domingo, 3 de fevereiro de 2013

Cláudio Lacerda


Dedicado à pesquisa e composição de músicas regionais, Cláudio Lacerda é um dos expressivos talentos desse gênero que já produziu reconhecidos nomes como Renato Teixeira, Almir Sater, Paulo Simões e outros. Descendente de mineiros, Cláudio sempre esteve ligado por influência familiar à música regional, elo reforçado no período em que realizou sua graduação em zootecnia, em Botucatu, SP, região conhecida como um dos berços da música caipira paulista (de lá saíram Raul Torres, Angelino de Oliveira e Serrinha).


A carreira solo se efetivou com o CD "Alma Lavada", produção independente de 2003, que teve a participação especial de Renato Teixeira, cujo lançamento se deu no Theatro São Pedro, na cidade de São Paulo.

Em 2004, Cláudio venceu o I Prêmio Nacional de Excelência da Viola Caipira, na categoria de melhor intérprete – iniciativa da Revista Viola Caipira, de Belo Horizonte / MG. Neste mesmo ano, realizou uma série de quatro shows no Teatro Crowne Plaza, em São Paulo, com participações especiais de Paulo Simões, Alzira e Tetê Espíndola, Miriam Mirah e Zé Paulo Medeiros.


Em 2005, participou do projeto "Prata da Casa" e do "Amostra Prata da Casa" com os melhores do semestre, promovido pelo Sesc Pompéia, em São Paulo. 

Em 2006 integrou a lista de artistas selecionados para a Pauta Funarte de Música Brasileira, projeto promovido pelo Ministério da Cultura. Gravou também neste ano, seu segundo CD, o independente “Alma Caipira”, cujo lançamento se deu em maio de 2007 no Teatro do SESC Pompéia, com participação especial de Pena Branca. O CD chamou a atenção de críticos especializados, ganhou matéria de capa do caderno de cultura do jornal “O Estado de São Paulo”, assinada por Lauro Lisboa Garcia, e foi selecionado para o Prêmio Tim de Música em 2008.


Em 2009, Cláudio Lacerda foi selecionado para o projeto "SESI Música 2009 - Série Brasileira", e realizou uma série de seis shows pelos teatros do SESI, em cidades do interior paulista, durante o primeiro semestre deste mesmo ano. 

Em 2010, Lacerda grava seu terceiro CD, o autoral "Cantador", com a participação especial de Dominguinhos, e lançamento com casa cheia em maio, no teatro do SESC Pompéia. 


A sabedoria da simplicidade - Para  melhor apreciar o cantar e o tocar do paulistano Cláudio Lacerda, deve-se deixar o tempo de lado. Ao menos por alguns minutos, deve-se evitar que o relógio determine o passar das horas. Deve-se fazer do presente um aliado e com ele combinar um pacto: eu desacelero e você permite.


Cantador é o terceiro disco de Cláudio Lacerda. Independente, o álbum revela um modo de ser musical desconhecido, ou pouco familiar, dos urbanos. Para imaginar o universo interiorano descrito pela cantoria e pela letra de Cláudio Lacerda, revisitado em belas e ternas toadas tocadas por músicos da mais alta qualidade, deve-se ao menos buscar saber do cheiro do mato, do gosto do café recém-coado, do brilho vivaz da Via Láctea e do luar que faz sombra no chão da terra orvalhada. E para falar de coisas claras, Cláudio tem no matulão a voz e o saber da simplicidade.

Seus versos privilegiam a estrada, o caminhar... "(...) Por campo, serra, chuva e cheiro do mato/ Me abandono pelo estradão (...)", versos de Veneno Viola, parceria com Ighor Aguila; "(...) Eu vou em frente, pela estrada dessa paixão/ E simplesmente quero sua decisão (...)", versos de Decisão (com Julio Bellodi); "(...) Vou seguindo pela estrada, feito pneu de caminhão/ Cada reta um destino, cada curva uma ilusão (...)", versos de Estradeiro (com Zé Paulo Medeiros). Ou ainda "(...) Cada passo nessa estrada, eu sigo sem saber/ Deus mostra o caminho, mas quem caminha é você (...)", versos de Caminhador (com Zé Paulo Medeiros); e por fim, "(...) Saí do sertão bem menino, vagando, sem ter pr'onde ir/ Na estrada, na fome o destino, mais uma porteira pra abrir (...)", versos de Sina de Cantador (de Julio Bellodi).


São versos simples, cheios de força, plenamente identificáveis e reconhecíveis por quem já sentiu o ar que se respira numa trilha de chão batido ou por quem já viu o mapa do próprio destino traçado na poeira que levantava atrás de si.

Cantador de toadas, Cláudio Lacerda engrandece a voz ao dizer o que lhe toca a alma. Os arranjos de Sergio Turcão, nos quais não faltam viola, sanfona, gaita e violões com cordas de aço, são tudo o que o cantador precisa para entoar sua vida. Com voz suave, afinada, sem afetações, o cantor colore o seu mundo usando tintas vivas, banhadas em sol e em lua, em poeira e em estradas.

A participação de Dominguinhos em Canto Brasileiro (Eduardo Santana e Cláudio Lacerda) é aval em forma de generosa contribuição por meio da sua voz e da sua sanfona, encontráveis apenas em... Dominguinhos.


Cantador é CD para ser ouvido com a alma plácida. Preferencialmente num final de tarde em que o sol convida a lua para sentar ao pé da fogueira. E assim a noite, não querendo inibir nem esfriar a prosa, retém nas mãos seu manto escuro e impede que se dilua o tom alaranjado que agora alumia a porteira lá no alto da estrada, aquela que se desfaz numa curva no final do caminhar.
Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4.

fonte

http://www.claudiolacerda.com.br

Nenhum comentário: