quarta-feira, 20 de abril de 2011

Edécio Lopes

“Quero que você lembre de mim
como algo muito seu...”


Edécio nos deixou vasta história de luta pela cultura nordestina. Entre seu legado, uma música ficará eternamente nos carnavais alagoanos, Cidade Sorriso:

Subi a ladeira do Farol
Fiquei no mirante a olhar
Os raios dourados do sol
No azul imenso do mar.

Olhei a cidade sorriso
E vi Maceió tão feliz
Mostrando tanta riqueza
Ao povo desse país

Eu vi, eu vi, eu vi, eu vi
Vi tanta coisa boa
Vi um mundão de lagoa
Um barco a deslizar

Eu vi, eu vi, eu vi, eu vi
O Trapichão enfeitado
O CRB no gramado
Jogando com o CSA

Eu vi, eu vi, eu vi, eu vi
Jatiúca, Pajuçara, Ponta Verde, jóia rara. Avenida, Jaraguá
Depois de ver coisas tantas, vi afinal de contas,
Terra mais linda não há.

Especialista em Brasil, como anunciava a abertura do programa “Manhãs Brasileiras”, que se notabilizou e influenciou milhares de alagoanos entre os anos 70 e 80, o radialista e compositor de frevo Edécio Lopes foi um dos principais compositores e incentivadores da música carnavalesca em Alagoas.

Pernambucano de nascimento, mas alagoano de coração, o radialista Edécio Lopes fez dessas paisagens das lagoas Mundáu e Manguaba, das ladeiras do Farol, a inspiração exata para compor verdadeiras marchinhas e frevos que se tornaram muito mais que frevos ou marchas, tornaram-se hinos.

Mas, sobretudo, sua expressão de amor a Alagoas”, destaca Edmilson Vasconcelos, filho do radialista. “Papai era assim. Entrava janeiro, ele já começava a tocar músicas de carnaval, sobretudo o frevo”, completa Edmilson, que não seguiu os passos do pai como compositor, mas é um autêntico divulgador das músicas de Carnaval.

Sua obra-prima mais famosa em homenagem a Alagoas, em forma de frevo-canção, foi “Cidade Sorriso”, que qualquer jovem, mesmo que menos atento ou desligado, já ouviu pelo menos o refrão:

Eu vi, eu vi, eu vi, vi tanta coisa boa/Um mundão de lagoas, um barco a desliza/Jatiúca, Pajuçara, Ponta Verde joia rara, Avenida Jaraguá/Trapichão enfeitado, CRB no gramado, com CSA a jogar/Eu vi, eu vi, eu vi (...)”.

A música Cidade Sorriso fez grande sucesso na voz do cantor pernambucano Claudionor Germano.

Edécio era dono de um invejável acervo sobre a história da música popular brasileira e, nesse rol, o frevo tinha lugar cativo.

Em 2010, em comemoração ao Dia da Cultura, além da entrega do Certificado Amigo da Cultura Alagoana, concedido pelo Conselho Estadual de Cultura, no Museu Palácio Floriano Peixoto, foi assinado também o Termo Provisório de Custódia do Acervo do Radialista Edécio Lopes de Vasconcelos.

Com a assinatura do Termo Provisório de Custódia do Acervo do Radialista Edécio Lopes de Vasconcelos, por seus familiares e pelo secretário de Estado da Cultura, Osvaldo Viégas, o material ficará instalado no Museu da Imagem e do Som (Misa), em área individualizada a ser denominada Memorial do Rádio Alagoano Espaço Edécio Lopes.

Na solenidade estavam presentes a viúva do radialista, Olindina Rodrigues Lopes, e seus filhos, Edméia Rodrigues de Vasconcelos, Edmilson Rodrigues de Vasconcelos, Edvaldo Rodrigues de Vasconcelos, e Ednaldo Rodrigues de Vasconcelos.

O memorial será criado para que a população tenha acesso a relíquias da música popular brasileira, assim com a música regional, e a história do rádio de Alagoas. O acervo levantado por Edécio Lopes é vasto e seleto, fruto de anos e anos de pesquisas e consultas diárias.

É de grande interesse da família transformar o acervo em algo vivo. Trazendo ao público, principalmente, aos mais jovens o conhecimento da cultura popular, ouvindo as músicas de artistas mais antigos. ressalta Edmilson Rodrigues Lopes, filho mais velho do radialista.

Radialista com mais de 50 anos de atuação, Edécio Lopes foi também poeta e escritor com três livros publicados. Ele criou o programa Manhãs Brasileiras, dedicado à música popular brasileira, e especialmente, alagoana. Era amante do carnaval e do frevo, e apresentava toda variedade do gênero musical em seu programa. E esteve no ar de 1975 a 2008.

Um dos programas mais antigos do rádio alagoano, Manhãs Brasileiras foi criado pelo radialista nos 70 e passou por várias rádios alagoanas, rádio Progresso, Gazeta, Difusora, Palmares, JHFM, Manguaba AM, e Educativa. Onde muitos poetas, escritores, cantores e artistas de varios gêneros culturais e literários se tornaram conhecidos.

Para o memorial, o registro e a catalogação do acervo do radialista Edécio Lopes foram concluídos em maio deste ano e passou por um levantamento museológico com o tombamento dos itens e a digitação do inventário.

O trabalho foi realizado por uma equipe de profissionais que passaram praticamente todo o período da pesquisa na residência da família, onde se encontrava todo o material, sendo coordenado por Fernando Lobo, coordenador do Sistema Alagoano de Museus (SAM).

O acervo do radialista dispõe de: 7.101 discos de vinil; 38 caixas de discos de acetado de 78 rpm; um acervo bibliográfico com 819 exemplares; uma vitrola; mobiliário de diversos troféus, camisetas, faixas e placas.

Pernambucano de nascimento, alagoano de coração, Edécio Lopes é referência quando o assunto é carnaval em Alagoas. Coroado embaixador do frevo, o radialista, escritor e compositor está sendo homenageado pelo Instituto Zumbi dos Palmares (IZP) com o programa “IZP na Folia - Revivendo o carnaval de Edécio Lopes”, que foi ao ar nas duas semanas que antecederam o carnaval, de segunda a sexta-feira, das 8h às 9h da manhã, pela Rádio Educativa FM.

A iniciativa reforça a campanha IZP na Folia que o instituto está realizando este ano, com as suas emissoras de rádio e TV apoiando e divulgando as manifestações culturais típicas deste período. Em todas as edições o programa especial esteve recheado de muito frevo, machinhas e sambas, entrevistas com representantes de blocos e de escolas de samba, e participação de amigos e familiares do radialista homenageado.

Com apresentação do jornalista e radialista Marcos Guimarães, a primeira edição do programa contou com a presença de filhos e netos de Edécio, de Emanuel Fortes - um dos idealizadores do programa, representando Os Seresteiros da Pitanguinha -, de Braga Lyra - representando o bloco Pinto da Madrugada -, do radialista Arnaldo Costa, além do diretor presidente do IZP, jornalista Marcelo Sandes. A lembrança do homem, do profissional, do pai e amigo evocou saudades e boas lembranças, num bate-papo descontraído nos estúdios da Educativa, que Edécio tão bem conhecia.

O momento é para reviver e para alegria, então, nada calou e nem vai calar a voz de Edécio Lopes,” disse emocionado Dinho Vasconcelos, um dos filhos do radialista. Durante o programa foram exibidas algumas composições de Edécio, dentre elas a inédita “Alma Lavada”, com interpretação do próprio homenageado e acompanhamento do maestro Almir Medeiros, no violão.

Alguém pode ter amado alagoas igual à Edécio, mas mais que Edécio eu duvido,” comentou Braga Lyra. Era no “Manhãs Brasileiras” que os representantes de blocos, escolas de Samba e compositores de frevos e machinhas de carnaval tinham espaço garantido durante o ano inteiro, sendo mais intensamente no período que antecedia a folia de Momo.

Para o diretor-presidente do IZP, jornalista Marcelo Sandes, a proposta é bem-vinda e fortalece o propósito do IZP, do Governo do Estado de apoiar as manifestações culturais locais. “Isso reforça o sentido de identidade e de pertencimento que precisamos ter, pela valorização dos nossos costumes, dos nossos diferenciais”, observou. “Estão de parabéns o Emanuel Fortes, o Marcos Guimarães pela iniciativa, além dos familiares do Edécio, pela adesão e participação entusiasta”, ressaltou.

Destaque - À frente do “Manhãs Brasileiras” por mais de 40 anos, o pernambucano de Apoti ganhou destaque como um dos maiores comunicadores de Alagoas. Não apenas pelo brilhantismo com que conduzia suas entrevistas ou pela constante luta pela liberdade de expressão e pela cultura do seu país e região, mas por sua paixão pelo carnaval, pela boa música e especialmente por Alagoas. Além de composições exaltando as belezas da “Cidade Sorriso”, Edécio também deixou uma legião de ouvintes e de amigos, daí a idéia dessa justa homenagem, que proporciona a todos um pouco da alegria do carnaval do saudoso radialista.

Edécio Lopes faleceu em 21 de janeiro de 2008, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), após cinco meses de resistência. Mas, a paixão desse pernambucano-alagoano pelo carnaval e seu legado permanece vivo.


Clipe em homenagem ao radialista Edécio Lopes, produzido pelo jornalista Marcos Rodrigues, sobre música do também jornalista Ricardo Mota - Frevo do Bloco Filhos da Pauta - Carnaval 2009.



Homenagem do bloco Pinto da Madrugada e dos Seresteiros da Pitanguinha, no carnaval de Maceió 2010, ao radialista Edécio Lopes, com o lançamento do boneco Edécio Lopes - Embaixador do frevo.

Músicas de Autoria de Edécio Lopes

Cidade Sorriso - Claudionor Germano

Marceió - Claudionor Germano

Olha a Cara dele - Claudionor Germano

Galo da Pajuçara - Claudionor Germano

Vou Sair do Mapa - Claudionor Germano

Carnaval de Vitória - Ray Miranda

Toque de Reunir - Reginaldo Oliveira e Banda Vulcão

Lembre de Mim - Claudionor Germano

Assim se Passaram Dez Anos - Júnior Almeida

Ói Nós Aqui de Novo - Osman

Princesa do Capibaribe - Bada do 59º BIMTZ - Regência do Maestro Ivanildo Rafael

Confraria do Rei - Neto

Despedida - Jô Gomes

Tão Bonzinho - Doris Sandra

Lembre de Mim - Jô Gomes




FONTE

Sertão 24h

Jus Brasil

As Manhãs Brasileiras de Edécio Lopes

6 comentários:

Tom do Junco disse...

Tive o grande prazer de digitalizar os arquivos do Edécio, como também de pesquisar e remasterizar suas músicas (a sequência aqui postada é a mesma que preparei do cd "o frevo de Edécio Lopes", mas, ele também tem outras composições não carnavalescas, tais como Apoti (forró), gravada por Doris Sandra, Parabéns Jesus (religiosa), gravada pelo Coretfal e Coral Santa Cecília, e Hino à Virgem Imaculada (religiosa), gravada por Madalena Oliveira.

Tom do Junco disse...

Agora, quanto à iniciativa do IZP é pura demagogia, haja vista terem tirado o programa do Edécio Lopes do ar de forma arrogante e truculenta, coisa só vista na época da Ditadura militar, o que talvez tenha contribuído pra sua morte, e fico admirado como os filhos dele concordaram em participar desse obscuro ato de remisssão dos pecados da diretoria do IZP. Pelo que conheci do Edécio, no mínimo ele está se revolvendo no túmulo com o circo armado envolvendo o seu nome.

Beth disse...

Obrigada por sua contribuição ao Blog. Li um pouco mais sobre Edécio Lopes aqui: http://recantodasletras.com.br/homenagens/1410081

Tantas coisas acontecem a nossa volta uma nos alegram, outras nos enchem de tristeza. Oportuna tbm são as homenagens que rendemos as pessoas quando estas estão vivas; e podem vislumbrar nosso contentamento, ouvir nossos aplausos, se sentir recompensadas, reconhecidas...

Tom do Junco disse...

Pois é, Beth, depois de causar grandes danos morais ao Edécio, a direção do IZP tenta posar de boazinha como se não fosse a grande causadora da tristeza que ele carregava nos seus últimos dias. Ainda bem que a Dina não se deixou levar pelo canto do cisne.
Quando houver oportunidade lhe darei o cd com as músicas completas do Edécio. Gravações originais.
Abraços.

Tom do Junco disse...

Leiam mais sobre o Edécio em:

http://www.recantodasletras.com.br/homenagens/1396530

Abraços.

Beth disse...

Será um prazer receber o CD do Edécio não o conheci, mas lendo sobre ele passei tbm a admirar o legado cultural que ele deixou a nossa disposição. Tamanho carinho deve ser sempre lembrado e compartilhado.
Abçs!