terça-feira, 12 de abril de 2011

Carlos Henrique

 
"Duvidamos que alguém venda mais barato!". Com esse bordão e o polegar direito levantado o locutor Carlos Henrique - (Henry Charles Gonçalves) - tornou-se nos anos 70 e 80 o símbolo publicitário das Casas Sendas, chegando a ser seu gerente de propaganda e, depois, sócio da agência Giovanni (que detinha a conta da rede de supermercados) em seus primeiros anos...

Carlos Henrique, nome artistico do cantor, ator, locutor e apresentador de TV Henri Charles Gonçalves (Rio de Janeiro/RJ, 1929 * Rio de Janeiro/RJ, 19 de abril de 2006), iniciou sua carreira em 1954, ocupando com sucesso o microfone da Rádio Mayrink Veiga, graças à beleza de sua voz de locutor.

Nos anos 50, sua voz era ouvida nos intervalos comerciais da Radio Mayrink Veiga, AM do Rio, entre programas de cantores famosos e humoristas da moda. Fazia dupla com outra voz celebre, a do locutor Cid Moreira.

Em 1954, Carlos gravou pela Columbia o slow-fox "Pretenda", de Lew Douglas, Parman, La Vere, com versão de Alberto Ribeiro, e o samba-canção "Sinhá moça", de Oscar Bellandi e Luiz Sotto; o fox "Relógio sincopado", de L. Anderson, com versão de Haroldo Barbosa, a valsa "Quero Lili", de Sivan Castelo Neto e Lita Rodrigues, o samba "Gota por gota", de Alfredo Ribeiro e Ari Macedo, e a marcha "Um beijinho é bom", de Alfredo Ribeiro e Aldacir Louro.




Ainda em 1954, Carlos ocupou as paradas de sucesso com o bolero "Mariana", de Singer, com versão de Alberto Ribeiro, e o samba-canção "Canção sem nome", de Renato de Oliveira.

Em 1955, Carlos Henrique gravou em dueto com a cantora Araci Costa os baiões: "Alice", de Victor Simon e Neco, e "Triste adeus", de Rômulo Paes e Henrique de Almeida, e em dueto com a cantora Zilá Fonseca os baiões "Mineiro apaixonado", de Tertuliano Silva, e "Minha Zabelê", de Rômulo Paes e Valquíria dos Santos. Ainda nesse ano, gravou sozinho a canção "Vera Cruz", de S. Cahn, H. Friedhofer e Ghiaroni, e o fox "Cinema bossa nova", de Hianto de Almeida e Chico Anísio.



Para o carnaval de 1956, Carlos lançou o samba "Resignado", de Rômulo Paes, Henrique de Almeida e Mary Monteiro, e a marcha "Gente bem", de José Messias e Carlos Brandão.

No ano de 1957, gravou a marcha "Mulher parece bonde", de Herivelto Martins e José Messias, e o samba "Chinelo velho", de Carlos Brandão e José Messias.

Embora sendo considerado prioritariamente locutor, gravou ainda discos por pequenos selos como Cisne Real, pelo qual lançou as marchas "Nos braços dela", de Waldir Machado e Osvaldo Lira, e "Play-boy Valdemar", de Waldir Machado e Rubens Machado.



Em 1962, gravou no selo Guanabara as marchas "Luz do teu olhar", de Gil Lima e Elpídio Viana, e "Hotel Avenida", de César Cruz e Silvinha Drumond.

Gravou no selo Magisom as marchas "Tamborim no Kibbutz", e "Garota bossa-nova", ambas de Américo Rodrigues.

Em 1963, gravou o tango "Palhaço", de Herivelro Martins e David Nasser, e o beguine "Melodia do céu", de Haroldo Eiras e Di Veras. Gravou pelo mesmo período o samba "Ressucitou", de Nilo Barbosa, Carlos Marques e Silva Simões, e a marcha "O grande inventor", de Nilo Barbosa e Carlos Marques.

Durante muitos anos foi o locutor exclusivo do supermercado Sendas, sendo a voz e a imagem do grupo durante décadas a fio, tanto no rádio como na televisão. Cerrando o punho direito e levantando o polegar (em close para a câmera), ele fechava os comerciais, dizendo:

"- Duuuuuuuuvidamos que alguém venda mais barato!"

Carlos Henrique apresentou ainda um programa na TV Tupi do Rio de Janeiro, que ia ao ar nas tardes de sábado, chamado "Sendas do Saber". O programa era uma gincana entre colégios. O jingle do programa tinha um trecho assim:

"Em conhecimentos gerais, quem sabe mais vale mais.
Vamos todos ver o programa... Sendas do Saber"

Gravou um total de 14 discos em 78 rpm, a maioria pela gravadora Columbia.

Com a saúde muito debilitada, ele morreu aos 77 anos. Carlos Henrique foi enterrado no cemitério Jardim da Saudade, em Paciência, zona Oeste do Rio.

DISCOGRAFIA:

• Pretenda/Sinhá moça (1954) Columbia 78
• Relógio sincopado/Quero Lili (1954) Columbia 78
• Mariana/Canção sem nome (1954) Columbia 78
• Gota por gota/Um beijinho é bom (1954) Columbia 78
• Alice/Triste adeus (1955) Columbia 78
• Mineiro apaixonado/Minha Zabelê (1955) Columbia 78
• Vera Cruz/Cinema bossa nova (1955) Columbia 78
• Resignado/Gente bem (1955) Columbia 78
• Mulher parece bonde/Chinelo velho (1957) Columbia 78
• Nos braços dela/Play-boy Valdemar [S/D] Cisne Real 78
• Luz do teu olhar/Hotel Avenida (1962) Guanabara 78
• Tamborim no Kibbutz/Garota bossa-nova (1963) Magisom 78
• Palhaço/Melodia do céu (1964) Repertório 78
• Ressucitou/O grande inventor [S/D] Trovador 78

CURIOSIDADES

*O locutor foi uma figura muito querida do mercado publicitário, por sua enorme simpatia. Mistura de cliente e locutor, ele mesmo aprovava e gravava os textos que os criativos lhe levavam para os comerciais e spots das Sendas. Wanderlei Gonçalves, diretor da Nova Onda e também requisitado locutor do mercado publicitário, conta que, no começo de carreira, viveu uma experiência inesquecível com Carlos Henrique, que já era um nome consagrado. A voz das Sendas puxou-o de lado e perguntou:
- Wanderlei, digamos que você tenha uma gravação marcada para as 3 da tarde e duas outras produtoras chamem você para o mesmo horário. O que você faz?
Wanderlei, novato, explicou que pediria desculpas e justificaria com o compromisso já assumido com a primeira.
Carlos Henrique cortou na hora:
- Errado! Você marca com as três. E chega atrasado.


*Segundo Marcos Abrahão, diretor da Scalla: "Carlos Henrique marcou um tempo na comunicação de varejo, anunciando primeiro sozinho, depois ao lado de sua filha, as ofertas diárias das Sendas. Era uma comunicação que nós, da concorrência, tentávamos suplantar com toda a criatividade possível. Mas a simplicidade da forma e a simpatia do personagem tornavam isso uma tarefa árdua"...

Lembro que quando criei a campanha "NOJENTO" para o Disco, estrelada por Tião Macalé e Marina Miranda, utilizando paródias, um dos roteiros levava esses personagens a fazer uma sátira dos comerciais de Carlos Henrique e sua filha. Até então nunca o havia conhecido pessoalmente, mas soube que ele achou aqulo muito divertido, mas exagerado.

Numa das incontáveis gravações realizadas na Provarejo, tive a oportunidade do primeiro contato com Carlos Henrique. Então Mirando, um grande iluminador, gaiato como ninguém, me apresentou como o criador do NOJENTO. Pensei que eu iria apanhar ali mesmo. Carlos Henrique com seu porte elegante, era bem mais volumoso que eu, nos meus mirrados 1,58 metros.

Ele me olhou sério por um tempo e depois abriu um sorriso, aquele mesmo sorriso Sendas que duvidava que alguém tivesse preço melhor. Apertou minha mão e me deu os parabéns: - Belo trabalho. Mas ficaria melhor se o Tião Macalé tivesse um sorriso Sendas.

Na hora eu achei a idéia genial e falei que no próximo comercial ele teria. Providenciamos então uma dentadura para o Tião e incluímos mais um esquete, no pacote mensal que era gravado nos estúdios do SIR Laboratórios, em Curitiba/PR. E o Tião foi para o ar na semana seguinte expondo um belo sorriso completo, não tão sincero como o de Carlos Henrique, mas surpreendente. Depois daquele dia na Provarejo, nunca mais tive contato com o Carlos Henrique. Mas aquele breve encontro me fez entender o motivo do seu sucesso como garoto propaganda: a autenticidade.

O sorriso que ia para o ar era o mesmo que ele emprestava às pessoas do seu dia-a-dia. Era espontâneo, era natural, era autêntico. Não era o sorriso exigido pelo diretor de cena. Por isso ele conseguia tanta empatia com o público, que permaneceu por muitos anos fiel ao sorriso Sendas."

*Valois Corrêa, redator da Contemporânea relembra: "Trabalhei com o Carlos Henrique, na Giovanni, durante uns 3 anos. Ele sempre foi muito fiel à Sendas. Houve uma época em que adoeceu e comentou com o pessoal da agência: "Estou com hérnia de Sendas!" Quando alguém tentou corrigi-lo, dizendo que a hérnia era de disco, ele se levantou, dizendo que "essa hérnia aí é da concorrência e eu não tenho hérnia da concorrência. A minha é da Sendas." Aí piscou o olho, abriu um sorriso e foi embora. Grande sujeito e um bom chefe. Vai deixar saudades..."

*Dinoel Sant Anna, da Disa Produções faz uma sugestão que achei apropriadissima: "[...] só hoje fui informado, pelas excelentes locutoras Eloá Dias e Zezé, sobre o falecimento do Carlos Henrique. O Inesquecível. Porém, seria imperdoável deixar de reivindicar uma homenagem para essa nobre figura com quem convivi a partir dos anos sessenta. Afinal, com ele aprendi inúmeras lições de vida e de locução. Importante é que os mais jovens saíbam que o Carlos Henrique não era apenas a voz, o sorriso simpático e o polegar em sinal de positivo.

Antes de Sendas a carreira do excepcional locutor já estava consolidada. Ao longo dos meus anos, como locutor de comercias, trabalhei com inúmeros talentos, mas nenhum entrava num estúdio tocava piano, contra-baixo, bateria, cantava e fazia a locução, com várias vozes, como ele. Modestamente construi minha carreira embalado, como criança, pelos ensinamentos e conselhos que dele recebi.

Portanto, pela obra que deixa para a publicidade essa inigualável figura, aproveito para sugerir que seja instituído o "Prêmio Carlos Henrique de Locução Publicitária" que, sem qualquer exagero, homenageará um homem que dedicou-se com todo talento bem servir a propaganda. A sugestão está dada, espero que o Clube de Criação se sensibilize e acate essa idéia. Atenciosamente. Dinoel Sant Anna (Diretor da Disa Produções)"

FONTE

Memória da MPB

Janela Publicitária

2 comentários:

Flávio disse...

Que furo hem!!
A reportagem é sobre o Carlos Henrique da Sendas, e vcs colocam uma foto do Tião Macalé que fazia propaganda do Supermercados Disco.
Cadê a foto do Carlos Henrique?

Beth disse...

Não entendi o seu comentário!

A foto do Comercial do Disco com Tião Macalé e Marina Miranda, está exatamente onde deveria estar dentro da postagem...

https://www.youtube.com/watch?v=aIoASBypKqA