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"Acho que finalmente me dei conta que o que você faz com a sua vida é somente metade da equação. A outra metade, a metade mais importante na verdade, é com quem está quando está fazendo isso."

terça-feira, 17 de maio de 2011

Vicente Salles

Vicente Salles - Um homem de muitas facetas:
antropólogo de formação acadêmica, folclorista,
historiador da cultura, musicólogo
e a mais antiga faceta, poeta!
Marena Isdebski Salles
(violinista)

O escritor e pesquisador Vicente Juarimbu Salles, (Igarapé-Açu/PA, 27 de novembro de 1931) teve seu interesse por literatura, música e folclore despertado logo na infância. Seu pai era leitor de cordel e seu avô produzia poesias em cordel. Nessa área de estudo, Vicente Salles publicou Repente & Cordel (Prêmio Silvio Romero, 1981).

Em Castanhal, onde viveu ainda garoto, Vicente Salles foi introduzido ao mundo da leitura e da música. Na década de 1940, quando participava de recitais na cidade, o coral no qual cantava foi regido pela maestrina Margarida Schiwazappa, interpretando músicas de Heitor Villa-Lobos. Foi em Castanhal, também, que um violinista espanhol o apresentou ao instrumento. Assim foram os primeiros contatos do escritor com a arte...

Em Belém conheceu Bruno de Menezes, seu primeiro mestre da vida. "Nesse momento, morria o músico e nascia o jornalista". Foi pela porta do jornalismo que Vicente Salles entrou na área da pesquisa. Trabalhou nos jornais A Província do Pará e O Estado do Pará, onde publicou seus primeiros trabalhos. Foi o poeta Bruno de Menezes quem apresentou a Vicente os grupos populares de Belém, batuques, pássaros e bumbas.

Em 1954, quando o Teatro da Paz foi restaurado, ele aproveitou a oportunidade para guardar preciosidades da cultura paraense. "Houve uma limpeza no Theatro da Paz e jogaram muito lixo, entre papéis e documentos. Carreguei o que pude" (Vicente Salles). Assim, Vicente Salles começou sua peregrinação pelo interior do Pará, pesquisando a história das bandas de música e carimbó.

Nesse mesmo ano, decidiu morar no Rio de Janeiro. Estudou jornalismo, colaborou com jornais e revistas nacionais e bacharelou-se em Ciências Sociais pela Faculdade Nacional de Filosofia, com especialização em Antropologia na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil.

Quando morou no Rio de Janeiro, Salles conviveu com grandes intelectuais, como o antropólogo Darcy Ribeiro, que foi seu professor. Foi também no cenário carioca que ele conheceu seu grande amor. "Procurei o pai dela, musicista e escultor, para estudar música. Mas aí eu conheci a filha dele, violinista também, e me encantei. Marena era um brotinho lindo... Larguei o violino, para ficar com a violinista".

E já conta quase cinco décadas de casamento. O casal tem três filhos (dois músicos e uma bancária) e duas netas. Conheceram-se quando ainda eram jovens. Ela tinha 16 anos e ele, 22. O tempo passou sem que se dessem conta, mas "se eu pudesse voltar atrás, faria tudo de novo. Casaria com ele mais uma vez", diz a violinista.

Marena isdebski Salles, filha do maestro Marcos Raggio de Salles e da professora Anna Katarina. Marena iniciou os estudos de violino com o pai. Matriculou-se depois na Escola Nacional de Música, classe prof. Oscar Borgerth, concluindo graduação, pós-graduação e aperfeiçoamento. Marena também é escritora.

Marena Salles, possui grande acervo de partituras e documentos raros. Tem divulgado parte desse acervo em aulas, conferências, nos discos que gravou e nos artigos que publicou. Ela integra há anos o corpo docente do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga de Juiz de Fora, ao lado do mestre Paulo Bosísio, com quem divide a experiência didática e de pesquisadora da história do violino e dos músicos brasileiros em geral.


Marena isdebski Salles
Uma de suas obras Arquivo Musical, reune alguns trabalhos publicados em jornais e revistas especializados em música e folclore. Periódicos de circulação restrita, o destino natural é o arquivo pessoal, ou de poucos interessados, afortunadamente coleção de hemerotecas. Por considerar oportuno Marena tornou seu Arquivo Musical mais “vivo”, levando em conta a especificidade do livro, certamente dotado de “vida” própria, que ultrapassa as pretensões de um simples periódico. A obra trata da música e de músicos brasileiros...


Marena e Vicente Salles lançaram em 2010, no Instituto Histórico e Geográfico do DF, a biografia do compositor Marcos Salles – Uma Vida (Thesaurus Editora), acompanhado de um CD homônimo, com 13 músicas, 10 das quais de Marcos Salles. Marcos Salles foi maestro, violoncelista, professor, compositor, escultor: criou algumas esculturas que lhe renderam inclusive alguns prêmios.

Pseudônimos literários de Vicente Salles

Vicente Salles publicou diversos livros sobre música da região amazônica, cultura brasileira e História. Colaborou na produção de aproximadamente de 50 discos de folclore e MPB. Tem 24 livros publicados e cerca de 50 micro-edições, além de ensaios em obras coletivas. Salles já lançou mão dos peseudônimos:

  • Leonardo Lessa
  • Juarimbu Tabajara
Acervo de Vicente Salles é aberto à consulta



Imagine músicas clássicas e populares. Sinfonias e cantigas de ninar. Composições de autores paraenses, nacionais e internacionais. Partituras originais de melodias e concertos famosos. Imagine uma época em que uma partitura era um presente tão comum como um CD e as jovens donzelas passavam suas tardes debruçadas sobre o piano e costumavam colecionar canções.

Viajar no tempo e vivenciar a história da música no Pará e na Amazônia e sua relação com a sociedade, nos séculos XIX e XX, é possivel ao consultar o Acervo Musical da Coleção Vicente Salles na Biblioteca do Museu da Universidade Federal do Pará.

Cerca de sete mil títulos entre discos, fitas cassetes, fitas de rolo, vinis, CDs, livros e partituras editadas e originais de grandes nomes da música regional fazem parte da Coleção adquirida pela Universidade, em 1984, e que guarda documentos datados desde 1880 aos dias atuais. “Todo esse material esteve muito bem guardado ao longo dos anos, mas era preciso organizá-lo para conhecê-lo mais profundamente e também para facilitar a consulta a todo esse registro histórico”, explica o maestro Jonas Arraes, coordenador do Projeto “Recuperação e difusão do acervo musical da coleção Vicente Salles da Bibloteca do Museu da UFPA”.

O projeto elaborado em agosto de 2006 venceu um concurso nacional e conquistou patrocínio do Govenro Federal por meio da Petrobrás e da Lei Rouanet do Ministério da Cultura. De fevereiro de 2007 a junho de 2008, uma equipe multiprofissional composta por mais de 20 musicólogos, bibliotecários, fotógrafos e técnicos de diferentes áreas atuaram nas diversas etapas de preservação e organização do acervo.

O resgate da própria identidade cultural. Eis o motor que motivou dois anos dedicados exclusivamente a recuperação de um extenso e raro acervo com cerca de sete mil títulos, entre discos, fitas cassetes, fitas de rolo, vinis, CDs, livros e partituras de grandes nomes da música paraense.

O acervo, que reúne de relíquias dos séculos XIX e XX a gravações de Pinduca e Waldemar Henrique, faz parte do projeto “Recuperação e difusão do acervo musical da coleção Vicente Salles da Biblioteca do Museu da UFPA”, que recentemente abriu as portas para o público, depois de um longo período entre aquisição, digitalização e catalogação das obras.

A coleção foi adquirida pela universidade ainda em 1984, e traz documentos datados de 1880 aos dias atuais. “Todo esse material esteve muito bem guardado ao longo dos anos, mas era preciso organizá-lo para conhecê-lo mais profundamente e também para facilitar a consulta a todo esse registro histórico”, explica o maestro Jonas Arraes, coordenador do projeto, desenvolvido de 2007 a 2009, com subsídio do Governo Federal por meio da Petrobras e da Lei Rouanet do Ministério da Cultura.

Temos bons pesquisadores sobre a história social e musical na Amazônia que enfrentam dificuldade de acesso às fontes primárias. Nosso trabalho foi facilitar o acesso às fontes originais e o seu manuseio, ao mesmo tempo em que criamos mecanismos para garantir a preservação do material histórico. Antes, um pesquisador precisava de autorização para reproduzir ou fotografar a partitura original e levá-la até um músico para poder ouvir a melodia. Hoje, ele pode sair da biblioteca com uma cópia da partitura impressa e aqui mesmo ouvir a melodia com o auxílio de um programa de computador”, explica o Maestro Jonas Arraes.

Agora disponível para consulta pública, um tesouro ao alcance das mãos:
  • 1.064 partituras manuscritas higienizadas;
  • 2.058 partituras editadas catalogadas;
  • 396 partituras originais digitalizadas e convertidas em arquivos de áudio em formato MP3 e WAV;
  • um levantamento biográfico identificou 70 paraenses dentre os 562 compositores cujas obras compõem o acervo;
  • e ainda 461 LPs, 117 vinis compactos;
  • 175 vinis de 10 polegadas;
  • e 129 fitas de rolo magnético digitalizadas e gravadas em CDs.
O acervo espelha o estilo de pesquisa do professor Vicente Salles. É um acervo de historiador”, diz Arraes sobre o vasto material inteiramente recolhido por Salles e que, além de registros musicais, traz ainda livros, periódicos, correspondências e vários documentos sociais e culturais.

Calculamos mais de quatro mil documentos e mais de 70 mil recortes de jornal sobre temas como música, folclore, negro, artes cênicas e literatura, além de uma coleção de cartuns, fotografias de época, cordéis, peças de teatro do repertório nacional, teses, folhetos e cartazes”, diz Carmen Affonso, organizadora do material.

Material guarda registros preciosos

Um ilustre membro faz parte do projeto, o pesquisador, historiador, folclorista e musicólogo Vicente Salles. “Vicente Salles é um homem único na históra da pesquisa no Pará. A coleção inteira foi reunida por ele, que até hoje faz inúmeras contribuições”, revela Carmem Affonso, organizadora da coleção.

Além do acervo músical que faz parte do projeto de recuperação, livros, periódicos, correspondências e vários documentos sociais e culturais compõem a coleção. “Calculamos mais de quatro mil documentos e mais de 70 mil recortes de jornal sobre temas como música, folclore, negro, artes cênicas e literatura, além de uma coleção de cartuns, fotografias de época, cordéis, peças de teatro do repertório regional e nacional, teses, folhetos e cartazes”, revela a organizadora.

O acervo traz registros dos principais compositores paraenses e residentes na capital paraense durante a época da borracha, como Paulinho Chaves, Eulálio Gurjão e Meneleu Campos. “Os discos revelam muitas obras e interpretações importantes, como a de ‘A Casinha Pequenina’, de Bidu Sayão (1902-1999)”. Música que, aliás, é de autoria do paraense Bernardino de Souza, como comprovam os documentos da Biblioteca do Museu.


Temos a primeira edição, ainda da década de 1920. Hoje essa música é de domínio público, mas sempre foi atribuída a um compositor sulista. No entanto, guardamos uma partitura original como prova de que a composição é de um paraense”, conta Carmem.

A modinha, o gênero mais lírico e sentimental de nosso cancioneiro, é também o mais antigo, existindo desde o século XVIII. E entre todas as modinhas surgidas nesse longo espaço de tempo, nenhuma seria tão cantada e gravada como a "Casinha Pequenina".

Lançada em disco por Mário Pinheiro em 1906, teria dezenas de gravações figurando no repertório dos mais variados intérpretes, de Bidu Sayão e Beniamino Gigli a Cascatinha e Inhana, de Sílvio Caldas e Nara Leão aos maestros Radamés Gnattali, Lírio Panicali e Rogério Duprat.

Atribuída a autor desconhecido, a "Casinha Pequenina" teve a origem pesquisada pelo musicólogo Vicente Sales, que atribui sua criação ao paraense Bernardino Belém de Souza.

Carteiro e pianista, Bernardino tocou durante algum tempo em navios que faziam a linha Rio-Manaus, aproveitando as viagens para divulgar suas composições no sul do país.

Outra autoria possível, mas não comprovada, seria a dos atores Leopoldo Fróes e Pedro Augusto. Segundo Íris Fróes, biógrafa do primeiro, Leopoldo teria recebido de Pedro a letra da "Casinha Pequenina" pronta, e composto a melodia em 1902. A verdade é que nenhum deles jamais reivindicou a paternidade da canção, apesar do sucesso...

Casinha Pequenina (modinha, 1906)

Tu não te lembras da casinha pequenina
Onde o nosso amor nasceu
Tu não te lembras da casinha pequenina
Onde o nosso amor nasceu
Tinha um coqueiro do lado
Que coitado de saudade já morreu
Tinha um coqueiro do lado
Que coitado de saudade já morreu

Tu não te lembras das juras e perjuras
Que fizeste com fervor
Tu não te lembras das juras e perjuras
Que fizeste com fervor
Do teu beijo demorado prolongado
Que selou o nosso amor
Do teu beijo demorado prolongado
Que selou o nosso amor

Tu não te lembras do olhar que a meu pesar
Dou-te o adeus da despedida
Tu não te lembras do olhar que a meu pesar
Dou-te o adeus da despedida
Eu ficava tu partias tu sorrias
E eu chorei por toda a vida
Eu ficava tu partias tu sorrias
E eu chorei por toda a vida

Esse acervo traz um registro precioso. Nós temos parte da história da música paraense atualmente renegada ao esquecimento. É um período cultural ímpar e riquíssimo, discutido hoje com muita superficialidade nas escolas”, diz Jonas Arraes, salientando as obras raras da coleção:
  • partituras manuscritas do século XIX, partituras editadas no período da Belle Époque;
  • fitas de rolo e os discos vinis de 78 rpm com gravações de melodias;
  • e entrevistas com compositores e músicos.
Esse material, muitas vezes, é singular. Além disso, o ineditismo e a originalidade de várias obras garantem sua raridade”, afirma o coordenador do projeto.

Serviço

A Coleção Vicente Salles está disponível para consulta de segunda a sexta, de 9h às 17h, na Biblioteca do Museu da UFPA, localizada na Avenida José Malcher. Informações: 3242-6240 / 3242-6233. (Diário do Pará)



A Biblioteca do Museu da UFPA foi criada oficialmente em 1988. Um de seus objetivos é fornecer suporte informacional às atividades imprescindíveis do Museu; sendo voltada para o atendimento ao público, principalmente a pesquisadores interessados em fontes para a elaboração de suas monografias, dissertações, teses, reportagens e projetos audio-visuais.

O acervo inicial de 1.622 títulos formados por livros, catálogos de exposição, coleções de jornais, cartazes, convites e cartões postais, foi formado através de doações e permutas, por pessoas e instituições interessadas no ensino da arte na UFPA.

Em 1998 a Biblioteca foi ampliada em seus espaços físicos e em seu acervo, recebendo posteriormente em suas dependências a Coleção Vicente Salles adquirida pela Reitoria em 1993, conjunto documental formado por mais de 70.000 títulos.

A Biblioteca do MUFPA, ao longo de seus 20 anos, tem feito o possível para atender a demanda de informações bibliográficas e aos avanços físicos e operacionais de pesquisa do MUFPA, procurando dentro de seus objetivos específicos fornecer informações à comunidade universitária e também colaborar para os avanços de reestruturação do Museu.

Em 2005 na gestão da Professora Jussara Derenji o Museu da Ufpa foi reformado e restaurado, a Biblioteca foi revitalizada ocorrendo mudanças em seu espaço físico juntamente com a reforma do prédio.

SERVIÇOS PRESTADOS

  • Atendimento ao usuário
  • Indicação bibliográfica
  • Intercâmbio de material
  • Indicação de outras fontes de informação
  • Reprodução de documentos:
A reprodução de documentos bibliográficos das coleções é permitida desde que esteja de acordo com a Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610, 19/02/1998) para fins de uso próprio, sem fins lucrativos. O usuário terá que fazer uma cópia para a Biblioteca com o propósito de deixar a cópia, para outras reproduções futuras, evitando danos maiores ao papel que com a cópia desgasta ao equivalente de sete anos de vida.

A Biblioteca mantém, na Sala de Leitura, pequenas exposições de curta duração.

No momento apresentamos uma exposição de fotografias de populações nativas da Amazônia, provavelmente datadas de início ou meados do século XX.

CIRCULAÇÃO

A Biblioteca do Museu tem como público alvo: professores, pesquisadores e alunos universitários, bem como a comunidade em geral.

- Foram atendidos no ano de 2009, 537 (quinhentos e trinta e sete) usuários.

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO

A Biblioteca funciona de 2ª a 6ª no horário de 9h às 16h.

ENDEREÇO E CONTATOS

Av. Gov. José Malcher 1192 esquina da Av. Generalíssimo Deodoro
Telefone: (091) 3242-8340 ramal 118

E-mail: biblioteca.museudaufpa18@gmail.com

FONTE

Diário do Pará

wikipédia

Cifrantiga

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