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"Acho que finalmente me dei conta que o que você faz com a sua vida é somente metade da equação. A outra metade, a metade mais importante na verdade, é com quem está quando está fazendo isso."

quarta-feira, 2 de março de 2011

Neide Mariarrosa


O Grêmio Recreativo Escola de Samba Consulado - escola de samba de Florianópolis localizada no bairro de Saco dos Limões - desfilou, em 2004, com o enredo "Uma Rosa para Neide Maria".

Uma Rosa Para Neide Maria

Quanta saudade
Da rosa que encantou a multidão!
Pelos palcos da vida
Hoje faço da avenida
Um turbilhão de emoção
Num cantinho qualquer
Se ouvia o cantar dessa bela mulher
No rádio, também foi atriz
Fez o povo feliz
Hoje uma estrela a brilhar

E nos carnavais passados
Do Miramar dos mascarados
Ficou só lembranças
De confete e serpentina, pierrôs e colombinas
Embalados por sua voz divina

Vem me abraçar que eu tô que tô
Trouxe uma rosa pra você, amor
Vem mergulhar nessa alegria
Que a Consulado irradia
BIS

Moça faceira, na capital do samba, encantou
Rara beleza, voz de cristal que Deus abençoou
Nos festivais, foi aplaudida de pé
Defendeu grandes artistas e se consagrou
Mas a saudade foi maior da terra onde nasceu
E Neide voltou ao seu ninho
Pra cantar as canções de Zininho

Põe a alma no gogó, cantor
Leva o coração no pé, sambista
Pra fechar eu quero um show de bateria
Vamos exaltar Neide Maria
BIS

Neide Mariarrosa foi uma das principais cantoras de Santa Catarina e é um nome essencial quando se fala na construção da identidade cultural de Florianópolis, pois ela ajudou a projetar Santa Catarina artística e culturalmente em outros estados brasileiros e abriu portas para vários músicos locais.

Sobre ela recentemente foi realizado o documentário, "Ai Que Saudade de Neide!", pelas jornalistas Fernanda Peres e Taíse Bertoldi, do Curso de Comunicação da UFSC, e um importante livro, com várias fotos e dois CDs, um dos quais com gravações inéditas, sob os auspícios da Fundação Franklin Cascaes, deverá ser lançado em breve.

Entre os depoimentos constantes na obra, o do crítico musical conterrâneo Ilmar Carvalho e de Maximiliano Rosa, irmão dessa que é considerada a mais importante cantora popular de Santa Catarina até hoje: "uma voz com a suavidade das Marias e a beleza das rosas", como declarou a madrinha artística Elizeth Cardoso, na esteira de sua admiração por ela.

Florianopolitana, nascida na rua Menino Deus, em 11 de abril de 1936, começou sua carreira no rádio, aos 13 anos de idade, como cantora. A partir de um concurso que venceu, começou a trabalhar na Rádio Guarujá e pouco tempo depois na Rádio Diário da Manhã, onde era cantora, radioatriz e locutora, nas décadas de 1950 e 1960.

Conhecida pelo timbre de voz e pela capacidade de fazer até quatro personagens diferentes em uma mesma radionovela, teve seu talento reconhecido por Elisete Cardoso, cantora de renome e sucesso nacional, que, após conhecer Neide durante a passagem para um show em Florianópolis, em 1962, convenceu a catarinense a ir tentar a carreira no Rio de Janeiro.

Na capital fluminense, gravou seu primeiro compacto e morou na casa de Elisete Cardoso entre 1964 e 1970, quando teve a oportunidade de conhecer grandes nomes da música como Baden Powell, Elis Regina e Jacob do Bandolin.

Entre suas atividades, estrelou o espetáculo Sua Excelência, o Samba, que ficou durante quase um ano em cartaz no Golden Room do tradicional Copacabana Palace. Além disso, participou, em 1967, do II Festival Internacional da Canção, quando classificou composições de Edu Lobo e Paulo Gustavo da Silva Constanza entre as 20 finalistas e ficou com o segundo lugar na premiação de melhor intérprete do festival, perdendo para Milton Nascimento.

Participou de outros festivais de música, como o de Juiz de Fora, onde foi escolhida a melhor intérprete, e a I Bienal do Samba de 1968, quando defendeu a música Protesto Meu Amor, de autoria de Pixinguinha.

Na TV, apresentou-se em programas como o do apresentador Flávio Cavalcanti e Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte-Preta. Foi, inclusive, durante o primeiro programa que participou de Stanislaw Ponte-Preta, que Neide, por sugestão de Elizete Cardoso, junta o "Maria" e o "Rosa" de seu nome, e passou a assinar artisticamente como "Neide Mariarrosa".

Em 1965, a prefeitura de Florianópolis lançou um concurso para escolher uma música que representasse a Capital dos catarinenses. Na ocasião, o amigo e poeta Zininho convidou Neide, então a mais famosa cantora do Estado, para interpretar seu Rancho de Amor à Ilha, que ele havia composto especialmente para o concurso.



"Ilha da moça faceira/da velha rendeira tradicional/ilha da velha figueira/onde em tarde fagueira/vou ler meu jornal/tua lagoa formosa/ternura de rosa/poema ao luar/cristal onde a lua vaidosa/sestrosa, dengosa/vem se espelhar."

Neide gravou a música acompanhada do grupo Titulares do Ritmo. O Rancho venceu o concurso e, em 1968, foi oficializado como hino da cidade.

Dois anos depois, ainda no Rio de Janeiro, Neide passou a fazer parte do incipiente movimento Musicanossa, que reunia nomes da bossa nova e artistas como Beth Carvalho, Nara Leão, Paulo Sérgio Valle e Roberto Menescau. Dessa fase, existe o LP Isto é Musicanossa!, no qual Neide interpreta a faixa Pobre Morro.

Apesar de todo o sucesso em shows e festivais, em 1970 Neide voltou para Florianópolis. O que era para ser apenas uma visita de Natal à família, transformou-se em um retorno definitivo à cidade. Sobre essa volta, as opiniões de parentes e amigos são diversas. Há quem diga que Neide teve um grande desgosto no Rio de Janeiro e por isso resolveu voltar, há quem diga que foi saudade.

Em Florianópolis, Neide foi proprietária de dois restaurantes, onde pretendia reunir os amigos e artistas da cidade. Sem tino para os negócios, se viu obrigada a fechar os estabelecimentos. Passou então a cantar na noite e a acompanhar esporadicamente dois grupos: o conjunto de regional Vibrações e a banda baile Quebra com Jeito.

Em 1988, foi convidada pela Fundação Franklin Cascaes a gravar aquele que seria seu primeiro e único LP, intitulado Eu sou assim, apenas com músicas de compositores da Ilha. Pouco tempo depois, Neide adoeceu e, vítima de câncer de mama e de ossos, morreu, aos 58 anos, no dia 4 de setembro de 1994, em Florianópolis.



AH! QUE SAUDADES DA NEIDE - A diva da Era do Rádio



Livro com dois CDs resgata a trajetória de Neide Mariarrosa - Para matar a saudade de quem a conheceu e diminuir a curiosidade daqueles que só ouviram falar, no ano que vem, estará no mercado um livro com dois CDs da cantora catarinense de maior projeção nacional até hoje: Neide Mariarrosa. Enquanto um deles traz as músicas do único LP lançado por ela, o outro as gravações inéditas.


(O número musical aqui apresentado é "O Sol Nascerá" interpretado por André Calibrina.)

O vinil Eu sou Assim, gravado em 1988, foi o primeiro e último da carreira de Neide Mariarrosa. No disco, ela canta nove músicas de compositores de Florianópolis, como Zininho e Osvaldo Ferreira de Melo, mais uma folclórica. Com a remasterização das faixas do LP para ser transformado em CD, será possível elevar o som de instrumentos, melhorar a sonoridade de outros que estão “achatados”, como o saxofone, que não se ouve bem devido à precariedade da tecnologia disponível na Capital na época.



O segundo CD traz músicas cantadas nos três compactos que gravou, entre elas, O Amor Partiu em Paz, de Tito Madi, e algumas ao vivo, que Neide Mariarrosa interpretou em festivais internacionais da canção para nomes como Edu lobo. Os dois CD’s virão encartados no livro, contem foto e texto da intérprete original de Rancho de Amor à Ilha.



(Show no Teatro Álvaro de Carvalho - TAC em 10/12/93. Apresentação é de Mauro Amorim. O grupo regional que acompanha é o Nosso Choro de Wagner Segura. O número musical é "Cordas de Aço" com a participação de André Calibrina.)

A pretensão do coordenador do projeto, Dennis Radünz, que é também coordenador da Fundação Franklin Cascaes, a instituição responsável pelo lançamento do chamado álbum de Neide Mariarrosa, é não fazer deste livro uma biografia.

A ideia é convidar alguns jornalistas especializados na área para que, contando com o acervo de fotografias e notícias guardado pela família da cantora, possam escrever sobre a vida dela, mesclando elementos do cenário nacional do período.

Maximiliano Rosa, um dos irmãos da cantora e também idealizador do projeto, participa com um depoimento mais afetivo do que noticioso. O crítico de música Ilmar Carvalho, que acompanhou a carreira de Neide Mariarrosa também participa do projeto.

O projeto resgata parte da vida e da obra da cantora . A pesquisa sonora, feita pelo produtor da versão original de Eu Sou Assim, Norberto Depizzolatti, e a fotográfica estão concluídas. Pra a remasterização das músicas e a produção do livro o valor calculado foi de R$ 100 mil (captado em órgãos públicos). "Estou otimista com relação à captação por causa da relevância cultural que o projeto tem não só para Santa Catarina, mas para todo o país, afinal, ela foi uma das divas do rádio brasileiro" – observou Dennis - em 2009.



(Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), das graduandas Fernanda Peres e Taise de Queiroz Bertoldi. Grande reportagem em vídeo sobre a vida da cantora Neide Mariarrosa, gravada no primeiro semestre de 2008.)

Cantora revelada nas emissoras da Capital, Neide Mariarrosa foi para o Rio de Janeiro no início dos anos 1960

Neide Maria Rosa de nascença e Neide Mariarrosa por opção profissional começou a cantar aos 14 anos, em um concurso de calouros da Rádio Guarujá. Vencedora, ela passou a fazer parte de programas da emissora e a difundir seu talento para o Estado não só pela música, mas também pelas radionovelas.

A cantora de voz grave, comumente comparada a de Dalva de Oliveira, era capaz de fazer personagens diferentes em uma mesma cena. Apesar de não ter a pretensão de ser uma estrela, mas de simplesmente cantar, segundo palavras do irmão Maximiliano Rosa, Neide foi para o Rio de Janeiro no início da década de 1960.

O convite para fazer carreira na cidade, então Capital do país, foi feito por Elizeth Cardoso, que havia conhecido a cantora em Florianópolis, antes de um show. Lá, a manezinha conviveu com artistas como Elis Regina e se tornou uma das atrações do espetáculo Sua Excelência, o Samba, no Copacabana Palace.

Apegada aos familiares e amigos, voltou a Florianópolis para cantar Rancho de Amor à Ilha, que o amigo Zininho havia inscrito em um concurso. A notoriedade da música a tornaria, três anos depois, hino da cidade. De volta ao Rio, cantou em programas famosos da TV brasileira, como o de Flávio Cavalcanti, e participou de festivais, chegando a perder um deles apenas para Milton Nascimento.

Em uma capa de jornal da época, uma foto dela com a legenda “Neide Mariarrosa classifica música do velho Pixinga” comprova a importância no cenário cultural do período.

Em 1970, ela voltou para ficar em Florianópolis, onde abriu restaurantes para receber os amigos. O primeiro foi na Lagoa da Conceição. O segundo, no Centro. Aí, se apresentava com bandas locais.

– Ela era inovadora. Foi uma das primeiras mulheres a puxar um samba-enredo, o da Protegidos da Princesa, em 1981 – orgulha-se Maximiliano.

O último show, que fez sentada em uma cadeira de rodas, foi realizado no CIC, emocionando o público com canções como Três Apitos, de Noel Rosa. Por causa de um câncer de mama, a carreira de Neide Mariarrosa foi interrompida em 1994. ( aqui...)

Rádio Diário da Manhã de Florianópolis


Durante os anos de 1958 a 1966 a Rádio Diário da Manhã de Florianópolis apresentou nas noites de sexta-feira um dos seus programas de maior sucesso: Bar da Noite, criado por Cláudio Alvim Barbosa (1929-1998), mais conhecido como Zininho, e tendo como estrela a cantora Neide Maria Rosa (1936-1994). Zininho comenta em entrevista que criou Bar da Noite para Neide Maria cantar e que ao invés de seguir o formato dos programas de então, onde era apresentado o nome da rádio e em seguida se chamava a atração musical, teve um "estalo" e decidiu criar um bar imaginário.

A abertura e o fechamento desse bar imaginário se davam com a voz em tom grave de Neide Maria cantando trecho da música Bar da Noite, de Bidú Reis e Haroldo Barbosa, que foi sucesso na voz da cantora Nora Ney (1922-2003): "Você sabe bem que é mentira/ Mentira noturna de bar/ Bar tristonho sindicato/ De sócios da mesma dor/Bar que é o refúgio barato/Dos fracassados do amor". Com este trecho musical começava e terminava o Bar da Noite, indicando que o bar é local dos solitários, dos que sonham e sofrem por amor. Ou nas palavras do Locutor:

Bar da Noite [...] fumaça, murmúrios que se perdem durante o tinir de taças [...] o es[?] de garrafas que se abrem para derramar o esquecimento, para turvar as idéias [...] o suave farfalhar das sedas nas dansas [sic] preguiçosas [...] isso é Bar da Noite. O porto onde atracam sonhos [...] o alimento das quiméras [sic], das ilusões [...] Assim é [...] E enquanto bebericamos melancolicamente, deixemos que a ilusão mais cara tome forma nas azas [sic] da música [...] da música que faz sonhar quando Neide Maria canta".

Áudio: Trecho do programa "Bar da Noite, transmitido pela Rádio Diário da Manhã. Fone: Acervo ZININHO - Casa da memória.

Museu da Imagem e do Som (MIS), de Santa Catarina

O DVD \"Cristal - Neide Mariarrosa\", de Ronaldo dos Anjos e Eduardo Paredes, faz parte do acervo do Museu da Imagem e do Som (MIS), de Santa Catarina.

Gravado na Sala Multimídia do MIS/SC, um Documentário (audiovisual) em dezembro de 1993, no Teatro do CIC, o DVD mescla interpretações da cantora, locutora e radioatriz Neide Mariarrosa, desfiando suas canções preferidas, e conversas de bastidores, com o produtor Mauro Júlio Amorim, sobre a carreira de sucesso no Rio de Janeiro e a volta para Florianópolis.

Editado por Ronaldo dos Anjos, responsável também pela captação de imagens junto com o cinegrafista Cezinha, o documentário de 80 minutos conta ainda com a participação do conjunto musical Nosso Choro, comandado por Wagner Segura. (aqui)




FONTE

DIARIOCATARINENSE

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