pandeiro e Gordurinha, contando com a participação de Inezita Barroso, Luiz Vieira e Elymar Santos. O lançamento do CD aconteceu através de uma série de shows por todo o Brasil.


Em 2001 apresentou-se no Teatro de Arena ao lado das cantoras Ellen de Lima, Violeta Cavalcanti e Carminha Mascarenhas no show "Estão voltando as flores".

Em 2002 foi lançado o CD "Estão voltando as flores", com Violeta Cavalcanti, Carminha Mascarenhas e Helen de Lima, onde ela canta, entre outras, as músicas "Ninguém me ama", "Feitiço da Vila" e "Kalu". Como programação do lançamento do CD, o mesmo espetáculo voltou à cena no Teatro Rival BR em agosto de 2002, com grande sucesso de crítica e público.

Em 2007 a gravadora BMG relançou o disco "Ao Vivo no Seis e Meia - Luiz Gonzaga e Carmélia Alves" em edição renovada, com a íntegra do show, capa e título diferentes. 

Carmélia faleceu em novembro de 2012, vítima de câncer.


Coroada por ninguém menos que Luís Gonzaga como "Rainha do Baião", Carmélia Alves se apresentou junto com o Rei do Baião por diversas vezes e a parceria deu origem ao disco "Luiz Gonzaga e Carmélia Alves ao Vivo", gravado em 1977 no teatro João Caetano, no Rio de Janeiro.


A cantora alcançou grande sucesso com “Sabiá na gaiola”. Reconhecida no Brasil e na América Latina, Carmélia vendeu milhares de cópias, o que obrigou a gravadora Continental de Buenos Aires a abrir outra filial para conter a demanda de venda. Segundo o historiador da Rádio Nacional do Rio e crítico musical, Osmar Frazão, a artista levou o baião para a Alemanha, o México e diversos países, sempre com muito sucesso.



Ganhou todos os prêmios importantes da época, que estão expostos em museu. Foi integrante do grupo "Cantoras do Rádio", formado em 1988, ao lado das amigas Ellen, Violeta e Carminha.




"Sabiá na Gaiola", "Trepa no Coqueiro", "Coração Magoado" e "Esta Noite Serenou" são algumas das canções famosas em sua voz. Estrela da época, também participou de filmes como "Carnaval em Lá Maior" (1955) e "Agulha no Palheiro" (1953), e excursionou pelo exterior com o marido, o também cantor Jimmy Lester, com quem não teve filhos, mas dividiu o palco em países como o México, Alemanha e Argentina.



FONTE


http://www.cantorasdobrasil.com.br/cantoras/carmelia_alves.htm