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"Acho que finalmente me dei conta que o que você faz com a sua vida é somente metade da equação. A outra metade, a metade mais importante na verdade, é com quem está quando está fazendo isso."

quarta-feira, 2 de março de 2011

Pixinguinha


Considerado um dos maiores gênios da música popular brasileira e mundial, Pixinguinha revolucionou a maneira de se fazer música no Brasil sob vários aspectos. Como compositor, arranjador e instrumentista, sua atuação foi decisiva nos rumos que a música brasileira tomou. O apelido "Pizindim" vem da infância, era como a avó africana o chamava, querendo dizer "menino bom".

As orquestrações de Pixinguinha podem ser reconhecidas de imediato, pois suas introduções criadas tendo como base-inspiradora: temas alheios, deram tom definitivo ao arranjo nacional. Exemplo dessa essência marcante de suas orquestrações toma-se a introdução das músicas: Mamãe eu quero (Vicente Paiva, Jararaca); Grau dez (Ary Barroso, Lamartine Babo); Maria Escandalosa (Armando Cavalcanti, Klécius Caldas); O teu cabelo não nega (Irmãos Valença, Lamartine Babo) que chegam a ser tão lembradas tanto quanto a própria música...



Alfredo da Rocha Viana Filho, conhecido como Pixinguinha, (Rio de Janeiro, 23 de abril de 1897 — Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 1973) foi um flautista, saxofonista, compositor, e arranjador brasileiro.

Pixinguinha era filho do músico Alfredo da Rocha Viana, funcionário dos correios, flautista e que possuía uma grande coleção de partituras de choros antigos. A família Vianna era numerosa; dos catorze filhos, muitos cantavam e tocavam instrumentos. O caçula, Pixinguinha, começou no cavaquinho e acompanhava o pai que tocava flauta em alguns bailes.

Logo começou a estudar música, experimentando também o bombardino e aos doze anos, compunha sua primeira obra, o choro Lata de leite, inspirado nos boêmios (os chorões da época), que bebiam o leite deixado nas portas das casas, quando retornavam das noitadas e dos bailes.

A casa dos Vianna reunia chorões ilustres, como Candinho do Trombone, Viriato, Bonfiglio de Oliveira, e muitos outros. O menino Pixinguinha tentava reproduzir numa flautinha de folha, algumas das músicas executadas. Em pouco tempo começaria a ter aulas e em 1911 o professor Irineu "Batina" levaria o aluno para tocar flauta na orquestra da Sociedade Dançante e Carnavalesca Filhas da Jardineira. São desta época os primeiros registros em jornais sobre Pixinguinha, ainda como Alfredo Vianna Júnior.

Pixinguinha aprendeu música em casa, fazendo parte de uma família com vários irmãos músicos, entre eles o China (Otávio Viana). Foi ele quem obteve o primeiro emprego para o garoto, que começou a atuar em 1912 em cabarés da Lapa; e depois substituiu o flautista titular na orquestra da sala de projeção do Cine Rio Branco.

Neste ano gravou seus primeiros discos, como componente do conjunto Choro Carioca; são eles: São João debaixo d'água, Nhonhô em sarilho e Salve (A Princesa de Cristal). No ano seguinte já era diretor de harmonia do rancho Paladinos Japoneses e fazia parte do conjunto Trio Suburbano. Ainda em 1912 participou de cinco discos, de uma só face, que fazem parte do acervo do professor Mozart Araújo.

Aos quinze anos, Pixinguinha já tocava profissionalmente na Casa de Chope La Concha. Depois trabalhou em cassinos, cabarés e teatros.

Em 1915 Pixinguinha era destaque da emergente Música Popular Brasileira. Já havia gravado discos e editado músicas de sucesso. Os jornais da época começavam a citar o jovem flautista.

Quando compôs "Carinhoso", entre 1916 e 1917 e "Lamentos" em 1928, que são considerados alguns dos choros mais famosos, Pixinguinha foi criticado e essas composições foram consideradas como tendo uma inaceitável influência do jazz, enquanto hoje em dia podem ser vistas como avançadas demais para a época.



Em 1917 o músico era solicitado para as principais festas carnavalescas. Dois anos depois, formou-se o conjunto Oito Batutas, composto de flauta, violões, piano, bandolim, cavaquinho e percussão. Em breve o conjunto se tornava moda também nos salões elegantes, e a aristocracia já cansada da música erudita, se renderia ao charme dos rapazes "morenos".

O sucesso dos "Batutas" começava a incomodar e os ataques foram muitos. A sociedade carioca imitava os modos e a cultura européia; para muitos era uma vergonha ter uma orquestra de pretos no Rio de Janeiro, mas os rapazes venceram e em breve estavam viajando por outros estados, sempre com estrondoso sucesso.

Em janeiro de 1922, os Oito Batutas embarcam em um navio, rumo a Paris, com os bailarinos Duque e Gaby. A temporada deveria ser de um mês, mas o sucesso fez com que o grupo permanecesse por mais cinco meses. Os Batutas, composto entre outros, por Donga e China (seu irmão), apresentaria à França a ginga carioca, com muito samba, swing e maxixe.

Algumas músicas de Pixinguinha ganharam letra antes ou depois de sua morte, sendo a mais famosa "Carinhoso", composta em 1917, gravada pela primeira vez em 1928, de forma instrumental, e cuja letra João de Barro escreveu em 1937, para gravação de Orlando Silva. Outras que ganharam letras foram "Rosa" (Otávio de Souza), "Lamento" (Vinicius de Moraes) e "Isso É Que É Viver" (Hermínio Bello de Carvalho).




Nos anos seguintes continuou atuando em salas de cinema, ranchos carnavalescos, casas noturnas e no teatro de revista. Pixinguinha integrou o famoso grupo Caxangá, com Donga e João Pernambuco.

A partir deste grupo, foi formado o conjunto Oito batutas, muito ativo a partir de 1919. Com os Batutas fez uma célebre excursão pela Europa no início dos anos 20, com o propósito de divulgar a música brasileira.

Os conjuntos liderados por Pixinguinha tiveram grande importância na história da indústria fonográfica brasileira. A Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, que organizou em 1928 junto com o compositor e sambista Donga, participou de várias gravações para a Parlophon, numa época em que o sistema elétrico de gravação era uma grande novidade.

Em 1928, logo após implantação da gravação elétrica no Brasil, Pixinguinha pôde usar a gravadora Odeon como Laboratório para experimentos orquestrais. Gravou como nunca, músicas dele e de outros compositores. Apresentava-se como Pixinguinha e Conjunto, Orquestra Típica Pixinguinha-Donga e Orquestra Típica Oito Batutas.

Em maio de 1928, em companhia de Donga, Pixinguinha forma uma orquestra de caráter inteiramente brasileiro. Criada para tocar na Exposição de Automobilismo, Autopropulsão e Estradas de Rodagem do Rio de Janeiro, dos 40 músicos 34 eram instrumentistas de cordas e ritmo, visto que Pixinguinha e Donga objetivavam, com essa orquestra "típica", fazer frente às jazz-bands e às típicas argentinas, febre musical da época.

A consolidação como maestro e arranjador viria em 1929, quando a gravadora Victor contratou Pixinguinha corno seu orquestrador de discos e maestro da Orquestra Victor Brasileira. Em, no mínimo, seis gravações por ano, apareceria como solista de flauta, completando suas funções.

Pixinguinha liderou também os Diabos do Céu, a Guarda Velha e a Orquestra Columbia de Pixinguinha. Nos anos 30 e 40 gravou como flautista e saxofonista (em dueto com o flautista Benedito Lacerda) diversas peças que se tornaram a base do repertório de choro, para solista e acompanhamento.

Algumas delas são "Segura Ele", "Ainda Me Recordo", "1 x 0", "Proezas de Solon", "Naquele Tempo", "Abraçando Jacaré", "Os Oito Batutas", "As Proezas do Nolasco", "Sofres Porque Queres", gravadas mais tarde por intérpretes de vários instrumentos.


("1 x 0" de Pixinguinha / B. Lacerda - por Ricardo Herz - violino; Alessandro Penezzi - violão 7 cordas; Danilo Brito - bandolim - Apresentação no Centro de Cultura Judaica em 17-03-2007)
Pixinguinha casou-se com Albertina Nunes Pereira, a Bety. Na década de 1930 foi contratado como arranjador pela gravadora RCA Victor, criando arranjos celebrizados na voz de cantores como Francisco Alves ou Mário Reis. No fim da década foi substituído na função por Radamés Gnattali.

A trajetória de Pixinguinha foi ascendente e a partir da década de 30, participou de gravações históricas: Com Carmen Miranda, em, Ta-hi (Pra você gostar de mim) e O teu cabelo não nega, esta última, também com a participação de Lamartine Babo. Com o grupo da Guarda Velha, em 1932, tocaria com Luís Americano, Donga e João da Baiana entre outros. Como músico ou maestro, já era mestre, atuando com todos os grandes intérpretes da época.

Foi um dos fundadores do rádio, ainda em 1922 e inaugurou várias estações cariocas, como Tupi Transmissora (atual Globo), Mayrink Veiga, etc. Depois de oito anos de casamento, Pixinguinha e Betty adotaram um menino, Alfredo da Rocha Vianna Neto.

Como arranjador, atividade que começou a exercer na orquestra da gravadora Victor em 1929, incorporou elementos brasileiros a um meio bastante influenciado por técnicas estrangeiras, mudando a maneira de se fazer orquestração e arranjo.

Em 1937 se juntaria com João da Baiana, Tute, Luperce Miranda e de Valeriano, e formariam "Os Cinco Companheiros".

Em 1940 passou a integrar o regional de Benedito Lacerda, passando a tocar o saxofone tenor. Algumas de suas principais obras foram registradas em parceria com o líder do conjunto, mas hoje se sabe que Benedito Lacerda não era o compositor, mas pagava pelas parcerias.

Indicado por Villa-Lobos em 1940, Pixinguinha foi o responsável pela seleção dos músicos populares que participaram da célebre gravação para o maestro Leopold Stokowski, que divulgou a música brasileira nos Estados Unidos.

A década de 40 trouxe problemas para Pixinguinha. Bety estivera doente e o mercado de trabalho estava ruim, com a invasão da música norte-americana nas rádios. Além disso, o músico já não tinha a mesma embocadura para o uso da flauta.

Em 1946, trocaria definitivamente o instrumento pelo sax, formando uma dupla com o flautista Benedito Lacerda. Trocou de instrumento definitivamente pelo saxofone em 1946, o que, segundo alguns biógrafos, aconteceu porque Pixinguinha teria perdido a embocadura para a flauta devido a problemas com bebida, mesmo assim não parou de compor. No final dos anos 40 começou a sofrer do coração.

Em 57, Pixinguinha já com 71 anos, gravou seis discos, dos quais se destacam, Os Cinco Companheiros, Pixinguinha e sua banda e Carnaval dos Bons Tempos. Já na metade da década de 50 surgiu a Velha Guarda, reunindo, entre outros, os amigos Donga e João da Baiana.

Em 1961, foi nomeado, pelo então presidente Jânio Quadros, para o Conselho Nacional de Música; não chegando a assumir o cargo, já que Jânio renunciaria. Um ano depois, fez uma parceria famosa com Vinícius de Moraes, na trilha sonora do filme Sol sobre a lama. Lamentos e Mundo Melhor foram os grandes sucessos da dupla.



Pixinguinha não parou de compor nem mesmo quando teve o primeiro enfarte, em 1964, que o obrigu a permanecer 20 dias no hospital. Daí surgiram músicas com títulos "de ocasião", como: "Fala Baixinho" Mais Quinze Dias", "No Elevador", "Mais Três Dias", "Vou pra Casa".

Em Junho de 1964 passou um mês internado, depois de sofrer um edema agudo seguido de enfarte. Depois de dois anos parado, tocou sax na festa em sua homenagem, Noite de Pixinguinha, no Teatro Jovem, tendo como convidados, João da Baiana e Clementina de Jesus.

Em 1968, foram comemorados os seus 70 anos com uma exposição no Museu da Imagem e do Som, uma audição no Teatro Municipal e sessão comemorativa na Assembléia Legislativa.

Em Junho de 1972 Betty faleceu; sem a companheira de sempre, Pixinguinha passaria a viver em companhia de Alfredinho e sua nora. A alegria voltou em 1973, quando nasceu Eduardo, seu segundo neto. Pixinguinha compôs então pela última vez, Eduardinho no choro. Vinte e seis dias depois, faleceu na Igreja Nossa Senhora da Paz, aonde tinha ido para batizar o filho de um amigo. Seu corpo foi velado no MIS e no dia seguinte, enterrado no cemitério de Inhaúma, junto ao de Betty. O povo, em uma última homenagem, cantou Carinhoso.

Pixinguinha faleceu na igreja de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, Rio de Janeiro, no dia 17 de fevereiro de 1973; e foi enterrado no Cemitério de Inhaúma.

Depois de sua morte, em 1973, uma série de homenagens em discos e shows foi produzida.

A Prefeitura do Rio de Janeiro produziu também grandes eventos em 1988 e 1998, quando completaria 90 e 100 anos.

No dia 23 de abril comemora-se o Dia Nacional do Choro, trata-se de uma homenagem ao nascimento de Pixinguinha. A data foi criada oficialmente em 4 de setembro de 2000, quando foi sancionada lei originada por iniciativa do bandolinista Hamilton de Holanda e seus alunos da Escola de Choro Raphael Rabello.



Em 2000, o cantor Marcelo Vianna, 31 anos, gravou o disco Teu Nome – só com músicas de seu avô, o compositor Pixinguinha. Vianna, que foi apadrinhado pelo sambista João Nogueira no projeto Novo Canto em 1998, já participou de musicais como: Samba Valente de Assis, Pianíssimo, Noite de Reis e Pixinguinha (os dois últimos do diretor Amir Haddad) e de shows com Paulinho da Viola e Baden Powell.

Teu Nome, no entanto, foi seu disco de estréia. No repertório, além de versões para clássicos como Rosa, Lamento, Carinhoso e Benguelê, duas músicas inéditas: No Terreiro de Alibibi (Pixinguinha/ Gastão Viana) e Meu Sabiá. Esta última e Samba de Gafieira ganharam letras de Paulo César Pinheiro especialmente para o disco. Já No Terreiro... incorporou elementos modernos – o rap de Pedro Luís e a Parede – e tradicionais – a participação da Velha Guarda da Mangueira nos coros afro.

Outros convidados especiais foram: João Nogueira (que gravou Patrão, Prenda seu Gado, de Pixinguinha, Donga e João da Baiana, um dos últimos registros fonográficos do cantor), Jaques Morelenbaum (que fez o arranjo de Rosa só para violoncelo e voz) e Dom Um Romão, em Mundo Melhor (Pixinguinha/ Vinicius de Moraes).

Completam a seleção Bianca (Pixinguinha/ Andreoni), Samba de Fato (Pixinguinha/ Cícero de Almeida), Yaô (Pixinguinha/ Gastão Viana) e Gavião Calçudo (só de Pixinguinha). A direção musical foi do violonista Caio Cezar, e a produção foi da PZM, empresa que cuida do acervo do mestre do choro, recentemente transferido para o Instituto Moreira Salles, no Rio.



O lançamento do livro A escuta singular de Pixinguinha – História e música no Brasil dos anos 1920 e 1930, de Virgínia de Almeida Bessa, foi no dia 18 de dezembro/2010, sábado, às 15h30, na Livraria Martins Fontes, em São Paulo. A obra foi contemplada com o Prêmio Funarte de Produção Crítica em Música. No texto, a historiadora procura desvendar aspectos menos explorados da trajetória do músico. Para isto, a autora reconstrói o painel da música e da cultura do Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XX.


FONTE
Wikipédia
site oficial
cliquemusic
cifrantiga

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