sexta-feira, 27 de maio de 2011

Manhoso


Edson Correia da Fonseca, o Manhoso, é mineiro de Tombos de Carambola. Veio para o Rio de Janeiro em 1960 e se instalou em Queimados. Conseguiu um emprego na TV Tupi como porteiro e depois como mimeografista.

MUNDO MODERNO (JOÃO CORREIA/MANHOSO)

Este Mundo moderno
Virou um inferno
E eu tenho razão:
É troca de olho,
É troca de tiro
Até de canhão!
É só mentiroso
jurando que viu
Um disco voador
Vestido de verde
Com um fuzil do lado
Causando pavor!
Os "ladrões" vão ao banco
Prende os funcionários
E levam milhões,
Logo após o gerente
Diz que a polícia
Procura os "ladrões"
É tudo combinado
Com a imprensa
E todos jornais
E ele vem na revista
Parece um artista
De grande cartaz
Tem homem de saia
Tem hippie na praia
De todo tamanho
Eu só falo a verdade
Na realidade
Eles não tomam banho
Tem foguete na lua
E mulher quase nua
Na televisão
Que sorrindo prá todos
Dizendo que a arte
É a sua razão!

Um dia, Flávio Cavalcanti ouvindo-o cantar, fez o convite para uma apresentação em seu programa “A Grande Chance”. Manhoso cantou “Não Quero Nem Saber Quem Envernizou a Barata”. Com o sucesso da apresentação, foi convidado por Mariozinho Rocha, que fazia parte do júri, a gravar um compacto simples pela Music Disc.



A música fez o maior sucesso pelo Brasil e Manhoso foi chamado para participar dos programas de TV e de rádio apresentados por Haroldo de Andrade. Paulo Barbosa o leva para a RCA onde gravou 15 Lp’s onde se destacam: “Festa da Rabada”, “Só Capim Canela” e “Bem Feito, Quem Mandou Votar no Homem”.

 

Com passagem pelas gravadoras Continental, Copacabana e CID, emplacou novos sucessos: “Tico Tico”, “O Peru”e “Feijao Tumim”. Foi convidado para diversos programas de televisão: “Perdidos na Noite”, “Domingão do Faustão”, “Chacrinha”, “Raul Gil”, “Sílvio Santos”, entre outros.






Com sua experiência de cantor e contador de piadas, participou do “Impecável Maré Mansa” na Rádio Globo; "Forro da Feira”, na Rádio Tamoio e teve seu próprio programa na Rádio Haroldo de Andrade: “Meu Brasilzão, Meu Povão”.


O Rei do Forró do Duplo Sentido - Biografia

Um dia especial num interior de uma cidade em Minas Gerais. Era de manhã o dia mal começava para a maioria dos moradores de Catuné distrito de Eugenopólis cidade vizinha à Tomas de Carangola, mas na casa ao lado do riacho o movimento era grande a expectativa era maior ainda mais pois alguns instantes nascia o primeiro filho de Dona Maria Luiza da Fonseca e do seu João Fernandes da Fonseca.

A pequena casa ficou grande e ficava maior ainda se todos que festejavam o nascimento do bebê pudessem imaginar que ele estava predestinado a fazer um grande sucesso, seu nome Manhoso. Como todo menino da sua idade ele fazia suas traquinagens, matava as aulas para tomar banho no rio, andava em lombo de burro, caçava passarinhos e também gostava de bater uma peladinha.



Em 1960 se transferiu para o Rio de Janeiro indo morar no subúrbio carioca de Queimados, adaptou-se com lenta facilidade à nova vida, mas como todo menino da sua idade e também do interior sentia muita saudade dos pais o que lhe obrigava constantemente ao retorno a sua terra natal, mas aos poucos trazia sua família para viver ao seu lado.

Teve então uma nova etapa de sua vida, além de estudar começou a trabalhar na TV Tupi, foi aí que então começou tudo para Manhoso. Flavio Cavalcante que apresentava o programa "Um Instante Maestro" viria a esculhambar a música caipira, num desses programas, ele desafio que alguém viesse ao palco cantar uma música do gênero.



Manhoso que nessa época trabalhava como mimeógrafo aceitou o desafio e foi cantar a música "Não quero saber quem envernizou a asa da barata só quero saber quem ficou com o resto do verniz?" o resultado foi um tremendo sucesso que o levou ao ar pelo programa várias vezes até que Mariozinho Rocha que participava do programa o levou para a gravadora Music Disc, ali ele gravou seu primeiro disco um compacto simples com a música "não quero nem saber de Pirapó, Cambará e Augustocano" e a sombra de sua própria autoria, logo no ano seguinte foi contratado pela gravadora Copacabana começava aí uma carreira que iria durar muito tempo.

Depois Manhoso a convite do seu amigo Paulo Barbosa foi para a gravadora RCA invicto onde gravou 15 LPS posteriormente para a gravadora SID entre ou trás. Apenas para se ter uma ideia de como Manhoso não faz graça apenas em disco em certa ocasião foi convidado pelo programa Almoço com as estrelas apresentado por Airton Pé Ligeiro na extinta TV Tupi e com ele levou sua "marmita" e é com essa mesma identidade que ele faz grandes sucessos em discos no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás e em todo Brasil.



Manhoso também faz muitos espetáculos em grandes exposições agropecuárias nesses estados especialmente nos períodos de festas juninas era de 15 a 20 espetáculos por mês chegando a fazer 3 numa mesma noite, sem falar nos shows em circos ou nos bares de casas noturnas de todo Brasil. E sempre fazendo graça Manhoso promete ficar muito tempo por aí vivendo de sua arte de se fazer de rir que hoje em dia é difícil de se viver no Brasil.

Bastava poucos dias para Manhoso de desconhecido a passar a ser popular entre o grande público, com a gravação do primeiro disco abriu a porta para o sucesso e a fama sendo um grande vencedor de discos inclusive no interior do Brasil ver o seu 1° lançamento. Desde então, todas as gravações tiveram um lugar na preferência do público.

De repente sua vida transformou-se num autêntico sucesso com novas emoções que se repetiam dia-dia, o respeito dos colegas, os aplausos, o carinho dos fãs, as homenagens, tudo que faz a vida de um cantor famoso, as viagens, as gravações, os shows, mas também todas aquelas coisas simples e comoventes que tocam o coração de um artista.



Manhoso conta que foi na cidade mineira de Barbacena que teve a grande emoção da sua vida. Era festa da cidade e estava cantando para um público de aproximadamente 30 mil pessoas quando uma velhinha de mais de 90 anos subiu ao palco e começou a cantar com ele dizendo que o sonho dela a partir daquele momento estava realizado, Manhoso então não conseguiu mais cantar, pediu desculpas a multidão e foi para o seu camarim e são esses carinhos que vindo de gente que nunca se viu, gente simples e humilde que mora longe, que a gente não sabe se existe que nos tocam lá no fundo do coração e nos serve de estímulo a cada viagem que faz , a cada apresentação, a cada novo disco gravado.

Manhoso se sente ainda mais estimulado em continuar uma carreira que não faz outra coisa senão acumular sucesso. Desde o grande sucesso "quem envernizou a barata"; "pirapó, cambará, augustocano" até o mais novo trabalho que vem por aí, todas as gravações fizeram tal sucesso popular que logo depois de lançadas ocuparam lugar de destaque nas paradas de sucessos assim aconteceu com "quem envernizou a barata?" "vizinha fuxiqueira", "minhocão, "só capim canela" "força da mandioca", "tico-tico", "festa da rabada" e mais recente "o pedágio" entre tantos outros sucessos.



Edson Correia da Fonseca, mineiro de Tomás de Carangola ninguém saberá quem é, mas se falarmos no Manhoso logo todos o identificarão como o cantor de sátiras, um dos poucos no Brasil que ainda se mantêm em atividade e fazendo aquilo que mais gosta que é cantar e contar seus causos.

Nesta oportunidade como não poderia deixar de ser cheio de orgulho e emoção ter um imenso prazer em apresentar para o Brasil como seu convidado especial o grupo Forró Brasil que tem na sua formação seu filho Fernando no triangulo, sua neta Luana nos teclados, Ricardo Agura na guitarra e Betinho da Bahia no vocal. Manhoso tem absoluto certeza de que seu público terá com Forró Brasil o mesmo carinho e respeito que vem tendo com ele nesses mais de 40 anos de uma brilhante carreira que não faz senão outra coisa além de acumular sucesso.

  

FONTE

2 comentários:

Mario Morais disse...

Depois de muita pesquisa, finalmente encontrei vestígios deste grande artista.Cresci ouvindo e cantarolando suas musicas.Às vezes arriscando alguns acordes no violão, pois suas músicas, além de muito divertidas são fáceis de tocar.Pena que não encontramos mais os seu discos no mercado.

Luis Gonçalves disse...

Queimados não é um subúrbio carioca, é um município da Baixada Fluminense. Na época mencionada, ainda era parte integrante do município de Nova Iguaçu. Portanto, era parte do subúrbio iguaçuano, não carioca.